Margem Distante

18 Caminho para o ódio


Notas iniciais
Desculpem minhas fofas! Eu demorei com MD não foi? Desculpem mesmo! Eu estava muito ocupada esses dias com a escola, por conta de uma feira de ciências exatas. Não irei deixar a fic nunca, prometo! Fiquem com este, espero que gostem! Boa leitura!

Margem Distante

"Aos poucos eu deixava minha sanidade se esvair"

18. Caminho para o ódio

Sua risada era um tanto debochada e surpresa. Edgar não sabia que eu poderia matá-lo ali e agora, mas subestimar inimigos não é do meu feitio. Ele andava pelo quarto com suas pernas longas, vestido em um terno fino de mordomo. A palavra extravagante estava claramente escrita naquela testa. Depois de observar todos os pontos existentes ali, seus braços pousaram sobre os meus ombros, que ainda estavam virados na direção do espelho.

Minha imagem era deprimente. Roupas rasgadas e sujas de sangue, cabelos negros longos, desgrenhados e molhados de suor. Os olhos cor de sangue brilhavam a luz do luar, fazendo-me odiar ainda mais o que acabei me tornando. Tudo para uma vingança pessoal. Vingar a morte do meu irmão, que esqueceu tudo relacionado à sua vida passada, sua felicidade, suas conquistas... Tudo se foi na lâmina daquela... Nora... Ela irá me pagar.

– Vejo que a sua mãe não está aqui... Muita coragem dela deixar um sangue tão raro para um fantasma... Principalmente para um corvo como eu. – Sua mão deslizou pela curva do meu pescoço e agarrou o meu queixo. – Tem que aprender a segurar essa boca, ou a Nora fará o mesmo que fez como o seu irmãozinho, em você.

Desgraçado. Se estivesse insana neste momento, já teria se tornado nada. Agarrei seu pulso com força, tirando-o do meu queixo.

– Por que se importa?! Não vá me tocando como se fosse alguém que eu não machucaria! Saia antes que chute o seu traseiro para fora! – Virei com força, encarando seu rosto, aqueles olhos que me deixavam assustada. Eu o odeio. Sempre sussurrou coisas na minha cabeça, quando estou com raiva, fica falando sobre o meu ódio descontrolado.

– Não me importo, apenas quero cumprir com a ordem na qual fui designado. Vocês estão em perigo agora. Sua mãe foi atrás de alguém junto com aquele outro pirralho. – Ordem? Ele está aqui por que foi ordenado? E como assim estamos em perigo? Nossa mãe disse que aqui era seguro. – A Nora não pode entrar neste lugar, então vai esperar até vocês saírem. – Quem é você Edgar? Porque me diz coisas boas e ruins?

– E quem ordenou você? – Tirei o laço do uniforme que a Kofuku me deu e usei para amarrar meu cabelo. – Aposto que esse alguém é muito cuidadoso...

De acordo com o que eu sei até agora, tenho minhas suspeitas... Mas a mais convincente até agora foi...

– Não posso revel-

– Foi o meu pai não foi? – Olhei para a minha espada, que estava caída no canto do quarto. Caminhei em direção a ela e envolvi-a nos meus dedos. – Não estou tão surpresa, afinal, já sabia a um bom tempo que ele tinha algo a ver com tudo isso. – Coloquei a lâmina na bainha, que ficava nas minhas costas... – Minha mãe foi atrás dele, então tenho que cuidar disso.

Olhei para ele, fria. Seus olhos estavam mostrando um pouco de surpresa. Logo um sorriso vitorioso surgiu por seus lábios, fazendo uma carranca nascer na minha testa. Palmas eram ouvidas ali. Olhava tudo aquilo como se estivesse satisfeito.

– Oh... Bravo! Nunca pensei que você dominaria todo esse ódio dentro de você. Quase todas as minhas expectativas foram cumpridas. Agora falta o Gran Finale! – Ele agarrou uma mecha de cabelo negro que estava sobre o meu ombro e beijou. Comer cabelo faz mal, seu animal... – Até. Sayo.

Em um piscar de olhos, literalmente, sumiu, deixando-me confusa e receosa. Enfim, falarei tudo o que o Edgar me disse, os outros, temos que partir ao amanhecer. Minha visão estava um tanto turva e meu corpo ardia por conta da ferrugem passada pelo Yamato, mas quase não sinto, poder fluía em meus olhos e mãos. Sentia aquilo queimar todo o meu ser, mas era um calor bom, que deixava algo frio em meu coração depois.

Não tenho mais medo de nada, não serei mais aquela garota calada de antes, pelo contrário, farei todos saberem quem eu sou e do que sou capaz. Mostrarei quem está no controle da situação, e não hesitarei em fazer aquilo que acho certo, mesmo que tenha que fazer algo precipitado. Afinal, as pessoas hoje em dia não hesitam, por que tenho que ser diferente?

Desci as escadas rapidamente, avistando todos sentados na porta, observando e falando sobre coisas aleatórias que eu não distinguia. Meu peito parecia doer a cada passo que eu dava, a ferrugem parecia se incrustar cada vez mais na minha pele. Tenho que tomar logo um banho, mas antes disso tenho que avisar aos outros sobre a Nora.

– Pessoal. Temos más notícias. – Minha voz era cortante, a minha garganta estava seca. O sangue em minhas roupas parecia refrescar a minha pele. Meu sangue tinha um cheiro diferente, parecia doce e um pouco delirante. Essa coisa de sentir cheiro de sangue era um tanto perturbador, mas não podia evitar.

Todos olharam para trás, mas os dois irmãos se espantaram quando viram minha expressão fria. Logo levantaram e prestaram atenção no que eu tinha para dizer.

Minha respiração travava um pouco, em intervalos a cada inspiração, fazendo o ar escapar do meu pulmão rapidamente, o clima estava tenso e o sol já saia do horizonte. Estou tão cansada que não posso nem descrever, quando pisco os olhos, eles não querem abrir, tenho que fazer um enorme esforço para me manter acordada. Mas a ansiedade me despertava.

– O que houve, Sayo? – Yuu tinha sua mesma expressão neutra, sem demonstrar qualquer emoção, mas no fundo dos seus olhos, eu via preocupação. – Você está bem? A ferrugem está subindo no seu rosto.

Tinha razão, a sentia arder nas minhas bochechas, mas tinha que aguentar, aquilo não era tão importante quanto nossa sobrevivência. Respirei fundo e senti a ponta da bainha nas minhas pernas. Minhas mãos passaram por todos os lugares da minha cabeça: O cabelo, o rosto, a nuca. Estava decidida a contar, mas seus olhares me pressionavam. Deixei as palavras vazarem da minha boca:

– Estamos em perigo. A Nora está esperando para partimos, assim ela poderá nos pegar desprevenidos.

Todos olhavam para mim como se eu estivesse recitando um poema cheio de palavrões. No final, se entreolharam. Senti o peso do silêncio nas minhas costas e quase me arrependi de não ter ido resolver aquilo eu mesma... Quase.

– Entendi. – Daikoku cruzou os braços e acenou com a cabeça. – Kofuku, temos que ir atrás do Yato, ele sabe que foi o responsável por isso. De acordo com a Hiyori, ele está em algum lugar na saída da cidade.

– Ei! Nós não estamos entendendo mais nada Tio! Como assim meu pai está na cidade?! Pensei que aquele bosta tinha ido embora para “pensar”. Levou o Yukine junto e agora está aqui?! – Yamato estava furioso. Seus olhos estavam opacos, apenas banhados de um mar sem fundo, azuis e frios. – Quando eu o encontrar... – Cerrou os punhos antes de socar a parede com força, rachando-a. – Chutarei aquela bunda infeliz com toda a minha força!

– Se acalma cara, se esse seu pai, no caso nosso, for tão bundão assim, eu te ajudo. – Yuuki colocou a mão no ombro do irmão e o olhou confiante. Sinto-me feliz de ver que eles dois estão se dando bem, mesmo que estejam competindo para quem vai chutar a bunda do nosso pai.

Odeio quando fico fora de um assunto, mas somente eles sabiam onde meu pai estava. Era um tanto estranho saber que vou encontra-lo, depois de tantos anos, perguntado onde ele estava. A verdade é que ele estava bem debaixo do meu nariz todo esse tempo. Pergunto-me como ele é... Foco Sayo! Temos que resolver nossos assuntos com a Nora antes que seja tarde-

Um baque. Senti um cheiro familiar ali perto, me enojava, realmente cheirava a sangue. A fúria começou a consumir minha alma, aquela mesma sensação de antes, como se tudo deixasse de fazer sentido. Meu peito palpitava e meus olhos pareciam querer saltar do meu rosto. Meus dentes cerrados deixavam rosnados zangados saírem.

Vou quebra-la como palito de dente. Não deixarei nenhum osso sequer, esmagarei em minhas mãos, forçando os nós dos meus dedos. Farei ela sentir a mesma dor que o meu irmão sentiu.

– Sayo... Você está bem? – Kofuku apoiou suas mãos em meus ombros e olhou fundo em meus olhos.

– Nora... Ela está aqui... Vou matá-la... – Meu corpo entrou em estado de dormência, fazendo a deusa segurar a parte humana. Sinto que posso fazer tudo o que quisesse, meu corpo estava leve e maleável. Quase solto um suspiro de alívio com aquela sensação.

– Ela tem os mesmos olhos antigos do Yato, acho que ela tinha muitas mágoas acumuladas no coração. – Daikoku se afastou rapidamente e levantou os dedos como antes – Sayo escute-me, você não vai lutar com a Nora sozinha, ela é traiçoeira e cheia de truques. Você tem dois tipos de sangue anormais, não pode brincar com as regras das margens assim. Então se acalme. Você acha que controlou o seu ódio, mas está apenas sucumbindo a ele...

Meu corpo se movia sozinho agora. As palavras dele não chegaram a mim, eu tenho apenas que acabar com ela. Esse é o meu objetivo.

– Haha... – Um sorriso maníaco surgiu em meus lábios. Minha cabeça rodava. – Cale-se, seu velho. Cansei de ser protegida, quero terminar aquilo que comecei. Escutei algo parecido antes... Como foi? “Você é um monstro...? Não deveria existir...?” – Pigarreei, tirando a katana da bainha. – Calarei a boca de todos, rasgarei aqueles sorrisos debochados da cara de cada um!

“Você é um monstro! Você me enoja! Porque você não morre?!”

“Ela é tão estranha, como pode ter um irmão como o Yuu? A mãe dela deve sofrer muito”

Yuuki, Yamato e Kofuku olhavam-me apavorados... Como se eu fosse um monstro... Mas... Haha... Aquilo era o que eu realmente era... Não é?

– Viu? Vocês estão com medo de mim! – Lágrimas de angustia saiam dos meus olhos. – Eu não deveria existir... Vou acabar com isso! – Quando tentei avançar, Daikoku gritou “limite!” e mais uma barreira daquela surgiu, empurrando meu corpo na parede próxima a escada.

Levantei lentamente, escutando Yuuki gritando meu nome, mas Yamato o segurava para não fazer algo precipitado. Minhas mãos batiam sem força naquela parede de luz. Estava assustada, com medo de mim mesma. Queria voltar a ser o que eu era antes, não quero mais sentir nada disso.

“Você é um monstro!”

“Você é um monstro!”

“Monstro!”

– Por favor... Só quero voltar ao normal. Quero ter minha família de volta. – Minha visão foi turvada por um manto quente e transparente. A ferrugem parou de arder, agora machucava minha pele, como se estivesse rasgando-a com facas. Meus joelhos cederam e fizeram barulho ao entrarem em contato com o chão. Minhas mãos agora agarravam minha barriga, pernas, rosto, nuca. – Não quero mais sentir dor... Não...

– Soltem-na! Ela está sentindo dor! – Yamato desta vez gritou, segurando Yuuki pelos braços. – Temos que tirar a ferrugem dela! Os fantasmas estão sussurrando!

Kofuku colocou a mão no ombro do Shinki e acenou com a cabeça, sussurrando um “tudo bem”. Ele baixou os dedos e a barreira foi sumindo. O resto não pude ouvir, pois meu corpo tombou para trás. A dor se tornou uma, escurecendo minha visão e tomando meus sentidos.

Notas finais
Gostaram? Se sim, comentem, favoritem e recomendem... Se não... Comentem, favoritem e recomendem também XD (brinks gente, só se eu merecer *--*) Kissus e até o próximo Mako-chibis!