Marcas Da Morte

11 Educação Física


Notas iniciais
More and More

Boa Leitura!

–Pai? É você, pai?

Na intensa escuridão do corredor, apenas um longo feixe de luz, vindo de um aposento, iluminava o pequeno elemento, que se aproximava cada vez mais da porta encostada.

Era uma criança, aparentava ter apenas uns 2 ou 3 anos de vida. Vestia um longo e volumoso pijama branco, enfeitado com ursinhos marrons. Seus grandes olhos negros, repousando sobre desarrumados cabelos negros, olhavam fixamente pela abertura na porta.

Mas enquanto se aproximava, a criança ouvia a voz familiar paterna.

–Eu já disse, meu bem...

–Não pode abandona-lo assim! Ele é seu filho!

–Ele é um matador!

A voz feminina parecia prestes a chorar.

–Não diga uma coisa assim!

–Eu digo a verdade.

–Ele não escolheu isso! E você sabe muito bem disso!

–Mas ele TEM QUE IR?!!

–Se não for, o pior vai recair sobre nós.

–“Nós”? Eu não tenho mais nada a ver com isso.

O choro e a tristeza rompem a barreira da mãe desesperada.

–Não vá! E quanto a mim e ele?!

–Isso não é mais problema meu. É problema seu e da sua “Ordem”.

Nesse momento a discução é interrompida por um pequeno vulto entrando no aposento.

–Pai?


–Ah!


Kevin acorda com um espanto, levantando rapidamente a cabeça do travesseiro.

–Ah... de novo...

–O que foi? – parecia a voz de Luca na escuridão do quarto.

–Um... sonho – dizia Kevin.

–É aquele de novo? – Felipe sabia exatamente do que estava falando.

–É sim... – respondia desanimado e nervoso.

–Não ligue não – Felipe tentou acalma-lo – é só um sonho.

–Eu sei... mas parece tão...

–Tudo bem, brother – tranquilizava Felipe – já acabou. Agora tente voltar a dormir.

–Tá bem. Valeu.

Kevin volta a se deitar preocupado. Esse mesmo sonho já te espancava muitas vezes e a muito tempo. Não parecia muito assustador para qualquer um. Mas para Kevin, era quase traumático.

–Só espero que isso pare de uma vez – murmura.

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16 de Fevereiro 7h10min

–Relaxe, Kevin. Hoje tem Educação Física. Isso vai te distrair.

–Valeu, Heloísa. Mas desta vez parece que foi ainda mais... real do que os outros.

–Não sei como é isso – dizia Luca – mas é só não pensar e tá tudo bem.

–Vou tentar.

O quarteto estava aguardando a professora no ginásio da escola, para enfim poderem ter a tão idolatrada Educação Física. O resto da turma não estava nem aí para o isolado grupo no canto do ginásio. Todos vestiam um short azul escuro com uma camiseta laranja.

Quando enfim a professora chegou. Seus longos cabelos negros estavam amarrados por um rabo de cavalo longo. Seu físico meio robusto era visível na pele morena. Vestia as mesmas roupas dos alunos, mas parecia bem mais experiente.

–O.K. gente! Vamos fazer uma bela de uma queimada de 3 bolas hoje!

–Eba! – gritaram os alunos.

–Elisa e Jimmy! Escolham os times.

O grupo olhou para a dupla que se dirigia ao centro da quadra. De longe podia-se notar que eram os atletas da escola: A garota era alta, bonita e cheia de fru frus, como maquiagem e pulseiras. Já o garoto era musculoso, cabelos castanhos bem aparados e também aparentava ter repetido de ano mais de uma vez.

–Vou adivinhar: Vão nos escolher por último – sugere Felipe.

–Acertou na mosca – diz Luca.

E Felipe realmente estava certo. Logo depois que quase toda a classe foi selecionada, a dupla atlética olhou com desgosto e com tédio para o trio restante no ginásio.

–Ah, eles? – reclama a garota, com o nome Elisa.

–Vai você primeiro – sugere o tal Jimmy.

–Tá bem, então... – a garota olhava com tédio para o trio – ô garoto loiro?

–EU! – grita Felipe.

–Vem cá.

Enquanto Felipe ia no time da direita, Jimmy analisava a dupla.

–Ô garota de castanho? Ao lado desse magrelo de tatuagem?

Mesmo que ele tenha chamado Heloísa, Kevin reconheceu o insulto muito bem, retribuindo com um olhar mortal sobre Jimmy, que o ignorou totalmente.

–Elisa, fica com o magrelo aí e vamos logo começar isso!

Kevin seguiu para junto de Felipe nervoso. Ele definitivamente não gostava que os outros o chamassem de magrelo. “Qual era o problema?” pensava.

–O.K.! – gritava Jimmy – vamos começar isso! Vamos detonar vocês!

–Duvido! – gritava Elisa em troca.

A queimada começa furiosamente com o apito da professora. Ao passar dos minutos, os membros do time de Elisa eram derrubados um a um, enquanto os vencedores de Jimmy não tomaram uma única bolada.

–Felipe, estou vem do que o outro time é destrutivo.

–Oh! Sabia que eu só notei agora, depois de 10 minutos de jogo?!

No final, de 15 que haviam em cada time, apenas 1 saiu do time de Jimmy, enquanto 13 haviam saído do time de Elisa, incluindo a própria.

Para a surpresa de muitos, os únicos que haviam sobrado no menor time eram os novatos Felipe e Kevin. Ambos não foram o alvo de muitos golpes, mas quando eram, desviavam com uma facilidade assustadora.

–Só sobraram os dois franguinhos? – zombava Jimmy.

–Sim senhor! – dizia um dos “amigos” de Jimmy.

–Vão cair rapidinho – disse – desistam! Já perderam.

–Até parece – dizia Kevin – fracote.

Ao ouvir o insulto, Jimmy nem se conteve ao atirar a bola com força e velocidade em direção a cara do garoto. “É claro que vai acertar”, pensa Jimmy. Ele a lançou de tal modo que um qualquer nem notaria e só perceberia a bolada quando caísse no chão.

Mas Kevin não era qualquer um.

Quando a bola estava a apenas alguns centímetros de Kevin, ele desvia-se muito rapidamente, curvando seu tronco para baixo, com as pernas imóveis. Assim que viu a bola passar a alguns milímetros de seu nariz, volta a posição normal.

–Lerdo demais – disse.

–Mas como?! – se indaga Jimmy e seus companheiros.

–Tente me acertar também, boiola – diz Felipe, ao fazer o ato de devolver a bola para Jimmy, que fica perplexo, junto com todos ali presentes.

–Você vai ver só! – diz Jimmy, arremessando a bola com toda a força que seus musculosos braços podiam dar.

Foi inútil. Com um movimento rápido, Felipe para a bola apenas com a mão direita, sem mover um músculo a mais e de cabeça baixa.

–Vou facilitar para você – dizia Felipe – vamos jogar de olhos fechados. Vamos ver se vocês acertam o alvo fácil de uma vez.

Na era do estilo de Felipe se gabar de tal modo, mas ele estava adorando! O que foi comprovado pelos olhares furiosos dos adversários.

–Sabe, também acho.

Felipe retribui o sorriso de Kevin com outro. Rapidamente, os dois pegam as toalhas, que estavam no chão, e a amarram nos olhos, tapando assim completamente a visão.

–Podem atirar, estamos esperando – dizia Kevin.

A primeira bola veio logo depois da fala. Com seus instintos mais que apurados, Kevin rola para o lado, escapando do ataque do adversário. Logo em seguida, escuta um movimento parecido feito por Felipe, que desvia-se e pega a bola ao mesmo tempo.

Os dois sabiam muito bem o que estavam fazendo. Haviam treinados arduamente juntos e sabiam muito bem as técnicas assassinas de combate.


–Lembrem-se sempre: O ouvido é a arma mais importante de um Assassino – o Mestre de Defesa havia dito a eles durante um dos muitos treinos que tiveram.


–Por quê? – dizia Felipe, que na época só tinha 11 anos.

–São eles que avisam se o inimigo está chegando ou não. Tem que prestar atenção para ouvir cada minúsculo movimento ao redor. Isso além de um tipo de sexto sentido nosso.

–Sexto sentido? – perguntara Kevin, da mesma idade de Felipe.

–Pensa rápido! – dizia ele, jogando uma bolinha de borracha na direção de Kevin, com uma velocidade incrivelmente espantosa.

–Aí! – disse Kevin, ao sentir o impacto – porque fez isso?!

–Se seus sentidos estivessem desenvolvidos, isso não teria acontecido. Vou fazer um exercício agora: Vamos ver como agem com os olhos vendados!


“E eu achando que esses treinamentos nunca iriam ajudar” pensa Kevin.


Os Assassinos perceberam a falta de bolas da outra equipe. Usando a memória, eles descobrem onde as bolas foram parar no seu território e as pegam, ainda de olhos fechados.

–Vamos acabar com eles, Kevin?

–Com certeza!

Nesse momento, os dois ficam em silencio, e parados de tal modo que nem um único músculo se mexia. Estavam tentando escutar cada misero som que o “inimigo” poderia fazer.

Kevin foi o primeiro a ouvir.

–Direita!!! – gritou ele, jogando a bola com força.

O estranho que Kevin jogou a bola na direção oposta da que foi dita. E, por incrível que pareça, acerta um garoto na cara!

“Regra número 9” lembrava Kevin “Em situações deste tipo, se dizer direita, por exemplo, o inimigo sempre irá para a direção contrária”


Depois de longos 10 minutos de jogo, a situação tinha se invertido de um modo assustador. Dois contra treze? A resposta poderia ser óbvia. Mas, por incrível que pareça, aconteceu.


–Quer saber, Kevin?

–O que?

–Vamos tirar essas toalhas dos olhos. Se nem assim eles nos acertam...

–Pois é.

Ao retirarem as toalhas, sorriram com o trabalho que realizaram. O único sobrevivente do outro time foi um garoto, que já estava se encolhendo de tanto medo da dupla. “Ele só tá aí ainda por pura sorte” pensa Kevin.

–Felipe – sussurra Kevin, de mono que ninguém mais poderia ouvir – manobra número 17.

–Certeza? Aqui? – indaga.

–Absoluta – sussurra de volta.

Concordando com o amigo, Felipe pega uma bola e se ajoelha no meio da quadra, enquanto Kevin pegava outra bola e se posicionava atrás de Felipe, o que deixa o público de aflito à confusos. “O que aqueles caras vão fazer?” se perguntavam.

A única que sabia exatamente o que ia acontecer era Heloísa.

–“Hum...” pensa ela “Então eles vão fazer a manobra 17? Isso vai ser interessante”

Com uma velocidade grande, Kevin começa a correr em direção as costas de Felipe, que se prepara para receber o amigo.

O que acontece em seguir surpreende o público: Kevin, usando as costas de Felipe como impulso, salta a uma altura considerável, enquanto jogava sua bola no inimigo. A bola de Kevin erra o sobrevivente por pouco, deixando-o um mais aliviado.

“Caiu direitinho” pensa Felipe.

Ao pensar isso, Felipe joga sua bola no ar com tal velocidade que Kevin a agarra assim que lança sua bola. Ao atingir a altura máxima, Kevin dobra as pernas ao máximo, move seu braço direito para trás, ganhando impulso.

E atira a bola.

Esse movimento deixou todos no ginásio mais que boquiabertos, enquanto observavam o sobrevivente do outro time sendo atingido em cheio pela bola.

Os alunos não foram os únicos que ficaram perplexos.

–E, por incrível que pareça, o vencedor é o time de Kevin e Felipe!!!

Notas finais
Reviews?