Marcas Da Morte
31 Calmaria
Notas iniciais
Ah... e já avisando-os que o próximo poderá demorar tanto quanto esse. Mas faço sempre o que estiver ao meu alcance para que possam aproveitar a história o quanto antes!
Obrigado pela compreenção, e boa leitura!
–Fomos atacados! Fomos atacados! A seus postos! Emergência!
OK... que gritaria era aquela?
Fazia dois dias que eu tinha saído daquela maca... e não podia ter uma noite boa? Na outra o Felipe tinha pego uma diarreia de matar... e nessa, gritaria em plena madrugada?
Que história era aquela, afinal?
Lentamente, fui levantando do colchão. Encarei o relógio de pulso, que sempre deixava ao lado da minha “cama”, enquanto dormia... deveriam ser o que? Quatro da manhã?
Tinha que ser algo bem sério. Não costumam sair gritando essas coisas em plena madrugada... Calcei meu tênis, e fui para os corredores.
Estava um caos completo. Os corredores, iluminados por lâmpadas fluorescentes nas paredes, estava salpicado de pessoas correndo. Notei tudo em seus olhares... de calmaria total até desespero total. Eu os notava, mas eles pareciam passar voando por mim. Gritando coisas que eu nem estava prestando atenção.
E, alias: Quem prestaria atenção nas nuvens do céu quando se passa um furação do lado?
Eu estava prestes a tentar seguir algum rumo, ou procurar alguém em especial... quando me vem Marco.
Ele estava no mesmo “humor” da maioria do pessoal: Desesperado. O vi andando apressadamente pelo corredor, conversando com... acho que era o Louis. Não prestei assim tanta atenção... porque nem teve tempo para tal. Assim que me viu, Marco pirou.
–KEVIN! Que bom que te encontrei!
Achei que Louis ia correr atrás de Marco, mas simplesmente deu meia volta e correu por outro caminho. Parecia que havia sido apenas uma pequena troca de informações. Se o que estava acontecendo era mesmo o que todos estavam dizendo... perder tempo é perder vidas.
–Marco... o que foi que aconteceu?
–Venha comigo! Temos muito o que falar...
Sem hesitar, e ainda de pijama, eu segui Marco pelos corredores.
É... posso esquecer a ideia de voltar para a cama.
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–...O que?!
–Sim, Kevin. A torre de vigia do Norte.
Okay... na hora eu fiquei espantado. Quando ouvi “ataque”, não pensava que tinha sido algo tão... assim! Uma explosão na torre norte? OK... foi drástico. Mas foi ainda pior porque nos pegou totalmente de surpresa!
Marco tinha me levado para a sala central, a mesma em que eu conheci Aveline, faz dois ou três meses atrás. Bem... claro que não estava com o mesmo clima de “Acolhida Feliz” que anteriormente. Alias... acho que felicidade era mais o que faltava lá. O único sentimento que vi fortemente presente por ali era preocupação.
A sala agora tinha umas 8 pessoas, contando eu. Tinham também Heloísa e o Felipe. Engraçado que eu não tinha visto ele quando eu acordei... não estava no quarto. Talvez tinha saído antes... não sei. Não me era importante o que Felipe tinha feito naquele período.
Suspirei naquela hora.
–E agora?
Todos ficaram ainda mais quietos. Estavam tão desesperados que nem conseguiam pensar direito. Bom... agora eu acho que fez sentido. Após anos sem sofrer um ataque assim... eles estariam meio despreparados. Tanto que, naquela sala, eles pareciam esperar uma resposta de mim!
Mas Marco começou a tomar a iniciativa e, depois de longos segundos, me respondeu.
–Está mais que claro: A guerra começou. E temos que agir como tal.
–Mas como? – dizia um dos ali presentes – se nem sabemos quem, onde e como estão nossos inimigos?
–Já pensamos em possíveis bases para eles... mas estamos em uma região extremamente povoada. Tem muitas opções.
Essa última frase de Marco me despertou uma pergunta.
–Vamos lutar mesmo? Corpo a corpo?
–Muito provavelmente.
–E... tipo... aqui? No meio de tanta gente?
Marco pareceu pensar. Pelo visto, isso não lhe tinha ocorrido.
–Talvez não nos envolvamos em grandes conflitos agora. Mas é algo a se pensar. Talvez necessitaremos dos Mestres nesse caso...
–Os Mestres? Eles já não estão nos dando ordens?
–Não exatamente... os que deveriam tomar controle da missão são eu e Aveline. Agimos de forma independente. Recebemos poucas ordens... mas são o suficiente.
–Ah... entendi... Bem... e já temos ordens a seguir?
–De certa forma...
Nessa hora, Marco tomou a frente. Não sei se o que ele falou já estava planejado... ou ele havia pensado na hora. Ele não me parecia ter um plano quando o encontrei nos corredores.
–Fomos pegos de surpresa hoje – diz ele – e temos que reagir como tal. Porém, como não sabemos bem onde o inimigo está, teremos que nos preparar para um próximo ataque.
–Para que possamos revidar? – ouço Heloísa falar pela primeira vez hoje.
–Isso! Eles não são burros, eles TEM que atacar novamente. E, quando o fizerem, estaremos preparados.
–Mas... não sabemos como nem onde. Então como faremos isso...? – ouço alguém ali perguntar. E foi aí que tive minha idéia.
–Podemos preparar uma armadilha, talvez. Se fizermos um tipo de “mini-base” em um lugar possível... e deixarmos claro que estamos lá... PODE SER que eles venham a nos atacar.
–Porque “pode ser”?
Dei de ombros, depois de pensar um pouco.
–Acho que eles são do tipo que gostam de atacar quando e o que menos esperamos que ataquem. Se são, temos que colocar algo do jeito que eles esperariam: Do jeito mais normal possível, e até com poucos guardas.
–Pode nos vir a calhar... – reflete Marco – eles não são tontos a ponto de nos atacar... aqui, por exemplo.
–Isso se eles não o fizeram ainda porque não sabem onde fica.
Olhei um pouco para Felipe. Era óbvio que os Negros sabiam de muitas coisas... coisas até demais. Aquele mirante era um bom exemplo. Estava muito bem camuflado, e por um sistema tão bom e eficiente que nem os Negros poderiam identificar. Bom... claro que eles dominavam a “magia” melhor do que nós... Mas uma coisa um pouco mais radical me passou pela mente e, claro, era bem possível.
–Será que estamos lidando com um espião?
O clima na sala ficou mais gelado. Sim, todos ali também sabiam que os Negros possuíam informações vitais. Mas também sabiam que era arriscado começarem a desconfiar de seus próprios Assassinos, principalmente agora, que estamos entrando em uma guerra. Uma Grande Guerra.
–Talvez – foi tudo o que Marco pôde dizer – podemos, no máximo, analisar o movimento de entrada e saída do pessoal das bases. Mas estaríamos arriscando nosso próprio bem se fizermos mais. E outra... talvez possamos estar fazendo tudo isso a toa.
–Você disse bem – comentei – “Talvez”.
Mesmo assim... eu podia pressentir em minha própria alma que, apesar do que Marco ter falado ser pura verdade, uma coisa estava muito clara em mim:
HAVIA um espião, e estava onde menos esperaríamos que estivesse.
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O celular de Giovanna quase a assustou quando tocou.
Ela estava meio sonolenta, lendo um tranquilo livro, quando aquele toque novo vem e quase a faz pular da cama. Realmente ela não devia ter baixado aquele toque novo, era escandaloso demais!
Preguiçosamente, ela fecha o livro. Continuava ela naquele mesmo quarto da escola. Não podia sair de lá, a menos que o pai dela resolvesse trazê-la devolta a Los Angeles... o que, claro, não vai acontecer por um bom tempo.
Entediada, ela agarra o celular, da mesinha que se encontrava ao lado de sua cama. Não sabia ela quem poderia ser naquele começo de aulas... e tinham outras preocupações visíveis e mais importantes na mente dela do que isso... como terminar aquele capítulo bombástico!
Mas... assim que checou o número, uma imensa felicidade toma conta de sua alma.
Era Kevin!
–Alô?! Kevin?!
–Giovanna! Sou eu sim
Sorrisos eram tomados dos dois lados da linha.
–Kevin! Onde você esteve?! Não sabe como eu fiquei preocupada! Quase entro em depressão!
Aquilo tinha seus fundos de verdade. Por várias semanas, Kevin não deu nenhum sinal de vida. Giovanna sabia que seu namorado fazia coisas estranhas e sumia as vezes... mas não tão drasticamente!
–Vamos fazer uma coisa? Vai para a escola amanhã?
Bem... era óbvio que ela iria. As aulas começariam naquele 2 de Julho, ou seja: amanhã. E, como Giovanna raramente faltava das aulas, sua presença lá já estava confirmada.
–Claro. É o primeiro dia.
–Ótimo! Lá nos falamos, e eu te conto tudo. Tudo bem?
–Tudo bem!
–Até lá!
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Manhã de 2 de Julho
–EU NÃO QUERO VOLTAR!
Kevin, Heloísa e até Luca encaravam com um olhar repreensivo o colega loiro do grupo. Tudo bem... todos ali já sabiam que Felipe tinha um aspecto mais brincalhão e alegre. Mas todos achavam que ele já tinha passado dos limites!
Não demorou nada para Kevin e Heloísa começarem a tentar puxar Felipe para fora do carro de Aveline. Mas não era nada fácil, com o garoto se agarrando no assento.
–Eu não vou voltar!
–Vamos, Felipe! – diz Heloísa – deixa de ser frescurento!
–Já tem gente nos olhando, Felipe! – dessa vez foi Kevin – deixe para reclamar disso DEPOIS!
–ARGH! Meu estofado!
A voz de Aveline agiu como veneno: todos ficaram parados na hora em suas posições.
–Já não basta nem querer vir pra cá, e fica arranhando o assento! Larga dele agora ou quem vai sair arranhado disso é você!
Felipe engoliu em seco na hora, e retirou suas mãos do estofamento do belo carro de Aveline. Lentamente, ele ficou ereto, e Kevin e Heloísa se afastaram mais dele. Achavam que Aveline já havia colocado juízo no garoto.
–D-Desculpa...
Aveline ainda estava dentro do carro, mas pôde encarar perfeitamente o garoto do lado de fora.
–Tudo bem... desde que não faça isso nunca mais, eu te perdoo.
O bom e velho sorriso de Felipe retorna ao seu rosto.
–Obrigado! Sabia que você é muito legal?
Aveline, porém, faz uma careta e um leve movimento com a mão.
–Vai logo antes que eu mude de idéia sobre uma sobremesa para o senhor esta noite!
Sem perder tempo, Felipe logo adentrou nos portões da escola, seguidos por Luca, Kevin e Heloísa. Até que, se uma sobremesa está em jogo, ele foi bem rápido.
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–Ah! Que chato!
–Felipe... acho que já é a sexta vez que te ouço falar isso só hoje!
Não tinham sido lá tantas aulas, muito menos um dia exaustivo até aquele momento... mas motivos para reclamar eram o que não faltava para Felipe.
Depois de uma exaustiva aula de matemática, os quatro se encontravam no corredor dos armários. Diferente das vezes anteriores, Luca estava com eles com mais frequência do que antes. E, claro, isso tinha suas vantagens. Mesmo estando em Agosto já, ambos não memorizavam todos os detalhes da escola e sua rotina.
–Eu sei, Heloísa... mas não é a toa que reclamo!
–Não, tens seus motivos – Kevin respondeu – mas não precisa ficar falando por aí!
Apesar do clima da conversa, do primeiro dia de aula e da tensão de um possível conflito próximo, ambos sorriram com as “frescuras” de Felipe. Sabiam eles o que o destino poderia ter reservado a eles... mas também sabiam que era bom ter uma descontração antes do espetáculo.
–Mudando de assunto... uma coisa me deixa pensativo... – Felipe pensa em voz alta.
–O que é? – Luca pergunta.
–Se vamos participar de batalhas violentas e tensas no futuro... como vamos continuar aqui na escola?
A pergunta pegou Luca de surpresa. Todos ali já haviam pensado nisso... mas não com tanta profundidade assim.
–Vou ser sincero... – responde Luca – e cai entre nós... eu acho que nem deveríamos estar aqui agora. Deveríamos estar lá ajudando as tropas a se prepararem.
–Nisso concordamos – os três acenam com a afirmação de Heloísa.
–Mas... aparentemente isso é para continuar o “disfarce”...
–Não acho que seja útil – comenta Kevin, depois de vários segundos em silêncio – temos um espião entre nós...
–Como tem certeza? – questiona Luca.
–Esse Negro misterioso sabia em que lugares íamos estar... e até nossa estratégia. Acho que ele sabe quem somos, e é alguém de convívio próximo.
–O quão próximo ele estaria?
Todos ficaram em um bom silêncio, depois da pergunta de Felipe. Era como se, de repente, todos ali virassem possíveis inimigos. Era arriscado, principalmente em um momento como aquele, desconfiar de pessoas próximas. Mas não tinham como eles, no mínimo, não pensarem nisso.
–Mudando de assunto... fizeram a tarefa de inglês?
Os três olharam para Felipe com um olhar repreensivo, como se ele estivesse quebrado um clima de tensão com algo... tosco?
Apesar disso, logo eles adotaram suas normais expressões. Exceto por Heloísa, que adquiriu uma dúvida na face.
–Que tarefa? Tinha tarefa?!
–Tinha... não lembra?
–Ah... claro, aquelas páginas e... droga!... Posso copiar de você, Kevin?
Kevin na hora revira os olhos. Porque ele era o único que fazia as de inglês por ali?
–OK... pode pegar... mas seja rápida! Temos aula em 30 minutos, e eu ainda tenho que fazer mais uma coisa e...
Kevin parou de falar na hora, quando viu um certo elemento se aproximando.
–Olha lá quem está chegando... – foi tão fácil notar o humor de Kevin caindo que até já se adivinhara quem era.
–Heloísa!
E Maurício dobra o a curva do corretor, desajeitado e sorridente como sempre. Enquanto Heloísa o acolhia sorridente, Kevin, Felipe e Luca já se viraram para conversarem de qualquer outra coisa... Não iriam se sentir confortáveis ali. Enquanto formavam uma rodinha separada, Maurício se junta a Heloísa.
–Oi!
–Olá... tudo bem contigo, Maurício?
–Claro! E com vocês?
Maurício forçou bem o plural da frase. Porém, os três garotos fingiram não dar bola.
–Eles estão bem – Heloísa, no final, teve que responder por eles – só estão estressados e... eles não gostam nem um pouco de falar quando estão estressados!
–Ah... entendi!
–Bem... o que o trás aqui?
–Sabe... é que eu queria convidar você, o Felipe e os outros para uma noite no boliche! Que tal?
A reação dos três garotos foi a esperada: nenhuma, apenas um leve murmuro incompreensível de Kevin. A única que teve que reagir ali foi Heloísa, que logo fez cara de pensativa.
–Não sei não Maurício... é que temos coisas a fazer...
–Certeza? O Felipe ia adorar essa! Não sei se Dinamarqueses sabem jogar Boliche... mas eu ensino bem!
Não precisava ser tolo para saber que Maurício estava começando a falar baboseira. Heloísa deu Graças a Deus que os garotos não estavam prestando muita atenção.
–Faz o seguinte... vai lá na biblioteca, aí eu converso com eles. Depois eu te falo, OK?
–Bem... tudo bem então! Já to indo!
Não demorou muito para que Maurício dobrasse a outra curva do corredor. Assim que o fez, os três garotos suspiraram.
–Até que enfim ele saiu daqui... – resmunga Kevin.
–Do que ele tava falando, Hello? – pergunta Felipe – ouvi meu nome várias vezes!
Heloísa hesitou. Sabia o que rolava... mas seria muito indelicado falar uma coisa dessas para o Felipe! Não ficaria muito feliz com algo como “Ah, nada. Só que o cara tá apaixonado por você”.
–Era de uma tarefa que você fez... acho. Ele queria copiar!
–Ah tá... Posso dar o caderno para você dar pra ele?
–Ah... claro! Daqui a pouco eu já vou lá com ele.
–Não sei... – Kevin diz, novamente – esse cara é esquisito demais! Toda vez que eu to perto dele eu...
Kevin imediatamente para de falar, e encara com olhos vidrados o elemento que acabara de se aproximar do grupo. Ou melhor dizendo...
Giovanna se aproximou do grupo com tal alegria que, mal se apresentando direito ou revelando sua presença, já pulou e abraçou fortemente Kevin, que ainda não conseguia tirar o sorriso vermelho do rosto... ou retomar a consciência.
–Te achei! Você sumiu da Terra, seu sumidinho!
–Gi...! – foi tudo que Kevin conseguiu dizer no momento. Parecia ser extrema felicidade!
Ficaram assim por vários segundos... até que Felipe força uma pequena tosse.
–Estou atrapalhando os senhores?
Os dois namorados se afastaram lentamente um do outro. Sorrisos extremamente vermelhos tomavam conta de seus rostos.
–D-Desculpa... não resisti! – comenta Giovanna.
Heloísa deu uma risadinha.
–Nunca resiste! Mas como vai, Giovanna?! Você também deu uma sumida!
Logo as duas entraram em um papo bom. Tanto Heloísa quanto Felipe não conheciam tanto a namorada do amigo de infância, mais sabiam que ela era muito amigável com eles. Era diferente da maioria das garotas norte-americanas que eles tinham encontrado até ali... e não viam isso só porque a garota combinava perfeitamente com Kevin (Heloísa sempre dizia que eram o “Casal mais fofo da América”).
Após um breve papo sobre férias chatas, Kevin toca no ombro de Giovanna. Os dois trocaram um rápido olhar sério. Nem precisavam falar nada para saberem do que se tratava.
–Pessoal... posso ir dar uma palavra em particular com a Giovanna?
–Claro, Kevin – diz Felipe – depois a gente se encontra na sala?
–Aham – Kevin acena com a cabeça, e logo olha para Giovanna – Vamos? Conheço um lugar mais... “apropriado”.
–OK. Vamos indo?
Kevin e Giovanna deram as mãos, e foram cruzando os corredores da escola... como dois apaixonados felizes.
Mas eles nem chegaram a ouvir o último comentário de Felipe.
–Volte inteiro! Ou, pelo menos, consciente!
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–Você se mudou?!
Giovanna encarava Kevin com um olhar muito duvidoso no rosto. Enquanto Kevin nada podia fazer, além de continuar a expressão séria.
Kevin tinha preferido conversar com Giovanna dentro da vazia sala de objetos de limpeza. Os zeladores não estavam por lá, e era facinho abrir a fechadura. Tinha se livrado dos “queridos” amigos, que adoraram incomodar a vida amorosa dele... mas ainda não tinha pensado direito como ia explicar as coisas para Giovanna.
A sala só tinha uma fraca lâmpada, mas podia-se observar claramente a vestimenta dos dois. Giovanna vestia uma saia azul escuro, e uma camiseta azul claro. Uma tiara azul escuro pendia nos belos cabelos cor de mel, e sapatilhas azuis escuras também. Aparentemente, Giovanna estava inspirada na cor azul naquele dia.
Já Kevin vestia uma bermuda cinza, um velho tênis preto, e uma camiseta branca, com detalhes em prata. Uma boa combinação, no calor do verão norte-americano. Andar de Jeans e blusa por aí era praticamente impossível.
–Sim. Sei que não avisei nem nada... desculpa. Tinha que ser rápido.
–Mas você não estava aqui, em um colégio interno, como intercambista?
Kevin suspira rapidamente.
–Sim. Mas sabe a empresa que fez meu intercâmbio?
–Sei...
–Ela arranjou uma hospedagem para os intercambistas. E os transferiu para lá. Por isso eu, a Heloísa e o Felipe fomos para lá.
–Mas... sem mais nem menos?
–Eu te falei que a empresa era esquisita... apesar de sair mais barato do que a maioria.
Giovanna não tinha acreditado totalmente no que Kevin dissera... mas era bem plausível. Decidiu ir para a pergunta mais importante...
–E essa empresa também sequestram namorados? Você sumiu totalmente, Kevin! Nem retornou minhas ligações.
Kevin fingiu coçar a cabeça rapidamente. Não tinha pensado bem nessa parte da história.
–Eu tive que ir a Nova York.
Giovanna arregalou os olhos.
–Você o quê?!
–Calma, deixa eu explicar.
Giovanna faz um aceno com a mão, indicando que Kevin continuasse.
–Minha mãe fazia aniversário, e ela queria passa-lo comigo. Mas... digamos que ela não gosta de São Francisco... ela queria ir a Nova York. Ela me avisou por e-mail isso bem encima da hora, e eu tive que ir correndo. Foi uma boa viagem!
Nem o pequeno sorriso de Kevin convencera Giovanna por completo.
–E as ligações, nada?
–Meu celular caiu no chão... ou melhor... deixaram ele cair no chão. Felipe não costuma olhar onde coloca as coisas.
Giovanna fez uma cara pensativa por alguns segundos. Não era a melhor mentira do mundo... mas tinha que colar. Contar a Giovanna toda a verdade... não era e estava longe demais de ser uma opção. Não haviam respostas para a vida amorosa deles se Kevin revelasse os reais motivos de estar na América... e tudo mais que isso leva junto. Acabar o namoro? Denuncia-lo? Odia-lo? Nem mesmo se Giovanna não o denunciasse e nem terminasse... a relação deles iria mudar totalmente. Afinal: Não é comum seu namorado ser um Assassino Profissional, de uma Irmandade de Assassinos Profissionais.
Por enquanto, pelo menos... isso teria que ficar em segredo. Não era nada saudável quando Assassinos contam a seus amantes normais sobre sua realidade, pois nunca acaba bem. Por isso que filhos de Assassinos mestiços entre um membro da Irmandade e um Humano comum são raros.
–Desde que não faça isso sem me avisar de novo... – Giovanna diz – eu o perdoo!
Um sorriso se forma na face dos dois.
–Obrigado por entender!
E, com toda a Naturalidade, Giovanna se aproxima e dá um caloroso abraço em Kevin.
–Nunca mais faça isso. Pelo menos não sem me avisar, entendeu?
–Nunca Nunca! Prometo...
E, depois de alguns segundos, o abraço se desfecha em um longo e caloroso beijo na boca entre Giovanna e Kevin, no silêncio da sala de limpeza, o amor podia ficar mais expressivo!
E Kevin, claro, procurou aproveitar bem o momento. Ele sabia bem que não ia ter momentos assim por um bom tempo.
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