Marcos Flich e o Segredo dos Grimpaus
6 Por onde começar?
Quando chegamos a Naso já era noite e estávamos muito cansados então decidimos nos arrumar para dormir, como só tinham três tendas – A minha, a do Rivan e a da Carol – nós resolvemos dividir as tendas com os novos integrantes do grupo. Selena ficou na barraca de Carol e Thiago ficou na minha, pois queria ficar de olho nele. Antes de dormimos nos reunimos em volta de uma fogueira, enquanto Carol preparava o jantar e Rivan conversava com Thiago, Selena veio conversa comigo, eu fiquei meio sem jeito, pois em duzentos anos a única mulher com quem eu conversava mesmo era Carol, que nos fuzilava com os olhos em quanto nos conversávamos.
— Então seus pais morreram na guerra? – Selena perguntou
— Não exatamente – respondi – só meu pai, minha mãe morrera no meu parto, então eu não me lembro de como ela era, meu pai falava que ela era linda, mas não gostava de tocar muito no assunto – estiei ao lembrar-me da minha mãe e logo perguntei – E os seus pais?
— Bom como você sabe para uma mulher nasce com um grimpau o pai e a mãe devem ter grimpaus – ela fez uma pausa examinando meu rosto e continuou – então eles participaram da guerra, e meu pai morreu depois do terceiro mês e bem antes de morre ele pediu para minha mãe que não abandonasse a guerra, e foi o que ela fez, continuou até que o último adversário caísse, mas quando finalmente tinha feio o que meu pai pedira para ela, bem ela pediu para que a matassem, falou que não conseguiria viver sem meu pai.
“Algumas pessoas contestaram, falaram para ela que ela iria superar, e falaram para ela pensar na filha que estava deixando pra trás, na época eu tinha quinze anos, meu pai não permitiu que eu participasse da guerra me mandando o mais longe possível, e minha mãe falou que eu já era grande o suficiente para cuidar de mim. Mas ninguém quis matar minha mãe, ninguém fez o que ela pediu, então ela simplesmente se jogou do alto de um penhasco depois de se esfaquear varias vezes no coração sabendo que o a queda não iria matá-la usou magia e tudo e quando ela despencou do alto do penhasco morreu.”
— Ela se esfaqueou e jogou do alto de um penhasco? — Eu perguntei incrédulo – o grimpau dela não fez nada para impeli-la?
— Eu entendo as razões dela, pelo amor agente faz qualquer coisa – ela falou percebendo que eu estava olhando para Carol – mas o que o grimpau dela podia fazer? Ele viu como ela estava sofrendo, eles conseguiam compartilhar seus sentimentos, não queria que continuasse sofrendo e além do mais um grimpau tem que obedecer a seu dono sempre, o máximo que ele pode fazer é contesta, mais se a decisão foi tomada ele tem que obedecer. – eu olhei para Teseu. E depois desviei o olhar para Carol e pude ver que ela nos observava. E então Selena cortou o silêncio:
— Você gosta muito dela, não é mesmo?
— Gosto – respondi – esta muito na cara?
— Na sua e na dela – Selena falou – Ela me olha como se eu fosse te rouba para mim, como se ela fosse te perde ou algo assim... Vocês são namorados?
— Não – falei – agente estava ficando, mas aconteceram umas coisas e estamos brigados.
— Posso saber o que aconteceu? Ou eu estaria sendo muito inconveniente? – ela perguntou.
— Foi uma briga normal sabe... – eu fiz uma pausa – está bem, não foi uma briga normal, foi um pouco mais sério, ela acha que eu não confio nela o suficiente para contar o que esta acontecendo.
— E o que está acontecendo? – ela fez uma pausa e examinou o meu rosto novamente – que bobagem a minha – ela fez uma careta – se você não contou para ela que é ou quer dizer era sua namorada não vai contar para mim. Desculpe ser tão intrometida.
— Não tudo bem – eu falei pensando que ela poderia me ajudar de alguma maneira, não sei como mais poderia, ela é mulher sabe, então deve entender mulher, pois eu realmente não consigo entender as mulheres – É que bem... O Rivan é irmão dela – falei o mais rápido para não perde a coragem, e percebi que ela queria falar alguma coisa, mas ficou calada esperando que eu terminasse e então eu continuei – Rivan também não sabia, ele só foi descobri quando começou a entender Thifane, ela já sabia, pois tem uma memória muito boa da Irma mais nova dele e então ela contou para ele.
— Mas eu ainda não entendi qual o problema deles serem irmãos. – Ela falou – Por que ele não contou para ela? E o quê que tem ele saber que vocês estão... Estavam namorando?
— Ele não contou para ela por que se sente culpado – fiz uma pausa pensando em como eu poderia explicar para ela – Ele acha que quando era pequeno poderia ter feito alguma coisa para impedir que seus pais a dessem para alguém, ele acha que por causa dele eles foram separados. Eu já falei para ele que não foi culpa dele, mas ele insiste em não acreditar, e então ele tem medo de contar porque ele acha que a Carol nunca iria perdoar ele não ter impedido que a dessem. E a um tempo atrás, mais ou menos uns vinte anos, quando ele descobriu, falou que protegeria Carol até o dia em que ele morresse para se redimir, falou que mesmo que ela não soubesse ele estaria a protegendo, é por isso que ele esta aqui, ele acha loucura essa idéia da era dos grimpaus estar voltando, e com toda essa proteção ele falou que não deixaria que nenhum homem tocasse em sua Irma, qualquer que fosse o homem ele me jurou que mataria esse homem.
Assim que terminei de explica percebi que Selena estava pensando em alguma coisa para falar e então Carol eu avisou que o jantar estava pronto e quando eu estava levantando Selena falou:
— Sei que não devo me meter, mas vou pensar em alguma coisa para ajudar vocês.
Quando ela falou isso eu sibilei um obrigado, quando comecei a ser empurrado pelo Rivan em direção ao jantar. Quando terminamos de jantar entramos para as tendas, mas Rivan me pediu para que Thiago dormisse em sua tenda, pois ao que parece eles estavam em uma conversa interessante, e tanto Rivan quanto eu queria ficar de olho nele, pois Rivan também percebera as intenções dele com Carol, e eu não vi nenhum problema deles ficarem na mesma tenda, sabia que com o Rivan por perto ela não faria nada então eu entrei na minha tenda e desabei no coxão, não demorou nem três minutos quando eu percebera que já dormira.
Na manha seguinte fui uns dos primeiros a acorda, quando saí da tenda as meninas já estavam de pé arrumando as coisas então eu fui ajudar, quando cheguei perto de Carol e lhe ofereci ajuda ela não me deu ouvidos, mas ainda sim eu a ajudei. Antes de sairmos para Naso à procura de um guerreiro nos dividimos as áreas e as duplas, sabendo que alguém ficaria sozinho.
— Então vai ser assim – falou Rivan – Thiago e Carol irão para o sul, pelo motivo dos grimpaus serem voadores e lá é o local mais cheio então terá que ser visto por cima, Selena e Flich irão para leste e oeste juntos o tempo todo – ele enfatizo — pelo motivo dos grimpaus deles serem terrestres e rápidos, e eu irei para o sul, pois lá existe mais local com águas e meu grimpau é aquático.
Quando ele terminou, nós nos dividimos e eu não fiquei nem um pouco satisfeito pelo motivo da Carol estar com Thiago, mas pedir para Teseu falar com Max para não deixar com que Thiago se aproximasse dela e parece que ele estava de acordo, então eu estava menos preocupado. Então antes de dar meio dia saímos para procurar.
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