Marcas Da Morte
24 Convocação
Notas iniciais
Lamento pelas recentes demoras, pessoal. Vida corrida e cheia de provas não deixa as coisas easy pra escrever! Mas eu tento quando posso! E posto o resultado disso aqui hoje, pra vocês.
Boa Leitura
Atenas, Grécia.
Dia 11 de Abril
A paisagem sabia pegar qualquer um de surpresa.
O horizonte da capital grega fascinava muitos não só hoje em dia, mas desde os tempos antigos. Os belos edifícios da Acrópole de Atenas resistem até hoje, sua grandeza sempre se manteve sólida e inspirando. Ao longe, as luzes do centro moderno de Atenas iluminavam a noite.
E, no meio dessa paisagem, se encaixava uma figura.
Um garoto observava a paisagem de uma mureta, sonhando alto. Vestia o clássico uniforme Assassino Grego; exatamente igual ao geral, mas possuía um bracelete mais adornado e dourado, e havia uma faixa de tecido azul claro cruzando o tronco na diagonal. O capuz branco escondia cabelos ruivos repicados e lisos, e um olhar jovial e com Iris negra, apontando para o horizonte.
A Cede Assassina da Grécia era uma das mais antigas estabelecidas na Europa. Um antigo templo grego foi reutilizado. A base fica no subsolo, mas haviam um ou dois setores acima. E porque não teria? A vista era incrível! Principalmente numa calorosa noite como aquela.
Até que seu olhar avistou alguma coisa.
Um... pombo, pelo que parecia. Uma criatura pequena e versátil cruzava rapidamente os céus da cidade. De inicio nosso Assassino não pensou em se tratar de um pombo. Mas logo mudou de ideia, ao vê-lo pousar na mureta, bem a sua frente.
Aquilo era...
-Um pombo correio? Aqui e agora?
Ficou logo curioso, pegando levemente a criaturinha. Pelas penas e pelo formato da capsula da mensagem, parecia ser uma das Africanas. Mas... porque? Porque ali e agora?
Até que, finalmente, abriu a capsula da mensagem, encontrando nela um pequeno pedaço de papel. Mas, ao desenrolar, viu que se tratava de uma folha inteira, bem dobrada e guardada.
E começou a ler.
-Oh... Meu... Deus...
Ele quase se desequilibra com o que aquelas palavras acabavam de informar. Não... não poderia ser possível! Klaus só havia ouvido falar daquilo... mas não acreditava que isso poderia ser possível! Não ali, não neste século. Não neste milênio...
-ALEXANDRE!
E entrou correndo pelo antigo templo, que antes foi tanto usado para graças e levar boas noticias. Mas agora, levava algo que podia mudar o curso não só da toda a Irmandade, mas de toda a Humanidade.
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São Francisco, EUA
Dia 13 de Abril
Como sempre, acordo com um ruído.
-Ah... o que foi?
-Oh! Bom dia, Kevin!
-Bom dia...
Não tínhamos feito quase nada ontem, mas confesso que eu estava muito cansado. Esses ossos quebrados demoravam para se curar! Mais do que chicotadas nas costas.
E acreditem: Sei bem do que estou falando.
-Conseguiu dormir hoje?
-Acho que sim... e você?
-Não... nunca pensei que seria tão difícil dormir com ossos quebrados!
-Bem... foi ideia da Heloísa a gente ficar aqui. E não acho que foi a melhor...
E realmente não foi. Felipe ainda estava sentado na cama, com faixas pelo corpo todo. Ele é o que esta mais prejudicado... é quem estaria “sofrendo” mais. Que bom que ele sempre foi energético assim, pelo menos acho que o ajuda a distrair das dores.
-Quer ajuda pra ir até o banheiro?
-Seria bom.
Com dificuldade, dei apoio pra ele ir mancando até a porta do banheiro. Mesmo depois que ele fechou a porta, continuei esperando do lado de fora. Provavelmente ele iria pedir pra eu ajuda-lo a voltar também.
Depois que voltamos pra cama, o tédio volta a assolar-nos. Não havia nada que poderíamos fazer. Não tínhamos nada da Irmandade, e não tínhamos condições nem de andar direito pela rua, quanto mais pular por telhados.
Mas... ficar aqui simplesmente esperando acontecer não é meu estilo. Eu fui treinado pra agir e me mover, e ficar parado vai contra tudo isso. Eu quero estar lá no meio, eu quero fazer parte da ação!
Mas... acho que a única tarefa que estou limitado a fazer é ser o mordomo de Felipe por, no mínimo, mais uma semana. Ah... quando isso vai acabar? E... será que a Irmandade finalmente nos mandarão reforços?
Bem... vou ser sincero: Nunca pensava que uma “possível” resposta viria assim tão imediatamente.
Quando aquela porta simplesmente se abriu do nada, eu quase pulei de susto, quase também caindo da cama. Porém, nem mesmo depois que eu soube quem era, isso não me aliviou.
-Que foi? Porque tão me olhando com essa cara?
Era o Luca.
-E você ainda pergunta?? Onde você esteve esse tempo todo??
-Ué, eu já não falei? Na base em Nevada. Sabe como Nevada é longe daqui?
-Sim... sei sim... – até eu vi que Felipe não estava engolindo completamente aquilo. Nem eu estava.
Foi aí que eu e Felipe notamos.
Luca estava carregando consigo uma... boa pilha de livros, e bem velhos e grandes. Capas de couro, já bem empoeiradas e rachadas. O título não era visível do meu ponto de vista... mas não era o título que mais me interessava.
-Ah... Luca... – perguntei – o que são esses livros?
Ele pareceu olhar-nos com importância, mas também com uma certa indiferença.
-Então, por isso estou aqui – ele coloca os livros em uma mesinha, na cabeceira da minha cama – O Mestre aqui da América do Norte me mandou pra cá urgentemente com esses livros.
-E... o que são? – perguntou Felipe.
-Não me disseram, só me falaram pra trazer aqui a todo o custo, e não bisbilhotar. Disseram que saberiam o que seria.
Fiquei pasmo. Porque diabos esses livros? Porque agora? E porque alguém dos níveis superiores da Irmandade mandariam para cá? Para nós?
-Ah... e essa não é a pior parte – isso não era animador – disseram-me que foram ordens diretas “dele”
-“Dele” quem...? – na verdade eu tinha uma suspeita. Mas não... era muito difícil de...
-Você sabe. O Grão-Mestre da Irmandade toda. O Chefe de tudo isso.
Minha espinha quase congelou. O Grão-Mestre de toda a Irmandade... ele pertence a um nível tão alto do escalão que nem nas situações mais abusivas ele se importaria com meros Assassinos como nós, que nem tem graduações, prestígios ou nada mais. Bem... claro que fiquei curioso do porque de muitas coisas... mas apenas uma tomou conta de meu consciente:
O que eram aqueles livros então?
Eu e Felipe logo cercamos a mesinha, que continha os tais livros. De perto, consegui ver o título do primeiro livro da pilha. Estava escrito em um dourado, mas já bem gasto... e acho que estava em Italiano... mas consegui ler.
“Renegades”
Também percebi que, logo abaixo disso, havia o símbolo da Irmandade, com umas pontas desgastadas. Mas... o que queria dizer? O que eram esse tais “Renegados”?
Eu e Felipe nos entreolhamos. Só tinha uma maneira de descobrir.
Peguei o primeiro livro. Era bem grosso... velho... e muito pesado.
E o abri.
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Cede Mundial da Irmandade
Localidade ?????? (Confidencial)
Dia 12 de Abril
Magnus parecia ser o menos perplexo de todos ali presentes.
-Como é possível, ¡Dios mío!
-Que Disgrace!
-невозможное! * (Impossível)
-STILLE! ** (Calados)
Todos se calaram exatamente no mesmo instante. Todos eles já viveram tempo o suficiente para saber que contrariar “ele” não era, de maneira alguma, uma boa ideia.
A sala aparentava, de algum modo, pertencer a uma gigantesca e decorada construção. Um ilustre piso de mármore revestia a grande sala redonda. O símbolo da Irmandade havia sido esculpido no piso, e revestido de carbono puro e rubis africanos. Grandes pilares de mármore, puro e branco, sustentavam um teto ainda mais belo, pois continha uma pintura, retratando o nascimento da Irmandade, de um modo muito belo e artístico. As paredes eram de madeira branca de primeira, revestidas de cópias de pinturas famosas da história da humanidade...
Mas, claro, esses eram apenas uns dos pontos interessantes da sala...
No centro dela, havia uma enorme mesa redonda, de madeira negra maciça, rodeadas por exatamente 200 cadeiras, com a mesma madeira maciça e negra. O centro dessa mesa não existia. Isso mesmo: Havia um buraco enorme no meio da mesa, que dava para o símbolo da Irmandade, gravado no chão. Tudo isso misturado a um enorme lustre de cristais de vidro puro, que iluminava todo o ambiente.
Mas, apesar da ampla beleza, um clima tenso recaia sobre a sala, ocupada por 198 Mestres Assassinos, incluindo o líder de todos eles. Os Mestres vestiam exatamente a mesma roupa designada aos mestres nacionais... a única coisa que diferenciava um do outro era, praticamente, a pequena bandeirinha, fincada em um mini-mastro, em frente a cada um.
Já o Líder de todos vestia um ilustre manto branco e vermelho, bordado de ouro e joias em prata reluzente. Em seu pescoço pendia um belo colar de ouro e rubis, formando o V invertido da Irmandade. Sentava-se na maior das cadeiras.
-Meus caros... sem nervosismo... se acalmem, por favor.
Magnus, que estava dentre os Mestres, obedeceu, como todos os outros. Ele gostava muito deste líder em particular... “Realmente bem melhor do que o de 1977...” pensava ele.
Após todos se acomodarem nos assentos e se acalmarem, o líder se levanta, e começa a falar.
-Como todos vocês sabem... a Ordem da Irmandade e, talvez, de toda a Humanidade, foi mais uma vez ameaçada. Graças ao nosso, agora desaparecido, Agente Mohammed Dhalá, conseguimos essa informação vital e assustadora, que foi recebida em Atenas pelo Assassino Klaus Draco Altair, e repassado imediatamente para nós...
-Então é mesmo verdade? – interroga um deles – “Eles” não estão aniquilados?
-Não só aniquilados, Mestre Australiano Jorge, mas como em grande número.
Mesmo que, dessa vez, sem alvoroço, os Mestres voltam a ficar nervosos. Afinal: Porque não ficariam? Todos tinham CERTEZA de que “Eles” haviam sido completamente exterminados depois dos anos 1960... Um fato como esse era não só assustador, como também desesperador.
-Apesar... – O líder retoma a ordem — ... de que não tenhamos obtido a localização EXATA, conseguimos obter certos dados de localização e densidade... Em parte graças as informações coletadas pelo Mestre Magnus, da Dinamarca.
-Sim, meus caros – Magnus finalmente toma a palavra – o que, de inicio, havia sido uma missão de cooperação internacional, acabou nos oferecendo noticias terríveis... Isso além “daquele” fator... claro...
-Magnus – interrompe o Líder – vamos tratar de um problema de cada vez...
-Desculpe-me, senhor – Magnus muda o tom – mas não concordo com suas palavras.
Uma tensão se formou na sala, novamente. Como Magnus fora capaz de confrontar o líder em pessoa...?! E daquele modo...?! E na frente de todos?!
Ao contrário do que muitos esperavam, o líder simplesmente relaxou, depois de um minuto de surpresa.
-Como assim, Magnus?
-Não se esqueçam, “Mestres”... de que quem está lá, correndo o perigo de vida... são nossos agentes, SÃO ASSASSINOS. Assim como todos nós, assim como toda a Irmandade. Deixa-los lá a beira do perigo é como deixar nós mesmos a beira de um vulcão em erupção! Eu me recuso, ME RECUSO... a ficar aqui discutindo sobre táticas militares enquanto os melhores discípulos que eu já tive estão a beira da morte...
Magnus termina seu discurso sentando-se, deixando uma plateia perplexa. Apesar disso, todos sabiam que Magnus falava a verdade. Não eram meros Assassinos que estavam correndo o risco... eram quase como membros de uma mesma e enorme família, era como eles mesmos.
Após um minuto de silencio e reflexão, o líder de todos ali presente toma a palavra.
-E o que sugere que façamos então, Magnus?
-Se eles conseguiram libertar a energia... então estamos desperdiçando um diamante que achamos na rua. Temos que tirar vantagem disso, enquanto mobilizamos nossas forças.
-Como? – questiona o Mestre Sul-Coreano.
-Simples: Dê aos meus discípulos “Os Livros Sagrados”
Novamente a dúvida e a tensão tomam a sala.
-Acha realmente que devamos fazer isso, Magnus? – quem questionava tinha um sotaque Frances – entregar a obra da nossas almas, um de nossos bens mais preciosos em mais de 1000 anos, pra crianças distantes?
-Eu concordo com Magnus, Charles.
Todos encararam, dessa vez, William Howard Harrison, o Mestre dos Estados Unidos, que continuava sua palavra:
-Lembrem-se que não é apenas os garotos de Magnus que estão lá: Tenho meu próprio discípulo lá, isso sem falar de que eles estão na minha área de influencia. Acho mais que justo darmos os livros para eles aprimorarem este Dom enquanto podem, concebido a nós pelo próprio São Filipe. Isso sem falar, é claro: Que “Eles” estão agindo sobre nossa zona de influencia; bem debaixo de nosso nariz!
As palavras de William fazem todos refletirem sobre suas próprias opiniões. Iria realmente levar tempo até que alguma coisa em larga escala fosse feita na Califórnia... Eles não poderiam deixar Assassinos correrem um risco tão enorme até lá... mesmo se ele não fosse um “Caso Especial”
-Todos aprovam a sugestão de Magnus e William? – questiona o Grão-Mestre.
Por toda a sala, houveram apenas acenos positivos com a cabeça. Após aquilo, nenhum se contentava a pensar o contrário.
-Está certo então... – prossegue – William, ao sair daqui, lhe entregarei os Livros Sagrados. Envie imediatamente para São Francisco, via Fast-Mail. Quanto mais tempo perdemos, mais vidas estarão em risco.
-Sim, Mestre.
-Vamos demorar um tempo para fazer algo... e não podemos simplesmente enviar um monte de agentes em um lugar tão movimentado como aquele... necessitamos tempo para organizar...
-Quanto, Mestre? – quem perguntava portava a bandeira da Arábia Saudita.
-Não sei... talvez meses... é difícil dizer... Magnus?
-Sim?
-Seus discípulos necessitarão serem nossos informantes também. Diga para continuarem com o disfarce... pelo que nos disseram, pode ser qualquer um. É bom não chamar mais atenção do que deveríamos. Compreendeu?
-Perfeitamente, Mestre.
-Bem... Dmitri?
-Si? – o Mestre Russo se levanta.
-Chame os Truskas, a força deles será útil para nós nesse momento.
-Está com a razão, Mestre. Irei contatá-los assim que puder.
O Grão-Mestre suspira, encarando a sala toda como uma só.
-Preparem-se, irmãos. A batalha recomeça.
Notas finais
Até Breve
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