Margem Distante

23 Oportunista


Notas iniciais
E aiiiii? Nem demorei XD, aproveitei o feriadão pra postar dois!!! Não tenho muito o que falar, então: Boa leituraaa!

Margem Distante

"A cada dia, me vejo mais perto do fim."

23. Oportunista

O silêncio insuportável permanecia por longos minutos. Era como se a mulher estivesse pronta para nos matar, estava somente esperando algum mínimo movimento. Seus olhos lembravam o de uma cobra. Levantei da pilha de idiotas abaixo de mim e ajeitei meus trajes, já que parecia constrangedor estar desarrumada em um lugar tão sofisticado como aquele. Levei meu olhar por toda a sala, percebendo vários outros rostos desconhecidos sentados à mesa. Alguns olhavam para mim de uma forma desprezível, melhor dizendo, olhavam para os meus olhos.

— Você, garota! — a voz feminina bateu nas minhas costas, como se realmente desejasse me cortar. — Vire-se para cá. — levantei as mãos em sinal de paz, mas na verdade queria somente arrancar minha katana da bainha. — Se tocar na espada, não vai saber o que te atingiu. — mas o que? Nem sequer cheguei a tocar... Ela é perigosa, tenho que tomar cuidado.

Virei-me lentamente, certificando de deixar as mãos longe da bainha. Quando encontrei os olhos do garoto que estava ao lado dela, espremi as sobrancelhas. O mesmo tinha uma pistola em mãos, apontada em minha direção. A loira segurava outra, só que estava apontada para meus acompanhantes... Que a essa altura, deveriam estar em pé. Realmente tenho que fazer tudo sozinha.

— Esses olhos... — o mesmo garoto, dono de olhos verdes, parecia preocupado... Não preciso de pessoas como ele para me julgar, sei bem o que sou. — Veena, a aura dela é estranha. Nunca vi nada assim. — escutei vários resmungos vindos dos três ao meu lado, principalmente do meu pai. — O qu-...?! Yato?! — hã? Acho que já está na hora de alguém me explicar, porque estou muito alheia nessa conversa.

— E ai, Kazuma?! Não vão nos convidar para o banquete? — Yato estendeu os dedos, formando um v, enquanto colocava a língua para fora. Realmente gosta de agir como um idiota?

Um estrondo repentino me fez tombar para o lado, já que o mesmo vinha de bem perto dos meus pés. Levantei o olhar rapidamente, contemplando uma rachadura enorme, que quase dividia a mesa em duas. O punho da loira iniciava todo o desastre, já que o mesmo atravessou a madeira do móvel.

— O que faz aqui? — encarou Yato por longos segundos, dando-lhe facadas somente pelo olhar. Acho que essa é a tal Deusa que tanto odeia ele, está bem aparente. — Já disse para não aparecer mais na minha frente. — segurei o cabo silenciosamente, para não ter uma bala alojada no meu peito. Sinto ameaça vinda dela, não confio nesse silêncio. — Tsuguha! — uma das pessoas que estava na mesa, sumiu em um raio branco. Logo em seguida, uma roupa havia surgido no corpo da Deusa.

— Yato! — minha mãe gritou, vindo em direção à confusão. Um alívio escorreu pelo meu corpo, quase fazendo meus joelhos cederem. Ainda bem... Ela está bem. — O que fazem aqui?!

— Pergunte a nossa filha, ela me obrigou a vir aqui. Tentei dizer que você estava bem, mas ninguém me escuta. — percorreu os dedos no chão, enquanto se ajoelhava depressivo. — O teletransporte deu errado, mas nunca pensei que fosse cair em cima da mesa da Veen-

— Bishamon para você! — interrompeu Veena, subindo em cima da mesa. Ninguém conseguiu impedir que agarrasse meu pai pelo colarinho e o levantasse a uma altura considerável. — Desconfiei quando Kazuma me pediu para guardar a outra garota e o pirralho-regalia. Se soubesse que tinha seu dedo no meio, teria acabado com os dois facilmente. Assim como você fez com eles... — franziu o cenho para ele.

— Não deveria beber a esta hora. Oi, Kazuma, diga algo antes que eu acabe quebrando esse litro de sakê na cabeça dela. — Yato segurou a mão pálida da loira e facilmente a retirou do seu pescoço. O clima aqui está mais tenso que o normal, mesmo que eu não conheça nem metade dessas pessoas. Posso ver claramente. Se alguém não tomar nenhuma atitude, isso aqui vai se transformar em um campo de batalha. Pelo número, perderíamos antes de pensar em um plano de fuga. — Vim aqui somente para certificar que estava tudo ocorrendo como o planejado.

— Yato... — mamãe tinha as mãos juntas no peito, despejando aquela palavra como se ela pesasse mais de uma tonelada. — Pensei que voltaria somente quando acabasse com a Nor-

— Nora?! — desta vez o garoto de óculos, ou Kazuma, se pronunciou. — Você não me disse nada sobre isso, Yato.

— Kazum-

— Calem a boca! — gritei antes de Bishamon, que já preparava sua pistola. Isso estava confuso demais para acompanhar, tenho que explicar tudo antes que alguém aqui saia ferido. Não tenho mais tempo a perder. — Vocês não conseguem resolver nada de uma maneira menos irritante?! — finalmente pude soltar o cabo da katana, mas logo me arrependi...

Bishamon partiu para cima de mim, desta vez com outra katana. Quando ela...? Não tive tempo de sacar a minha, apenas coloquei a mão na frente, sentindo o ferro penetrar bem no meio dela. A dor era insuportável e se estendia por todo o meu braço. De repente, uma ideia me veio à mente.

— Você é bem imprudente, garota. Está na frente de alguém superior, exijo respeito. Não admito que alguém como você me ordene o silêncio. — blá, blá... Essa mulher não sabe falar mais baixo? Tsc. Vou mostrar que a única inferior aqui é ela. Empurrei minha mão contra a lâmina, afundando-a ainda mais, chegando mais perto da proteção e do cabo. — O que está fazendo? Quer amputar a própria mão?

— Sayo! — as vozes de Yuuki e Yamato atingiram meus tímpanos, trazendo a dor que aquele ato estava me causando. Rangi os dentes antes de virar a cabeça em suas direções. Os mesmos estavam com olhares preocupados e doloridos. Sorri abertamente para os dois, sussurrando um “está tudo bem”.

— Digamos que eu sou oportunista. — voltei minha atenção para frente. Espremi minhas sobrancelhas, tentando conter a dor. Bishamon tentava mexer a espada para o lado, mas minha mão já segurava a proteção com força, impedindo que a mesma se movimentasse. — Desculpe-me por isso... Bishamon-sama. — movi a espada para a esquerda, e no segundo restante, levantei meu joelho contra a sua barriga. De repente, tudo voltou a fazer sentido, era como se tivesse acordado de um sonho bom. Aquela adrenalina corria pelas minhas veias, não era eu, era um animal usando seus instintos.

— Veena! — Kazuma correu até a superior, que tossia compulsivamente. Não consegui derrubá-la, mas tomei a arma das suas mãos. A espada era bem mais leve que a minha, e trazia uma sensação estranha quando segurava, era como se algo batesse dentro dela. O cabo da espada começou a queimar as minhas mãos, então acabei soltando-a. A arma voltou para as mãos da dona no mesmo raio branco que a transformara.

— Não precisava disto, Sayo. — mamãe puxou-me pelo braço, descendo-me da mesa. Os outros três desceram por conta própria. — Desculpe Bishamon-sama, minha filha não tem intenções em fazer nada de ruim, ela só estava preocupada comigo-

— Filha? Então quer dizer que essa garota...? — Bishamon olhou para mim, depois para Yato, e enfim, para minha mãe. — Nada disso é da minha conta, mas essa garota não vai sobreviver muito tempo. Você sabe disso, não sabe? Yato? — levantou-se e bateu nas próprias roupas, como se nada tivesse acontecido. Fiquei mais aliviada, mas mesmo assim, desde que a Nora apareceu nada mais faz sentido.

— Não vou deixar nada acontecer com ela, nem com nenhum dos meus filhos. — pela primeira vez meu pai usou um tom sério. Minha garganta secou aos poucos, impedindo-me de dizer algo. Mesmo querendo muito, acho que não tenho esse direito.

— Filhos? Você está morto, Yato. É impossível para nós, como você conseguiu engravidar uma humana? Isso vai contra as regras das margens! — levantou a pistola até o meu pai, mas Yamato e Yuuki entraram na frente, como se servissem de um escudo, caso ela pensasse em atirar. — Então esses três são seus filhos? Que sangue maldito é esse seu? Você criou três aberrações! Não posso deixar que eles existam. Você sabe disso.

— Isso também me pegou de surpresa. Fiquei com tanto medo de machuca-los que acabei fugindo. Sabia que se eles ficassem comigo, correriam perigo, então os deixei terem uma vida humana. — Yato ficou ao lado dos dois filhos e colocou o braço, como se pedisse para não interferirem. Yamato segurou o antebraço do pai e apertou, com uma face de dor. — Se tem alguém aqui que deve morrer... Esse alguém sou eu.

— Velhote... — Yama olhou para o mais velho, pela primeira vez, de uma maneira terna. Como um filho olha para o seu pai. — Dá para deixar de drama? Ninguém aqui precisa morrer. Só a Nora. — enfim o momento fraterno foi quebrado pela idiotice hereditária do Yamato.

— Seria mais fácil agirem como se nada disso tivesse acontecido. — fiquei surpresa quando Yuu começou a falar. Não reconhecia nenhum de nós como família, por ter perdido suas memórias. Vê-lo defendendo nosso pai me deixou sorrindo como uma boba, internamente é claro. — Nenhum de nós conhece vocês, e vice-versa. Viemos aqui para ver a Hiyori e o Yukine, somente isso.

— E quem seria você? Apenas outra aberração vinda desse ignorante. — apontou a espada para os três. — Já contou a eles sobre o seu passado? Como o pai deles destruiu dois clãs inteiros? — do que ela estava falando? Pus um pé na frente do outro, pronta par algo, mas minha mãe colocou o braço, impedindo qualquer ação minha.

— Velhota... Eles não têm culpa dos erros que cometi. — o deus desceu o zíper do seu moletom, exibindo uma camisa branca e surrada. Seu olhar era sério e um pouco familiar para mim... Estava determinado. — Se quiser lutar, terá que ser comigo.

— Não precisa ser assim, Veena. — Kazuma olhava para tudo meio receoso. — Também temos assuntos a tratar com esse Nora, podemos usá-los para diminuir sua carga de trabalho. — nos usar? Que forma brilhante para amenizar a situação, talvez ela acabe com todos nós por causa disso. Obrigada mesmo Kazuma-san. — Ela corrompeu um dos seus Shinkis-

— Silêncio, Kazuma. Não vamos revelar esse tipo de informação para eles.

— Isso precisa acabar, é só deixá-los irem. Farão o trabalho sujo para nós...

­— Está ao lado de quem exatamente? — Bishamon virou-se para o Shinki, olhando-o de uma forma intimidadora. — Está me dizendo para deixar de lado os princípios de uma divindade? É minha obrigação acabar com esse tipo de problema! Você é meu Shinki, tem que ficar comigo.

— Vamos acabando com a discussão entre casal. Estou ficando enjoado. — Yamato realmente não tem amor à própria vida.

— O que disse? — a deusa virou a cabeça lentamente, tendo em cara o olhar mais maligno que alguém poderia dar. — Que tipo de paz você está tentando formar, me difamando desta maneira? Quer saber...? Saiam logo daqui antes que eu acabe com vocês! Leve-os até a saída, Kuraha... Todos eles. — olhou para minha mãe e o loiro ao seu lado. — Não esquecendo, diga a Kofuku para ser mais clara em seus pedidos. Ela não disse que um bando de aberrações iria aterrissar na minha mesa. — então, olhou para mim, mas de uma forma menos feroz. — Não interfira no equilíbrio, se fizer algo de errado, tomarei conta de acabar com você.

— Vamos, Sayo. — Yuu envolveu seus dedos nos meus, despertando-me. Um arrepio me percorreu, trazendo a tona que estava viva, e que aquela mulher não tinha nos matado... Pelo menos, por enquanto. Olhei para os olhos dele, buscando aconchego, algo que fizesse aquela sensação de medo sair.

Divindades são realmente assustadoras.

Estávamos andando por um enorme salão, cheio de portas e mais portas. A mão de Yuu agarrava a minha possessivamente, como se fosse escapar a qualquer momento. Olhei para o mesmo, tentando saber qual era o problema, mas ele não tirava os olhos do senhor de terno que nos levava até a saída. Então, quando pensei em desistir e abaixar a cabeça, sua voz fez minha atenção ser voltada para seus olhos, que permaneciam olhando para frente:

— Nunca mais desafie aquela mulher. Pensei que teria que pular na frente dela para te proteger. Aliás, como está a sua mão? — Perguntou, referindo-se a outra mão, a que acabei enfiando lâmina abaixo.

— Bastante dolorida, e ainda sangra um pouco, mas o tapete é vermelho, então ninguém vai notar. — Olhei para ela, onde tinha uma linha tracejando um corte profundo de uma ponta a outra. O sangue descia de forma natural, mas não me incomodava, já que o tecido da minha pele parecia reconstruir-se a cada segundo. O vermelho-vivo me fez sentir viva, pela primeira vez. — Desculpe por ter feito aquilo, Yuu. Não pensei direito.

— Você me deixou preocupado. — seus olhos agora estavam nos meus, causando-me outro arrepio, desta vez, por todo o meu rosto e pescoço. Levou nossas mãos até perto de seus lábios, mas beijou somente a minha. Era como estar perdida em um céu púrpura. Seus olhos eram amedrontadores e, ao mesmo tempo, te puxavam como um buraco negro. Lembra-me uma nébula, obscura e misteriosa... Acabei olhando para os seus lábios, mas ele percebeu, sorrindo como resposta. Odeio quando faz isso.

— Desculpe. — desviei o olhar, totalmente constrangida e vermelha.

Odeio quando me domina.

Notas finais
Eitxa! Tretas com a Bishaaaa! No final de tudo, a Kofuku tinha metido o bedelho no meio, danadinha! Enfim, para os confusos, a Bishamon não teria matado nenhum ali, acho que teria sim, mas só o Yato, o Yamato ou a Sayo, pois eles foram beeem mal educados, mas o resto, nem! Vocês sabem como a kofuku fica quando tá braba, e a Bisha não bateria de frente, principalmente porque a Bisha sabia que eles viriam, só não sabia que os três eram filhos do Yato com a Hiyori. O Yato teve filhos por pura coincidência mesmo! Ah, se o Edward de crepúsculo pode, porque nosso Yato-chan não pode também? Hunf! Bem, se tiverem alguma dúvida, ou se acabei errando em algo, comentem sobre. E se gostaram ou detestaram, deixem-me ficar sabendo, adoro responder seus comentários. Leitores fantasmas, apareçam seus fofos! Dou doritos a vocês :3 Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.