Marcada
32 Capítulo 31
Isabella
Estávamos deitados há horas, eu sentia perfeitamente a neve sob meu corpo, mas não conseguia sentir a sensação gelada que ela deveria proporcionar ao contato. Meus olhos estavam focados nos galhos secos da árvore que nos abraçava e eu me deliciava com a sensação de conseguir enxergar cada detalhe do tronco.
Eu sentia Jasper ao meu lado, respirando vagarosamente e totalmente calmo. Estava nu, apenas sua perna levantada me impedia de ver o corpo completamente. As cicatrizes pareciam mais nítidas quando se olhava o conjunto todo, se destacavam devido ao tom branco que predominava na paisagem em que estávamos.
O cheiro de hortelã batia no meu rosto toda vez que ele soltava o ar, e eu fechava os olhos, apenas pensando em tudo o que eu havia sentido horas atrás. Eu já havia feito sexo com Jasper inúmeras vezes, e mesmo que estivesse me recuperando da minha primeira vez como vampira, eu senti que aquele momento em específico foi diferente. Bem diferente.
Meu corpo estava exausto, e pela inércia de Jasper, eu sabia que o dele estava também. Ainda não havia perguntado o motivo disso para ele, mas algo estava errado. Eu era uma vampira agora, e tudo em mim era programado para não sentir as consequências do esforço físico. Esse fato estava me incomodando muito, para dizer o mínimo.
As sensações foram intensas, e a dúvida não queria deixar minha mente. Algo me dizia que tais sensações não foram intensas pelo simples motivo de meu corpo ser imortal. Não, definitivamente algo estava errado.
– O que foi?
A voz suave de Jasper me tirou dos meus devaneios e eu virei minha cabeça, fitando o vampiro nos olhos pela primeira vez depois de horas. A cor avermelhada havia retornado, indicando-me que ele já estava mais calmo. Não poderia falar o mesmo de mim, eu tinha certeza que os meus olhos não estavam tão claros, a sede já começava a dar os primeiros sinais.
– Como assim?
Perguntei a Jasper e ele revirou os olhos carmins, apoiando-se no cotovelo e ficando de lado.
– Você está curiosa.
Não era uma pergunta, e pela milésima vez eu me lembrei que o vampiro ao meu lado era um maldito empata, e eu sempre seria analisada. Não precisava pensar muito para entender que Jasper queria saber o motivo da minha curiosidade. Ponderei alguns minutos se seria proveitoso e inteligente contar a ele minhas dúvidas. Infelizmente ele sentiu minha dúvida também.
– Isabella, se eu for passar a eternidade com você, eu exijo que você pelo menos seja sincera comigo.
Não pude deixar de sorrir ou escutar a frase sair de sua boca. Eu me lembrava dela, em um dos meus momentos humanos, os últimos momentos humanos. Antes que eu pudesse, e conseguisse, me conter, minha boca se abriu e eu contei a ele o que estava sentindo.
– Meu corpo está cansado, Jasper...
Pausei momentaneamente para ver a reação do vampiro, mas a única coisa que consegui captar foram seus olhos vermelhos intensos me fitando com uma atenção anormal.
– Quando fizemos... quando transamos, eu tive sensações muito fortes... intensas. Meu desejo, minha luxúria... meu prazer... foram triplicados.
Jasper remexeu-se inquieto ao meu lado e eu não sabia interpretar se tal gesto era um sinal bom ou ruim. Mas decidi por continuar.
– Algo me diz que o motivo disso não é o meu corpo sobrenatural.
[...]
Jasper
Isabella me olhava com atenção. Seus olhos estavam levemente escuros, eu sabia que em breve teria que levá-la para se alimentar novamente. Cuidar de uma recém criada não era algo fácil, mas poderia ser prazeroso se você soubesse como fazer.
Mas não era isso que estava prendendo minha atenção. Eu estava fascinado ao escutar o que ela estava me contando. Eu havia percebido que a vampira que estava a minha frente nesse momento era minha companheira. Escutar isso dela em outras palavras era sublime.
As sensações não eram triplicadas por qualquer motivo. Ela sentiu o mesmo que eu. A química que apenas companheiros de uma vida imortal poderiam ter. O desejo anormal pelo corpo, a luxúria quando o outro está perto. O prazer apenas com um simples toque.
– Em que está pensando?
Percebi que havia ficado pensativo quando ela se remexeu inquieta ao meu lado, esperando com expectativa uma explicação minha. Eu precisei ter cuidado ao escolher as palavras.
– Isabella... o que você sentiu, são consequências do que seu corpo acaba de reconhecer.
Uma onda de confusão me embalou e eu respirei fundo, sentindo seu perfume adocicado ficar mais forte ao fazer isso.
– O seu corpo acaba de reconhecer o corpo de um companheiro. Companheiro de uma vida imortal.
Esperei a reação dela com certo medo. Eu não sabia se as informações eram muitas, mas definitivamente não poderia mais adiar a conversa. Ela tinha todo o direito de saber o que havia sentido, e o porquê disso.
Ela não reagiu como eu imaginei, apenas abaixou a cabeça em um gesto de vergonha. Sua pele não corou como fazia quando ela estava daquela maneira quando humana. E mesmo que isso não tivesse acontecido, eu senti prazer ao perceber que algumas características dela tinham permanecido depois da transformação.
– Jasper, desde muito tempo eu sei que você é a pessoa certa para mim.
Isabella desviou os olhos para algum lugar da árvore. Eu fiquei um pouco confuso. Por mais que eu raciocinasse, não conseguiria pensar em como ela pudesse ter consciência de tal fato.
– Desde quando você sabe disso?
Perguntei sem conseguir me conter, e os olhos vermelhos escuro finalmente me fitaram diretamente.
[...]
Isabella
Não sabia se seria inteligente responder a pergunta de Jasper. Com certeza o vampiro me acharia louca quando escutasse minha resposta. Mas ele era meu companheiro, sempre seria meu. Mentir estava fora de cogitação, eu me sentia mal apenas com o pensamento fraco de omitir algo a ele.
Decidi por ser sincera, tomando um fôlego desnecessário.
– Desde que fizemos sexo pela primeira vez.
Silêncio.
Dizer isso em voz alta abriu muitas portas dentro de mim. Sentimentos que eu havia enterrado a sete palmos, lembranças da minha vida humana que eram um borrão minutos atrás, mas que agora tomavam formas e ficavam mais claras em minha mente.
Eu não deixei Jasper responder, eu queria dizer tudo o que sabia há anos, e que nunca conseguia afirmar para mim mesma, muito menos para outra pessoa. Mas eu o faria agora.
– Desde que passamos nossa primeira noite juntos, você me marcou... me deixou uma marca que nunca foi embora... e por mais que eu tentasse, nunca conseguia apagá-la...
Os olhos de Jasper me fitavam intensamente. Ele parecia surpreso com as minhas palavras, e para falar a verdade, eu também estava. Sentia-me mais leve, e nunca imaginaria que teria coragem de dizer tais palavras a ele, nem a mim mesma.
Eu respirei fundo e me aproximei de Jasper, o vampiro ficou imóvel, mas não se afastou. Não podia, o corpo dele pedia pelo meu corpo igual ao meu corpo pedia pelo corpo dele. Eu fechei os olhos e corri o nariz pela pele dele, sentindo o aroma de hortelã.
– Você me marcou emocionalmente.
Encostei minha língua em seu pescoço, sentindo o gosto que o vampiro tinha. Ele soltou um leve rosnado, seu corpo começou a dar os primeiros sinais de excitação.
– Eu quero uma marca física dessa vez.
O corpo dele enrijeceu, os olhos vermelhos me fitaram com intensidade, mas um sorriso malicioso correu pelo seu rosto, fazendo as covinhas ficarem visíveis. Meus lábios foram esmagados pelos lábios macios de Jasper, a língua aveludada entrou na minha boca no mesmo momento que ele empurrava meu corpo de encontro à neve.
A mão forte deslizou pela minha pele, encontrando a barriga e descendo vagarosamente até encontrar o lugar que ele queria. Seus dedos começaram a massagear com lentidão a parte sensível do meu sexo. Um rosnado saiu da minha garganta sem que eu conseguisse me conter.
As sensações fortes voltaram à tona, meu corpo começou a entrar em uma sensação de torpor a cada toque do dedo dele, meus lábios só pediam pelos lábios dele, minha mente estava ligada à mente dele, eu pedia mentalmente, e ele fazia comigo tudo o que eu queria.
Encontrar seu companheiro poderia ser vantajoso se você conseguisse tirar proveito disso.
Ele mordeu meu lábio inferior no mesmo momento que eu arqueava meu corpo, sentindo-me completamente satisfeita. Em poucos segundos, Jasper conseguia me proporcionar um prazer inexplicável.
Ele voltou a olhar para mim, e eu apenas virei meu rosto, expondo meu pescoço. Fechei os olhos quando senti os lábios de Jasper depositarem um beijo ali. E depois ele me mordeu.
Eu fiquei quieta, apenas esperando a sensação de queimação que minha pele sentia quando os dentes dele fincaram em minha pele, no mesmo lugar que ele havia me mordido quando me transformara.
O vampiro se separou de mim e me olhou com olhos negros, mas eu conseguia enxergar o tom avermelhado no contorno das orbes. Minha garganta queimava de desejo, dando-me a certeza de que eu teria uma cicatriz igual à dele, mas uma cicatriz que eu teria orgulho de mostrar a todos. Ele sorriu. Eu também. Uma onda de amor começou a tomar conta do meu corpo e eu fechei os olhos, balançando levemente a cabeça.
– Jasper, se você continuar projetando isso, vamos parecer um casal de namorados adolescentes e comuns.
Jasper soltou uma risada baixa. O vampiro me pegou pela cintura com força, me puxando violentamente para ele.
– Eu nunca serei um homem comum, Isabella.
Ele sorriu para mim no mesmo momento que puxava o meu cabelo, dando-me a certeza de que ele não estaria satisfeito fisicamente igual eu estava tão cedo. Começou a beijar o meu pescoço e eu fechei os olhos, rezando para que o vampiro realmente estivesse dizendo a verdade.
E eu sabia que estava.
Fale com o autor