Marcada
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Isabella
Acordei quando o despertador fez seu barulho habitual. Resmunguei algo e me espreguicei na cama de casal, desejando ter alguns minutos a mais até me separar definitivamente dos meus cobertores fofos e quentes. Mas eu sabia que nunca teria esses minutos. Eu precisava levantar para me preparar para a faculdade. E eu ainda teria mais uma hora de trabalho na biblioteca para compensar a hora que perdi indo embora mais cedo.
E eu nem tinha conseguido aproveitar essa hora. Ela fora preenchida com discussões com aquele maldito vampiro.
Saí da cama e meu corpo protestou com o frio. Passei as mãos pelo cabelo, sentindo os nós dos fios e respirei fundo. Um cheiro conhecido alertou meus sentidos e eu travei o maxilar, me controlando para não gritar.
Eu tinha certeza absoluta de que Jasper havia passado por meu apartamento pela noite. Quando deitei, o cheiro ainda estava impregnando os cômodos, mas não estava tão forte quanto agora. Eu só achei estranho o cheiro estar no meu quarto também. Tinha certeza absoluta de que havia trancado a porta, e só me confirmei isso quando tentei abri-la e precisei da chave.
Andei até a cozinha para preparar o café costumeiro. Enquanto a máquina de café fazia seu trabalho, eu tamborilava os dedos pela bancada da cozinha, correndo os olhos pelo apartamento, procurando por algo diferente. Mas tudo estava no seu devido lugar. Mas eu sabia que se Jasper tivesse passado pelos cômodos, ele deixaria tudo exatamente igual. Vampiros eram bons em não deixar pistas.
Felizmente eu era boa em sentir aromas, e o cheiro peculiar de hortelã era evidente.
Meus olhos pousaram na secretária eletrônica em cima do móvel. A luz vermelha piscava, alertando-me de que alguém havia me ligado. Vinquei a testa. O único que me ligava era Michael, eu não tinha idéia de quem poderia ser. Caminhei em direção ao objeto e apertei o botão para ouvir o recado.
"Oi Bella! É a Laila. Que saudade que eu estou de você! Como vai a faculdade? Espero que esteja empolgada para a formatura ano que vem. Amanhã estamos indo na inauguração daquela nova boate que eu te falei, se animar me ligue, ok? O endereço é..."
Não pude evitar o sorriso que nasceu no meu rosto ao ouvir a voz doce de Laila. Quanto tempo eu não via minha amiga? Eu realmente precisava de uma saída para desanuviar a cabeça. Peguei um papel dentro da gaveta, surpreendendo-me de que o cheiro estava mais forte ali dentro e me perguntando mentalmente o porquê disso. Anotei o endereço, colocando-o na geladeira com um imã para eu não me esquecer completamente do compromisso que eu havia feito para mim mesma.
Avistei meu celular jogado no balcão da cozinha. Abri o aparelho e digitei uma mensagem para Laila, confirmando minha presença e dizendo que ligaria para ela assim que saísse da biblioteca.
Sorri. Não havia percebido o quanto sentia falta de Laila. E de sair com os amigos dela.
O café ficou pronto e eu enchi uma caneca, levando-a para o quarto para me vestir. Coloquei uma roupa confortável. Mas a botas de salto agora eram um vício. E eram úteis para quem tinha que andar por metros de neve. Enrolei meu outro cachecol no pescoço, lembrando-me de que teria que lavar o outro.
Terminei o café e fui para o banheiro, escovando os dentes e arrumando o cabelo. Saí do quarto e peguei a chave do carro em um pote, girando-a nos dedos e trancando o apartamento.
Respirei fundo. Eu teria um longo dia.
Eu estava quase chegando à biblioteca quando escutei uma voz que eu estava evitando por dias.
- Ei! Bella!
Michael me chamava e acenava para mim do outro lado da rua. Eu fechei os olhos, pedindo paciência e calma para tratar do assunto pendente que eu ia tratar. Esperei os carros passarem pelas ruas do campus da faculdade. Alguns iam em direção à saída, outros iam em direção aos prédios de História. Atravessei a rua, andando em direção a Michael.
Ele estava com as mãos no bolso e parecia confuso ao me fitar. Eu dei um sorriso mínimo para Michael, o convidando a iniciar a conversa.
- Por onde esteve?
Dei de ombros e corri os olhos pelo campus. Já eram seis horas da tarde e eu ainda nem tinha ligado para Laila. Eu precisava ir para a biblioteca e Michael parecia disposto a discutir um ex-relacionamento a qualquer custo. Definitivamente minha paciência estava começando a sair do meu corpo.
- Estudando e trabalhando. Como sempre.
Ele ainda olhava para mim e parecia chateado. A essa altura do dia, eu já não estava preocupada com isso.
- Não ouviu sua secretária hoje?
Vinquei a testa pensando sobre o que Michael estaria falando especificamente. O último recado que eu havia escutado dele tinha sido um me desejando um bom fim de semana.
- Sim.
Menti, não querendo prolongar a conversa. Comecei a chutar um montinho de neve que estava na minha frente. Meu corpo já sentia frio e eu queria apenas entrar na biblioteca e me aquecer.
- E por que não me respondeu?
Eu não tinha a mínima idéia do que Michael estava falando. Dei de ombros, ajeitando a bolsa pesada no ombro.
- Michael, eu preciso trabalhar. Depois a gente conversa. Tudo bem?
Antes que ele pudesse responder, eu já atravessava a rua do campus, acenando para ele. Ele acenou para mim tristemente e virou-se de costas, entrando no carro e dando a partida.
Eu repassei toda minha manhã, buscando me lembrar de algum recado que eu havia perdido no momento que escutei a secretária eletrônica. Mas eu sabia que tinha apenas o recado da Laila.
Lembrei-me de minha amiga e abri a bolsa no mesmo momento que caminhava para a biblioteca e pensava em uma desculpa para dar à Senhora Bertha. Tirei meu celular e o abri, discando o número de Laila. Estava chamando. Escutei a voz doce da minha amiga e sorri.
- Oi, Laila! É a Bella...
Tamborilava os dedos no balcão da biblioteca tentando pensar em algo para falar à Senhora Bertha. Eu precisava sair do trabalho pelo menos duas horas antes, se quisesse me arrumar direito para ir à inauguração da boate com a Laila.
Os minutos se passavam e eu comecei a ficar inquieta. A Sra. Bertha percebeu isso. Ela pousou o livro surrado que estava lendo no balcão e olhou para mim com ternura.
- O que foi, Bella?
Era a hora. Eu não ia conseguir outra oportunidade de pedir isso a ela. Cocei a cabeça e comecei a girar um anel no dedo.
- Senhora Bertha, pode me liberar mais cedo hoje de novo?
A pergunta foi feita rapidamente. Se eu não dissesse assim, não teria a coragem de dizer mais. Ela sorriu para mim.
- Eu juro que compenso as horas em um dia de sábado.
Senhora Bertha pegou o livro novamente e o abriu, sorrindo para mim.
- Tudo bem, Bella. Pode ir. Divirta-se.
Sorri para a Senhora Bertha, pegando minha bolsa e a chave do carro, quando parei e olhei para ela sem entender. Como Bertha sabia que eu ia sair? Ela percebeu minha dúvida e levantou ligeiramente a cabeça, me encarando através dos óculos de lentes grossas.
- Você fica mais viva quando vai sair, Bella.
Eu sorri e desejei boa noite, andando em direção a porta e saindo da biblioteca.
Escutei o barulho do interfone e olhei para o relógio. Dez e meia da noite. Atendi. A voz da minha amiga anunciou seu nome e eu sorri, apertando o botão para abrir. Destranquei a porta e esperei ansiosamente Laila aparecer nas escadas.
Quando a vi, meu coração se acelerou e ela sorriu para mim, me abraçando fortemente. Laila estava a mesma. Sempre fora baixa, tinha os cabelos pretos e curtos e o sorriso mais lindo que eu já havia visto.
- Que saudade, Bella! Como você está?
- Estou ótima! E morta de saudades!
Ela entrou pelo meu apartamento, analisando tudo com rapidez e pousou seus olhos na minha roupa.
- Você está linda!
Sorri e agradeci minha amiga. Tínhamos muito sobre o que conversar. Ela se apoiou na bancada da cozinha.
- Espere só um minuto, vou pegar o casaco e já volto.
Ela assentiu e eu entrei no quarto. Indo para o banheiro e escovando os dentes, retocando a maquiagem e passando a escova pelos cabelos uma última vez. Passei um perfume leve e peguei o casaco em cima da cama. Laila me esperava com a chave do seu carro na mão.
- Os meninos estão esperando. Você vai com o seu carro?
Assenti e sorri, colocando o casaco. Estava com saudade da turma de Laila. Apaguei a luz do apartamento e passei meus olhos pelas janelas, me certificando de que estavam fechadas e trancadas. Peguei a chave do carro no pote e tranquei a porta, descendo as escadas junto com Laila.
A fila para a entrada estava enorme quando chegamos. Havíamos estacionado os carros um pouco longe devido ao congestionamento do local. Os meninos ficaram felizes em me ver. Conversávamos de tudo enquanto estávamos esperando a fila andar.
Estava frio do lado de fora. Eu só queria entrar para ficar em algum lugar quente e tomar uma bebida forte. Um homem grande e de terno caminhou em nossa direção com uma prancheta de folhas na mão. Eu vinquei a testa e olhei para Laila e os meninos, mas eles deram de ombros.
Perto de mim, o homem parecia um gorila. Perto dos meninos ele não era tão grande. Ele passou uma folha e pousou o dedo grosso pelos nomes, procurando um em específico.
- Isabella Swan?
Eu acenei para ele, não entendendo de imediato. O homem enorme olhou para mim e acenou para meus amigos.
- Acompanhantes?
Eu assenti e olhei rapidamente para Laila. Ela parecia fazer força para não rir. Os meninos já haviam decidido que rir não seria um problema. O homem gesticulou para que nós o seguíssemos e eu não objetei. Passamos por dezenas de pessoas até chegar à porta da boate e ele retirou a corda vermelha, fazendo um gesto para o grupo entrar.
Eu engoli em seco, agradecendo-o e entrei no recinto, com Laila e os meninos atrás de mim. Era enorme. Possuía dois andares e o primeiro já estava abarrotado de pessoas dançando com copos de líquidos coloridos em mãos. Garçons e garçonetes passavam pela multidão com braços estendidos, carregando copos diversos na bandeja.
Eu olhei para Laila e ela sorria para mim. Os meninos me olhavam e pareciam que tinham alguma pergunta em mente. Levantei a sobrancelha.
- Não vai nos contar como fez para ter seu nome na lista?
Eu dei de ombros.
- Laila, eu nem sabia o nome dessa boate, como fui parar na lista?
Ela deu dois pulinhos de empolgação e pegou meu braço, conduzindo-me até o balcão que estava o bar.
- Uma feliz coincidência?
Eu sorri. Se existisse outra Isabella Swan no Alasca, ela não ficaria nada feliz de encarar a fila quilométrica que estava lá fora. Laila se sentou em um banco perto do balcão, sendo acompanhada pelos meninos. Eu imitei seu gesto e fiz um aceno para o barman. Ele se aproximou com um sorriso no rosto. Era alto e parecia estar na casa dos trinta anos, e mesmo com sua blusa branca de manga comprida, dava para ver seus músculos facilmente. Eu nunca havia visto um homem que servia bebidas tão bonito.
- O que desejam?
Laila estava com um cardápio em mãos. Fez seu pedido com um sorriso no rosto. Os meninos pediram uma bebida simples. Eu imitei o pedido de Laila. O barman piscou para mim e começou a preparar os drinques. Robert, Peter e Thomas olhavam a pista de dança como caçadores. Eu ri. Thomas realmente não tinha conserto. Por onde andava fazia corações palpitarem. Eu não tirava a razão das mulheres, era um homem muito bonito. Mas não tão bonito quanto o homem que colocava o copo de líquido verde na minha frente, piscando para mim.
Os três pegaram suas respectivas bebidas e acenaram para a gente, deixando Laila e eu sozinhas na boate enquanto iam dançar. Laila me cutucou com o cotovelo e eu quase engasguei com a bebida forte.
- Que homem!
Ela observava de forma sonhadora o barman preparando os drinques. Eu ri e continuei a beber do copo. A música estava ficando boa e eu quase sugeri que fôssemos dançar, mas Laila fez um novo aceno com a mão e o barman caminhou em nossa direção. Olhei para o copo da minha amiga, ainda estava cheio. Vinquei a testa.
O homem estacionou na minha frente e sorriu. Eu engoli em seco.
- Qual seu nome?
Laila perguntou e eu abaixei a cabeça, fingindo estar mexendo na bolsa, procurando algo. Eu não acreditava que Laila estava fazendo isso comigo! Dar em cima do barman era algo desesperador demais.
- George.
- Lindo nome. Combina com você.
Senti meu rosto arder quando ele riu. Até a risada dele era bonita. Ele agradeceu e eu escutei um casal o chamando. George olhou para mim e para Laila, acenando brevemente.
- Preciso trabalhar. Quem sabe podemos conversar depois?
Laila assentiu e ele saiu. Eu aproveitei o espaço para pegar o braço da minha amiga com força. Ela olhou para mim, o sorriso jocoso ainda nos lábios.
- Não faça isso de novo, se não quiser me matar de vergonha.
- Deixe de ser boba, Bella! Vem! Vamos dançar!
Laila me puxou e eu tive apenas tempo de jogar a bolsa para trás do corpo, atravessando a alça, e pegar meu copo. A pista estava cheia e eu não consegui avistar os meninos. A bebida já fazia efeito no meu corpo. Eu estava quente e com menos vergonha. Soltei os cabelos completamente e comecei a dançar no ritmo da música.
Eu e Laila caminhamos novamente para o local onde George estava fazendo as bebidas, nos sentando. Eu estava com calor devido à dança. Retirei meu casaco, ficando apenas com uma blusa decotada de alça fina. Joguei a peça de roupa junto com a bolsa no balcão e senti os olhos de George cravados nos meus seios. Isso não passou despercebido aos olhos de Laila.
Minha amiga observava a boate, xingando mentalmente os meninos e perguntando baixinho onde eles haviam se metido. Eu sorri. De repente ela chegou perto de mim.
- Há um homem que não para de olhar para você.
Eu escutei o que ela havia me falado, mas não consegui processar direito. George caminhava na minha direção sorrindo. Dois copos estavam em suas mãos, um com um líquido rosa e outro com um líquido escuro. Colocou ambos na nossa frente e piscou.
- É por conta da casa.
Laila me olhou. Um olhar cúmplice. Pegou o copo de líquido escuro. Virou-se para o barman.
- E a casa sabe disso?
George deu de ombros e se inclinou na minha direção.
- A casa não se importa em dar bebidas para mulheres lindas.
Laila riu e acenou para alguém. Reconheci Thomas dançando. Minha amiga saiu do banco rapidamente e foi em direção à pista de dança. Eu não a acompanhei, estava hipnotizada demais com o sorriso de George para sair do lugar.
Ele se inclinou novamente para mim. Meu coração disparou.
- Que horas que você larga o serviço?
Antes que eu pudesse me refrear a pergunta já havia sido feita. Isso de vez em quando assustava alguns homens, mas eu não deixaria de ser uma mulher direta por causa de uns receosos e inseguros. George abriu a boca para falar, mas seus olhos agora olhavam para algo atrás de mim. Eu não entendi de imediato até sentir algo gelado tocar a pele do meu ombro.
Eu me arrepiei com o toque e meu coração conseguiu ficar mais acelerado do que já estava. Um cheiro de hortelã chegou ao meu nariz. Eu conhecia perfeitamente esse cheiro, e sabia perfeitamente a quem pertencia o toque. Fiquei surpresa quando uma raiva súbita tomou conta do meu corpo. Eu tranquei o maxilar quando George deu de ombros e se afastou para atender outros clientes.
O dedo frio pegou uma parte do meu cabelo, colocando-o para trás e expondo meu pescoço.
- Se divertindo, Isabella?
O hálito gelado no meu ouvido fez com que meu corpo se arrepiasse. Eu fechei meus olhos, tomando a concentração necessária. Girei meu corpo no banco para fitar o vampiro que eu tanto odiava. Jasper estava com os olhos vermelhos cravados nos meus.
- Estava até você aparecer.
Ele deu seu sorriso torto e eu me amaldiçoei por amar aquele sorriso. Jasper correu seus olhos por todo meu corpo, parando nos meus seios. Senti meu rosto queimar. Peguei o casaco e coloquei de volta ao meu corpo, fechando-o. Jasper sorriu e se virou para a pista de dança.
Eu aproveitei o momento para fazer o mesmo que ele havia feito antes. Jasper estava de calça jeans escura, botas pretas. Usava apenas uma blusa branca e um casaco de couro preto. Típico. Mas bastavam apenas essas roupas para Jasper se tornar o homem mais bonito da boate. Ele estava chamando mais atenção do que George, e eu me repreendi quando senti meu corpo esquentar ao ver as mulheres olhando sensualmente para ele, enquanto dançavam. Ele se virou rapidamente para mim e eu desviei meus olhos para a pista de dança.
Um vulto ao meu lado chamou minha atenção e eu me virei. Laila olhava para mim e para Jasper questionadoramente e sorrindo.
- Vai me apresentar seu amigo?
Jasper se deu conta da presença de Laila pela primeira vez. Desviou seus olhos de mim e se virou para Laila, tomando a mão de minha amiga e beijando-a.
- Meu nome é Jasper Whitlock.
Laila olhou para Jasper sorrindo.
- Meu nome é Laila. Você é amigo de Bella? Está com frio? Sua mão está gelada...
Ele assentiu e soltou a mão de Laila, pousando a mão fria no meu ombro.
- Acabei de entrar. Está frio lá fora. E sim. Sou amigo de Isabella. Nos conhecemos alguns anos atrás.
Sua mão subiu ligeiramente, acarinhando minhas costas e pegando os cabelos da minha nuca. Eu fechei os olhos. Laila não sabia que estava conversando com um monstro. E eu faria de tudo para poupar minha amiga disso. Peguei o braço de Laila e a puxei para a pista de dança. Deixando Jasper sozinho.
- Que falta de educação, Bella! Você vai deixar seu amigo sozinho?
- Ele sabe se virar, Laila.
Laila riu e começou a dançar. Eu a imitei, dançando e me esquecendo de Jasper.
- Ele continua te olhando.
Continuei dançando, mas me virei para ela e fitei minha amiga, fazendo uma careta de que não havia escutado direito o que ela havia me dito.
- O quê?
- É ele, Bella! O homem que estava te olhando há um tempo. E que homem...
Laila olhava sonhadoramente para um lado da boate. Eu sabia que Jasper estava lá. Fechei os olhos e continuei dançando sem pensar muito. Meu estômago estava embrulhando e a bebida em excesso estava me deixando um pouco zonza. Mas eu sabia lidar com isso tranquilamente. Quando abri os olhos, vi Laila dançando com um menino, animada. Eu sabia que ela não iria para casa tão cedo.
Duas mãos firmes pegaram minha cintura e eu saí do aperto. Já ia bater no indivíduo, mas ele segurou meu pulso rapidamente e me virou. Jasper me olhava com um sorriso sensual no rosto. Minhas pernas tremeram quando eu percebi o quão perto o vampiro estava de mim.
Ele apertou novamente minha cintura e me puxou para seu corpo. Meus seios bateram no seu peito e esse gesto me fez voltar anos atrás, no meu quarto em Forks. Esse foi o gesto que antecedeu o primeiro beijo que Jasper havia me dado.
Quando tomei conta disso, tentei sair do seu aperto. Ele parecia estar com os mesmos objetivos no momento. Sua mão pegou meus cabelos e ele chegou perto.
- Às vezes é bom não enfrentar fila, não é?
Ele perguntou para mim e eu demorei a entender sobre o que Jasper falava. A bebida me deixava um pouco lenta.
- Você... como você...?
Ele deu de ombros e sorriu.
- Se você soubesse o que o dinheiro pode fazer...
Eu travei meu maxilar. O dinheiro era bom, mas eu nunca agradeceria Jasper por isso. Ele puxou ainda mais meus cabelos, roçando os lábios nos meus. Estávamos em movimento e mesmo que eu quisesse, eu não ia conseguir beijá-lo. Minhas pernas pararam automaticamente e Jasper se aproximou, mordendo ligeiramente meu lábio inferior.
Eu não poderia deixar isso acontecer.
Saí do seu aperto e fui em direção a Laila.
- Vou embora. Amanhã eu te ligo.
- Você está bem?
Ela parou de dançar. Eu olhei para Jasper. Ele estava parado na pista de dança, sorrindo maliciosamente.
- Estou, só preciso dormir. Mande um beijo para os meninos, tudo bem?
Ela assentiu e eu me virei, indo em direção a porta da boate, saindo na noite fria do Alasca. A fila ainda estava enorme e alguns me olhavam com incredulidade, como se fosse algo irreal alguém sair tão cedo de um lugar tão bom.
Corri em direção ao meu carro e entrei, dando a partida. Os pneus fizeram barulho quando se atritaram com a neve. Eu estava indo para a casa, afinal. Por sorte as ruas estavam ermas. Ainda era dia de semana e as pessoas tinham que trabalhar cedo.
Cheguei rapidamente no meu prédio, estacionando o carro com cuidado. Subi as escadas, as pernas tremendo com o cansaço do dia. Entrei no apartamento e joguei as chaves no pote. Caminhei até a lareira e a acendi.
Olhei para o relógio do meu celular. Três horas da manhã. Estava mais que decidido que eu não ia à aula no dia seguinte. Suspirei e tirei o casaco. Meu coração estava acelerado e eu repassava todo o meu dia, pensando cautelosamente em tudo.
Eu tinha certeza de que Jasper havia entrado no meu apartamento pela madrugada. Michael havia me deixado um recado na secretária eletrônica, recado que definitivamente não estava lá. Laila me passou o endereço da boate. Juntando todas as peças, eu já tinha certeza de como Jasper havia me achado.
Eu estava tendo uma noite perfeita. Poderia ter algo com George se não fosse pela aparição daquele maldito vampiro. Ele havia dançado comigo. Eu quase o beijei novamente! Jasper tinha um poder sobre meu corpo sem explicação. Ele era envolvente. E eu sabia que parte disso era devido à sua espécie. Mas nenhum vampiro que eu havia conhecido me deixava desnorteada assim. Emmett, Edward e Carlisle, para mim eram apenas seres lindos. E ponto final. Mas Jasper...
- Filho da puta!
Gritei quando concluí o que havia feito, abaixando a cabeça entre as pernas e segurando os cabelos.
- Não me xingue assim, Isabella. Isso machuca.
Cada poro do meu corpo se arrepiou quando escutei a voz arrastada. Tranquei meu maxilar e levantei a cabeça. Jasper saía de um canto escuro da sala. Eu me levantei e apontei para a porta.
- Saia do meu apartamento.
Ele sorriu e caminhou na minha direção, pegando meu braço erguido e descendo para meu corpo, enquanto sua outra mão segurava meus cabelos.
- Me faça sair.
Eu gemi.
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