Marcas do Passado
25 Capítulo 25
Pedro
Horas, minutos, segundos haviam se passado desde que eu e Karina havíamos chegado ali, quando eu estou perto dela eu não ligo muito para esse negocio de tempo até porque parece que ele simplesmente congela quando eu estou com a Ka. O céu já estava completamente escuro tornando assim á lua mais visível do que nunca, como sempre ela brilhava de uma forma mágica, como se ela fosse coisa de outro mundo, o ar estava gélido, mas nada que nos obrigasse á vestir agasalhos pesados até porque não levamos agasalhos pesados. O vento soprava fortemente chacoalhando os galhos das árvores e jorrando mais forte o perfume das flores do campo. Eu e Ka já havíamos comido algumas coisas que eu havia levado, ela ficou eufórica quando viu que tudo que eu tinha comprado era aquilo que ela mais gostava na vida. Nós continuávamos encostados na árvore, Karina se acolhia perfeitamente em meus braços protetores, o silêncio era predominante entre nós e não nos incomodamos com isso, pois para aquele momento nenhuma palavra existente expressava o que nós estávamos sentindo.
– Pê – Karina me tirou dos meus devaneios acariciando meu peitoral.
– Oi.
– Você já percebeu uma coisa?
– O que?
– Toda vez que nós viemos aqui tudo está da mesma forma sem por e tirar nada, o céu sempre está limpo e a lua sempre brilha com uma intensidade incrível, o clima sempre está um pouco frio, o vento bruto sempre sopra entre nós e o perfume das flores do campo sempre é predominante.
– É, eu já havia percebido isso, eu me lembro de quando nós éramos crianças inventávamos uma desculpa qualquer para nossos pais e vínhamos aqui á noite, sempre era esse clima, de dia também não fica muito atrás não, á única diferente é que ao invés de um céu escuro está um céu claro e ao invés da lua está o sol, mas tudo é exatamente como agora.
– Isso é… estranho.
– Me fale uma coisa– Eu á olhei e ela me encarava atentamente, um sorriso brotou em meu rosto – O que é normal quando estamos juntos? – Karina sorriu.
– Eu não sei.
–Exatamente – eu á apertei mais em meus braços – Quando você foi embora e eu vinha aqui á noite nunca era esse clima como agora, às vezes o céu estava repleto de estrelas, outras vezes ele estava totalmente encoberto por nuvens cinza, o ar tanto era extremamente quente como extremamente frio, às vezes chovia e o ar ficava com forte cheiro de terra molhada por algum tempo, durante todos esses anos o clima nunca foi como é agora quando eu vinha aqui sem você.
– Estranho, é como se nós fossemos dono desse lugar e ele só ficasse no equilíbrio perfeito quando nós dois estivéssemos juntos.
– Eu acho que assim como eu completo você e você me completa, juntos completamos esse lugar é como se ele fosse á nossa casa, como se ele nos pertencesse.
– Às vezes eu tenho medo de tudo isso que acontece com a gente.
– Mas não precisa meu amor – eu acariciei seu rosto – Eu já disse que eu vou ti proteger de tudo.
– Eu sei, mas é que é tudo muito diferente com a gente, a palavra normal em nenhum momento pode nos descrever, já percebeu, quando você está mau eu fico mau, quando você está feliz eu fico feliz, quando você está por perto eu me sinto completa e quando você está longe é como se eu fosse oca por dentro.
– Para o nosso estado ainda não foi criado uma palavra certa Ka, eu acredito sim que nós viemos a este mundo pré-destinados a ficarmos juntos. Você já assistiu aquele filme, Hancock?
– Já.
– A espécie do Hancock foi feita em pares um homem e uma mulher, e eles podiam até se separarem, mas uma hora ou outra eles acabavam se reencontrando não importava quanto tempo passasse, eles poderiam tentar fugir um do outro, mas algo mais forte os unia e eles tinham que ficar juntos.
– Você esqueceu de citar que quando os dois se reencontravam os poderes de ambos enfraqueciam e eles se tornavam vulneráveis, ou seja, isso era ruim pra eles.
– Não, pelo contrário, isso era ótimo para eles porque eles poderiam viver como qualquer outra pessoa, eles poderiam construir uma família e viver feliz.
– Mas isso não aconteceu no filme.
– Porque eles não quiseram, eles acharam melhor ficar com seus poderes ao invés de ficar com seu verdadeiro amor, é claro que eles poderiam amar outras pessoas, mas esse amor nem de longe seria comparado ao amor que eles sentiam um pelo outro. O que eu estou tentando ti falar é que se nós ficarmos juntos tudo vai dá certo.
– Mas é claro que nós vamos ficar juntos, eu não quero sair do seu lado nem por um minuto eu quero está com você por toda minha vida.
– É impressão minha ou isso é um pedido de casamento?
– Hahaha bobo – ela deu um leve tapa em meu peitoral e sorriu – Eu te amo.
– Eu também te amo – Eu disse e automaticamente sorri.
– Mas eu amo mais.
– Claro que não.
– Claro que sim, o meu amor é do tamanho desse campo inteiro.
– Ahh é? Pois meu amor é maior ainda.
– Maior quanto?– Ela sorriu e como sempre meus olhos brilharam diante de tal magnitude.
– Hum… Três metros acima do céu.
O sorriso de Karina se intensificou e ela aproximou seu rosto do meu selando nossos lábios. O seu beijo era intenso, prazeroso, nossas línguas trabalhavam em uma intimidade que só nós conhecíamos. Nós sem duvida nenhuma pertencíamos um ao outro e o que nos fazia acreditar nisso cada vez mais era á forma estrondosa que nossos corações pulsavam, eu sentia o pulsar de seu coração através de meu peito e com certeza ela também sentia o meu, eles batiam no mesmo ritmo, na mesma sintonia, como se estivessem se encontrando, ou como se estivesse crescendo ali dentro algo que eu já achava que era muito grande, o amor.
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