Mar De Monstros - Brittana
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Caminhamos em direção à Casa Grande devagar. Entrelacei minha mão na de Santana que parecia tensa. Eu estava mais preocupada em lembrar nomes de deuses com a letra D. Não me vieram muitos em mente.
Santana desentrelaçou nossas mãos quando chegamos à entrada. Ela fez sinal para que Joe e eu subíssemos os degraus e logo nos seguiu. Demos a volta na varanda e pude ver um homem baixinho e gordinho jogando cartas com um sátiro. Ele não tinha uma cara muito amigável, mas da mesma forma gostei dele.
- Ahn, com licença Sr. D, eu trouxe a Brittany e o Joe para verem o senhor. – Santana falou tentando não gaguejar.
- Ah, o quê? AH! Claro, a menina subaquática e o caolho. Diga-me, Britney, quanto tempo pode ficar sem respirar fora d’água? – ele perguntou.
- Quanto tempo eu quiser. E é Brittany. – respondi.
- Interessante... Sente, Samantha. E vocês também. – ele disse, indicando as cadeiras.
Sentamos e eu forcei a mente mais um pouco. Não conseguia me lembrar de deuses com D, apenas Deméter. Da, De, Di... Claro! Dionísio, o deus do vinho. Devia ter notado antes.
- Jogam Pinochle? – ele perguntou.
Santana assentiu enquanto eu e Joe nos olhávamos sem saber o que dizer. O Sr. D suspirou e começou a explicar o jogo. Não era nada muito complicado, então nós dois pegamos logo o jeito do jogo.
- Então Bruna, suponho que Selena já tenha te contado sobre a árvore. – ele começou e eu suspirei – E que preciso de alguns idio... Digo, campistas para buscar o Velocino de Ouro para salvá-la. E que já escolhi você para liderar a missão. Então, sem mais delongas, vá logo para o sótão falar com a múmia, digo, Oráculo. E já escolha sua equipe, partirão amanhã cedo. Ande!
Subi as escadas para o sótão. San e Joe pareceram não gostar muito do Senhor D, mas eu havia o adorado. Ele era divertido ao menos. Entrei no lugar apertado que eu quase batia a cabeça no teto, já que havia crescido ainda mais nesses últimos meses. Encontrei o Oráculo sentado em uma cadeira e me agachei para encará-lo.
- Fala logo, tenho pressa. – falei.
Vi os olhos da múmia adquirirem um brilho verde e mais uma vez recuei. Aquela coisa me dava arrepios.
"Navegarás com guerreiros de osso em navio de ferro
O que procuras há de encontrar, e teu o tornarás
Mas sem esperança dirás, minha vida em pedra enterro
Sem amigos falharás, e voando só, retornarás."
Assim que o oráculo retornou a sua posição inicial, sai correndo do sótão. Recitei todo os versos para Santana rapidamente antes que eu me esquecesse. Sentei novamente ao lado do senhor D enquanto Sanny parecia refletir sobre alguma coisa.
- Britt, eu andei pensando sobre seus sonhos com o Finn e cheguei a uma conclusão. Eu sei onde ele está e sei como podemos chegar lá. Mas será no mínimo complicado. – ela disse pousando a mão na minha coxa.
- E onde ele está, San? Precisamos ir busca-lo! – falei já levantando.
- Britt, calma! Senta ai. – ela mandou e eu obedeci. Estava ficando muito fácil de me controlar — Ele está na ilha de Polifermo, e provavelmente está em alguma caverna ou algo do tipo. O problema é como chegaremos lá.
- Por que, San? – perguntei.
- Porque teremos que passar pelo Mar de Monstros. É exatamente o mesmo lugar que o conhecido Triângulo das Bermudas. – ela disse.
UOU. Agora sim a coisa estava feia. Não sou muito boa em geografia, mas sei perfeitamente bem as histórias do triângulo das bermudas. E devo confessar que elas me apavoram muito. Mas eu faria tudo por Finn. Ele era meu melhor amigo, sendo um ser humano ou um sátiro. Eu o amava.
Saímos da casa grande e fomos arrumar nossas coisas. Já estava quase na hora do jantar quando finalmente saímos do meu chalé. Foi diferente sentar com alguém além de Finn na minha mesa. Eu gostei.
Logo os campistas começaram a voltar para os chalés. Agarrei a cintura de Santana e a “sequestrei”. Corremos para a plantação de morangos e sentamos embaixo de uma árvore abraçadas.
- Eu não consigo ficar sozinha com você, Sabidinha! Nem pense em ficar tanto tempo longe de mim de novo! Eu não vou aguentar de saudades, San... – falei beijando seu rosto.
- Não pretendo ficar tanto tempo longe de você, loira. Eu senti sua falta, Britt-Britt. – ela disse beijando todo meu pescoço.
Deitei na grama e puxei seu corpo junto do meu. San deitou por cima de mim e começou a beijar meu corpo. Abracei suas costas contra o meu corpo e escondi o rosto no pescoço dela. Era tão bom sentir o cheiro de Santana depois de tanto tempo sem nos vermos.
- Britt-Britt... Não fica mais tanto tempo longe de mim. Nunca mais, loira. – ela disse encostando a cabeça no meu peito.
- Nunca mais, San. Agora vamos dormir que amanhã a gente acorda cedo. E nem pense em ficar pulando em cima de mim que nem da última vez! – falei enquanto ajeitava as minhas roupas.
- Ok. Dessa vez eu jogo água, Cabeça de Alga. – ela disse beijando a minha bochecha e caminhando em direção aos chalés.
- Não! Nem sonha... Latina boba.
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