Marcas Do Passado
6 Capítulo 6 – Você não pode mais fugir de mim.
Notas iniciais
Saudades?
Como sempre, inicio este capítulo agradecendo a Eclipse She, marcia maraia,Rita Porfirio, Lia_Cullen, claragb, matiussi, Sonia Quadros, Kwany, super batatinha e a querida BrendinhaSantos. Agradeço, também, a todos que estão acompanhando!
Sem mais,
Boa Leitura galera!
POV Isabella
O que eu podia fazer? Ele estava mais uma vez na minha frente. Encarando-me, pedindo para eu retornar a um passado sombrio. O momento que eu mais tentei adiar iria acontecer agora.
Fiquei em silêncio. Estava nervosa demais para falar alguma coisa. Ele trancou a porta e sentou ao meu lado.
- Não deixarei você fugir de mim mais uma vez.
- O que você ainda quer de mim? Acabar mais uma vez com a minha vida? Esqueça que eu existo. Viva a sua vida como estou vivendo a minha.
- Você me deve respostas. Por que fugiu anos atrás?
- Ainda pergunta? Você e a minha família eram as pessoas que mais me acusavam, as pessoas que eu mais confiava não deram o apoio que eu precisei. O que você queria que eu tivesse feito? Admitir algo que eu não fiz?
Ele estremeceu com as minhas palavras. Tomara que ele se dê por satisfeito e vá embora para sempre da minha vida.
- Você acha que eu também não sofri! Até hoje eu não consigo viver em paz. A duvida ainda está presente em minha cabeça. Responda-me, você me traiu ou não?
- Não droga! Eu estou cansada de repetir isso. Foi tudo armação daqueles... Trastes! Se quiser comprovar isso vá atrás agora do meu ex-colega e pergunte a ele. Só há uma verdade. A minha!
- Eu acredito em você. Desculpe por demorar tanto a aceitar isso...
- Se é só isso que você queria. Por favor, vá embora e não me procure nunca mais.
- É isso mesmo que você quer?
Ele se aproximou ainda mais de mim e eu pude sentir o seu cheiro gostoso mais perto de mim. Meu corpo reagiu com aquela aproximação. Era como se forcemos feitos para estarmos juntos. Tentei me afastar, mas não tinha volta.
A resposta era que eu não queria que ele ficasse longe. Nunca quis. E agora eu não sabia o que fazer com toda essa bola de neve que se formou entre nós.
Senti os seus lábios quentes nos meus. Ele me beijou com certa rapidez. Nossos lábios se encaixaram perfeitamente como na primeira vez...
Embora eu quisesse aquilo, não poderia deixar continuar. O empurrei e ele se afastou devagar. Eu não poderia mais sofrer por Edward. Nunca mais.
- Vai embora, por favor. – Pedi com as lágrimas saindo dos meus olhos.
Sem dizer mais nada, ele se levantou e se foi mais uma vez. Eu esperava que aquilo não se repetisse nunca mais. Eu só queria viver em paz.
POV Sophie
- Adoro esse lugar! Aqui é tão quentinho! Você também gosta daqui, Anne?
- Eu gosto. Eu sempre quis visitar a América. Aqui é muito bonito!
- É sim.
Anne e eu fazíamos uma caminhada pela cidade. Mamãe não nos acompanhava nos nossos passeios. Ela sempre estava trabalhando. Eu queria que ela nos acompanhasse, sentia falta dela. Talvez um dia eu consiga convencê-la.
Olhei para frente e vi uma praça muito bonita. Havia várias crianças brincando na grama verdinha. Apertei a mão de Anne para chamar a atenção dela.
- Anne, vamos brincar no parque?
- Eu não sei princesa. Está com cara que vai chover. – ela falou enquanto olhava para o céu.
- Ah! Por favor! Eu quero brincar um pouquinho.
- Ok. Vamos rápido.
Apostamos uma corrida ao parque e eu ganhei, como sempre. Deitamos na grama e começamos a rir.
- Vamos brincar do esconde?
- Vamos.
- Você conta.
Ela foi até uma árvore e começou a contar. Corri o mais longe que pude. Eu queria que ela tivesse dificuldade para me encontrar.
Parei de correr e olhei para os lados e não reconheci o lugar. Meu deus eu estava longe de mais da praça. E agora o que eu vou fazer?
Senti os pingos da chuva cair em mim. Eu estou perdida e sozinha. Sentei na calçada e comecei a chorar.
POV Edward
Saí do estúdio com uma sensação melhor, embora ela tenha me mandado para longe. Confesso que eu ainda tinha esperanças de que ela me perdoasse pelos meus erros, mas não. Nunca mais vou poder estar perto dela como antes.
O gosto do beijo dela ainda estava na minha boca. Eu estava com saudades deles. Eu ainda gostava dela. Embora eu quisesse esquece-la, ela jamais sairia de mim.
A chuva estava mais forte. Resolvi ir para minha casa. Não havia tantas coisas a se fazer na gravadora. Olhei para os lados, observando as pessoas nas ruas de Los Angeles. Cada uma com suas vidas e seus problemas, juntas formavam essa enorme cidade.
Olhei mais uma vez para o lado e vi uma garotinha. Ela estava completamente encharcada, coitadinha! Sua cabeça estava sobre os joelhos. Ela estava chorando.
Parei o carro e fui até ela. Ela devia estar perdida. Abaixei-me e toquei o seu ombro.
- Garotinha?
Ela olhou para cima e logo a reconheci. Era Sophie, a menina que eu havia encontrado na orla dias atrás.
- Oi moço. Não faça nada comigo, só estou perdida.
- Você não está me reconhecendo?
- Edward!
- Sou eu. Como se perdeu?
- Eu estava brincando do esconde com a Anne e ai eu me perdi.
- Você se lembra onde estava brincando?
Ela espirrou e respondeu:
- Eu não lembro onde fica.
Isso não facilitava as coisas. A mãe dela devia estar louca agora. Sophie se encolheu, ela devia estar com frio e com certeza pegaria uma doença se continuasse aqui.
- Vamos fazer o seguinte, vou levá-la para minha casa e lá você me conta sobre quem é sua mãe. Talvez possamos encontra-la.
- tudo bem.
Levei- a até o carro e a cobri com o meu casaco. E formos em silêncio para a minha casa.
Entramos e ela sentou-se no sofá como se já conhecesse o lugar.
-Minha mãe me disse para não seguir estranhos, mas eu confio em você. Parece que eu já te conheço.
- Mas você me conhece.
Eu sorri. Ela espirrou mais uma vez e se aconchegou mais no casaco. Ela devia estar resfriada. Cheguei mais perto dela e toquei a sua testa, ela não estava com febre.
- Estou com fome tio Edward.
Pensei por alguns minutos. Aqui não havia nada feito para que pudéssemos comer. Eu sempre fui péssimo na cozinha!
- Você gosta de pizza?
- Gosto muito.
- De que sabor?
- Frango.
- Ok. Já poderemos comer.
Peguei o telefone torcendo para que eles entregassem em domicílio nessa chuva. O numero chamou por alguns minutos e atendeu. Ótimo! Fiz o pedido e eles cobraram um pouco mais caro para a entrega. Não tinha importância.
Olhei para Sophie e vi que a roupa dela já estava molhando o sofá. Ela poderia ficar pior do resfriado com essas roupas molhadas.
- Sophie, eu vou lhe dar umas roupas minhas para você vestir. Pode ficar doente se continuar usando essas roupas.
- Eu sei. Minha mãe sempre diz isso quando eu me molho.
Fui até o meu quarto procurar uma blusa velha para dar a ela. Abri o guarda roupa e vasculhei pelas minhas coisas. Até que achei uma blusa muito antiga. Bella adorava usá-la. Cheirei- a na esperança de encontrar algum cheiro dela ainda incrustado no tecido. Mas não havia mais nada, é claro.
Levei a blusa até a sala e entreguei a Sophie. Ao mesmo instante ouvi a campainha tocar e fui em direção à porta.
- Sophie vista a blusa e depois me dê as suas roupas molhadas para que eu possa colocá-las para enxugar.
- Tudo bem.
Eu a vi correndo pelo corredor antes de abrir a porta. Recebi o pedido, paguei e depois fui pegar os pratos para que pudéssemos nos servir. Coloquei tudo na mesa e quando já me preparava para chamá-la, ela apareceu vestida com a blusa, que ficou enorme por sinal, e com o cinto de sua roupa envolto em sua cintura. Ela transformou a velha blusa em um vestido. Que senso de moda! Parecia até a Alice.
- Estou bonita?
- Está linda.
Ela sentou-se por cima da perna e pegou o Ketchup e a maionese e misturou, transformando em molho. Sorri. Eu adorava fazer isso quando eu era pequeno. Sentava dessa forma e fazia esse molho. Lembro-me de minha mãe brigar comigo toda vez que eu fazia isso.
- Então você gosta de pizza. – puxei assunto.
- Gosto, embora não seja comum se comer lá em Londres. Mas a minha mãe sempre que encontra me leva para comer. Ela disse que é algo que a faz lembrar daqui.
- Então, você é londrina e sua mãe é americana.
- É. Minha mãe me disse que ela se mudou para lá quando era jovem.
- Como é a sua mãe?
- Ela não é alta, tem os cabelos castanhos que ficam vermelhos ao sol e ela tem os olhos castanhos iguais a de um chocolate.
Ri mais uma vez com a descrição detalhada que ela fez da mãe.
- Sua mãe trabalha com que?
- Ela aparece na televisão. Foi por isso que nós viemos para cá.
Ela poderia ser atriz ou apresentadora. Sei lá. Deve estar trabalhando em algum estúdio por aqui.
- Você sabe onde ela trabalha?
- Não. Mas eu sei que é em um filme novo. Uma vez a ouvi dizer que é baseado em um livro que ela já leu.
Um! O filme da The Whartons Studio era baseado em um livro de Leah Clearwater. Ela poderia ser filha de uma das atrizes que trabalhavam no filme. Lembrei-me de Bella, a descrição lembrava ela. Edward! Isso é só coincidência. Bella não tinha filhos.
Olhei para ela e vi que não parecia estar muito bem. Estava ficando vermelha e me olhava com uma carinha de tristeza.
- O que foi?
- Eu acho que não estou muito bem.
Antes que eu pudesse responder, ela correu até o meu quarto e fechou a porta. Tentei abrir, mas estava trancada.
- Sophie abra esta porta.
- Não! Eu fiz uma bagunça muito grande e não quero que veja.
- Não tem importância. Abra a porta.
- Você vai brigar comigo e não vai mais me ajudar a encontrar a minha mãe. – ela falou choramingando.
- Eu não vou fazer isso. Abra a porta Sophie.
Sophie abriu a porta devagar e eu pude ver que o quarto estava sujo de vômito. Olhei para ela e percebi que a boca dela estava suja. Toquei a testa dele e estava muito quente. Febre. Sophie estava doente.
POV Isabella
Fui para casa tentando esquecer do episódio com Edward. O resto do meu dia foi atrapalhado. Não conseguia trabalhar direito e eles acabaram me liberando.
Cheguei a casa e percebi que estava muito silencioso. Onde estará Sophie? Ela sempre me recebia com muita animação. Entrei e vi Ruth e Anne com uma cara estranha. O que teria acontecido?
- Gente, que cara é essa.
- senta. – pediu Ruth.
- Me contem logo! Aconteceu algo com a minha filha?
- Ela sumiu. – disse Anne.
- o que?
Senti as palavras afundarem o meu coração e o desespero tomar conta do meu corpo.
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