Notas iniciais
Voltei! Não quis enrolar muito pra voltar, fico com saudades de vocês!

Eu estava trancada no banheiro pela milionésima vez só este mês na escola. Motivo? Raspadinhas em todo o meu rosto. Eu fiquei toda melecada com aquilo, minhas roupas viraram um mix de raspadinhas de todos os sabores. E agora eu oficialmente odiava escolas públicas.

Eu já havia até me habituado a levar roupas extras para o caso desses pequenos “acidentes” acontecerem. Então não estava tão mal assim.

Sai do banheiro e caminhei até o pátio a procura de Joe. Ele era um amigo novo que eu havia feito. O único, para ser sincera. Mas eu sentia muita falta de Santana, tanta que obriguei a minha mãe a me levar de volta para o acampamento só para que eu pudesse vê-la. E ela estava cada vez mais linda. Seu corpo estava mais desenvolvido e ela estava ao menos um palmo mais alta do que da primeira vez que nos vimos. Os seus cabelos estavam mais compridos e ela tinha uma expressão mais madura no rosto. Mas ainda era a minha latina invocada que eu conheci no acampamento.

Joe estava em pé perto dos balanços. Ele era grande para quem tem apenas treze anos e tinha os cabelos cheios de dreds. Confesso que no primeiro dia que o vi, achei que ia ter problemas com ele. Mas ele se mostrou a pessoa mais inocente que eu já conheci, e logo viramos amigos.

Apertei seu ombro e ele se assustou, dando um pulo ao sentir o contato mas relaxando em seguida. Fiz sinal para que ele me seguisse e voltamos para a sala de aula. Matéria do momento: Espanhol. Deus, como eu odiava aquilo. Menos quando San falava, mas era outra história.

Sentei na minha cadeira e abri meu caderno. A professora não havia chego e eu acho que nem chegaria tão rápido. Se é que ela viria hoje, claro. David Karofsky, um idiota gordo e mais burro do que uma pedra, pegou meu caderno, derrubando a foto que eu tinha de Santana. Karofsky pegou a foto do chão e sorriu ironicamente.

- É sua namorada, Pierce? Hei, olhem! Pierce é lésbica! – Karofsky gritou.

Alguns o acompanharam na risada, outros reviraram os olhos e Joe veio para o meu lado. A professora de espanhol entrou na sala e mandou Dave parar de palhaçadas. O garoto sorriu irônico.

- Mas professora, a latina aqui é muy caliente! Pena que é sapata... – o garoto disse gargalhando.

Aquilo foi o auge da minha tolerância. Não me importava que soubessem da minha orientação sexual nem que falassem dela. Já estava mais do que certa de que isso aconteceria. Mas ninguém fala da minha morena na minha frente.

Parti para cima dele sem dificuldades e soquei sua cara. O garoto caiu no chão com a força do soco e eu pulei em cima dele. Bati com todas as minhas forças nele até que senti braços me abraçarem com firmeza, me imobilizando. Por um segundo tentei me defender, mas assim que me virei sorri ao ver um rosto latino com a expressão preocupada. San me abraçava com tanta força que achei que fosse quebrar meus braços. Abri um sorriso largo ao vê-la e ela afrouxou o aperto, colando os lábios nos meus. Não ouvi mais nada, nem senti mais raiva. Parecia que havia uma bolha ao redor de mim e Santana que me impedia de ter contato com o resto do mundo. Quando nos separamos, ela levantou e estendeu a mão para mim. San caminhou até Karofsky e agarrou a gola de sua camisa.

- Ouça, sua bola de gordura inútil, se você mexer com a minha namorada mais uma vez, eu juro que vou pessoalmente até a sua casa e vou descer Lima Heights em você. Estamos entendidos, monte de banha? E lave a sua boca para falar de nós. – ela disse mantendo contato visual com o garoto.

Busquei por Joe na sala, mas ele não estava mais lá. Peguei minha mochila e segui San para fora da sala, agarrando sua cintura no meio do corredor e beijando seus lábios com vontade. Nos separamos e dei vários selinhos em seus lábios, colando nossas testas.

- Tudo isso é saudade? – ela perguntou abraçando meu pescoço.

- Nem imagina o quanto, minha morena linda. – respondi traçando uma trilha de beijos por seu pescoço.

Nos afastamos e ela estendeu a mão para mim. Segurei-a e começamos a caminhar até a saída.

- San... Não que eu não ame te ver ou algo do tipo, mas o que é você veio fazer aqui? – perguntei.

Ela soltou uma risada e voltou a se inclinar em direção ao meu rosto, beijando minha bochecha. Ela era adorável.

- Eu... Britt, é melhor eu te explicar no acampamento. Você vai ter que ver com os próprios olhos. Mas leve em consideração que eu tive a ideia de vir te buscar porque estava morrendo de saudades...

Sorri com o jeitinho dela e saímos da escola. Avistei Joe com sua mochila, meio escorado na parede.

- Hei, Joe! – Chamei.

Ele se virou para mim e correu em minha direção, com uma expressão de pavor no rosto. San me olhou confusa por um segundo, mas assim que desviou o olhar do rapaz arregalou os olhos e me puxou para perto do seu corpo. Segui seu olhar e arregalei meus olhos também, abraçando Santana com força. Gigantes, ou algo do tipo. E com pedras na mão.

Santana me puxou pela mão e eu puxei Joe. Entramos em um carro que um campista mais velho nos esperava.

- CORRE! – Santana gritou assim que entrou e o rapaz pisou fundo no acelerador.

Mesmo assim, os gigantes eram muito rápidos. Estavam a alguns metros de nós, mas não o suficiente para nos alcançarem. Nessas horas, dei graças a deus pela névoa existir. Caso contrário, teríamos que controlar gigantes e pessoas tendo surtos psicóticos.

- O que são eles? – perguntei a San.

- Lestrigões. São os gigantes que afundaram a tropa de navios de Ulisses. – ela respondeu, sem tirar os olhos de Joe.

Observei o rapaz que continuava encolhido no carro, abraçado à mochila. Apertei a mão de meu amigo que choramingou baixinho.

- Ahn, San, esse é o Joe. Joe, esta é Santana, minha namorada. – apresentei.

San murmurou um oi e Joe respondeu, os dois ainda se encarando. Santana puxou meu corpo contra seu peito e ficou abraçada em mim, olhando os Lestrigões ficarem um pouco mais distantes. Beijei suas mãos enquanto ela beijava o topo da minha cabeça.

O carro parou na colina do acampamento. Não havia mais outra opção, teríamos que enfrentar os gigantes enquanto Noah Puckermann, o campista que estava no carro, chamava reforços.

Puxei contracorrente do meu bolso e fiquei alerta. Santana pousou a mão na minha cintura e beijou minha testa de leve, alguns segundos antes dos Lestrigões chegarem.

Segurei minha espada e a latina sua adaga. Tentei golpear um dos Lestrigões, mas logo nós três estávamos no chão. Não podíamos contra eles, então começamos a subir colina acima. Plano B em ação.

Joe ficou preso na barragem do acampamento, assim como os Lestrigões. Eu fui atingida por uma rocha que prendeu minha perna. Gemi alto e Santana virou-se para mim.

- BRITT! – ela gritou, correndo em minha direção e tentando afastar a rocha sem sucesso. – Deuses, é muito pesada! Ah, droga, não acredito... Tudo bem. Eu, Santana Lopez, concedo a Joe permissão para entrar no acampamento meio sangue.

A barreira que prendia Joe desapareceu e ele correu ao meu encontro. Junto de Santana, eles removeram a pedra e me pegaram no colo, carregando-me direto para a enfermaria. Vi alguns guerreiros saindo do acampamento, prontos para entrar em ação.

Deitaram-me em cima de uma das camas e San foi buscar Ambrosia para mim. Comi alguns pedaços e logo os machucados de minha perna começaram a desaparecer. Consegui levantar e não senti dor ao por o pé no chão. Menos mal.

Abracei Joe e beijei os lábios de Santana com força. Ela ficou abraçada em mim, com o coração ainda acelerado e o corpo trêmulo. Mordi seu queixo de maneira carinhosa e logo me afastei. Olhei novamente para Joe, e tive que forçar a visão para ter certeza que não era uma ilusão de ótica. San seguiu meu olhar e pousou a mão no meu ombro.

- Britt, Joe é seu irmão. Ele é um Ciclope.

Notas finais
Aprovado o capítulo um?