Notas iniciais
Another cap!

Boa Leitura

Logo depois que saíram da secretaria da tal escola onde passariam a viver, uma conversa começava a surgir.

–Lugar grande! – se surpreende Heloísa.

–Esse é a maior escola de São Francisco. É sério; supera até mesmo as faculdades. E é um bom destaque nessa área da cidade – diz Luca.

–Parece que viver aqui não é tão ruim assim – reflete Kevin.

Nem precisava entrar dentro do colégio para se admirar com ele. Um grande grupo de edifícios se destacava muito naquela região. O grande prédio da escola ficava no centro, sendo o único com três andares. Enquanto nas laterais ficavam os dormitórios, que eram um pouco menores e tinham dois andares. Tudo era cercado por um campo verdejante.

A escola, que no momento estava quase vazia, também ficava no topo de uma colina, onde se conseguia uma vista incrível sobre a baía e sobre a cidade.

–Olha, esse é um dos lugares mais belos que eu já vi – diz Heloísa.

–Muito mesmo – diz Felipe – melhor do que as montanhas da Bavária.

–Bem – diz Luca, voltando a um outro assunto – vocês utilizarão seus nomes reais e também o país de onde vieram. Ajam como qualquer aluno de intercambio agiria: Vocês não sabem de nada do que está acontecendo.

–Mas não sabemos mesmo – reflete Felipe.

–Melhor ainda. Sejam humanos: Se socializem, façam amigos, vivam a vida.

–E se nos perguntarem da nossa marca no braço? – adverte Kevin.

–Boa pergunta – diz Luca – não pode ser qualquer mentira, já que nós quatro possuímos a marca, coisa que o pessoal daqui também percebe. Já que eu estou a mais tempo aqui, sempre digo que é uma tatuagem.

–Essa é a mentira principal – observa Kevin.

–Se perguntarem mais detalhes, inventem! Digam que é uma coisa da escola antiga, ou algo tradicional da Dinamarca. Mas sempre avisem uns aos outros quanto a isso! Vai prevenir que alguém suspeite de vocês.

–E isso acontece? – pergunta Heloísa.

–Bastante, mas perdem o ânimo para investigar. Mas foi por uma coisa parecida que vocês estão aqui.

O assunto fica tão sério que o grupo para debaixo de uma árvore para conversar.

–O que é, então? – pergunta Kevin.

–Bem, normalmente recebemos missões em que temos que assassinar alguém, certo?

–Correto – respondeu Heloísa.

–Recentemente, ouve uma série de acontecimentos estranhos aqui na região da Baía de São Francisco.

–E como você defini “estranho”? – disse Kevin.

–Eu defino uma coisa, o que está acontecendo por aqui é outra. Uma série de mortes e aparições esquisitas estão ocorrendo.

–E o que as pessoas veem? – pergunta Felipe.

–Elas não veem muita coisa antes de caírem em coma no hospital. Mas descobrimos que tem uma leve possibilidade de ser algo que não enfrentamos há muito tempo.

Aquele suspense realmente estava estressando os adolescentes.

–E o que é, afinal? – pergunta enfim Heloísa.

–Podem ser três coisas “possíveis”. Poderia ser um novo assassino em série, que utilize técnicas nunca antes vistas.

–Boa sugestão – pensa Felipe.

–Mas também pensamos em coisas mais radicais. Podem ser até seres sobrenaturais ou, por incrível que pareça, pode ser até mesmo “eles”.

O grupo ficou estático de repente.

–Certeza absoluta disso, Luca? – pergunta Kevin, um pouco nervoso.

–Não. E é por isso que estão aqui: Investigar e comprovar a autenticidade dos fatos.

–Bem – diz Felipe – tanto um quanto o outro, se for mesmo verdade, o que eu sinceramente acho que não é, são difíceis de encontrar, especialmente em uma área tão populosa.

–Tem razão – afirma Heloísa.

–Nós nunca vimos uma situação tão anormal como essa em São Francisco desde a época do meu bisavô. Essas possibilidades podem parecer absurdas, mas são as explicações mais próximas do que temos aqui.

–E por que indicaram nós para fazer isso, e não a elite? – pergunta Heloísa.

–Não me disseram muita coisa, mas parece que nos encaixamos muito bem ao disfarce de estudante.

–E porque vamos ficar nessa escola? Ela tem algo de especial para a missão? – pergunta Kevin.

–Na verdade sim. Aparentemente os ataques ocorrem com uma frequência maior aqui. Isso além de estarmos suspeitando que são alguns alunos daqui.

–O que vamos fazer para descobrir isso? – pergunta Felipe

–Se misturem. Façam amigos, entrem em clubes, participem da vida da escola. Ouçam as notícias e analisem a turma daqui. Estaremos bem espalhados, então podemos descobrir pistas dessa maneira. E se um ataque ocorrer ou algo assim, podemos investigar e até, quem sabe, ter um encontro com essa “coisa”.

–E, acaso qualquer coisa aconteça – diz Kevin – podemos tentar interferir ou algo assim?

–Depende. Se estivermos no meio de testemunhas, tentem se ocultar e observem. Acaso estiverem só você e o assassino, podem até lutar, mas sempre ocultem o rosto. É extremamente proibido que sejamos descobertos aqui.

–Fazemos trabalho em equipe mesmo? – pergunta Felipe, apesar da resposta já ser óbvia.

–Claro que sim. Podemos fazer vigias ou investigações sozinhos, mas sempre avisem os outros. Vai ser uma dor de cabeça tentar descobrir onde está o nosso companheiro que, por sinal, pode estar à beira da morte.

–O.K.! – dizem todos.

–Beleza então – continua Luca – que tal agora fazermos um passeio pela cidade? Vocês vão gostar dos bondes!

–Bondes?! – exclama Heloísa – enfim um transporte que não seja um taxi louco!

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–Que banco duro!

Logo depois de um dia conhecendo a grande área da Baía de São Francisco, os jovens assassinos estavam relaxando em uma pracinha, aparentemente deserta, perto do litoral da baía. Era uma praça pequena, com apenas uns poucos brinquedos e um chão de concreto já começando a dar sinais de rugas profundas no chão. Como não tinha absolutamente ninguém naquela parte meio afastada do centro, estavam mais libertados para falarem de assuntos particulares.

Ou para fazer outras coisas...

–Querem saber uma coisa? – disse Luca, fazendo a curiosidade do grupo subir de nível.

–O que é? – diz Felipe.

–Desde que os vi pela primeira vez, estou a fim de descobrir o porque a Europa enviou vocês.

–Como assim? – pergunta Heloísa.

–Quero que lutem comigo – diz ele.

–O quê? Agora? – pergunta Kevin.

–Não vejo por que não – diz Luca, se levantando do banco.

–Mas não vão nos ver? – adverte Felipe.

–Podem até nos ver, mas quem ligaria para uns adolescentes “treinando” um tipo de capoeira misturado com CQC aqui?

–Bem, ele tem razão – diz Heloísa, já começando a se empolgar.

–Cara, não me mecho a um bom tempo – diz Kevin, se levantando e se alongando.

–Não usem equipamentos – disse Luca – use apenas o treinamento de luta que receberam. Vamos ver se vocês são fortes.

–Beleza! – grita Felipe.

Ambos se posicionaram em pé na pracinha deserta. Três Assassinos versus um. Não parecia algo muito justo, mas o americano parecia mais forte do que aparentava. Não havia ninguém nem ali e nem nas redondezas para observar aquilo, o que os deixa mais a vontade.

–O.K. então – diz Luca calmamente – podem vir.

Ao ouvir isso, Felipe corre na direção de Luca rapidamente. Luca logo percebeu e se mantém extremamente alerta a qualquer tipo de golpe. Tomado pela velocidade e usando-a a seu favor, Felipe salta e tenta dar um chute na face de Luca, que rapidamente se desviou, deixando Felipe exposto a um contrataque. Luca tenta dar um, dando uma cotovelada forte nas costas de Felipe. Mas Luca é surpreendido quando Heloísa lhe dá uma rasteira por trás. Luca caí no chão e é novamente surpreendido por Kevin prestes a dar um soco tremendo em seu estômago. Com dificuldade, Luca rola para o lado e dá um salto. No final, pousa tranquilamente sobre um balanço e fica de cócoras enquanto encarava seus colegas.

–É claro que estão em número maior, mas é só isso que um Assassino pode dar?

–Você só viu o aquecimento – diz Kevin – agora veja a batalha!

E, como um relâmpago, Kevin corre e dá um salto enorme, se dirigindo rapidamente até Luca, que fica em pé tranquilamente sobre as barras do balanço em posição de ataque.

Kevin, ao invés de aproveitar a velocidade e atacar Luca, desvia-se e se agarra a uma das barras do brinquedo. Sobe nelas rapidamente e também fica em posição de ataque, ambos em pé encima do brinquedo.

–Isso não é tão ruim quanto lutar na corda bamba, mas é... desafiador – diz Luca.

E, como se fosse impossível, os dois começam a lutar em pé acima de barras de um balanço. Enquanto um atacava, o outro bloqueava e usava o ataque para fazer um contra, e vice-versa. A luta poderia durar horas, até que...

–Tome isso! – grita Felipe.

Tanto Luca quanto Kevin se surpreendem com Felipe dando uma voadora em Luca. Infelizmente nem essa ele pode defender. Luca cai como uma pedra no duro chão de concreto da praça, com Felipe logo atrás.

–Perdeu! – grita Felipe.

Luca rapidamente se levanta para um contrataque, mas logo é parado e surpreendido quando um par de braços e pernas lhe dá uma rasteira e rapidamente o mobiliza pelos braços, os prendendo acima da cabeça.

–Fique onde está, cowboy – diz Heloísa, sorridente – ou eu vou fazer uns ossos estalarem.

Para provar que estava no controle, Heloísa começa a puxar e a apertar mais e mais o nó que fez com os braços de Luca.

–Aí aí aí! O.K., já podem parar! Vocês venceram!

Alegres pela vitória, o trio libera Luca do nó em seus braços.

–Olha, realmente eu subestimei vocês – diz ele.

–Foi uma boa luta – disse Kevin, apertando a mão de Luca.

–E parece que os pombos gostaram também – diz Heloísa, fazendo referencia ao local, ainda vazio.

–Boa luta mesmo – diz Luca – mas melhor irmos, o sol já está se pondo e vocês tem que acordar cedo para amanhã.

Um ar de desespero e medo absoluto atingem Felipe.

–Que horas temos que acordar?

–Se quiserem pegar o café da manhã “inteiro”. Lá pelas 6 da manhã...

O terror subiu a cabeça do jovem Assassino.

–NÃÃOOOOOOO!!!!!!!!!!!

Notas finais
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