Maria

16 Capítulo 15


O sinal toca, e eu sigo para o meu armário às pressas, chegando lá acho o caramelo e enganchado nele um cordão com o pingente que parece uma vírgula branca, com um pontinho preto. Fico sem entender, mas acho lindo. O pego e coloco no pescoço. Pego o livro da aula e sigo.

O professor quase que não me deixa entrar, mas tudo bem.

Na hora do almoço, seu Marcos vem nos buscar, nos leva em casa para trocarmos de roupa e diz que a Babi já está no restaurante com a Cida e a Ana. Encontramos elas e o pessoal do colégio no restaurante, até o H.

Sentamos todos, eu sento ao lado do Pedro e da Bia, começamos a conversar animadamente. Fico com uma sensação estranha. A Babi e a Bia ficam o tempo todo de risinhos.

De repente, a conversa para e eu olho para a direção que elas tão olhando e vejo um moreno alto, com os olhos castanho apertadinho, o cabelo bagunçado como sempre e aquele sorriso que me tranquiliza, Neco, meu Neco. E ele tá ali no meio do salão, parado com um bolinho, passo um tempinho para assimilar, quando dou por mim eu já tou correndo para ele, que me recebe com aquele abraço apertado que tanto sentir falta. Me gira nos braços, e ficamos assim por um tempo. Até que ele me coloca no chão, sorrindo.

— Senti saudades — eu digo.

— Eu também. — ele acende a vela — faz um pedido.

Fecho os olhos e pela primeira vez não tenho ideia do que pedi, pois tenho tudo que uma garota da minha idade poderia querer. Mas então decido pedir para que continue, que essa felicidade não acabe. Sopro a velinha e a tiro para dar aquela mordida, e entrego o restante a ele, que me sorrir e come. "Velhos hábitos não mudam"

— Vão ficar aí de risinhos? — Babi pergunta, me fazendo lembrar da presença deles. — estamos com fome.

Eu sorrio para ela. Pego ele pela mão e o levo para a mesa. Puxo uma cadeira para ele sentar ao meu lado, e a Bia se afasta um pouco para ele sentar. Começamos a conversar, ele me contando as coisas da favela. Até que somos interrompido.

— Manuel, eu sei que faz tempo que vocês não se vêem, mas não monopolizar a aniversariante — Babi diz brincando, deixando o Neco envergonhado.

— Desculpa.

— Ela tá brincando, garoto. Não a leve a sério — seu Marcos diz.

— Marcos — Babi exclama. A comida chega bem na hora.

E por um momento eu sinto um olhar insiste em cima de mim. Levando a cabeça e dou de cara com os olhos cinza, não sei porque ele está aqui(penso, com relação ao H) desvio o olhar e olho para o Neco e sorrio para ele.

— Me apresenta, Maria — Pedro diz, me fazendo lembrar dele.

— Ah — afasto um pouco para trás para eles se verem — Pedro, esse é o Neco, amigo meu lá de FC. Neco, esse é o Pedro.

— Namorado dela. — Pedro diz, estendendo a mão.

— Namorado? — Neco me pergunta confuso. Faço uma careta para ele, e ele estende a mão para o Pedro — prazer cara.

— Manuel, fala de Maria? — Babi pede

— Ah, falar o quê?

— Não sei, vocês se conhecem a muito tempo.

— Sim.

— Como se conheceram? — ela insiste.

— A gente mora no mesmo bairro, todos lá se conhecem. Mas, Maria sempre foi aquela menina alegre e falante.

— Falante? — todos perguntam ao mesmo tempo. Me fazendo revirar os olhos.

— Pelo menos, era. Até o incidente com o padrasto dela.

— Que incidente?

— Isso é coisa dela, dona.

— Continue. Como se conheceram?

— Então, eu sempre via ela, mas nunca tínhamos nos falado. Até que um dia ela me deu uma surra, eu tava puxando o rabo do gato da vizinha dela. Ela chegou já me puxando os cabelos. Aí desde esse dia onde eu a via, fiz questão de falar com ela, puxar assunto, mas ela era difícil. — me olha e diz — ainda é. Só nos tornamos amigos mesmo, depois de um tempo.

— Você apanhou de mulher, cara? — o Pedro questiona.

— Sim. Eu nunca fui de bater em mulher.

— Muito bem. — Babi intervém

— E Maria sempre foi linda, bater nela nunca foi uma opção.

— Você fala como se você gostasse dela — Pedro questiona.

— E gosto, somos irmãos de alma — ele me olha depois olha para o Pedro — Mas, fica tranquilo cara. Todos os garotos da FC eram afim dela, e ela nunca deu condição para nenhum. Por isso, fiquei surpreso quando você disse que namorava com ela. Porque ela nunca deu moral para ninguém.

— Sou irresistível.

— Tá mais pra pentelho, mesmo — digo, fazendo todos riem.

Eu volto a comer e como como se não houvesse o amanhã.

— Nossa, como tou cheia. — digo.

— Se você não tivesse, podia chamar a NASA para te estudar — Babi diz e lamenta — Deus não é justo. Eu engordei só de te vê comer.

Rio para ela, quando percebo o garçom chega com um bolo e todos começam a cantar parabéns.

— Minha nossa senhora. — me escondo nos braços do Neco — Que vergonha.

— Faz um pedido — Neco sussurra. Repito o pedido, só pra fortalecer.

— Corta o bolo — Babi me pede, corto uma fatia grande. — e o primeiro pedaço vai para quem?

Penso em da para ela, mas não seria justo com a Bia, nem com a Cida nem com seu Marcos.

— Te daria o primeiro pedaço, Babi. Pois sou muito grata a você por tudo. Mas não seria justo com a Bia, a Cida e nem com o seu Marcos. Então eu decidi ficar com ele, pra não ter muido — fazendo todos rirem.

— Não acredito que você ainda aguenta comer — Babi exclama.

— Sempre tem espaço para chocolate — digo sorrindo.


Eu só consigo voltar minha atenção para o Neco, eu tava com muita saudades dele. No final, nos levantamos, e todos (menos o H) vem me parabenizar e me dá um abraço.

— Vou te buscar para irmos juntos a festa. — o Pedro diz

— Não precisa, eu vou com a Bia e o Biel.

— Hum — ele parece contrariado — então, nos vemos na festa.

Vamos para casa, o Neco vai conosco. Passamos a tarde conversando.

Notas finais
Deixe aquele voto, e continuem comentando. Isso incentiva a escrever mais. Bjs amo vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.