Notas iniciais
Vamos a mais um capítulo de Mar de Névoas. Espero que estejam gostando. O plágio dessa história é extremamente proibido! Boa leitura.

O dia passou depressa, e quando dei por mim já era noite. Não havia feito absolutamente nada. Apenas levantava de vez em quando para ir ao banheiro. Minha mãe tentou me obrigar a comer um pouco, mas nada ela conseguiu. Até meu padrasto veio falar comigo.

“Sua mãe está muito preocupada, filha.” Disse ele, sentando na cadeira de balanço ao meu lado. Sentia-me muito desconfortável quando ele me tratava dessa forma. Eu não era sua filha.

“Eu sei. Mas sem motivos. Estou perfeitamente bem.” Abri-lhe um falso sorriso e ele retribuiu com um lindo sorriso que exibia todos os seus dentes brancos e brilhantes. Que cara chato... Nunca demonstrava sentir-se incomodado com nenhuma das minhas provocações ou falta de respeito.

“Por que não desce e come um pouco, ou finge comer... só pra deixá-la um pouco mais relaxada?”

“To sem fome, Adriano. E nós dois sabemos que mentir é feio.” 1 ponto pra mim!

Vi que ele se moveu um pouco na cadeira, sinal de que estava perdendo a paciência. Finalmente... Agora eu podia ver um pouco quem era Adriano Montenegro. Apesar de temê-lo secretamente por motivos desconhecidos, eu tinha curiosidade em saber como ele era com raiva. Ou como ele era de verdade. Alguma coisa me sussurrava ao ouvido de que Adriano usava uma máscara para esconder seu verdadeiro “Eu”. Talvez fosse esse o motivo do meu medo. Poderia ser ele um homem agressivo? Acho que minha mãe nunca notou nada disso. Também... Lena estava cega de paixão. E eu não gostava de me intrometer na vida dos dois.

“Eu também me preocupo com você, Mari. E não gosto de vê-la nessa situação. E muito menos acreditei naquilo que o Edgar...” ele pronunciou o nome com desprezo. “contou a Lena.” AH! Agora entendi o porquê dessa visita inesperada ao meu quarto. “Você não quer me contar o que aconteceu de verdade?” Ele esticou sua mão em minha direção e pegou um dos meus braços delicadamente. “Não quer me contar o que lhe causou esses arranhões?” Estava entendendo o que ele tinha imaginado. Tinha absoluta certeza de que Adriano achava que Edgar havia me machucado. E talvez até tivesse tentando pôr aquelas ideias absurdas na cabeça da minha mãe. Ou estava esperando obter mais provas para tentar.

Puxei meu braço de volta, encarando seus olhos. Eram azuis, e tão frios quanto o Polo Norte. Senti meu estômago revirar, mas continuei com a minha marra de sempre.

“A verdade já foi dita, Adriano. Se você não acreditou, eu não posso fazer nada.” Ele deu um longo suspiro e olhou em direção a porta. Custava sair do meu quarto e me deixar sozinha com meus pensamentos? Ele não enxergava que eu me sentia desconfortável perto dele? Esperava que ele já estivesse pensando em se retirar.

“Sabe que estou aqui para proteger a você e a toda nossa família. Sabe que pode contar a mim qualquer coisa. E sabe que irei atrás do culpado e obterei justiça. Eu não vou tolerar marmanjo algum fazendo mal a você ou a qualquer um de nós. Por favor, Mari... não nos esconda nada. É para o seu bem, minha querida.” Ele se levantou e deu-me um beijo na testa, me deixando boquiaberta. E enfim se retirou.

Então era mesmo isso. Ele estava culpando Edgar pelos meus arranhões e esperava que eu desabafasse com ele. De onde esse cara estava tirando essas ideias? Mas eu já sabia o porquê disso tudo. Adriano sempre cismou com Edgar, desde o dia em que o apresentei como meu namorado para minha mãe. Mas por motivo algum. Edgar sempre foi muito educado e prestativo. Respeitava os horários que minha mãe nos dava e nunca me deixava em casa tarde demais.

Eu tinha coisas mais importantes com o que me preocupar e então concluí que meu padrasto estava ficando maluco.

Esperava que ninguém mais viesse me incomodar, e rezei para que meu irmão ficasse mais uma noite na casa de sua namorada. Ele iria me fazer perguntas demais e no momento eu não tinha mais paciência para nada.

Felizmente minhas preces foram atendidas e mais tarde minha mãe veio me avisar que meu irmão decidiu passar a noite de domingo com sua namorada e que no dia seguinte ele não ia poder me dar carona para a escola. Bom, a maioria das boas notícias sempre tem uma desvantagem. Se bem que não seria tão ruim ir para escola caminhando. Eu ia ter mais tempo para pensar.

Fiquei imaginando se Edgar ia para a escola também. E se fosse, será que falaria comigo ou iria me ignorar? Senti um aperto no peito só em pensar nisso. Não queria que ele se afastasse de mim. Mas por outro lado, ele precisava dessa distância. Sua mente deveria estar muito confusa. Talvez até tanto quanto a minha. Mesmo que ele dissesse que acreditava em mim, eu sentia que na cabeça dele aquilo não se encaixava. Eu o respeitaria e esperaria até que ele percebesse que eu fui sincera em tudo o que disse e que precisava dele mais do que nunca. Só esperava que isso não demorasse muito.

O sono chegou sem que eu ao menos percebesse, como sempre. Meus pensamentos foram interrompidos e toda aquela confusão na minha cabeça deu lugar ao mais puro sossego e, novamente, eu estava flutuando.

Eu não me lembrava se tinha tido algum pesadelo quando acordei no meio da madrugada. Mas estava meio perturbada e sentia um aperto no meu peito. Peguei meu celular embaixo do meu travesseiro e verifiquei a hora. Faltavam 12 minutos para as 4:00 da manhã. Levantei-me e fui ao banheiro. Estava um pouco frio fora do quarto. Havia algumas luzes acesas lá embaixo, notei, quando dei uma olhada do topo da escada e achei que talvez Raquel, a filha do meu padrasto, estivesse fazendo um lanchinho noturno e vendo alguma coisa na TV. Mas eu não ouvi barulho algum. Então, depois que saí do banheiro fui até a sala. Não tinha ninguém lá.

“É... esqueceram de apagar as luzes.” Falei comigo mesma, apagando as luzes e logo em seguida voltei para o quarto.

Ainda sentia o aperto no peito, mas estava ignorando essa sensação até fechar a porta do quarto atrás de mim.

Um tremor percorreu o meu corpo e um arrepio subiu pelos meus braços deixando todos os meus pelos em pé. Isso me deixou instantaneamente apavorada. Minhas pernas começaram a tremer e eu sentia mais frio do que se estivesse dentro de um frízer. Não conseguia me mover. Fiquei parada, feito uma estátua, no meio do quarto. Virei a cabeça para os lados, varrendo o ambiente com os meus olhos. Tudo estava como eu tinha deixado. Mas o meu corpo me dizia que havia algo lá dentro pelo qual eu tinha que temer. Dentro da minha cabeça eu me perguntava por que estava agindo daquela forma, e falei para mim mesma várias vezes que eu não precisava ter medo.

Permaneci imóvel e com a respiração acelerada durante vários minutos, até enfim conseguir fazer com que meu corpo me obedecesse e se movesse em direção da minha cama. Consegui chegar até lá cambaleando. Puxei minha grossa coberta para cima de mim e enfiei-me embaixo dela. Sentia-me uma criança, de tão apavorada. Meu corpo tremia tão violentamente que logo meus dentes passaram a bater um no outro. De novo, me perguntei o que estava acontecendo comigo. Faltava-me coragem para sair de dentro do meu “esconderijo”. Logo um nome passou em frente aos meus olhos e eu o li com grande alívio. “Edgar”. Sim, ele poderia me acalmar.

Passei minha mão por baixo do meu travesseiro e peguei o meu celular. Procurei desesperadamente na agenda telefônica pelo número de Edgar. Tive bastante dificuldade, meus dedos tremiam como vara verde no meio de uma ventania. Mas consegui encontrá-lo. Não tive coragem de ligar. Temia que eu não conseguisse falar ou temia que algo me ouvisse falar. Eu não sabia ao certo. Resolvi mandar uma mensagem de texto:

“Edgar...”

Esperei alguns minutos e ele não respondeu. Tentei mandar outra:

“Edgar... Fala pra mim q vc tá acordado.”

Também não obtive resposta. O aperto no meu peito se intensificou e lágrimas involuntárias descerem pelo meu rosto.

E eu dormi assim, chorando, soluçando, com medo...

Notas finais
O que acham que aconteceu ao Edgar? Será que ele resolveu ignorar a Mari? Está ficando um tanto obscuro, não é? Não deixe de comentar aqui para que eu possa sempre melhorar na escrita. Obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.