Na manha seguinte quando saí da tenda Carol estava conversando com Selena, que pareciam estar se divertindo com o assunto, então resolvi não atrapalhar. Thiago estava encostado em uma árvore olhando o horizonte e eu comecei a perceber o fato de nós nunca termos conversado direito. Foi quando resolvi puxar assunto.

— Oi – falei – pensando na vida?

— Oi – ele falou e deu uma risada indiscreta – não exatamente, mas pode se disser que sim.

— Ah – falei parecendo um bobo – no que esta pensando então?

— Carol. Em quem mais? Ela é linda, maravilhosa, gente boa, educada... Nossa eu com uma mulher daquela.

— Primeiro: você estava pensando na minha vida que é ela – fiz questão de enfatizar o “minha” e o “é” para ele perceber – e segundo: você nem pense em encostar nela – falei rangendo os dentes – ela não é para você, se tocar um dedo nela eu te mato.

— Calma – ele falou – vocês são alguma coisa um do outro?

— Somos namorados – falei um pouco alto de mais, Carol e Selena olharam e começaram a vir em nossa direção.

— Desculpa – ele falou e eu achei que ele iria desistir – mas eu luto pelo que eu quero e eu quero a Carol.

— Oi rapazes – Falou Carol num tom claro e agudo – esta tudo bem por aqui? É que nós escutamos um grito e pensamos que vocês estavam brigando.

— Não é nada, meu bem – enfatizei – vem aqui comigo um instante?

— Claro – ela respondeu com um sorriso.

Passei minha mão pela cintura dela e fomos abraçados até um lugar com árvores altas que deixava o ambiente escuro só com alguns feixes de luz passando ente as folhas, havia um córrego lá perto, pois havia barulho de água, também tinha barulhos de pássaros cantando no ar, tinha certeza de que estávamos longe o bastante para ninguém nos escutar. Carol estava parada na minha frente esperando que eu dissesse algo, mas como não falei, ela começou:

— Você me chamou de meu bem?! – Carol perguntou surpresa

— Desculpa é que... – antes que eu pudesse terminar de falar ela começou a falar novamente:

— Foi tão lindo! – colocando suas mãos em volta do meu rosto, ela me deu um selinho – foi lindo meu amor, foi muito lindo!

— Quando ela falou isso passei minhas duas mãos pela cintura dela e a puxei para junto ao meu peito, dando-lhe um beijo, depois sem soltar falei:

— Se cada vez que eu disser “meu amor” na frente dos outros, você tiver essa reação, acho que as pessoas vão começa a pensar que eu só sei falar isso.

— Mas só uma perguntinha – ela ainda ria da minha frase anterior

— Quantas quiser – falei

— Por que você me chamou de meu bem? – ela questionou

— Porque eu te amo – respondi

— Só por isso? Ou tinha alguma coisa a ver com o Thiago? Por que você mesmo mandou Max ficar de olho nele.

— Três coisas – comecei – um: como assim só por isso? É claro que é. Dois: como o Thiago veio parar na nossa conversa? Três: é também tem um pouco haver com ele... – parei por um instante para tentar ver seu rosto encostado em meu peito – Carol, ele esta doido por você, eu até entendo, sabe você é linda, vou resumi, você é a melhor de tudo e todos que existe no mundo, é impossível resistir, mas você é minha, só minha, e ele também falou que vai lutar se preciso para ter você. Mas você nunca ficaria com ele né?

— Claro que eu nunca ficaria com ele – ela respondeu indignada – você sabe que eu só amo você e mais ninguém, ele pode ate ser gente boa e bonito – isso não me deixou nada feliz e eu virei afastando-a do meu peito virando o rosto. Foi quando ela puxou meu rosto com uma de suas mãos e olhou fundo nos meus olhos – eu te amo e nada, nem ninguém vai mudar isso.

— Também te amo. Nem mesmo um cara “gente boa e bonito” – falei com tom de deboche

— Ele não chega nem aos seus pés – ela falou me deixando feliz.

— Eu falei pra ele que somos namorados – falei rapidamente e quase sussurrando

— Tudo bem – ela falou – eu já te considerava como meu namorado mesmo.

— Te amo muito – quando falei isso ela me beijou novamente – e tem mais uma coisa, eu não estou nada feliz de você e Thiago saírem sozinhos e juntos para procurar guerreiro em qualquer lugar que seja.

— E você acha que eu estou feliz de você e Selena saírem juntos também? – ela falou

— Você esta com ciúmes? – falei num tom de alegria.

— Você também esta – ela respondeu.

— Não estou com ciúmes – falei – só estou tomando conta do que me pertence.

— E quem disse que eu te pertenço? – ela falou.

— Seus olhos – respondi sorrindo.

— Convencido – ela observou.

— Ciente da verdade – corrigi – então vamos fazer assim, de agora em diante eu vou sair para procura com você, Selena vai com Rivan e Thiago vai sozinho. Não colocaria Selena com Thiago, coitada, ela não merece isso.

— Mas você não queria falar nada com o Rivan. – Carol lembrou.

— Eu dou meu jeito. – falei.

— Jura? – ela perguntou

— Juro – falei. – então já te provei?

— Depois de falar com o Rivan quem sabe? — ela riu.

— Estou indo falar com ele agora mesmo – dei um beijo e sai, acho que ela falou alguma coisa, mas não parei para olhar, pois o caminho de volta era maior.

+ Selena narra +

— Quer se unir a mim? Para acabar com essa palhaçada. – Perguntou Thiago.

— Se juntar para acabar com qual palhaçada? – perguntei.

— A vai dizer que você não gosta do palhaço do Flich? – falou Thiago.

— Gosto e daí? – falei – não o chame de palhaço nunca mais – ameacei.

— Então você não quer se unir para acabar com esse namoro não?

— Não – respondi.

— Mas você não gosta dele? – Thiago questionou.

— Gosto – respondi.

— Então não quer ficar com ele?

— Se ele quiser. – falei – mas não quero forçá-lo a nada e tem outra, se ele esta feliz, mesmo que seja com outra, eu também estarei feliz.

— E só isso basta para você? – ele perguntou

— Basta – respondi e sai andando para minha tenda quando Flich começou a aparecer entre a mata. Sozinho!

+ Marcos Flich narra +

Quando comecei a ver o acampamento entre a mata, vi que Selena estava entrando na tenda mais distante, que era a dela, seu grimpau estava colocando o rabo para bloquear a porta da tenda.

Caminhei até a tenda do Rivan que ainda estava dormindo e entrei sem avisar.

— Acorda bela adormecida – falei

— O que você quer há essa hora Flich? – ele perguntou quase não conseguindo falar de tanto sono.

— Conversa – falei – preciso falar uma coisinha.

— Tem que ser agora?

— Sim – respondi.

— Sabe que o Thiago ta afim da Carol né? – comecei – então eu não sou a favor, falei para ele que nós estamos namorando para ele se ligar, mas ele falou que vai lutar por ela, eu não to a fim de vê-los juntos, então Carol e eu vamos fingir que somos namorados em tempo integral e eu queria que você mudasse a equipe de busca, Carol e eu, você e Selena e Thiago sozinho, tudo bem?

— Deixa vê se eu entendi – ele falou – você e minha irmã vão fingir que são namorados o tempo todo e quer que eu mude o grupo de busca?

— Isso mesmo – falei.

— Tá bom.

— Sério? – perguntei.

— Muito – ele falou

— Nossa te amo cara – falei com um sorriso.

— Menos Flich não me faça mudar de ideia. – ele falou.

— Tudo bem, já estou indo. – falei.

— Tchau – Rivan falou.

— Tchau baby – falei quando estava saindo e ele tentou joga um travesseiro em mim.

A primeira coisa que fui fazer foi conta à novidade para Carol.

— Estou tão feliz amor – ela falou por fim.

— Eu também – falei e a beijei — meu bem amanhã iremos fazer um passeio, sem hora para voltar, tá?

— Claro, mas antes vou ter que dar uma olhada na Cristal, tá bom?

— Tudo bem – respondi.