Marcas Da Morte
3 Anatomia de um Assassino
Notas iniciais
O Capítulo!
Kevin e Felipe esperavam Heloísa no telhado do prédio onde vivia o objetivo deles. Ambos estavam ocultados pelo capus. A estratégia era simples: Distraiam o cara, entravam sem ele notar, e depois surpreender ele. Como o cara morava na cobertura, iria ser mais fácil de entrar e fazer o trabalho. Heloísa não havia dito como iria distrai-lo, mas alguma coisa vinda dela, ruim é que não é.
Depois de verem a colega passar pelo porteiro, os dois se apoiaram com as mãos nas bordas do prédio, para logo depois se apoiarem na base de uma das janelas, que dava para o corredor dos apartamentos. Precisavam vigiar como a distração iria começar e se iria colar. Se não, tinham que estar preparados para tudo o que vir e vier, e trabalho em grupo torna tudo melhor a ser feito.
Não demorou muito para verem Heloísa sair do elevador. Estava vestida como uma escoteira dinamarquesa, carregando uma caixa de biscoitos.
–Duvido que ele vai cair nisso...
–Bem Felipe, se não cair, estamos ferrados!
–Como ela tirou o uniforme e vestiu isso em apenas dez minutos?!
–Ela é profissional. Agora fica quieto. Ela tá batendo na porta.
Depois de umas batidas, o alvo deles sai para ver quem era. O alvo era um cara de 40 anos. Com o cabelo já ficando excasso e grisalho. Vestia-se com um terno verde e sapatos pretos. Aparentava ter um peso acima da média, e seus olhos cansados indicavam tédio.
–O que quer?
–Olá! Sou do Grupo Escoteiro Copenhague e estou aqui para vender biscoitos para arrecadar fundos para a caridade! Gostaria de comprar?
–Á essa hora da noite?
–O senhor sabe como é. Dia cheio, só sombra tempo agora. E alem do mais, nossas pesquisas nos mostram que...
O homem parecia ter caído nessa. A Heloísa é mestre nessas coisas. Se a vitima não quer saber de nada ou coisa parecida, ela consegue improvisar e enrolar sem que a pessoa sinta tédio.
Com isso, os dois colegas se moveram, através de fendas e bases de apoio, até a janela do quarto do cara. Abriram a janela o mais silencioso que puderam. Entraram discretamente e fecharam a janela.
O quarto do cara era fenomenal. Uma cama de casal gigante dominava quase todo o quarto. Paredes e piso de madeira clara deixavam o local bem iluminado. Mas os dois não tinham tempo para contemplar o mundo! Tinham que fazer o que foram ordenados para fazer.
Essa parte do plano era assim: Andavam muito silenciosamente até o cara, e o matavam à facadas ou outros meios. Isso só não funciona quando tem gente no corredor, mas como não tinha, isso iria dar certo. A questão era: Quem fazia?
Kevin fez movimentos com a mão, que indicavam que ele queria fazer isso. O que queria dizer que era Felipe que iria limpar o local. Todos eles seguiam uma lei de que todos tem que fazer alguma coisa na missão. Se Kevin mata, Felipe limpa.
E Kevin começa a andar lentamente do quarto até o alvo. Passou silenciosamente pela cozinha e estava entrando na sala. A esta altura, Heloísa já tinha visto ele, e começou a aumentar o volume da voz e prender mais a atenção do homem nela, para evitar que ouça Kevin chegando.
Kevin estava quase lá quando parou por um instante. Retirou devagar de seu cinto sua faca de caça.
Ergueu-a devagar e, numa mudança repentina e rápida, desce a lâmina, direto no pescoço do alvo.
–Ufa! Já tava ficando cansada de falar sobre biscoitos light.
O homem estava deitado no chão, morto. Sangue ainda saia do pescoço cortado. Logo que Kevin enfiou a faca, colocou a mão na boca do homem para evitar que chamasse a atenção dos vizinhos. Enquanto ele descia o corpo para o chão, Heloísa entrava na sala e trancava a porta.
Depois, os três colocaram o corpo no meio da sala. Isso foi quando Heloísa disse aquilo, e logo depois foi elogiada por Felipe.
–Eu não sei de onde você tirou essa ideia!
–Fui escoteira antes de meu treinamento começar. Essa ideia veio voando na minha cabeça!
–Bem, gente-dizia Kevin, limpando sua faca no sofá, e depois quardando-a.-como a namorada dele vai vir aqui em poucos minutos, o que faremos?
–Acho que devemos fazer uma cena de assassinato amador: Quebramos umas coisas, deixamos uma faca de cozinha ensanguentada aqui e pronto!
Eles chamavam isso de “Assassinato Amador” pelo seguinte fato: Eles eram profissionais, treinados em uma Ordem de Assassinos para fazerem isso desde a adolescência. Assassinos de cidades, que nem sabe o que estão fazendo, são chamados por eles de assassino amador.
–Boa ideia, Felipe!-disse Heloísa-e já que você pensou nisso, você faz!
–Por que eu?
–Por que eu e a Hello temos que comunicar a Ordem e sair daqui antes da namorada chegar.-disse Kevin.
–O.K.
Com isso, enquanto Felipe arrumava a cena do crime, Heloísa e Kevin foram avisar que o trabalho foi feito. Mas decidiram pular isso, pois estavam com mais pressa do que o comum.
Heloísa saio do apartamento como escoteira, como se nada tivesse acontecido. Como eles sabotaram a câmera de segurança no dia anterior, não tem provas concretas de que eles fizeram isso. O porteiro? Só ele e a polícia da capital não vão acha-los em nenhum lugar do mundo.
Quando Heloísa chegou ao térreo, reconheceu quem estava se aproximando para pegar o elevador: Era a namorada do homem. Logo depois que as portas do elevador se fecharam, junto com a mulher dentro, Heloísa ligou seu rádio no ouvido.
–Gente, ela já está subindo. Acelera aí!
Lá encima, os dois estavam terminando de arrumar a cena do crime quando a mensagem de Heloísa atingiu seus ouvidos.
–Vamos lá Kevin!
–Espera aí! Vai indo, esqueci de algo.
Felipe entendeu completamente o que ele quis dizer e nem perguntou. Enquanto isso, Kevin foi até o corpo no chão, ajoelhou-se do lado dele e disse:
–Que a paz lhe acompanhe pelo além. Descanse em paz.
Isso era uma coisa quase obrigatória entre todos os membros da Ordem. Apesar de terem matado alguém, tinham que ter respeito por ele. Essas frases eram um total exemplo disso.
Depois disso, Kevin não perdeu tempo e correu até o quarto. Olhou janela abaixo e notou que havia um monte de folhas secas na calçada, mais ou menos bem embaixo dele.
Kevin nem pensou duas vezes; se ajoelhou na base da janela e deu um salto para fora do prédio, aterrissando em cheio no monte de folhas.
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