Notas iniciais
Espero que gostem! Qualquer comentário é extremamente construtivo para mim, desde já, obrigada por ler!!!

Prefacio

Corra. Apenas corra. Era o que eu repetia para mim mesma. O sangue parecia está fervendo nas minhas bochechas, e o suor salgado escorria pela minha testa deixando o seu gosto ao escorregar pelos meus lábios entreabertos a procura de uma maior quantidade de ar do que a que eles estavam recebendo. Uso as costas da mão para enxugar a testa e percebo que ela está tremendo, talvez pela temperatura baixa que estava fazendo naquela madrugada fria ou talvez pela quantidade de adrenalina que percorria as minhas veias naquele momento. Todo o meu corpo reclamava, clamando por descanso, mas eu não podia parar, não agora que eu estava tão perto.

Esbarro

em uma senhora que aguardava pacientemente por alguém no cais, um barco de passageiros acabara de ancorar a poucos metros de onde estávamos. Me desculpo rapidamente com ela, que alisa o braço no local onde eu havia batido, mas me oferece um olhar caridoso e preocupado quando os seus olhos percorrem o meu corpo coberto apenas por uma camisola de cetim azul e um sobretudo colocado às pressas, que só percebo agora ter desabotoado alguns botões.

— você está bem, minha filha? — ela pergunta, segurando minha mão, que ainda tremia, entre as suas. De modo que a sua atenção se voltou a mancha de sangue já petrificada na barra da minha camisola.

Percebo que as pessoas começam a olhar em nossa direção, aperto um pouco mais o sobretudo ao corpo e decido que sair correndo não seria a melhor forma de passar despercebida. Me desculpo novamente com a senhora, e sigo andando na direção oposta das pessoas que desciam do barco e seguiam seus caminhos. Ando com a cabeça abaixada, enquanto tento reconhecer algum rosto pelo canto dos olhos, algum andar familiar ou algum gesto que eu já tivesse visto antes, mas todas aquelas pessoas me pareciam perfeitamente desconhecidas e, ainda assim, tinha a impressão que todos os olhos estavam voltados para mim.

Apenas quando o sol começa a nascer no oeste, enquanto seus raios refletiam na água tranquila do rio ondulando com o balanço continuo do barco, e eu já não consigo mais ver o cais, é que meus joelhos finalmente desabam com o peso do meu corpo e os meus olhos se afundam em lágrimas salgadas.

Notas finais

então... algum palpite?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.