Maria

2 CAPÍTulo 1


E o tempo vai passando e ninguém aparece. Estou aqui, nesta sala, a horas e nada.

Finalmente a porta se abre.

— Olá, boa noite. Deve ser a Maria — Olho para aquela mulher ruiva, ela é linda com os olhos azuis grandes e alegres, ela percebe que não vou responder — Eu sou Barbara Bittencourt, a assistente social responsável pelo seu caso.

Fico la parada que nem uma idiota enquanto ela fala e fala, parece que não vai parar nunca. Quer saber se tenho algum parente ou alguém que possa ficar comigo(eu até pensei em dizer que sim, tinha o Higor, somos amigos desde sempre, mas aí lembrei que ficar na casa dele também seria complicado, pois o padrasto dele era um bêbado violento), então eu disse que não. E ela me explica que caso não haja alguém, eu vou ter que ir para um abrigo.

— Eu não vou para um abrigo.

— Infelizmente, não é você quem decide isso — Ela me diz serena, eu ponho as mãos no meu rosto e baixo a cabeça (lembrando das coisas ruins que me aconteceu no abrigo). Ela tenta me explicar, mas eu não escuto nada. Passa um tempinho e eu decido olhar pra ela.

— A vida é tão injusta

— Eu sei — diz olhando para mim com pena.

— Não, você não sabe. Eu sou uma boa menina, tiro boas notas, ajudo em casa, trabalho. Cuido de mim, sabe. E tentei cuidar dela também. Para não passar por isso de novo. Mas aqui estamos, porque ela escolheu ele, aquele monstro. E mais uma vez ele sumiu, fez toda a merda e nós que pagamos. E vocês querem me mandar de volta para aquele inferno, como se não bastasse o inferno que eu vivo. — Baixo a cabeça e começo a chorar, depois de um tempo ela vem e me alisa os cabelos.

Depois que eu me acalmo, olho para ela.

— Você não pode fazer nada? Eu posso morar sozinha, eu sei me cuidar. Eu trabalho.

— Não. Você não deveria nem trabalhar, você deveria aproveitar a adolescência, não assumir tanta responsabilidades tão cedo.

— Você diz isso porque não sabe como as coisas funcionam. O abrigo não é esse paraíso que a senhora pensa, lá é outro inferno. Eu sou capaz de me cuidar sozinha.

— Não menina, não pode. — Baixo a cabeça, e escuto quando ela sai da sala. Escuto quando ela fala ao telefone com alguém, fico a observando e vejo quando ela começa a se altera, fica bastante agitada, isso dura um bom tempo, depois ela vai na sala do delegado. É Maria, pelo visto as coisas vão ficar preta pro seu lado, mais uma vez.

Depois de um tempo, ela volta. com uma cara não tão boa.

— Infelizmente, não tenho boas noticias. — olho para ela — Não tem mais vaga no abrigo.

— Essa é a noticia ruim? — pergunto para ela, sorrindo.

— você não entende? Não tem para onde você ir.

— Eu posso ficar em casa, eu sei me cuidar.

— Você não pode, criança.

— Porque?

— A lei não permite.

— A lei não serve para nada, um bando de politico corrupto no poder, vários bandidos soltos, e a justiça preocupada comigo. — Ela sorrir — Mas o fato é que não tem vaga, então o jeito é eu ficar na minha casa.

— Não. Por enquanto você vai para a minha casa. — Olho pra ela sem acreditar.

— Você vai por uma estranha na sua casa? — Ela me sorrir

— Você não é uma estranha. — Ela balança uma pasta na minha frente — Eu tenho uma pasta que me fala muito de você.

— Você é louca.

— Você não deveria dizer isso com a pessoa que vai te levar pra casa — diz rindo

— Desculpa

— Sem problema. Vamos Passar na sua casa para pegar algumas coisas.

— Ta bom.

Vou mostrando para ela como chegar a minha casa, chegando lá vou no meu quarto pego minha mochila da escola e jogo todas as minhas roupas dentro junto dos meus materiais, jogo também meu desodorante e meu coturno surrado(que ganhei do exército da salvação). Volto as pressas para o carro onde a Barbara ta me esperando. Ela me olha ao entrar no carro.

— Eu trouxe tudo, não sei quanto tempo vou ficar na sua casa.

— Isso é tudo?

— Sim.

— Ta bom, vamos então.

Demoramos um tempão, por causa do transito, e durante esse tempo a Barbara fala e fala. Agora sei que ela é casada com um tal de Marcos, que é medico, e uma filha da minha idade, que se chama Bianca.

— Chegamos. — Olho e vejo uma casa enorme com um lindo jardim. Ela desce do carro — Vamos, vou te mostrar a casa.

E ela mostra, C A D A canto, chegando na cozinha.

— E essa é a Cida, quem manda verdadeiramente nesta casa — Me apresenta uma senhora de baixinha, gordinha, de cabelos grisalhos e seria. — Cida, essa é Maria. Ela vai ficar conosco por um tempo, ela vai ficar no quarto de hospede, você pode prepara-lo para mim?

— Sim, Menina. — e sai da cozinha.

— Menina?

— É, ela trabalhava para os meus pais quando eu era pequena, ai cresci e carreguei ela pra mim.

— Ah.

— O que você gosta de comer? — pergunta, abrindo a geladeira

— Hã?

— COMIDA, você deve está morrendo de fome, sua noite foi longa.

— Nem tou.

— Mas vai comer. Temos suco de laranja, iogurte, salada de frutas, maça, laranja, mamão

— Um café ta bom.

— Café? você não é muito nova para tomar café?

— Mas, eu tomo.

— Mas, não é saudável. — fico olhando pra ela — Ta bom, mas vai ter que comer uma torrada também.

— Ta bom.

— Eu vou fazer pra você.

— Eu posso fazer.

— Aproveita menina, torrada é uma das poucas coisas que a senhora sabe fazer.

— Cida, o que ela vai pensar de mim?

— Que a senhora não sabe cozinhar.

— CIDA

— O quarto está pronto, quando terminar de tomar o café eu te mostro.

— Ta bom, obrigada.

A Cida e a Barbara conversam animadamente, enquanto ela faz minha torrada, depois de me servir a Cida me serve café, e a conversa continua.

— Você é tão quietinha — Cida diz.

— Terminei — Digo me levantando e indo a pia

— O que pensa que vai fazer?- Cida indaga, com um tom reprovador.

— Lavar a Louça.

— Deixe isso ai, isso é trabalho da Ana. — Cida diz, mas fico com a sensação que levei uma bronca

— Não custa nada.

— Custa, você deve ta cansada por ter passado a noite na delegacia, vá dormi. — A Barbada diz — Eu vou para o trabalho, tentar resolver sua situação. — Ela se levanta — Vou te mostrar seu quarto.

Pego minha mochila e a sigo.

— Esse é seu quarto — olho em volta e vejo que o quarto é maior que a sala da minha casa — e aqui — ela abre a ultima porta do guarda roupa — fica o seu banheiro.

— Um banheiro só para mim? — Pergunto impressionada.

— É sim — Ela diz sorrindo.

Ela me deixa sozinha. Pego minhas coisas e guardo dentro do guarda roupa. Vou ao banheiro e encontro sabonete e toalhas limpas, tomo um banho rápido e me deito para dormir. Fico pensando em tudo que aconteceu, por um momento, penso o quanto seria bom viver aqui, e com esse pensamento adormeço. Acordo num sobressalto, alguém batendo na porta.

— Maria?

— Oi — respondo meio atordoada, então uma Cida sorridente entra pela porta carregando uma bandeja.

— Vim trazer seu almoço — Olho pra ela espantada.

— Na cama? Eu poderia ter decido, não quero abusar

— Não é abuso. Depois do que você passou, receber um pouco de mimo é bom — Poe a bandeja no meu colo, vejo que tem arroz, feijão, salada, bife e batatinha e suco de laranja.

— Adoro batatinhas — digo sem pensar

— Imaginei — diz sorrindo

— Obrigada — digo num sussurro e começo a comer

— Vou terminar de organizar la em baixo. — Saindo do quarto.

Termino de comer e desço até a cozinha levando a louça do almoço.

— Boa Tarde — digo Chegando na cozinha, vou em direção a pia.

— Nem pense nisso — uma loira baixinha, animadamente, diz para mim — Deixe isso ai que eu lavo

— Ta bom.

— Sou a Ana, você deve ser a Maria

— Sou sim.

Passo um tempinho conversando, no caso fico rindo dela e da Cida conversando. depois subo, pego meu livro de calculo e tento resolver as questões.

Chega a noite.

TOC TOC

— Pode entrar

— Passou o dia todo aqui? — Barbara pergunta, entrando.

— Mais ou menos.

— Esta fazendo o quê?

— Resolvendo umas questões de Calculo.

— Você passou a tarde estudando, e não tem nem prova amanhã? — questiona espantada

— Sim. — digo tranquilamente

— Você é uma menina estranha. Vamos descer, tão todos loucos para te conhecer.

A sigo para a sala de jantar. Chegando lá Barbara me apresenta ao Marcos, um homem alto, de cabelos grisalhos e simpático. A Bianca, Bia como é chamada, é uma ruivinha, baixinha, cheia de sardas e olhos grandes e azuis (parece uma boneca), ela é simpática e meiga(da vontade de apertar), todos dessa família são alegres, na verdade, desta casa. Eles tem problemas. Passo a saber que a Barbara é chamada de Babi.

UM MÊS SE PASSOU

A convivência com os Bittencourt tem sido tranquila, eles são bem animados. Não tou acostumada com pessoas assim, felizes. O Marcos é sério, ai do nada solta uma piada ou faz algo (que na maioria das vezes não tem tanta graça) mas por ser algo inusitado, quase nos mata de tanto rir. A Barbara é aquele tipo de mãe que mais parece uma amiga, fala abertamente sobre tudo, é extrovertida ao extremo, brincalhona, engraçada, meio desastrada, as vezes, mas muito amorosa. A Bia não foge a regra, fofa, animada, ela acorda com uma energia que só Jesus explica, é um doce, meiga, companheira, gostei dela no primeiro momento, ela só parece ser um pouco insegura, mas não entendo porque, ela é linda, inteligente, simpática, é a vida, ela não poderia ser perfeita. Tem a Cida, que é a governanta e a cozinheira, mas ta mais para a mãezona, carinhosa e protetora, tenho um pouco de medo dela, mas acho que todos tem, ela impõe respeito, é alegre também ,mas vive brigando. E por ultimo tem Ana é ligada no 220 w, é imoral, em um momento ela ta do seu lado limpando algo, no outro ja não ta, depois volta, ela ajuda a Cida, é super animada e não consegue não falar, quando se junta a Cida, a Babi, a Ana e a Bia começam a conversar não tem fim.

— Maria, sente-se. — Barbara e o Marcos ficam de pé a minha frente enquanto me sento — tenho duas noticias para te dar. A sua situação é delicada, infelizmente não foi possível arrumar uma vaga para você nos abrigos da cidade.

— E agora?

— Vem a segunda. Em conversa com o Marcos, e decidimos que vamos ficar com sua guarda temporária.

— Serio?

— Serio — Eles dois falam ao mesmo tempo, e Babi continua — e como sabemos que o ensino publico é bem precário, e você é muito nerd, decidimos que você vai para a mesma escola que a Bianca, se você quiser é claro.

— Ta bom.

— Você não é obrigada a nada, a Babi as vezes exagera. Mas fique a vontade pra recusar

— Não, eu quero.

— Ótimo, hoje a tarde vou comprar seu uniforme e seu material.

— Não precisa;

— Claro que precisa. — diz animadamente — Amanhã você começa.

— Ta bom, muito obrigada — e saio para o meu quarto.

A tarde a Babi chega com as compras, ela me comprou três uniformes tradicional, uniforme de educação física, o jaleco de química e o avental de pintura. Comprou Também, tanto material que eu acho que o ano acaba e eu não uso tudo. Me comprou um celular de ultima geração e um notebook também.

— Muito Obrigada, Babi. Não precisava.

— Que bom que gostou, na geração de hoje não conhecia nenhuma garota que não tivesse celular.

— Não tinha condições.

— Desculpa, eu sei. Falei sem pensar.

— Sem problema. Quando eu for embora, te devolvo do mesmo jeito.

— Maria, são um presente. Me retribua com boas notas.

— Ta bom, muito obrigada. — Subo ao quarto e arrumo tudo. Depois do jantar a Bianca me mostra como usar, e até a baixar algumas músicas. E nesse dia, vou pra cama feliz.

Notas finais
Eaê galera, tudo bem com vocês?! Ocorreu um probleminha e dois capítulos não foram publicados. Tou publicando! Desculpa a inconveniência. Tão gostando? Fala se o que tá achando. Bjs Amo vocês.