Marcada

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Muuito obrigada pelos comentários!!!
Esse é um capítulo bem grandinho para compensar minha falta de atualização. É um dos meus preferidos, espero que gostem!

Jasper

Corri em direção à floresta no momento em que não havia mais humanos perto de mim. Eu precisava tomar algum fôlego antes de voltar à casa dos Cullen e esperar por Edward.

Estava mais que claro que eu corria um grande perigo.

Daqui algumas horas, eu voltaria na residência dos Swan e voltaria a ajudar Isabella a dormir. O que me pegou de surpresa foi como meu corpo reagiu quando a humana acordou e resolveu se espreguiçar.

Infelizmente eu estava atento demais à menina para não notar sua blusa subindo, dando-me um vislumbre e uma idéia do restante da pele que estava debaixo do pijama, fazendo-me imaginar se o gosto era tão bom quanto o cheiro. Eu rapidamente mudei o curso dos meus pensamentos quando escutei Isabella dar bom dia para Edward.

Eu pensei seriamente nos olhos negros do meu irmão e ele me deu uma rápida olhada antes de voltar a atenção para Isabella. Ele estava atento demais a ela. Será que ele havia percebido o que eu tinha pensado em relação ao corpo de sua namorada?

Pelo visto não, ele agora acariciava suas bochechas, que estavam rosa.

Eu desci um pouco meus olhos pelo seu corpo. E esse foi o gesto mais estúpido que eu poderia fazer naquela manhã. Isabella estava com frio, e seus mamilos endurecidos pressionavam perigosamente sua blusa fina de pijama. Eu tive que limpar rapidamente meus pensamentos e clarear minha mente. Cumprimentei a humana e ela me agradeceu. Eu saí do quarto imediatamente.

Quando cheguei a um ponto da floresta. Sentei-me na grama e deitei de costas. Minha blusa molhou-se rapidamente devido à umidade acumulada da noite. Suspirei e soltei um palavrão quando gotas de chuva começaram a cair no meu rosto. Não importava, eu ficaria ali pelo menos duas horas, até conseguir me controlar.

Pensei novamente nos seios de Isabella e minha calça se apertou sugestivamente. Aquela parte do corpo da humana parecia gritar "chupe aqui" para mim. Um rosnado saiu automaticamente da minha boca e eu fechei meus olhos.

Merda, Jasper, pare com isso. O monstro que você enterrou não existe mais.

Infelizmente já era a segunda vez que meu monstro me visitava só essa semana. A primeira vez foi quando vi o sangue de Isabella. Mas será que era realmente apenas o líquido vermelho que havia despertado esse lado meu?

Será que Edward conseguia satisfazer a humana? Meu irmão era muito chato em relação à proteção de Isabella. De repente senti pena dela. Se o que eu havia presenciado a noite inteira fosse um relacionamento de duas pessoas que se amavam, eu ficaria triste se amasse alguém. Quem conseguiria ter um relacionamento normal sem sexo e contato físico pesado?

Sorri internamente e me levantei, clareando meus pensamentos novamente e olhando para o céu de Forks, que agora estava negro. As gotas estavam maiores e a chuva mais forte. Edward teria complicações na caçada. Os animais normalmente se escondiam da chuva. Isso era irritante em Forks.

Dei de ombros e respirei fundo, correndo para a casa e questionando-me mentalmente se eu teria paciência de agüentar Isabella e suas emoções fortes por mais uma noite inteira.

Quando meus pés alcançaram o primeiro degrau da escada, Alice abriu a porta de vidro e saltitou para mim, me abraçando e me dando um beijo leve nos lábios.

- Estava com saudade.

Eu sorri para minha esposa e a peguei no colo. O contato do corpo pequeno fez meu membro reagir rapidamente e Alice me deu um olhar questionador, mas saiu do meu aperto e se jogou no chão, caindo levemente de pé e olhando para mim. Realmente meu desejo estava fora do normal depois da noite que eu havia passado.

- Edward já está o esperando.

Ela sorriu para mim, mas me deu um tapa quando um palavrão saiu da minha boca.

- Tenha paciência com seu irmão, querido. Pare de falar palavrões, sabe que não gosto disso. E troque essa roupa, você arruinou sua calça jeans.

Caralho! Como fala! E como reclama! Revirei os olhos e segui em direção ao quarto, fechando a porta e retirando minhas roupas. Depois da conversa eu tomaria um banho. O cheiro de grama com terra era um pouco nauseante, me lembrava vegetarianismo. Eu não entendia essa mania irritante que Alice tinha em relação às roupas das pessoas ao seu redor. E se eu quisesse ficar imundo o dia inteiro? Quem se importava?

Coloquei uma roupa seca e sacudi um pouco o cabelo, respirando fundo e pedindo para ter paciência para agüentar Edward falando na minha orelha por horas. E me dando instruções para lidar com Isabella. Eu reprimi uma risada. Se ele soubesse como eu iria manuseá-la – se eu pudesse – me pouparia da conversa. Eu iria cuidar da sua namorada divinamente.

Isabella

Meu pai chegou do trabalho às oito horas. Eu já estava de banho tomado e com meu pijama. Arrumava seu jantar quando ele pendurou sua arma e seu casaco, retirando as balas do pente, como de costume. Ter uma filha desastrada exigia algumas precauções.

- Oi, Bells.

- Ei, pai.

Ele sorriu para mim e se sentou na cadeira, fazendo-a ranger. Parecia cansado, seus cabelos estavam um pouco desgrenhados e sua roupa um pouco molhada. Um raio riscou o céu, fazendo a cozinha ficar mais clara. Eu coloquei um pedaço de lasanha no prato de Charlie e ele começou a comer avidamente, mas parou ao olhar para mim.

- Por que está tão nervosa? Aconteceu algo?

A apreensão de Charlie era justificável, sua filha não estava bem nos últimos dias. Mas me surpreendi ao perceber que Charlie havia percebido meu nervosismo. Será que estava tão notável assim? Eu olhei para a janela e não consegui ver absolutamente nada lá fora. Estava escuro demais. Meu pai pigarreou para minha atenção voltar para ele e eu sorri forçadamente.

- Nada, pai. Só estava preocupada com você voltando para casa com essa chuva.

Desculpa patética pelo meu nervosismo. Charlie sempre voltava com chuva. Mas como essa estava particularmente mais forte, ele ficou feliz ao saber da minha preocupação e arqueou as sobrancelhas. Para ele, foi o suficiente.

Depois que Charlie esvaziou seu segundo prato, ele espreguiçou demoradamente.

- Acho que vou dormir.

- Não tem jogo hoje?

Charlie negou com a cabeça e se levantou da cadeira, passando as mãos pelos cabelos e bagunçando-os ainda mais. Retirei seu prato e os talheres da mesa, colocando-os debaixo da água que caía da pia.

- Boa noite, Bells.

- Boa noite, pai.

Segurei com força o prato quando minhas mãos começaram a tremer de leve. O barulho das pisadas de Charlie foi diminuindo gradativamente e eu coloquei a louça para secar no escorredor.

Sentei-me no sofá e comecei a morder o lábio, olhando para o relógio. Oito e meia. Eu sabia que Edward e Jasper não iam demorar a chegar. Na noite anterior eram nove horas e os vampiros já estavam no meu quarto.

Mas o que me deixava nervosa, não era a sessão de relaxamento que eu ia ter como na noite anterior. O que estava me deixando nervosa era a noite inteira que eu ia passar com Jasper. Apenascom Jasper.

- Merda.

Levantei-me do sofá, derrotada. Eu sabia que não ia conseguir ficar quieta até nove horas. Subi as escadas e caminhei em direção ao banheiro, fechando cuidadosamente a porta para não fazer barulho. Olhei para o espelho. As olheiras haviam sumido, pelo menos. Escovei meus dentes e meu cabelo, saindo do banheiro logo em seguida.

Os roncos de Charlie me assustaram. Como alguém conseguia dormir tão rápido? Balancei a cabeça sorrindo e caminhei para meu quarto, fechando a porta lentamente. Um raio riscou o céu e meu quarto se iluminou assombrosamente. Eu acendi a luz do abajur que ficava do lado da poltrona e me deitei na cama, pegando um livro e tentando me distrair.

Claro que isso não adiantou nada.

Jasper

Corria rapidamente ao lado de Edward. A chuva por mais insignificante que fosse para o nosso corpo, ainda era chata. Passar a noite com as roupas molhadas não era algo que eu estava querendo no momento. Mas meu irmão havia insistido em não ir de carro, já que o pai de Isabella poderia desconfiar e acordar. Imbecil, com meu dom, Charlie estaria praticamente morto à noite.

Mas Forks era habitada por humanos fofoqueiros. Isso eu evitava. Acho que um carro adicional na garagem de Isabella não seria agradável aos olhos de outras pessoas.

A residência dos Swan finalmente ficou visível. Edward me olhou com cautela.

- Eu subo primeiro.

Revirei os olhos e assenti. Ele pegou impulso na árvore próxima à janela e ficou agachado no parapeito, batendo de leve no vidro. Um sorriso inocente passou pelo rosto do meu irmão quando uma mão branca abriu delicadamente a janela. Ele entrou e eu comecei a subir a árvore. Mas não entrei de imediato.

Duas emoções me atingiram. Nervosismo e medo. Eu sabia que o medo vinha de Edward, e xinguei-o mentalmente por isso, agradecendo o dom que ele tinha, e ficando feliz que ele conseguiria ouvir o"vai se foder" que eu direcionava a ele. O nervosismo vinha da humana. Dei de ombros, sorrindo. Eu teria a noite inteira para descobrir o motivo daquilo.

Um rosnado leve chegou aos meus ouvidos.

Eu parei de pensar em tudo e me dei conta de que ainda estava agachado no galho, pensando em tudo. A chuva caía no meu corpo e ensopava minhas roupas. Xinguei-me. Burro. Peguei um pequeno impulso e entrei no quarto quente de Isabella, pousando silenciosamente no chão para não acordar o chefe Swan.

- Merda, essa cidade chove demais.

Um coração se acelerou às minhas palavras.

Isabella

- Merda, essa cidade chove demais.

A voz de Jasper me assustou. Eu olhei para o dono da frase e me dei conta de sua presença pela primeira vez. Edward olhou para o irmão também, severamente, repreendendo-o mentalmente por seu palavrão falado em voz alta. Eu fiz força para não rir.

Meu estado de alegria passou rapidamente quando meus olhos percorreram o vampiro que acabara de entrar no quarto. Jasper estava encharcado, assim como Edward. Seus cabelos estavam grudados no rosto e suas roupas coladas no corpo. Eu podia ver cada músculo ali presente. Ele vestia uma calça jeans escura, como sempre. Estava com uma blusa preta de manga comprida e dessa vez usava tênis. Sacudiu os cabelos, fazendo-os descolarem brevemente do rosto.

Ele olhou para mim pela primeira vez e sorriu torto igual à noite anterior.

- Boa noite, Isabella.

Eu acenei com a cabeça, sabendo que ele devia ter sentido minha atração repentina. Eu não respondi, estava com medo de gaguejar novamente. Jasper continuou a me fitar e eu saí dos meus pensamentos quando vi Edward ficar na minha frente.

- Você ficará bem, vá dormir daqui a pouco.

Eu fiz força para não revirar os olhos. De vez em quando Edward parecia Charlie, e eu me sentia com cinco anos de idade. Assenti para meu namorado. Claro que eu ficaria bem, eu não morreria só pelo fato de passar uma noite sem ele, ou morreria? O que eu estava pensando mesmo? Jasper olhava meus livros na estante com interesse e pegou um, abrindo e começando a ler.

- Você volta amanhã?

Ele olhou para o chão.

- Vou tentar.

Assenti para ele. Seria egoísmo pedir a Edward para ser breve, já que ele não caçava há muito tempo. Seus olhos estavam muito negros e ele precisava se alimentar. Ele me beijou levemente nos lábios e antes que eu conseguisse perceber o que ele estava fazendo, Edward se afastava e ia em direção à janela, mas olhou para o irmão.

- Cuide dela.

Jasper bateu continência e Edward revirou os olhos para o irmão, pulando para fora do meu quarto e me deixando a sós com o vampiro pela primeira vez na vida.

Meu coração se acelerou quando eu percebi com quem estava no meu quarto. Ele se virou para mim e sorriu.

- Então, vamos começar por onde?

Eu vinquei a testa, não entendendo o que ele queria dizer para mim. Jasper não era direto como Edward. Pare de comparar os dois, Bella.

- O quê?

O que ele queria dizer com isso? Será que... Arfei quando um pensamento um tanto quanto maldoso assaltou minha mente, mas Jasper apenas sacudiu o livro que estava em suas mãos.

- Vamos começar com Cinderela, ou A Branca de Neve? Pessoalmente eu não gosto da Branca de Neve, ninguém é tão branca... mas ela poderia ser uma vampira e ninguém sabia...

- Jasper...

- ... coitados dos animais que a escutavam cantar, se ela fosse vegetariana igual a gente, não sobraria nenhum...

- JASPER!

O vampiro olhou para mim e um ronco mais alto de Charlie me avisou para falar mais baixo. Meu rosto queimava ao perceber o livro que ele havia capturado da estante e eu estava com as mãos estendidas. Eu tinha escondido esse livro há meses, como eu poderia imaginar que os olhos poderosos de Jasper o achariam tão facilmente e o vampiro escolheria logo ele?

- Me dê o livro.

O sorriso de Jasper agora era maldoso. Ele estendeu a mão e eu caminhei em direção a ele para pegar o livro surrado e jogá-lo pela janela se fosse preciso. Quando minhas mãos estavam quase alcançando o objeto, ele colocou o braço para trás do corpo e eu assustei.

- Edward me pediu para cuidar bem de você, Isabella.

Eu fiquei vermelha, mas eu tinha certeza de que o sangue acumulado no meu rosto não era de vergonha, e sim de raiva.

- Eu sei me cuidar, e não preciso que leiam Contos de Fadas para eu dormir, obrigada.

Ele riu e um cheiro de hortelã chegou ao meu nariz, me fazendo ficar tonta por um segundo. Depois eu percebi que estava perto demais de Jasper. Olhei para o vampiro e esse ainda permanecia com um sorriso debochado no rosto. Tranquei meu maxilar e dei as costas para ele, fazendo meu caminho em direção à cama e me sentando nela.

Jasper me fitava, sacudiu a cabeça novamente para descolar ainda mais os cabelos do rosto.

- Já que não quer histórias, posso me sentar na poltrona? Prometo que até amanhã ela vai estar seca.

Eu assenti para ele, ainda de cara fechada. Jasper se sentou calmamente na poltrona, abrindo novamente o livro e começando a lê-lo com real interesse. Eu quase ri com a cena. Mas infelizmente antes de rir, meus olhos correram novamente pelo seu corpo. Sua calça se ajustava ainda mais quando ele estava sentado, dando-me uma visão de suas coxas torneadas. Engoli em seco.

Meus pensamentos foram cortados por uma risada.

- O que foi? Não faça barulho, Jasper, meu pai está dormindo.

Ele olhou para mim e arqueou as sobrancelhas em descrença.

- Charlie não acordará. Ele está dopado, Isabella. Se é que me entende.

Essa nova informação me pegou desprevenida. Claro que Jasper não deixaria meu pai acordar essa noite. Mas ele não havia respondido minha pergunta.

- Posso saber o motivo da risada?

Ele fechou o livro e jogou-o no móvel perto do abajur, me olhando intensamente. Eu me remexi na cama.

- Contos de Fadas são ridículos.

Bufei, olhando para o livro e dei de ombros.

- Nenhuma vida é perfeita assim. Nenhum amor é tão puro.

Ele passava as mãos pelos cabelos, jogando-os para trás, mas algumas mechas simplesmente não queriam sair do seu rosto. Não entendi por que Jasper havia me dito isso, e o seu relacionamento?

- Seu amor por Alice é puro.

Eu sabia que tinha tocado em um ponto um pouco fraco de Jasper. No momento que as palavras deixaram minha boca, o vampiro olhou para o chão.

- É sim.

Resposta vaga demais para um assunto tão vasto. Mas eu não iria aprofundar em algo tão pessoal. Puxei as cobertas para meu corpo e os olhos dourados de Jasper estavam atentos a todos os movimentos que eu fazia.

- Avise-me quando quiser dormir, Isabella.

- Bella.

- O quê?

- Me chame de Bella.

Ele sorriu novamente e no momento em que eu pisquei, Jasper já não estava mais na poltrona, em vez disso, o vampiro estava a centímetros do meu corpo, o cheiro de hortelã novamente presente. Ele pegou uma mecha do meu cabelo e jogou para trás.

- Eu prefiro Isabella.

Meu coração ia explodir. Ele estava acelerado devido à aproximação de Jasper. Mas o vampiro não parecia incomodado com o fluxo de sangue no meu corpo. Ele olhou para o relógio do criado mudo.

- Onze horas. Vá dormir, Isabella.

De repente senti meu corpo pesado. Eu estava sonolenta em questões de segundos, mas eu não queria dormir no momento.

- Não...

Uma mão fria pousou no meu ombro e me obrigou a me deitar no travesseiro. Jasper se afastou de mim um pouco, levantando-se.

- Não!

Falei mais alto e mais convicta. Jasper olhou para mim, a testa branca vincada. Na mesma rapidez que o sono envolveu meu corpo, ele me deixou. Senti-me alerta e acordada em questões de segundos.

- Eu tenho algumas perguntas para fazer.

Ele sorriu novamente. Acho que o fato de eu ter perguntas a fazer para Jasper não era algo inédito para o vampiro.

- O que quiser.

Sentei-me novamente na cama e ele continuou de pé. Eu olhei para o vampiro e olhei para a cama. Ele entendeu o recado e se sentou novamente, ficando a centímetros de mim, na minha frente. O vampiro não tinha noção de proximidade.

- Tem certeza?

Jasper revirou os olhos.

- Se eu não quiser responder, Isabella, eu não vou.

Fiz uma careta. Eu estava acostumada com Edward, ele não me contrariava. Pare de comparar os dois, Bella.

- O que você fez depois do incidente da clareira?

- Andei... por aí. Cacei... muito. Você sabe disso, Isabella.

Minhas bochechas começaram a queimar. Realmente, pensando melhor, essa era uma pergunta tola.

- Por que concordou com isso tudo?

Ele sabia perfeitamente ao que eu estava me referindo. Jasper dentro do meu quarto não era algo comum. E se ele estava aqui, alguma coisa o fez aceitar a proposta.

- Acredite, Isabella, eu não queria estar aqui.

O vampiro se levantou e eu senti falta de sua proximidade no mesmo momento. Repreendi-me com meus sentimentos. Eu não poderia sentir-me assim em relação a Jasper.

- Mas eu acho que já tenho fama o suficiente de ser um vampiro errado. Eu não queria carregar mais essa cruz.

Abaixei a cabeça com vergonha da resposta de Jasper. Eu não queria ser uma cruz para o vampiro. Ele não fazia questão de ser sutil. Jasper voltou a se sentar na poltrona. Mas minhas perguntas ainda não haviam terminado, ainda tinham duas. As duas mais importantes. O vampiro conseguiu sentir a curiosidade planando pelo quarto. Ele olhou para mim e sorriu torto, dando-me permissão para continuar.

- Edward mencionou uma experiência no dia da clareira. Qual é?

Jasper olhou para o chão e passou as mãos pelos cabelos.

- Creio que não estou autorizado a falar sobre isso, Isabella. Edward não gostará.

Suspirei para controlar meus nervos. Jasper não me deixaria curiosa essa noite. Continuei a olhar para o vampiro.

- Jasper, por favor...

Minhas palavras saíram em um sussurro suplicante e ele me olhou com os olhos um pouco escurecidos. Alertei-me com isso. Sede de sangue era a última coisa que eu queria vindo de Jasper no momento.

- Pedindo assim, você consegue qualquer coisa de mim.

Ele sorriu maliciosamente e eu corei. Mas mantive a decisão de esperar pela resposta do vampiro. Ele continuou a me fitar e de repente se inclinou na minha direção.

- Isabella, quanto você sabe da minha história?

Depois de uma hora contando sua história, eu era uma humana diferente. Jasper havia passado por tudo aquilo? Era terrível demais para um ser vivo, sendo ele humano ou vampiro. Eu imaginei a dor de Jasper quando matava os recém criados. Maria era uma manipuladora, e fez de Jasper seu fantoche. Mesmo sendo um assassino, eu tinha certeza de que a pessoa que estava na minha frente não faria isso em sã consciência. Maria devia ter feito uma lavagem cerebral em Jasper.

E a sede de sangue? Como alguém consegue lidar com isso sabendo que seu mal estar nunca vai parar enquanto você não matar uma pessoa inocente? Mas existiam outros caminhos... Caminhos que Maria não fez questão de mostrar a Jasper.

O vampiro não merecia ter passado por aquilo tudo.

- Jasper... eu sinto muito.

Ele olhou para mim depois de minutos e minutos olhando para o chão. Levantou-se em um salto e eu me assustei. De repente Jasper estava ao meu lado novamente.

- Sente muito? Você não sabe o que eu passei...

- Tudo bem, posso não saber. Mas se você passou, não quer dizer exatamente que mereceu passar por aquilo.

Eu peguei Jasper desprevenido pela primeira vez na noite. Ele se sobressaltou, mas se recompôs rapidamente. Levantou a mão e passou pelo meu rosto. O contato frio da pele de Jasper fez meu corpo se arrepiar e o cheiro de hortelã fez com que água se acumulasse na minha boca.

- Você realmente é única.

Eu fechei os olhos para sentir a mão de Jasper melhor. Mas o vampiro saiu da minha cama rapidamente e eu abri meus olhos, saindo do transe. Ele olhava para a janela, ainda chovia, e parecia que estava mais forte, se isso fosse possível. Um raio riscou o céu e eu pude ver o rosto pensativo de Jasper.

- Como conseguiu se controlar com meu sangue no dia da clareira?

A pergunta saiu antes que eu pudesse me refrear. Eu sabia que ele poderia interpretar isso como um insulto, mas a curiosidade era maior. Jasper sorriu e se virou para mim.

- Depois de dias pensando nisso, eu acho que o motivo, foi o fato de que algo naquilo tudo despertava mais desejo em mim. Algo que não era seu sangue, Isabella.

Eu arfei com sua resposta. O curso da conversa teria que mudar. Jasper era maldoso. Eu poderia jurar que suas respostas eram propositais para me deixar nervosa e sem reação.

- Posso ver?

Ele me olhou novamente, sem entender.

- O quê?

- As cicatrizes. É por isso que sempre usa manga comprida, não é?

Ele acenou com a cabeça, mas ficou estático. De repente Jasper sorriu maliciosamente e eu me alertei. Isso não era bom. Os olhos dele ficaram um pouco mais escuros e ele agora dava passos largos na direção da minha cama.

- Claro que pode.

O vampiro despiu a blusa preta que ainda estava encharcada, jogando-a no chão e eu contemplei seu corpo escultural, gravando na minha mente cada parte que meus olhos percorriam.

Jasper não era muito forte, mas os traços dos seus braços e do seu abdômen eram definidos. Mas ele também não era magro. Seu corpo era proporcional demais. Ele era perfeito. As linhas do seu quadril corriam ao lado do seu corpo, descendo para um lugar que eu não conseguia ver por causa da calça. Olhei mais atentamente, me concentrando em focar meus olhos no que eu procurava.

Com a luz do quarto, eu pude ver suas cicatrizes de longe. Pequenas meias-luas em um tom mais claro do que o tom de sua pele. Marcas de mordidas.

Jasper se aproximou de mim e se sentou na cama. Eu olhava para o vampiro avidamente. Eu não conseguia descolar meus olhos do seu corpo. Automaticamente e sem pensar nas conseqüências, levei minha mão para uma cicatriz que estava no peito definido, e passei os dedos para senti-la. Era mais fria que a temperatura de sua pele.

Ele se remexeu e eu me assustei com o movimento, me dando conta pela primeira vez do que estava fazendo. Eu olhei para o vampiro, Jasper estava com os olhos negros. O medo me assaltou e eu recolhi minha mão. Minha boca se abriu para pedir desculpas, mas ele me cortou.

- Isabella, pare com isso.

Eu assenti para o vampiro e me afastei rapidamente, mas sua mão gelada envolveu meu pulso. Eu senti o aperto masculino e meu coração reagiu rapidamente, assim como meu corpo. Eu queriadormir agora. Se Jasper continuasse a me tocar assim, eu iria enlouquecer. Eu não tinha culpa dos malditos vampiros serem perfeitos e eu ser uma humana fraca, não é? A boca de Jasper se abriu novamente, fazendo o cheiro de hortelã ficar mais forte.

- Você está exalando desejo.