Marcada
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Jasper
Pulei sem dificuldade a altura dos dois andares do prédio de Isabella. Olhei para os lados, me certificando de que não havia sido visto, mesmo duvidando de que algum ser humano pudesse ver alguém através da neve densa.
A garagem do prédio estava erma, assim como as ruas do Alasca. Os humanos estavam encolhidos em suas camas, com frio. Eu não sentia frio. Apenas a neve molhando minha roupa me incomodava. Mas nada que eu não poderia driblar.
Passei as mãos pelos cabelos e decidi correr até o hotel em que estava hospedado. Correr era algo que me relaxava. E eu precisava muito disso no momento. Minhas pernas faziam o trabalho enquanto minha mente vagava por tudo o que eu havia vivido no dia, e de vez em quando, ela se estacionava no meu passado.
Cheguei ao hotel rapidamente e entrei, mantendo a cabeça baixa e acenando vagamente para a recepcionista e para os funcionários. Não gostava das perguntas sobre a cor dos meus olhos. Falar que era uma anomalia genética poderia ser perigoso e gerar muita curiosidade. Humanos...
Entrei no quarto e tranquei a porta, colocando a placa de "Não Perturbe" na maçaneta do lado de fora. Queria ter o tempo livre para pensar, e sabia que passaria a noite pensando nela.
Merda. Se eu soubesse que Isabella estava tão gostosa, não teria ido atrás da garota de forma alguma. Os malditos seios haviam crescido. As pernas tinham agora um contorno mais definido e o cabelo estava mais cheio e mais longo. Mais selvagem.
Passei novamente as mãos pelos cabelos, sentando-me no sofá sem sentir a necessidade de descansar minhas pernas. O que havia me dado? Desde que me separei de Alice eu não havia procurado mulher nenhuma. A única coisa que era do meu interesse nas mulheres era seu sangue, que agora eu bebia com prazer.
Pensando sobre isso, concluí que já estava tempo demais sem me alimentar. Mesmo que agora o sangue humano fosse minha verdadeira dieta, estar perto de Isabella sempre fazia minha garganta queimar. Claro que tinha diminuído, mas realmente Isabella era gostosa em todos os sentidos.
Daria de bom grado alguns anos da minha vida para ter alguns copos de seu sangue sem matá-la. Afinal, seu corpo era divino também, e seria um desperdício destruí-la. Alguns anos sairiam barato para mim, também.
Para de ser cretino, Jasper.
Minha consciência gritou para mim e eu tratei de fechá-la no momento, pensando realmente o que eu iria fazer depois do reencontro. Não esperava a reação que ela havia tido. Para falar a verdade, depois de algumas perguntas de Isabella, eu realmente havia me dado conta de que não sabia exatamente o que estava fazendo no Alasca, procurando por ela.
Mas relembrando a forma que deixei Alice, algumas respostas surgiam na minha mente. Cada uma mais improvável que a outra. Saudade? Se eu não sentia nem falta de Alice, quanto mais de Isabella. Curiosidade? Poderia pensar que sim, a última vez que a vi foi no dia do seu desastroso aniversário. E eu estava tentando comê-la.
Olhei para o teto e suspirei. Meu objetivo não era diferente agora. Claro que eu não mataria Isabella pelo seu sangue. Mas a noite em que passei com a garota sempre voltava na minha cabeça, fazendo surgir cada vez mais perguntas.
Fechei as mãos em punho. Isabella estava me deixando louco. Primeiro a maldita dúvida do que eu estava fazendo nesse maldito lugar que só nevava. Depois, com apenas algumas perguntas, ela conseguiu me fazer pensar no meu passado com os Cullen, tópico que eu não pensava há anos.
Em como Alice me xingou de monstro quando eu tentei atacar a humana indefesa. Em como ela jogou na minha cara todo o meu passado, dizendo que eu não iria mudar; que ela perdoou deslizes com desconhecidos, mas com Isabella era diferente, ela era praticamente da família, e se eu a ataquei, era porque eu não dava valor à família.
Um monte de merda. Foi o que eu pensei quando a vampira abriu a boca e soltou tudo. A raiva que saía de Alice e a decepção eram quase palpáveis. Eu amaldiçoei o meu dom naquele dia. Os Cullen não fizeram muita questão de guardar todos os sentimentos de asco quando chegaram perto de mim. Os únicos que me compreendiam completamente eram Carlisle e Esme.
Mas Carlisle era muito mais experiente que o resto da família. Os Cullen pareciam recém criados, comparados com a sabedoria que o patriarca possuía. Então eu os abandonei. Alice fez questão de frisar que encontraria um vampiro melhor que eu. E eu não duvidava. Tive anos para pensar no assunto, e sei que lá fora, havia vários vampiros melhores do que eu. E estava certo. Alice não demorou muito tempo para achar um.
Mas eu tinha outros assuntos para esclarecer. Pelo o que eu ouvi da boca de Isabella, seu querido Edward a abandonou sem explicações profundas, apenas dizendo que Isabella não era mulher para ele. Pensando melhor no assunto, Isabella realmente não era mulher para Edward. Ela era boa demais para ele.
Pensar no vampiro fez com que meu corpo tremesse de raiva. Quando me dei conta, eu apertava com força o controle remoto da televisão, que já estava em minúsculos pedaços na minha mão. Se Isabella estava com raiva de Edward por ele tê-la deixado, o odiaria com todas as forças se descobrisse onde o vampiro estava no momento.
Mas eu não iria contar isso para ela. Eu a pouparia pelo menos nesse aspecto.
Levantei-me do sofá, passando as mãos pelos cabelos e decidindo tomar um banho. Olhei para o relógio perto do sofá. Duas horas da madrugada, Isabella provavelmente já estava dormindo.
Depois de ter seguido seus passos por sete dias, eu já sabia a rotina de Isabella de cor. E não mudava nenhum dia. Apenas quando aquele namorado patético dela cismava de tirá-la de casa que Isabella ia para algum lugar diferente. Mas ele já não era problema mais.
Caminhei para o banheiro, ligando o chuveiro sem pensar na temperatura da água. Entrei debaixo da ducha e meus pensamentos vagaram para outro tópico.
"A Isabella que você conhecia morreu no momento que você a fodeu."
A frase de Isabella girava na minha mente e eu fechei os olhos, jogando a cabeça para trás, deixando a água agora quente cair no meu rosto. O que Isabella havia passado esses anos para ter mudado tanto? Ela não era mais... doce.
Minha curiosidade era cada vez maior e eu me surpreendi com isso. Havia passado muito tempo desde que algo relacionado a algum humano me interessou. Claro que Isabella estava presente em todos os meus poucos interesses.
Desliguei o chuveiro com rapidez, decidindo de repente ir para casa da humana e acordá-la para perguntar tudo o que estava me deixando curioso. Isabella me mataria, isso era mais que óbvio. Ou pelo menos tentaria.
Sorri. Adorava ver Isabella com raiva.
Coloquei uma roupa leve, tomando o cuidado de colocar a jaqueta de couro. Se humanos me vissem com roupas inapropriadas, seria perigoso. Saí do apartamento e chamei o elevador, esperando pacientemente sua lerdeza. Deus, como os humanos conseguiam viver em meio à lentidão?
As portas se abriram e eu entrei. Duas mulheres estavam conversando e pararam imediatamente quando me viram. Ondas de excitação pairaram pelo elevador e eu tentei fechar meus sentidos. Sentir desejo era a última coisa que eu queria sentir antes de ir para o apartamento de Isabella.
O elevador estacou e eu saí rapidamente, abaixando a cabeça para os curiosos. Os olhos vermelhos chamavam a atenção. Eu não fazia questão de escondê-los. Mas virar atração de circo não era meu objetivo.
Saí pela noite fria. As ruas agora estavam mais ermas do que antes. Perfeito. Olhei para trás para ver se havia alguém por perto e segui em direção ao estacionamento do hotel, tomando velocidade depois de segundos e já correndo em direção ao meu objetivo.
Eu já sabia de cor o melhor caminho para chegar ao prédio de Isabella. E o mais rápido. Minhas botas estavam encharcadas quando parei, olhando para cima e percebendo que a humana havia fechado a janela. Revirei os olhos com falta de paciência. Escalei o prédio de tijolos facilmente, apoiando-me nos buracos da parede feitos com o tempo.
Fiz um pouco de força para abrir a janela, tomando o cuidado de não quebrar o trinco e não fazer barulho para acordá-la. Entrei no apartamento já conhecido e o cheiro divino de Isabella pairava por toda sala, fazendo minha boca se encher de veneno. Estava escuro, mas isso não me atrapalhava. Eu poderia andar pelo apartamento mesmo que não tivesse nenhum indício de claridade.
A mancha de café ainda estava no tapete. Sorri ao lembrar a raiva da menina quando descobriu que eu havia entrado no seu apartamento. Eu podia escutar sua respiração pesada, indicando-me de que ela estava dormindo tranquilamente. Se Isabella soubesse quem zelava por seu sono, ela não dormiria tão bem assim.
Corri os olhos por toda a sala, procurando algo diferente, quando meus olhos poderosos capturaram uma pequena luz vermelha piscando. A secretária eletrônica de Isabella estava em cima de um móvel e possuía duas mensagens novas.
Certifiquei-me com uma olhada de que a humana estava com a porta do quarto fechada e mandei uma onda de sono, fazendo sua respiração ficar mais calma e o sono mais pesado. Caminhei em direção a secretária eletrônica e apertei o botão para escutar os recados.
"Oi! Aqui é a Bella, não estou no momento. Deixe sua mensagem para depois eu retornar"
Sorri quando escutei a voz da humana, um pouco digitalizada. O barulho do apito chegou aos meus ouvidos e eu olhei novamente para a secretária, esperando pelas mensagens.
"Oi Bella, aqui é Michael. Escuta, o que conversamos aquele dia pode ser resolvido tranquilamente? Onde você está? Passei hoje na biblioteca, mas a Sra. Bertha me falou que você já tinha ido embora. Aconteceu algo? Dê notícias! Sinto sua falta..."
Eu revirei os olhos com falta de paciência para o resto do recado, apertando o botão vermelho e excluindo a mensagem rapidamente. Outro apito, outra mensagem.
"Oi Bella! É a Laila. Que saudade que eu estou de você! Como vai a faculdade? Espero que esteja empolgada para a formatura ano que vem. Amanhã estamos indo na inauguração daquela nova boate que eu te falei, se animar me ligue, ok? O endereço é..."
Antes que a possível amiga de Isabella falasse o endereço, eu abri uma gaveta do móvel, achando papéis e uma caneta. Anotei com cuidado o local e dobrei o papel, colocando no bolso da calça jeans. Essa mensagem eu não apaguei.
Deixei a secretária eletrônica programada com a luz piscando, como se ninguém tivesse mexido no objeto. Fui em direção a porta do quarto de Isabella e minha mão envolveu a maçaneta com cuidando, tentando abrir, em vão. Estava trancada. Revirei os olhos quando a paciência tentou sair meu corpo novamente, mas respirei fundo, recuperando-a.
Fui para sala novamente, saindo da janela e fechando-a para a corrente de ar não deixar o apartamento gelado. Andei pelo parapeito do prédio até chegar à janela do quarto de Isabella. Olhei com cuidado o tipo de trinco e fiz um impulso para tirá-lo do eixo, deixando a janela aberta do jeito que eu queria.
Com cuidado, deslizei a janela para o lado, o mínimo que consegui para meu corpo passar. Isabella estremeceu quando a corrente de ar passou pelo seu corpo e eu mandei uma onda de sono para ela, temendo que a garota acordasse.
- Merda...
Xinguei automaticamente quando a vi se virar, resmungando algo incoerente. Mas Isabella não acordou. Eu contornei a cama silenciosamente para fitá-la de frente. Estava quase totalmente coberta e encolhida por causa do frio, apenas um ombro estava descoberto, expondo parte da pele branca. Isabella tinha a pele humana mais bonita que eu já tinha visto.
Agachei-me com cuidado para fitá-la de perto. Sua respiração quente bateu no meu rosto e eu fechei os olhos, me concentrando para não cair na tentação de acordá-la e beijá-la ali mesmo. Sobressaltei-me com esse pensamento.
Ela vincou a testa e eu quase achei que Isabella estivesse acordada, mas conhecendo a garota, se ela visse que eu a estava observando, vincar a testa era a último gesto que ela faria. No mínimo ela tentaria me matar. Tentaria.
Já era a segunda vez que eu pensava isso, essa noite.
Não, Isabella estava tendo um pesadelo. A respiração ficou mais pesada e seu corpo começou a se remexer por debaixo dos cobertores grossos. Eu me afastei um pouco, projetando ondas de conforto e calma. Ela abriu os lábios milimetricamente e gemeu, eu engoli o excesso de veneno que se acumulou na minha boca.
- Por que voltou...
Escutei Isabella murmurar e enrijeci, mas ela ainda estava de olhos fechados. Ela estava sonhando comigo? Aproximei-me do seu rosto um pouco. Fiquei a observando por minutos e antes que eu me desse conta, meus dedos já passeavam pela pele fina e delicada do seu rosto. Isabella tinha pele de seda.
Os lábios ainda estavam entreabertos, me convidando a prová-los. Isabella acordaria? Ignorei e resolvi arriscar. Aproximei-me vagarosamente de seu rosto e passei a língua levemente por seu lábio inferior, provando do seu gosto novamente e me relembrando de quando eu havia tomado seus lábios de verdade, recebendo o mesmo de Isabella.
Ela fechou os lábios e os mordeu, gemendo algo incoerente. Senti minha excitação dar sinal de vida no mesmo segundo que Isabella se remexeu na cama, pegando meu braço com força, achando que era o cobertor.
- Me deixe em paz...
Mais uma frase do seu sonho. Vinquei a testa. Se ela ainda estivesse sonhando, eu não iria atender a esse pedido. Ela não ficaria livre de mim tão cedo. Seus dedos finos ainda apertavam minha blusa, e eu esperei pacientemente Isabella os soltar. Mas ela não os soltou. O aperto era menor, mas a mão ainda estava pousada no meu braço, mandando ondas elétricas por todo meu corpo, do mesmo modo que havia mandado quando ela me tocoupela primeira vez.
Saia daí Jasper, seu cretino.
Minha consciência gritou para mim e eu me surpreendi de ainda ter uma. Passei a mão pelos cabelos macios e agora longos de Isabella, sentindo a textura e o cheiro divino. Ela se remexeu, finalmente retirando a mão do meu braço e mudou de posição na cama grande. Levantei-me, decidindo sair do quarto. Se eu ficasse mais alguns minutos olhando-a, poderia me descontrolar. E o descontrole não teria nada a ver com seu sangue.
Passei as mãos pelos cabelos e caminhei para a janela novamente. Antes que minhas mãos pudessem deslizá-la novamente para abri-la, ela se mexeu na cama, virando-se de lado, para onde eu estava. As pernas ficaram expostas completamente e ela se arrepiou quando o gelo do quarto passou pela sua pele. Eu desconfiava de quem estava deixando o quarto gelado era eu.
- Não me machuque mais...
Outra frase sem nexo, vindo do subconsciente de Isabella enquanto ela dormia. Vinquei a testa e engoli o veneno acumulado na minha boca quando eu fitei suas pernas. Olhei para a saliência evidente na minha calça. Abri a janela e a fechei quando passei, pulando os dois andares e caindo como um felino no chão.
Eu nunca machucaria Isabella. Não se ela não impedisse meus planos.
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