March 19th
5 Capitulo 5
Notas iniciais
–Oi Carol, pode ir ai atrás? – ele perguntou e eu assenti, entrei e pude ver que era um menino ruivo que sorria para mim.
–Carol, David, Dave, Carol. – ele disse nos apresentando, sorrimos dizendo um ‘oi’ tímido.
Então esse era o Dave que havia ligando para ele naquele domingo há uma semana, hm. Ele era bonito, fiquei encantada por seu sorriso, mas ainda assim o de Bruno o supera. Eu fui em silencio o caminho todo, apenas rindo de algumas palhaçadas dos meninos e de Dave que dizia estar levando Bruno ao clube para ensinar a cantar uma mulher direito, porque ele havia um encontro lá.
Chegamos e o lugar era extremamente legal, havia duas piscinas, uma para crianças e outra para os adultos, varias espreguiçadeiras espalhadas em volta delas, havia também um restaurante grande e um largo campo com grama onde haviam muitas famílias fazendo piquenique, andamos até um lugar no campo e estendemos uma toalha, nos sentamos e Dave disse que sua loira já estava por ali e iria encontrá-la.
–Carol? –Bruno chamou me acordando de meus pensamentos. Virei minha cabeça para olhá-lo e percebi o quão próximo ele estava. Oh.
–Oi? – senti a respiração falhar e agradeci por estar usando óculos escuros e estarmos no sol, assim teria uma desculpa por ficar vermelha.
–Eu te vi ontem no shopping. – engoli em seco. Esse assunto não. Esse assunto NÃO.
–É, eu também te vi. – disse tentando manter a voz normal, sem ironia nem nada, olhei para o outro lado e respirei fundo.
–Achei que estivesse me ignorando por isso. –ainda podia sentir seus olhos em mim, mas não devo olhar pra ele, está muito fácil. Continuei a encarar algumas crianças que se divertiam com seus picolés derretidos e sujavam suas pequenas mãozinhas.
–Que isso Brunera, não tem nada a ver, eu só te vi quando você foi ao restaurante de massas, de resto não sei o que estava fazendo lá. – menti escancaradamente, era óbvio que não havia como eu não ter visto ele com a tal Sofia. Voltei meus olhos para seu rosto e ele parecia ansioso.
–Não viu com quem eu estava? – perguntou e por um segundo pareceu aliviado quando assenti, ainda mentindo. Ele não percebeu, WHAT? –Ah sim... – olhou para o outro lado.
Certo, acho que já foi o bastante, decidi tirar minha regata, ficando apenas com a saia, a dobrei, coloquei ao meu lado e me deitei. Às vezes podia sentir o olhar de Bruno sobre meu corpo, ria internamente com as caretas que ele fazia. Talvez ele deva sofrer, e ver o que deveria estar tentando ter. Rolo meus olhos. Que pensamento mais adolescente Carolina.
–Quer beber algo? – perguntou ficando de pé. Tenho certeza que era só para descontrair o clima.
–Pode ser. – disse me sentando. O olhei assentir e caminhar até o restaurante, logo em seguida saindo com duas cocas em mãos. Aproximou-se e me entregou. Sentamos e ficamos rindo dos pais que corriam atrás das crianças que insistiam em ir à piscina dos adultos. Logo mais a frente podia ver Dave com a menina loira, senti algo em meu estomago, podia ser eu e o Bruno assim. Droga.
–Vamos pra piscina? – ele perguntou tirando sua camiseta e ficando apenas com seu shorts. O encarei alguns segundos, gostando do que via.
–Vai na frente, eu já vou. – mentira, estava com vergonha de ficar só de biquíni perto dele, não iria nadar. É normal, certo? Insegurança.
–Tudo bem. – se afastou e mergulhou na piscina para adultos, indo até Dave que agora se encontrava sozinho, pude ver a loira dele se dirigindo aos vestiários, provavelmente iria embora. Tirei minha saia e deitei-me novamente, deixando os braços ao lado do corpo e as pernas flexionadas, tentei relaxar um pouco, não pensar em absolutamente nada.
Senti passos em minha direção, mas não fiz questão de abrir os olhos e ver quem era, apenas ouvi um “shh” e em seguida senti duas mãos pegarem meus pulsos e outras duas mãos meus tornozelos, abri meus olhos e vi os meninos me segurando e me arrastando para a piscina, tentei em vão fazer movimentos para me soltar, os dois eram anos luz mais fortes que eu e me jogaram na água, filhos do demônio como diria Gabi, arght.
–Idiotas! – eu disse me levantando prendendo o riso, Dave e Bruno gargalhavam e logo em seguida bateram high five.
–Está brava? –Bruno perguntou se aproximando e pude ver Dave indo se despedir da loira.
–Sim! Mais ou menos... –Ele se aproximou mais e sorriu, seu sorriso de lado, que o torna irresistível. -Não. – dei de ombros e rimos.
–Vou te ensinar uma brincadeira, vem aqui. – me puxou, me afundando, filho do demônio parte dois, ele fez isso muito rápido, não deu tempo de prender a respiração, a água invadiu minha garganta e minhas narinas, me fazendo afogar e começar a tossir. –Desculpa, desculpa, desculpa. – ele disse me levantando rapidamente e me virando de frente para ele, nossas respirações ficaram bem próximas e mesmo de olhos fechados podia sentir seu olhar afobado em mim.
–Tudo bem. – sorri fraco tentando abrir o olho que ardia bastante. – Ai. – sussurrei mais pra mim do que pra ele, mas ele ouviu. Minha garganta e minhas narinas ardiam.
–Me desculpe, não quis causar isso. – tão bonitinho preocupado, ele segurou minha cabeça e soprou meus olhos, aliviando a ardência. Acho que eu deveria usar uma daquelas desculpas de falta de ar e exigir respiração boca a boca só pra roubar um beijo dele como sugeriu Gabi antes de eu sair de casa, mas não né? Não tem nada a ver comigo fazer umas coisas dessas.
–Não se preocupe Brunera. –disse me recuperando e pude ver que Dave nos olhava sentado da grama e balançava a cabeça negativamente como se dissesse “esses dois”.
Saímos da piscina e Brunera pegou sua toalha começando a se secando e eu tentava me aquecer apenas esfregando meus braços, esqueci de trazer toalha, olha que beleza. Dave pareceu perceber que eu começava a bater os dentes de frio.
–Bruno para de ser lerdo, não ta vendo que a menina vai congelar de tanto frio?
–Eu disse que viriamos para o clube, ela que não trouxe toalha. – Deu de ombros e meu queixo quase caiu no chão, que estupido!
–Esse não sabe conquistar uma mulher mesmo, pode usar a minha Carol. – ele me estendeu a sua toalha e eu apenas sussurrei um ‘obrigada’ e ele assentiu, vesti minha regata branca a deixando praticamente molhada e pude sentir alguns olhares masculinos enquanto fazíamos o caminho até o estacionamento. Bruno colocou uma capa plástica no banco da frente, alegando que eu não entraria em seu carro molhada.
–Mas eu vou aqui atrás senhor esperteza.
–Não Carol, vai na frente, vou descer antes de você. – Dave respondeu e eu apenas assenti, mas pude ver um sorriso malicioso seu surgir quando entrei no carro e Bruno piscou para ele lhe agradecendo.
Deixamos Dave em sua casa, que era imensa e possuía um ar de riqueza e fomos em direção ao meu apartamento, senti meu celular tocar o som de mensagem e o desbloqueei para ver.
“Amiga, vou dormir na casa da Fer, não se preocupe comigo, até o almoço. Beijos, te amo. Gabi sexy”
Até nas mensagens minha amiga se acha, Meu Deus. Mais uma noite sozinha em casa. Suspirei.
–O que foi? – Bruno perguntou me olhando.
–Ah nada, vou ficar em casa sozinha, e está formando uma tempestade, não gosto quando isso acontece. – disse e chegamos em frente ao meu prédio.
–Entendi.
–Quer subir? – perguntei sem mais nem menos. Não custava tentar ficar na companhia dele por mais algum tempo.
–Desculpe, não posso. – ele disse e eu apenas assenti. Sabia que minha cara demonstrava minha decepção, então evitei encara-lo nos olhos.
–Tudo bem, até mais então Bruno. – disse me preparando para sair do carro. Se ele não iria comigo e não iria tentar se aproximar, nem nada, não havia o porque continuar no carro bancando a adolescente apaixonada. Ele tinha Sophia, não posso me esquecer disso.
–Af! –ele resmungou, me fazendo olhar em sua direção.
–O que foi?
–Era pra você insistir para eu subir. – ele disse fazendo bico. Ele não esta fazendo isso, oh, por favor.
–Mas você disse que não podia. – respondi indignada.
–Eu estava me fazendo de difícil e você nem insistiu. – não consigo evitar uma gargalhada. Deus, ele estava fazendo biquinho! E continuava a pessoa mais sexy do mundo.
–Então entra!
–Não quero mais também. – disse fazendo birra e cruzando os braços. Revirei os olhos.
–Vamos Bruninho, por favor. – me joguei em cima dele e fiz bico. Foi uma momento constrangedor, de fato.
–Você venceu, mas só porque fez essa carinha e ficou muito linda e quase irresistível.
–Quase? – perguntei ainda de bico.
–Só não é totalmente irresistível, porque você não ta só de biquíni. Entendeu? – lhe dei um tapa ardido no braço, desde quando ele é tão abusado? Suspirei me recompondo.
–Tarado! – disse revirando os olhos e ele gargalhou.
Descemos do carro e para a minha sorte o elevador estava interditado, ótimo, escada de serviço. Bruno insistiu que eu fosse à frente e vocês já imaginam o porquê dele querer isso não é? Dito e feito às vezes que eu o olhava, podia sentir seus olhos sobre a minha minissaia e às vezes ameaçava dar uns tapas e ele só sussurrava um “vou comprar uma luva de Box pra você!”. Chegamos ao meu andar e abri a porta do meu apartamento, por sorte Gabi havia deixado tudo arrumado e possivelmente havia feito compras.
–Vou tomar um banho, fica a vontade. – sorri e liguei a televisão lhe entregando o controle enquanto ele sentava.
–Isso, vai mesmo.
–Ta dizendo que estou fedendo Bruno? – perguntei incrédula e lhe dei um tapa.
–Não, outch, pare de me bater, vai tomar banho e, por favor, vista algo mais curto que essa saia. – Era só o que me faltava, né? Lhe dei mais um tapa e segui para o banho.
Saí e vesti uma regata vinho, e um shorts preto curto de malha, mas coloquei o roupão branco por cima. Pude ouvir as risadas de Bruno na sala e fui até lá.
–Prontinho. – sorri e ele se virou para me encarar..
–Bem melhor do que eu esperava, só falta tirar esse roupão. – sorriu malicioso.
–Desde quando você ficou tão tarado? – perguntei e joguei uma almofada dele, me sentando na poltrona ao seu lado.
–Desde quando você é tão linda? – ele havia bebido? Senti meu estomago revirar e meu rosto esquentar, permaneci em silêncio. –É legal te deixar envergonhada.
–Não é não. – fiz bico.
–Não vai me oferecer nada para comer não?
–Mas meu Deus que menino mais chato e pidão. – gargalhamos. – Quer comer algo Bruno?
–Não. – ele disse e eu lhe joguei uma almofada. –Brincadeira, aceito sorvete, tem?
–Além de folgado e pidão, ainda escolhe o que quer comer, mereço. – fui rindo em direção à cozinha, abri o congelador e peguei um pote de sorvete de flocos, peguei duas colheres e caminhei até a sala novamente, agora me sentando ao seu lado.
–Cara, adoro flocos, como adivinhou? – ele perguntou sorrindo e lhe estendi uma colher.
–É o meu também. – sorri igualmente, e começamos a comer e assistir South Park.
O pote de sorvete ficou sobre o colo dele durante todo o tempo, e já estava quase na metade. Era fácil estar no mesmo lugar que ele, ele tinha o jeito largado e eu tinha o meu, não precisávamos nos impressionar.
–Minha vez de tomar conta do pote, sai. – disse pegando de sua mão e rindo da sua cara.
–Você não tem forças contra mim, pego esse pote fácil, fácil. – se gabou e enfiou a colher no pote que se encontrava no meio de minhas pernas. Estranho. Antes de levar a colher a boca, a virou e com um movimento meu roupão se manchou de sorvete, QUE ÓTIMO.
–Droga Bruno, voce parece criança as vezes! – eu disse me levantando, e deixando o pote de sorvete na mesinha em frente á poltrona. Fui ao banheiro e tirei o roupão, daria um jeito nisso depois.
–Meu Deus do Céu. – ele disse assim que apareci novamente na sala.
–O que foi?
–Nada. – ele engoliu em seco, olhou para as minhas pernas e colocou uma almofada sobre seu colo. Oh, o prazer de deixar Bruno desconfortável me inundou, eu podia usar isso a meu favor qualquer dia.
–Ainda tenho a posse do pote de sorvete MUHAHA. – disse pegando o pote novamente, sentando-me dessa vez ao seu lado no sofá.
–Não por muito tempo.
–Não duvide da minha força. – provoquei.
–E se eu duvidar? – ele me olhou.
–Venha pegar. – ergui os braços com o pote em cima da minha cabeça e aconteceu tudo muito rápido.
Não demorou muito para que Bruno estivesse em cima de mim, uma de suas mãos me apertavam pela cintura e a outra se apoiava no braço do sofá, passou sua respiração pelo meu rosto, soltou minha cintura e se levantou alcançando o pote de sorvete. Quando o percebi o jogou longe, tirou sua camiseta e me apertou pela cintura novamente. Aproximou nossos rostos e eu podia sentir sua respiração falhar, ele passou seu nariz pelo meu e nossos lábios estavam a poucos centímetros, eu quase podia senti-los. Fechei meus olhos e apreciei seu toque.
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