Marcados pelo destino
1 O verdadeiro motivo.
Notas iniciais
Eram seis horas da manhã quando eu ouvi uma batida na porta do meu quarto. Era Ele, eu reconheceria aquela batida de longe. Pulei da cama, me cobri com o roupão de seda e fui confiante até a porta. Assim que a abri, porém, toda minha confiança foi jogada no chão e pisoteada por aqueles saltos vermelhos extremamente altos daquela mulher que eu chamava de ‘mãe. ’
‘’Você ainda tem esperanças?’’— Ela disse, com um sorriso enorme no rosto.
‘’Ele não é igual á você, Maria. Ele é meu pai. Eu sempre vou confiar nele... Ele foi meu único amigo! — Eu bati a porta em sua cara e ela a chutou com força, me obrigando a abrir novamente.
Tranquei a porta de chave, e, quando eu me virei para trocar a roupa vi ela na minha janela, rindo. Eu odiava tanto aquela risada, aqueles olhos brilhando de pura ironia. Como ela podia ser tão nojenta?
‘’Me deixa em paz!’’, gritei voando para a janela e a trancando também.
‘’Eu tenho uma droga de notícia sobre seu pai, sua idiota. ’’, eu dei um pulo, abri a porta e prestei atenção.
‘’Então, como sabe, ele foi assassinado e nunca acharam o culpado. Bom, não foi bem assim. ’’, eu assenti e ela continuou.
‘’Hoje á tarde eu recebi um telefonema do advogado que sua avó contratou para cuidar do caso. Mesmo eu achando que devíamos esquecer, ela insistia na história cada vez mais, e com isso o rapaz começou a se interessar de verdade pelo caso. Estudando por anos e anos na mesma coisa, O Sr Jones finalmente chegou á um resultado. Acontece que seu pai era procurado em vários países por tráfico de drogas. Quando nós nos relacionamos ele não havia me contado nada, claro. Mas, quando você nasceu e todos aqueles holofotes dos nossos parentes e amigos, ele teve de abrir o jogo. Contou tudo para todos. Menos para o Jorge, que até então era melhor amigo de seu pai. Quando Jorge descobriu logo arrumou um jeito de colocar seu pai na cadeia. Você sabe como ele é. Não aguentaria um minuto naquela prisão, e acabou se matando enforcado com um dos fios soltos do varal de casa. ’’
Aquela noticia me abalou muito. Eu comecei a chorar desesperadamente. Então não era um assassinato. Mas, sim, havia um culpado. E o nome dele era Jorge.
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