Marcada

24 Capítulo 23


Capítulo 23

Isabella

Não pude conter meu sorriso quando vi Charlie entrar pela porta da frente, sendo seguido por Billy e Sue Clearwater. Ela trazia consigo uma pequena mala que eu reconheci ser do meu pai. Sue depositou a mala em cima da mesa de madeira da cozinha. Billy estava na porta com sua cadeira de rodas, e Charlie resmungava demais ao sentar-se no sofá.

Sua perna ainda estava enfaixada e ele tinha que se apoiar em muletas. Se eu realmente conhecesse meu pai, era isso que estava o deixando nervoso. Ele não gostava de depender de nada, nem de ninguém. E essa era uma situação em que ele dependia de tudo, e de todos.

Sentei-me ao lado dele, o abraçando enquanto Sue ia até a cozinha fazer o jantar. Billy se aproximou e se postou ao lado do sofá. Charlie pegou o controle remoto e ligou a televisão no canal de esporte, soltando um muxoxo ao ver os jogadores correndo sem muletas, livremente. Tive que me conter para não rir. Charlie estava sendo dramático.

Meus olhos saíram de foco e meus pensamentos foram para outro tópico. Charlie estava seguro e a salvo. Provavelmente não seria atacado por mais nenhum animal, Sam Uley já deveria estar atento a isso. Eu suspirei me dando conta de que estava perdendo uma boa carga de aulas. Mesmo que o atestado de Jasper me desse dois meses, um dia eu teria que voltar para a faculdade.

Eu realmente não sabia o que fazer.

- Em que está pensando?

A voz rouca do meu pai chegou aos meus ouvidos e eu saí dos meus pensamentos, olhando para ele. Vinquei a testa e Charlie voltou a olhar para a televisão.

- É a terceira vez que suspira.

Eu sorri, mas abaixei a cabeça. O cheiro da comida de Sue já estava chegando à sala e eu podia escutar o estômago do meu pai roncando. O meu não estava diferente.

- Eu preciso voltar para o Alasca...

Meu pai me olhou tristemente no mesmo momento que Sue nos chamava. Billy saiu da sala e foi em direção a cozinha. Charlie pegou as muletas.

- Mas eu não quero voltar.

Ele sorriu para mim. Fomos para a cozinha e Sue já colocava a comida no prato. Eu me sentei, olhando para todos e começando a comer. Mesmo que a comida fosse simples e rápida, estava deliciosa.

- Não volte.

Meu pai falou com a voz embolada. Estava com uma quantidade grande de macarrão na boca.

- Para onde?

Sue perguntou, curiosa.

- Para o Alasca. Bella não quer voltar.

- Mas eu preciso, pai. Você sabe disso.

Remexi no macarrão, temendo fitá-lo diretamente nos olhos. Eu não gostava da ideia de deixá-lo sozinho enquanto ele estava em fase de recuperação.

- Não se preocupe com isso, Bella. Eu ficarei aqui até Charlie melhorar.

Eu olhei para a mulher. Ela estava sorrindo, Billy também. Tranquilizei-me com isso e respirei fundo, aliviada. Sue riu, Charlie fechou a cara.

- Eu posso me virar.

Billy revirou os olhos e Sue o olhou severamente.

- Não, não pode. Você sabe que não.

Charlie bufou, mas viu que havia sido derrotado. Ele estava de muletas, e isso em uma casa que tinha dois andares não era nada prático. Ainda precisava tomar remédios para infecções, e se eu conhecesse meu pai, ele nunca se lembraria de todos. Eu agradeci a Sue e ela sorriu. Terminei meu prato e pedi licença, desejando uma boa noite a todos. Todos acenaram para mim e eu subi as escadas, deixando os adultos conversarem a sós.

Cheguei ao meu quarto e fechei a porta delicadamente, trancando-a. Respirei fundo e olhei em volta. A pequena mala de Jasper estava em um canto, perto da poltrona. Eu passei as mãos nos cabelos ainda úmidos devido ao banho tomado poucos minutos antes de meu pai chegar, e suspirei.

Peguei a mala que havia desfeito dias atrás. Eu realmente achei que ficaria mais tempo em Forks, mas infelizmente eu tinha uma vida no Alasca. Vida essa que eu não vivia há tempos. Eu sentia saudade de trabalhar, de estudar o que eu gostava, e de sair com meus amigos. Comecei a colocar as roupas dentro da mala, enrolando-as com cuidado para que coubesse tudo.

Meu quarto em Forks me passava conforto, mesmo que eu tivesse sofrido demais na cidade. Aqui, eu tinha certeza que não me sentiria só. Pelo menos eu tinha meu pai, Billy... os Quileutes. Mesmo que Jake estivesse longe, eu sabia que sua casa era realmente aqui, assim como a minha.

Eu não percebi que estava chorando até sentir as lágrimas molharem a gola da minha blusa.

[...]

Jasper

Da árvore onde eu estava, podia ver perfeitamente Isabella. Estava chorando enquanto arrumava a mala, e isso me incomodava de um jeito estranho. Eu me aproximei, andando igual um felino pelo galho mais grosso da árvore, até ficar de frente para sua janela. Agachei-me. Estava fechada. Ela realmente havia se acostumado com o Alasca. Não estava tão frio em Forks. Ou estava? Infelizmente essa pergunta eu nunca poderia responder.

Ela não me viu, e eu aproveitei a chance para observá-la calmamente. Seu coração batia em um ritmo tranquilo, sua respiração estava fraca devido ao choro, e de vez em quando ela passava a manga da blusa para enxugar os riscos que as lágrimas faziam no rosto.

Ela colocava calmamente as roupas dentro da mala, como se estivesse em dúvida se estava tomando a decisão certa. Sim, Isabella estava em dúvida. Meu dom já podia capturar sua incerteza ao colocar uma calça jeans dentro da bagagem. Eu vinquei a testa. Por que ela estava com dúvida? Por que se sentia tão triste? Charlie estava bem, e era isso que importava, não?

Ela fechou a mala e com um pouco de dificuldade, jogou-a no chão, chutando-a para um canto mais escuro do quarto. Começou a andar de um lado para o outro e antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, ela me olhou.

Eu me assustei. Ela também. Merda, como ela sabia que eu estava observando-a? Eu tinha quase certeza de que ela sabia desde o início onde eu estava, mas confirmei que eu estava equivocado. Isabella caminhou furiosa em direção a janela e abriu o vidro.

- Você quer me matar do coração?

Eu sorri. Por algum motivo, ela ficava linda quando estava com raiva. Mesmo que a partir do momento que isso acontecia, eu não conseguia sentir nada vindo dela. Ela fechou ainda mais a cara ao perceber que eu estava sorrindo.

- Posso entrar?

A garota deu um passo para trás e eu pulei para dentro do quarto, não fazendo nenhum barulho adicional quando meus pés tocaram o chão.

- Você não pode fazer isso, Jasper. Eu não tenho audição sobrenatural igual a você. Por favor.

Seu rosto ainda estava molhado devido às lágrimas. Eu queria caminhar em direção a ela e limpar cada risco, mas por um momento eu me contive, e ela fechou a janela, fitando as árvores escuras do lado de fora. Foi nesse momento que eu senti o cheiro de chuva.

As árvores balançavam perigosamente e eu já podia escutar o barulho dos trovões de longe. Eu sabia que ela não poderia escutar.

- Vai chover.

Ela apenas assentiu, ainda olhando para fora. Uma tristeza forte me engolfou e eu fechei os olhos, concentrando-me. Eu odiava quando Isabella fazia isso, eu sempre me envolvia e acabava sentindo o mesmo que ela.

- O que houve?

Dei um passo em direção a ela e encostei minha mão no seu ombro quente. Ela se virou para mim; seus olhos estavam vermelhos, as lágrimas agora corriam livremente pelo rosto.

- Isabella, o que houve?

Perguntei novamente e ela abaixou a cabeça. Eu sabia o que isso significava. Ela estava receosa de me contar algo, eu não precisava do meu dom para descobrir isso.

- Eu não quero ir embora, Jasper.

Ela me olhou, os olhos achocolatados brilhando por causa das lágrimas acumuladas. Eu não entendi a decisão, então eu apenas continuei a fitá-la, esperando por mais.

- Se eu voltar agora para o Alasca, estarei sozinha novamente. Isso poderia ser fácil, e até agradável. Mas não depois do que passei aqui...

Ela andou em direção a cama, sentando-se no meio dela e cruzando as pernas, colocando as mãos no rosto. Sua voz saiu abafada quando ela voltou a falar.

- Eu não esperava por isso, Jasper. Eu não quero ficar sozinha depois dos acontecimentos, aqui em Forks eu tenho Charlie. Até os Quileutes poderiam me ajudar a superar isso. Eu tenho medo de sofrer novamente. Quando estou sozinha, tenho bastante tempo para pensar em tudo... e eu não quero pensar...

Apenas a menção dos lobos fez meu corpo inteiro enrijecer. Eu não queria nenhum cachorro envolvido com Isabella. Antes que eu pudesse me conter, já estava na cama em frente a ela. Ela me olhou, os olhos cheios de lágrimas.

Eu a abracei, não me importando com esse fato, seu choro diminuía à medida que eu acariciava seus cabelos lisos. Seu corpo quente me passava uma sensação agradável, como se eu tivesse pulsação também.

- Você não vai estar sozinha. Você sempre estará comigo.

Eu enrijeci no mesmo momento.

De onde tinha vindo essa merda toda?

Isabella não demorou muito para se afastar de mim, e eu senti a rejeição tomar conta do meu corpo. Fiz uma força sobrenatural para que meu monstro não resolvesse aparecer.

- Co-como assim?

Eu quase revirei os olhos. Quase.Já havia sido difícil, para não dizer torturante, dizer aquilo para ela, e ela ainda queria que eu explicasse? Eu iria tentar apenas uma vez.

- Bom... se você quiser, eu vou com você para o Alasca.

Eu pude sentir a surpresa fluir pelo quarto. Eu não poderia estar diferente dela, meu cérebro, normalmente rápido, ainda processava lentamente o que eu havia dito. Eu procurava entender o motivo das minhas palavras, mas eu estava focado demais em suas reações. Sua surpresa passou para alívio e depois eu pude sentir um misto de felicidade e expectativa.

- Eu gostaria muito que você fosse para o Alasca comigo, Jasper. Muito.

Seus lábios se torceram em um sorriso mínimo, mas sincero. E eu me senti estranhamente... leve. Como se alguém estivesse me aceitando completamente. Isabella era uma humana, e queria minha companhia independente de eu ter olhos dourados ou vermelhos, independente de eu me alimentar de humanos, independente de eu ser um monstro.

Se eu tivesse um coração, ele estaria acelerado. Ela não sabia o que ela estava me proporcionando. Finalmente eu pararia de pular de hotel em hotel por diversas cidades e países, ficando apenas em um lugar, com uma pessoa que me aceitava do jeito que eu era.

Merda, aquela garota estava até me excitando.

Ela permanecia olhando para mim, ainda sorrindo. Eu com certeza havia tido um momento idiota de surpresa, ou algo assim. Ela sabia que eu havia me desligado por alguns segundos. Eu olhei para ela, seu rosto estava seco dessa vez, seus cabelos bagunçados.

Meus olhos acompanharam os fios, que desciam pelo seu corpo, ficando em cima dos seus seios. A blusa era apertada, e mesmo que não revelasse a pele branca dela, eu podia ver perfeitamente o contorno do seu corpo. Minha boca se encheu de veneno, no mesmo momento que a chuva começava a cair lá fora.

[...]

Isabella

Os raios riscavam o céu, clareando momentaneamente o meu quarto, que estava iluminado apenas com a lâmpada fraca do abajur. Jasper estava na minha frente; os olhos estavam tornando-se negros gradativamente e eu não consegui ignorar que ele estava fitando meu corpo, dando uma atenção especial para meus seios.

- Jasper...

Antes que eu pudesse protestar, ele veio em minha direção, os lábios frios e carnudos capturando os meus possessivamente. Sua língua pediu passagem e eu cedi, gemendo quando ela me encontrou, começando a descobrir minha boca. Seus braços fortes me enlaçaram, as mãos correram pelas costas, uma ficando na cintura enquanto a outra subia para pegar os cabelos perto da minha nuca. Ele puxou os fios com uma força masculina e eu gemi, arrancando um rosnado por parte dele.

De repente todas as minhas preocupações sumiram da minha mente, e eu me concentrei em apenas uma coisa: Jasper. Eu o empurrei para a cama e ele cedeu, deitando-se onde estava. Minhas mãos passaram em suas coxas e subiram, sentindo sua excitação anormal através da calça jeans escura. Ele me olhava, divertido, os olhos agora estavam completamente negros, mas o sorriso maldoso nunca deixava o rosto perfeito.

Eu queria continuar o que o telefone dias atrás havia me impedido de fazer. Eu retirei a minha roupa, ele olhava cada movimento meu e engolia a cada dois segundos. Eu desabotoei sua calça, retirando-a junto com a boxer, com uma ajuda dele. Ele estava apenas com uma blusa de malha azul, a manga comprida fora empurrada para perto do cotovelo. Ele estava lindo, mas eu o queria nu por inteiro.

- Tire a blusa.

Ordenei. Eu sabia que Jasper não gostava de ser mandado, mas parecia que o vampiro não se importava se as ordens eram relacionadas ao sexo. Ele retirou a blusa rapidamente e eu pude ver o abdômen delineado, branco e cheio de cicatrizes. O abdômen masculino que mais me excitava.

Eu comecei a beijar sua barriga, sentindo seu cheiro de hortelã, sua pele gelada. O peito dele tremia por causa dos rosnados. Mas eu queria ser mais ousada. Eu queria experimentar algo que ainda não havia feito em Jasper. Algo que eu tinha certeza que seria surreal com ele, assim como tudo o que experimentava com ele. Eu peguei seu membro e meus lábios o tomaram. O rosnado de Jasper foi mais severo e mais alto. Eu não me preocupei com isso, sabia que ele estava trabalhando com os presentes na casa, usando seu dom.

Se o cheiro de Jasper era bom, o gosto era melhor ainda. Eu não me senti na obrigação de fazer isso para ele. Eu queria fazer isso para ele. Eu desejava fazer isso para ele. Eu estava sentada ao lado dele, e não demorou muito para que ele me encontrasse com as mãos. Eu senti um dedo seu entrar em mim, enquanto a palma de sua mão friccionava a minha parte mais sensível.

Eu não podia gritar, então eu aumentei o ritmo das minhas mãos, enquanto sugava com mais força. Jasper rosnou novamente. Mas eu era humana, e eu sabia que aguentava menos que ele. Poucos minutos depois eu senti meu corpo chegar ao limite. Eu travei, parando momentaneamente os movimentos. Pude ouvir Jasper soltar uma risada maliciosa.

-Venci.

Olhei para ele, vendo-o piscar para mim. Não era justo, Jasper sabia me conduzir perfeitamente, como se ele possuísse um manual de instruções. Eu corei e ele se sentou, pegando meus cabelos e fazendo-me encontrá-lo novamente.

- Isso não quer dizer que você tem que parar o trabalho divino que estava fazendo.

Continuei a sugá-lo, sentindo Jasper acariciar minhas costas. De repente o vampiro me pegou pela cintura, jogando-me na cama e ficando em cima de mim, seus olhos estavam negros e ele estava perto. Eu abri minhas pernas para recebê-lo, mas ele não me penetrou, apenas continuou a me olhar.

- Sabe o que é mais excitante?

Eu arfei, puxando-o de encontro ao meu corpo, mas ele nem sentia minha tentativa patética de tentar obter prazer. Eu não fazia ideia do que poderia ser mais excitante do que Jasper nu entre minhas pernas. Olhei para ele, arqueando a sobrancelha, esperando a resposta.

- Estamos exatamente como estávamos há quatro anos.

Eu gemi e fechei os olhos, no mesmo momento que ele ria com malícia e me penetrava. Arqueei em direção ao seu corpo, enquanto ele me preenchia por completo.

- Está chovendo...

Ele estocou uma vez.

- Está de noite...

Mais uma vez.

- Eu te desejo...

Mais uma vez

- Você me deseja...

Mais uma vez

- Você continua deliciosa...

Mais uma.

- Você continua corando enquanto eu te penetro...

Mais forte.

- Você vai chegar ao seu prazer agora...

E eu não o decepcionei. Fechei os olhos enquanto uma sensação inebriante percorreu meu corpo junto com pequenos espasmos e ondas elétricas. Eu gemi, seu nome saindo da minha boca como um mantra. Isso foi o suficiente para levar Jasper ao seu limite também, o vampiro despejou-se dentro de mim, no mesmo momento que capturava minha boca.

Eu o beijei, um beijo agora mais calmo. Ele tinha razão, éramos cúmplices. Estávamos fazendo exatamente a mesma coisa que tínhamos feito anos antes, no mesmo local, do mesmo modo.

E eu não me sentia culpada.

Eu sempre desejaria Jasper. Ele sempre me enlouqueceria.

Suspirei e o olhei. Minha respiração estava descompassada, eu arfava, fazendo meus seios encostarem-se no peito gelado dele, enquanto ele me olhava com olhos cada vez mais vermelhos vivos. Jasper estava se acalmando, a cor negra já estava dando espaço para o tom habitual. Ele se afastou de mim.

- Podemos tomar um banho? — perguntei.

Jasper assentiu, se levantando e me estendendo a mão.

- Seu pai já está dormindo. Os outros já foram embora.

Eu abri a porta, caminhamos diretamente para o banheiro. Entrei no chuveiro, tomando o cuidado de enrolar meu cabelo em um coque. Ele entrou junto comigo, exatamente como ele tinha feito anos atrás.

Só que eu não estava com raiva, em vez disso, depositei um beijo em uma cicatriz que ficava perto de onde o seu coração morto estava. Jasper fez um barulho parecido com um ronronar.

Tomamos banho calmamente e ele me ajudou a me secar. Voltamos para o quarto. Eu coloquei um pijama quente. Mesmo que morasse no Alasca, a noite em Forks era bem fria. Ele vestiu uma calça de moletom preta e uma blusa sem mangas branca.

Maldito. Deveria ser bom não sentir as consequências da temperatura.

Eu me deitei e ele me acompanhou. Jasper me puxou para seu peito e eu respirei fundo, sentindo seu cheiro de hortelã. Fechei os olhos no mesmo momento em que ele começava a acariciar meus cabelos.

- Boa noite.

Desejou-me. Eu depositei um beijo na sua blusa, fazendo-o ronronar mais uma vez.

- Boa noite, Jas...

Não consegui dizer mais nada, já tinha dormido antes mesmo de terminar a frase.