Marcada

21 Capítulo 20


Notas iniciais
Obrigada por comentarem! :)

Jasper

Desci as escadas do apartamento de Isabella rapidamente. O atestado estava dentro do bolso da jaqueta, mas se eu quisesse parecer normal aos olhos de seus vizinhos, eu teria que andar em passos humanos. Ainda nevava, e eu estava começando a ficar irritado com o clima do Alasca. Era um pouco enjoativo, a cor branca predominava em todos os lugares, e voltar com as roupas encharcadas não era uma ideia que eu tinha de plano perfeito.

Continuei caminhando entre as ruas cobertas de neve, meus pensamentos girando em torno da humana e da conversa que eu havia tido com ela. Não era meu objetivo contar o que eu havia contado a ela. Eu só queria cuidar da garota para me redimir. Um sorriso maldoso nasceu no meu rosto ao me lembrar da humana arfante que eu havia deixado no apartamento, mas eu me concentrei em voltar ao que estava pensando.

O que mais me preocupava, não era Isabella saber onde os Cullen estavam, ou o que aconteceu com cada um. Eu sabia perfeitamente que ela não iria procurar nenhum vampiro daquela família. Mesmo que ela emanasse um sentimento de nostalgia ao escutar minha história, ela havia sido magoada demais. E se eu conhecesse Isabella, ela era uma humana muito orgulhosa.

O que mais me preocupava, foi o sentimento de gratidão que fluiu dela quando ela estava escutando minha história. Era como se ela estivesse feliz por eu ter poupado-a de histórias incompletas ou com cortes. Ela queria saber tudo, e pelo o que eu senti dela, ela estava grata com a história que eu havia contado.

O que me fez perceber o sentimento de culpa ínfimo que estava dentro de mim. Por mais que eu tivesse contado alguns detalhes das vidas dos Cullen, eu havia omitido a parte mais importante. E se dependesse de mim, Isabella nunca saberia essa parte. Ela já havia sofrido demais, ela não precisava de mais desse sentimento na vida dela.

Eu já conseguia enxergar a entrada da faculdade quando minha mente se desviou dos Cullen para cair para outro tópico. A ternura que ela havia me beijado realmente me pegou de surpresa. Eu tinha certeza que de vez em quando ela se esquecia completamente do meu dom, e no momento que seus lábios quentes tocaram os meus, eu pude sentir o carinho que ela sentia por mim.

Mas não era isso que me preocupava. O que me preocupava era como meu corpo reagiu a isso. Eu, Jasper Withlock, um vampiro que havia prometido para mim mesmo nunca sentir nada por nenhuma mulher mais, fiquei totalmente sem ação quando ela me beijou. Infelizmente ela me fez esquecer completamente da minha promessa. Eu correspondi ao beijo com o mesmo sentimento. E mesmo que o beijo tivesse levado a algo muito mais interessante, eu precisava tomar cuidado com ela. Isabella não podia confundir as coisas.

Merda, eu sabia que cuidar dela me traria problemas. Mas eu realmente achava que o coração mole da garota não daria sinal de vida tão cedo.

Meus pés encontraram o chão de madeira da biblioteca e eu corri os olhos pelo local, procurando a chefa idosa de Isabella, Sra. Bertha. Eu conseguia escutar algumas pulsações aceleradas, me virei para um grupo de adolescentes que me olhavam com curiosidade e caminhei em direção a elas.

- Com licença, sabe onde está a Sra. Bertha?

As garotas me olharam, os rostos ficando vermelhos e fazendo minha garganta se irritar um pouco. Uma deu um sorriso e apontou para a direção norte da biblioteca. Eu tive que fazer um grande esforço para não revirar os olhos. Adolescentes às vezes eram irritantes.

Claro que eu já havia identificado o local onde Sra. Bertha estava, o cheiro dela já havia sido catalogado no meu cérebro sobrenatural. Mas seria muito estranho eu andar diretamente a ela. Como um bom vampiro, eu tinha que saber ser discreto. Se meus olhos vermelhos não ajudavam, pelo menos eu tinha meus anos de treinamento se passando como um humano.

Eu retirei o atestado da jaqueta e cutuquei levemente a Sra. Bertha, que tentava colocar um livro com dificuldade na prateleira mais alta. Minha mão forte pegou o livro da mão tremida da idosa e ela me olhou com gratidão, colocando os óculos finos na ponta do nariz e levantando a cabeça para me fitar diretamente.

- Obrigada.

Eu sorri para ela, mas seu coração não se acelerou como o das adolescentes, esse era um bônus de interagir com idosos. O único sentimento que eu senti dela foi reconhecimento. Ela sorriu para mim, juntando as mãos.

- Você é o homem que procurava por Isabella dias atrás, não é?

Eu voltei a sorrir e assenti com a cabeça, entregando o atestado a Sra. Bertha. A pergunta costumeira sobre a cor dos meus olhos não iria ser feita. Eu já havia explicado a ela minha anomalia genética na última visita. Ela leu o atestado com cautela e voltou a me olhar tristemente.

- Ela está bem?

Eu assenti para ela, dizendo que Isabella só precisava de descanso. Ela pousou a mão na bochecha flácida e suspirou.

- Dois meses... acho que vou ter que procurar alguém para substituí-la enquanto isso... sabe como é... meu corpo não é o mesmo desses jovens.

Eu sorri para ela, mandando uma onda de calma. Ela dobrou o atestado e seus olhos voltaram-se para minha esquerda. Um garoto de estatura mediana e com cara de idiota se aproximava da gente. Ele parou um pouco afastado, como se me temesse. Pelo menos ele não era tão idiota quanto seu rosto.

- Ela não veio hoje, Michael. Aliás, Isabella ficará fora por um tempo.

Então ele era o Michael? Não era de se admirar que Isabella tivesse enjoado do menino tão cedo. Até uma humana virgem perceberia o quanto ele parecia imbecil. Calma,Jasper.

-O que ela tem?

Sra. Bertha me olhou e eu tive que me segurar para não falar que Isabella estava grávida, de mim. Ao menos isso o manteria longe. Eu me virei para o projeto de homem.

- Ela está doente.

Não disse mais nada, e ao fitar o humano nos olhos, ele sentiu medo. Medo pela cor vermelha que eles tinham, e medo de mim. Eu projetei algum medo nele também, afinal, eu tinha um dom, e ele teria que ser usado quando preciso. Uma menina magricela chamou Sra. Bertha e ela pediu licença, deixando-me a sós com o garoto.

- O que você é dela?

Ele perguntou desconfiado e eu pude sentir uma onda de ciúme que ele estava emanando. Eu sorri para ele, mostrando os dentes de uma forma estranha, ele continuava a me fitar, mas parecia pensar na pergunta tola que havia feito.

- Algo que você nunca vai ser.

Eu me virei para ir embora, mas eu senti uma raiva crescente atrás de mim. O menino me puxou pela manga da jaqueta e eu me virei bruscamente para ele. Eu tinha certeza que o que Michael fitava agora, era olhos negros.

- Bella nunca me falou de você.

- Engraçado, ela também nunca me falou de você.

Eu sorri para ele e ele fechou a cara.

- Aposto que vocês não conversam muito, então.

- Ah... realmente. Normalmente quando ela abre a boca, é para gemer meu nome.

Os olhos castanhos do menino se alargaram e seu rosto corou levemente. O insulto não era necessário, mas infelizmente ele estava tirando minha paciência. Eu me virei novamente para a saída da biblioteca, foi quando eu ouvi a voz horrível dele novamente.

- Vou visitá-la.

Eu me virei e peguei a gola da sua blusa bruscamente, um movimento mais pesado e eu poderia rasgar o pano, ou enterrar meus dedos em seu pescoço frágil e quebradiço. Mas nem se eu estivesse passando sede, beberia o sangue daquele indivíduo. Não, a morte dele seria apenas por vontade de matar, e não de alimentar.

- Se chegar perto de Isabella, vai ser a última coisa que você vai fazer.

Uma claridade assaltou minha mente. Eu olhei para uma prateleira que estava perto. Não, eu não era o dono dela. Eu poderia ser dono dela, mas não era. Que merda de possessividade era aquela? Isabella não era minha. E se ela o quisesse em vez de mim? E se ela um dia gostasse de alguém? Eu não poderia ficar perto dela minha vida inteira. Afinal, ela era humana, e eu um vampiro.

- Cara, eu prometo não chegar perto dela, apenas me solte.

A voz do garoto me fez sair dos meus pensamentos e eu afrouxei o aperto, fazendo-o respirar fundo. Michael saiu com passos trôpegos e sumiu quando alcançou a porta. Eu fiquei mais um pouco na biblioteca, dando tempo para o humano se afastar devidamente, enquanto eu pensava de onde havia saído a raiva intensa que emanava do meu corpo.

.

Isabella

A água quente corria pelo meu corpo, retirando os últimos vestígios de sexo, e o cheiro dele. Eu já havia me acostumado com o cheiro de hortelã que ficava impregnado na minha pele quando Jasper estava comigo. E isso apenas me fazia suspirar, pensando em tudo o que eu tinha passado com ele. Mas era quase irritante eu pensar sobre isso. Jasper não era meu namorado, ou algo do tipo, a gente apenas se ajudava mutuamente, proporcionando prazer um ao outro.

O cheiro de hortelã gritava para mim que o vampiro não era apenas isso, e eu tentava afastar esse pensamento da minha cabeça, infelizmente, não tinha como eu lavar o apartamento inteiro.

Minha gratidão por ele ainda estava alta. Ele havia me contado tudo, mas algumas perguntas ainda rodavam na minha mente, deixando minha curiosidade acesa. Alice estava com outro vampiro. Como Jasper soube disso? Como ele se sentiu em relação a isso? Ele ainda amava a vampira fada? Edward também havia achado alguém. Seria uma das Denali? Jasper sabia como Edward havia me deixado? Será que ele tinha conhecimento das coisas que eu ouvi naquele maldito dia na floresta?

Pela tranquilidade em falar o nome do ex-irmão, eu concluí que não. Se Jasper soubesse como fui abandonada, e o modo covarde como Edward fez isso, ele nunca teria mencionado o nome dele. Jasper sabia que eu estava magoada e com raiva pelo abandono, e que Edward havia me dito que eu não era algo certo para ele, ele só não sabia o estrago que isso tinha causado em mim. Parte disso era culpa minha, eu infelizmente havia guardado apenas para mim minha mágoa em relação a tudo o que eu vivi. E se dependesse de mim, as coisas ficariam do jeito que estavam.

Eu desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Caminhei em direção ao quarto. O apartamento estava quente, as roupas que o vampiro usara pela noite estavam jogadas na poltrona. Eu me sentei na cama, esquecendo-me momentaneamente de me enxugar. Um barulho de madeira rangendo fez meu coração se acelerar. Eu sabia que era ele, e eu sabia perfeitamente o que eu estava sentindo. Desejo.

Desejo por ele. Desejo por sexo. Desejo por retribuir o que ele havia feito por mim horas antes.

Mas fiquei preocupada quando uma felicidade ínfima nasceu em mim, como se a pessoa que estivesse entrando no meu apartamento, fosse uma pessoa que eu gostasse muito, e tivesse muito carinho, e não apenas uma pessoa que eu mantivesse relações sexuais.

Eu deixei a preocupação de lado e optei por saciar a vontade primária.

A toalha caiu do meu corpo e eu caminhei em direção a sala, onde pelo cheiro, eu sabia que ele estava. Abri a porta do quarto. A sala estava escura, a lareira estava apagada, mas eu podia ver a silhueta alta do vampiro perfeitamente, e pelo brilho que fitei, eu sabia que ele estava de frente para mim, me olhando.

Não demorou muito para o vampiro se aproximar em uma velocidade sobrenatural e me pegar pela cintura, me puxando para seu corpo. Ele encontrou meus lábios e minha língua em menos de um segundo, e eu me surpreendi com o que senti de Jasper. Ele estava... feroz.

Era como se ele quisesse provar para alguém que eu era dele, e que ele conseguia tudo o que queria de mim. E eu sabia perfeitamente que parte disso era verdade. Jasper teria tudo de mim, a hora que quisesse, principalmente se isso fosse relacionado ao sexo. Meus seios comprimiam seu peito que tremia com os rosnados leves que ele dava, eu podia sentir a textura do tecido de sua blusa contra minha pele.

Eu me colei ainda mais a ele e fiz força com o meu corpo, Jasper se deixou ser empurrado. Ele sentou-se no sofá e eu passei minhas pernas em cada lado do seu corpo, sentando-me em seu colo e sentindo o volume anormal de sua calça. Ele sorriu maliciosamente para mim, mas fechou os olhos quando eu fiz uma pressão com meu corpo no seu membro.

Minhas mãos automaticamente foram para seu cinto, o desabotoando junto com o botão de sua calça jeans. Eu desci um pouco o cós da calça e enfiei minha mão por dentro, sentindo seu membro pelo tecido da boxer. Jasper rosnou e eu abaixei a cueca, fazendo o membro ficar visível. Meus dedos o envolveram e eu comecei a fazer os movimentos certos. O peito dele tremeu novamente e ele tombou a cabeça no encosto do sofá, fazendo sua garganta branca ficar mais visível.

Eu passei a língua pela sua garganta gelada e peguei o membro dele. Eu precisava dele. Eu precisava senti-lo completamente. Direcionei o membro na minha entrada, mas antes que eu fizesse o movimento para ele me penetrar, o telefone tocou.

Jasper abriu os olhos negros. Eu sorri para ele, achando que atender o telefone deixaria o vampiro um pouco mais sedento. Caminhei nua para o aparelho e o tirei do gancho. A voz que eu ouvi fez meu corpo tremer. Algo estava errado.

- Billy?

Billy começou a falar, sua voz um pouco rouca de preocupação, mas decidida. Eu ouvi tudo atentamente.

- Sim, irei o mais rápido que puder.

Ele me agradeceu e eu coloquei o telefone no gancho. De repente todo o sangue do meu rosto corado pelo desejo havia sumido e eu já podia sentir as consequências da pressão se abaixando. Em menos de dois segundos, Jasper estava ao meu lado, devidamente vestido. É claro que ele havia sentido minha preocupação. Ele pegou meus ombros com as mãos frias e me sacudiu um pouco. Meu corpo inteiro tremia.

- Isabella? O que houve?

Eu olhei para o vampiro, ele esperava uma resposta. Minha mão encontrou a sua e eu a pousei ali, tentando me confortar com a sensação familiar do gelo.

- É Charlie. Ele... ele não está bem.