Mar De Monstros - Brittana
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Afundei meu rosto no travesseiro e abafei um grito. Muita coisa na minha cabeça agora, aquilo era demais para eu lidar. Principalmente de cabeça quente.
Eu odiava fazer drama, ou qualquer coisa do tipo. Mas não era drama. Era raiva, mágoa, tristeza... É, drama. Mas eu não podia evitar. Estava triste demais para sequer pensar em enxergar Santana por um tempo. Só pioraria a nossa situação.
- Britt... – uma voz baixinha chamou – Eu não gosto quando você fica triste.
Virei-me e vi Joe me fitando com o olho verde tristemente. Levantei da cama e caminhei em sua direção, abraçando-o.
- Eu estou bem, Joey. Ou ao menos vou ficar, eu espero. – murmurei.
- E-eu fiz uma coisa para te animar, Britt. – ele disse, puxando um relógio do bolso.
- É lindo, Joe! Obrigada! – falei um pouco menos triste.
Ele indicou um botão no relógio e eu o apertei. De repente, o meu pequeno objeto transformou-se em um escudo de bronze, com todas as nossas aventuras gravadas na sua face. Eu, ele... e Santana. Meus olhos se encheram d’água e eu abracei o gigante.
- Eu amei, irmãozinho. Obrigada. – disse afundando meu rosto no seu peito.
- Britt-Britt! Não chora! Por favor... – ele pediu me abraçando.
Não contive minhas lágrimas. Só não entendia o porquê de ela ter mentido. Eu achei que tinha deixado minha opinião sobre isso bem clara quando brigamos no navio. Mas acho que não fora o suficiente.
Voltei para minha cama e abracei o ursinho de pelúcia que eu ganhei de Santana quando completei treze anos. Desde então, dormia todas as noites agarrada no ursinho. Tinha o cheiro dela impregnado no tecido do boneco, e isso me fazia dormir. Fechei os olhos e aguardei amargamente pelo sono que não tardou a chegar.
Acordei com um peso na minha cama. Abri meus olhos e me virei, deparando-me com grandes olhos verdes brilhantes me encarando.
- Acho que não começamos bem. – Quinn murmurou com um sorriso – Não tinha muita noção do quanto tempo fiquei “morta”. Só quando vi Santana daquele tamanho que me dei conta. Mas mesmo assim, ninguém me disse muita coisa útil.
- Santana não te explicou o que aconteceu? – perguntei, tentando me controlar para não surtar com a loira.
- Não. Na verdade, ela saiu correndo chorando assim que você foi embora. E eu acho que não é da minha conta perguntar o que aconteceu, mas cá estou. Não sabia que tinha uma priminha. – ela disse sorrindo.
- Nem eu. – murmurei em resposta – O que quer saber?
- Direta... Gosto disso. Parece comigo. Não sei, o que você sabe? – ela retrucou.
Lembrei–me das palavras de Santana. “ou vocês seriam melhores amigas, ou arqui-inimigas”. Definitivamente, duvidei que pudéssemos ser melhores amigas.
- Não sei grandes coisas. – respondi – Sei que você era uma árvore até ontem e que te envenenaram. E então eu resgatei o Velocino para curar você, e aqui estamos.
- Quem me envenenou?
- Sam e Sebastian.
Quinn ficou estática. Não soube exatamente o que fazer naquele momento, então optei por deixa-la em paz por alguns minutos.
- Eu... Desculpe, é só que é difícil de acreditar... – ela murmurou.
- Eu sei. Sinto muito.
- Não é sua culpa. De fato, devo te agradecer por ter me salvado. Te devo muito por isso.
- Não fui só eu. Joe, Finn, Kurt e... Santana também ajudaram. Não conseguiria sem eles. – respondi baixando a cabeça.
Quinn assentiu e ficou brincando com o bracelete no pulso. Tive uma rápida visualização da loira no meu sonho apertando um botão que se transformava em um escudo com a cara da medusa.
- Eu... Desculpe se estou me intrometendo, mas qual é a sua com a Santana? – ela perguntou – Quer dizer, ela saiu chorando assim que você deu as costas pra ela. E eu sei que ela odeia chorar em público.
- Ela era minha namorada. – murmurei em resposta, abraçando meu ursinho novamente.
- Era...?
- Era.
- E por que eu sinto que tenho algo a ver com a separação de vocês? – Quinn perguntou e eu enterrei o rosto no meu ursinho – desculpe, metida demais?
- Não... Não é sua culpa. Quer dizer... Eu nem sei mais o que pensar. Ela mentiu pra mim, algo que foi demais para aguentar. Eu a perdoei, e ela mentiu de novo. E aqui estamos. Eu contando para uma completa desconhecida sobre a minha vida amorosa frustrada. – terminei desabafando e arrancando um sorrisinho que Quinn – Isso é bem deprimente.
- Concordo. – ela disse rindo. – Mas não sou uma completa desconhecida.
- Não?
- Não. Sou... Bem, acho que poderíamos ser amigas. Vejo muito de mim em você, e gosto do seu jeito. Você é um amor mesmo com a pessoa que estragou o seu namoro. – ela disse abrindo um sorriso torto.
- Você não...
- Eu não sei bem o que eu fiz, ou como fiz, mas sei que tenho uma pontada de culpa nisso. – ela disse séria – E eu peço desculpas. Mas... Ao menos tentou falar com ela?
- Não. Nem vou por um tempo. Preciso... Digerir tudo. É muita informação para a minha cabeça. Preciso de um tempo dela, só isso.
- Tudo bem. Sabe que pode contar comigo qualquer coisa. Sinto que seremos amigas. Grandes amigas, Britt. – ela disse abrindo um sorriso doce nos lábios.
Não pude evitar de sorrir de volta. A culpa não era dela, ela era só... Uma árvore? Ok, isso era bem confuso. Mas ela estava certa. Seríamos grandes amigas.
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