Mar do Esquecimento.
1 Capítulo Único.
O mar era maior do que qualquer coisa que se já viu em toda a existência. Era impossível medi-lo em quilômetros, hectares, qualquer coisa mundana. Apenas se media em anos, e esses anos eram infinitos. O mar era eterno.
Em sua mais baixa profundidade, milhares de memórias que não mereciam ser lembradas. Cobertas de lodo para sempre, impossibilitadas de serem retiradas. Algumas só o Subconsciente conhecia, porém ele não gostava de citá-las, e nem precisava. Mesmo com tantas lembranças, o mar continuava limpo. Acima dele, uma neblina cobria sua superfície.
A praia do mar tinha areia tão branca quanto qualquer branco existente. Parecia brilhar, como pó de estrelas. Nela, estava Alguém. O Alguém andava na areia, marcando seus passos, que mesmo sendo um, soavam como três pares de pés. Alguém carregava um grande fardo, abarrotado de memórias de seus amigos. Ele estava lhes fazendo um favor. Aquele monte de coisas estava ocupando muito espaço nos corações, sujando-os o tempo inteiro, corrompendo-os.
Feliz, Alguém chega até o mar e conversa com ele, como se fosse um velho amigo. Depois de uma conversação agradável, o Alguém joga aqueles fardos no mar, e o mar os engole, agraciado com a ideia de que está ajudando bastante gente. Alguém volta a praia, e então desaparece no meio do eterno amanhecer que fica no mar.
O Mar do Esquecimento volta a ficar sozinho, e ao mesmo tempo não, enquanto decide onde colocará os novos fardos.
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