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39 O Regresso do Guerreiro


–Esta é a entrada.

Professor Lord parou diante de uma minúscula caverna na rocha, cuja entrada afundava no chão e cujo interior era apenas poucos centímetros mais alta do que suas cabeças. Ele e Italo estavam numa minúscula ilha ao norte de Perion, de onde só se chegava nadando. O lugar era todo acidentado, como uma fôrma de bolo cheia de pedras — não havia um metro de chão que fosse liso. A entrada era bastante óbvia: o único espaço escuro no meio de toda aquela pedra marrom, mas Rockfield achou melhor anunciá-la ao companheiro — principalmente porque este não podia ver a ilha.

–Não tem nenhum monstro ali — disse Rockfield, depois de jogar uma shuriken usando uma habilidade detectora — Mas você sabe: provavelmente tem, só que estão bem escondidos. Essa é a única caverna em toda a ilha — acrescentou, voltando-se para fitar o companheiro. Italo assentiu para ele, olhando a água abaixo de seus pés.

–Muito bem, se você diz, vamos lá.

–Vou na frente, já que sou abençoado e posso enxergar a ilha. Segure nas paredes — sugeriu.

Eles seguiram o túnel que descia, Rockfield descendo normalmente, Italo segurando-se nas bordas, relutante, mas firme. A sensação era muito estranha. E, agora que entrava no túnel, Italo reparava que o mar se abria num longo buraco para baixo(Italo enxergava como se estivesse descendo um tubo invisível em direção ao fundo do mar).

Chegaram em um ponto onde o túnel se nivelava. Para Italo, estavam parados no meio do mar — para o Gatuno, um chão de pedras estendia-se de todos os lados como uma ampla caverna. Estalagmites saíam do chão, mas o teto era liso e curvo como gelo. O lugar lembrava uma grande mina, como se alguém tivesse escavado aquele túnel e então escavado ao redor das paredes para criar aquele lugar. Mais à frente, o caminho estava bloqueado por uma parede de escuridão.

–Certo, aquilo ali é um bug ou tem mesmo um monte de nada preto ali na frente?

–Ah, aquilo ali é minha deixa — Professor Lord sorriu. De repente ele segurava uma shuriken prateada de nove pontas que parecia uma rosa-dos-ventos completa, com os pontos colaterais e subcolaterais, e que tinha o tamanho dele. Precisou usar toda a força do seu braço para arremessá-la.

A grande estrela girou como as pás de um ventilador, atravessando a escuridão e deixando um trecho de luz incerta atrás, abrindo um caminho na parede escura. O Gatuno virou-se para Italo, triunfante, mas este ergueu as sobrancelhas(para ele, a parede negra continuava do mesmo jeito que antes).

–É, parece que falhou.

–Não, funcionou sim — riu Rockfield — Só me siga. Ou "me dê a mão pra fugir desta terrível escuridão"

Rockfield pôs a mão no ombro do rapaz e o guiou, como se guia um cego, até que ambos chegaram ao fim do caminho escuro.

–Agora estou vendo — disse Italo, calmamente.

Estavam em outra caverna um pouco menor do que a primeira, mas ainda assim ampla como uma mansão. Do lado oposto ao que se encontravam, várias pedras grandes estavam dispostas num meio anel como que formando uma barreira para o que havia do outro lado: uma esfera de energia escura, pulsante e faiscante. Linhas saíam dela como tentáculos que prendiam-se à parede, formando rachaduras que brilhavam com um negro ondulante.

–Wohoho, chegamos. Imagino que esse seja o NPC.

–Eu imagino que isso seja um tremendo de um bossão — opinou Rockfield, mas seguiu o companheiro, que agora caminhava na frente.

As pedras não eram maiores que a cintura de Italo. Ele subiu nela e tentou falar com a imensa bola de energia. A voz saiu, baixa, e ondulante, como o ronronar de uma pantera.

–Um mortal... Finalmente. Há séculos espero por sua chegada. Você veio aqui para abraçar meu poder, mortal?

Aquilo era como o "ACEITAR" e "RECUSAR" de uma Quest normal de jogo. Italo sentiu-se ansioso.

–Pois é, estou aqui.

–Sinto em você o poder do meu antigo portador — disse a esfera, uma voz grave e sussurrante como folhas ao vento, certamente efeito de um bom autotune– A magia dos Draconianos. Ela é forte em você... Quase tanto quanto a dele. Não posso aceitar conviver em um corpo com esse mesmo poder. O poder dos Draconianos é uma afronta a mim, e se quiser me levar consigo, poderá, mas irei tirá-lo de você.

–Espera. Tu vai tirar meu Roar? Não é como se eu fosse aceitar sem saber o que você pode oferecer, não?

A esfera sacudiu-se e pulsou mais rapidamente por um segundo: estava rindo.

–Você é fiel à sua magia. Eu gosto disso. Mas sua magia... Italo... Embora seja poderosa, não é maior que a magia que posso lhe oferecer. Estou preso aqui, selado pelo poder daquele maldito Templário e Cavaleiro Branco. Se me libertar, irei lhe garantir uma força que você jamais viu.

A esfera rodopiou e a frente dela ficou cinza, como o reflexo de uma bola de vidro ou uma tela de televisão onde todas as personagens eram sombras. Nela, uma sombra preta carregando uma lança enfrentava várias outras sombras, todas carregando espadas, machados ou martelos. A sombra com a lança levava a melhor. Relâmpagos negros saíam dele, e quando veio um imenso dragão para enfrentá-lo, ele simplesmente saltou e espetou a criatura na barriga, derrubando-a no chão com uma série de estocadas rápidas. Uma lança duas vezes maior que a o lanceiro surgiu dos céus e cravou o dragão no chão. Às costas da sombra guerreira veio uma multidão de inimigos. Uma gigantesca bola de fogo preta apareceu sob o lanceiro, conferindo-lhe força, e ele cravou sua lança em um dos inimigos — que explodiu, levando junto a maioria dos demais. Os que restaram foram facilmente derrotados pelos lanceiros.

–Você será mais rápido, mais poderoso e mais destruidor do que qualquer outro guerreiro vivo — a voz dizia enquanto o guerreiro de sombras destroçava mais um grupo de inimigos que aparecia — Minha alma se unirá à sua, e seremos um só guerreiro. Você trará de volta a glória daquele conhecido como o Primeiro Lanceiro. E, se conviveremos juntos como amigos, devo adverti-lo de que você também terá minhas fraquezas. Magia de Bispos, magia sagrada, por exemplo, doerá tanto em mim quanto em você. Você não poderá se aproveitar com a mesma eficiência de magias de cura, e eu também sou alérgico a queijo e a tudo o que vem da soja.

–Sim cara, sei bem como é isso. Muito bem, você me convenceu. Eu aceito.

As imagens com fundo cinza sumiram e a coisa ficou preta novamente.

–Então você aceita eu unir-me a você? Se aceitar, não haverá mais volta. Você renuncia à sua antiga vida para entrar no caminho mais poderoso?

–Renuncio.

–Então — a esfera disse gravemente, com uma nota de sarcasmo extremamente humana na voz — Antes disso, você precisa provar que é capaz. Afinal... Não é como se eu fosse deixar ser levado por qualquer um sem saber o que você pode oferecer... Não?

Então ele explodiu, jogando Italo para perto da entrada do outro lado da caverna. Algum aviso deve ter aparecido a Rockfield dizendo que ele não deveria interferir, pois ele foi para um canto escuro e se sentou, desaparecendo na escuridão.

Italo ergueu-se, um pouco do HP baixo, mas não muito. Ele não poderia usar nenhuma poção, apenas suas habilidades. A esfera negra ainda pulsava e ondulava atrás do semicírculo de pedras, como que observando. Entre ela e Italo, um monstro havia surgido: tinha três metros de altura, o que daria quase o dobro do tamanho de Italo. Tinha forma humana e era extremamente magro, com antebraços achatados que ficavam mais finos até terminarem nas pontas de lâminas de um gume. As pernas pareciam varetas dobráveis — a coisa toda parecia uma mistura de humano com um louva-a-deus que tivesse lâminas no lugar de braços. A cabeça era um triângulo com dois olhos amarelos que pareciam pontos de luz.

Italo empunhou a lança — um cabo longo com ponta que lembrava um garfo roxo de dois dentes serrilhados, um maior que o outro. Sentiu um calor percorrer todo o corpo quando seu Sangue Draconiano foi ativado, aumentando seu dano de ataque. Já estava com HB ligada, que aumentava seu HP e MP máximo. Ele provavelmente iria ativar mais habilidades, porém naquele momento o monstro atacou, curvando-se para serrá-lo com os braços afiados.

Italo saltou para se defender — não para trás, mas para frente, enfiando a lança por baixo da barriga do monstro. Os braços afiados passaram direto sem acertar o rapaz, que imediatamente puxou a arma e virou-se de costas para atacar as lâminas. A criatura recuou um passo e tentou outro ataque, exatamente como antes.

Italo saltou novamente(e os braços passaram direto sem acertar), mas desta vez, quando ele cravou a lança no monstro, seu HP caiu pela metade. Era a habilidade Sacrifício Draconiano, que ignorava parte da defesa do inimigo ao custo de parte da própria vida. Ele não tinha notado ainda, mas a esfera negra atrás das rochas tinha ganho uma barra vermelha que a cortava no meio — o HP da criatura, que agora tinha perdido mais que metade da metade.

O inimigo desta vez baixou os braços como que para bater no próprio peito, para esmagar o rapaz entre eles. Italo se virou e interceptou as duas lâminas com sua lança, ficando com a barriga do monstro às suas costas e as lâminas-braços na frente. Deu um passo para a direita, ainda fazendo força contra os braços afiados, e subitamente retirou a lança e saiu do caminho, ficando à direita do monstro. Rapidamente girou o corpo e bateu a lateral da lança nas costas do inimigo, depois na barriga novamente em outro giro.

A criatura rugiu e, mais rápida do que qualquer movimento que o rapaz pudesse prever, levantou o pé num chute que parecia na velocidade da luz. Italo recuou, mas foi atingido de raspão na frente do corpo. A criatura levantou o pé já erguido bem alto, e Italo se recuperou a tempo de erguer a lança contra uma pisada — foi como se o monstro tivesse pisado num prego, então puxou o pé violentamente e recebeu dois ataques rápidos de lança em resposta.

O monstro tentou ainda dois golpes das garras rápidas. Italo saltou para a frente e ficou abaixo do monstro, pulando com a lança apontada para cima para atravessá-lo de baixo. Agora ele viu a barra de HP, que caíra para menos da metade. Girou o corpo numa alavanca para puxar a lança enfiada quase até a metade do cabo no corpo do monstro, e rapidamente saiu do caminho.

Foi bem na hora certa, porque o inseto gigante resolveu dar uma cambalhota, os braços girando perigosamente. Ele caiu de pé de frente para o garoto, os olhos amarelos brilhando indiferentes como antes. Tinha perdido mais da metade de seu HP, mas Italo também, e este não se arriscou a usar seu Sacrifício novamente. Em vez disso, investiu para mais uma enxurrada de ataques.

Mas desta vez, o monstro foi rápido. O que não desviava, bloqueava habilmente cruzando os braços, e era como cruzar duas espadas, onde a lança não infligia dano. Italo tentou ir para um lado e recebeu um golpe que o serrou ao meio, mas conseguiu bloquear um segundo bem a tempo. Ficaram frente a frente, o monstro com as lâminas cruzadas à frente do corpo mais uma vez. Italo as golpeou, ouviu-se o retinir de metal, mas nada aconteceu.

Subitamente Italo girou a lança duas vezes numa roda vertical, de baixo para cima: na primeira, a extremidade bateu nas lâminas cruzadas e as forçou para cima, liberando um espaço para que Italo passasse por baixo; na segunda, golpeou a virilha do inimigo, que rugiu de dor e recolheu os braços, cortando Italo pelas costas.

Veja bem, dano pelas costas é considerado backstab somente quando o jogador é pego bem de surpresa, o que certamente não era o caso. Mas mesmo assim, ainda era dano extra, e se no início da batalha o HP máximo de Italo fosse 10000, agora estaria 1500. Só que era exatamente com isso que ele contava. Seu casaco azul ficou negro, a lança pareceu brilhar com mais intensidade e seu corpo todo se cobriu de uma aura negra. Pois ativava-se a Low Berserk, a habilidade que, caso o HP ficasse criticamente baixo, ganhava-se um bônus tremendo no ataque e na rapidez.

Italo mudou a lança de posição, girando-a várias vezes ao redor dos ombros rapidamente, passando do esquerdo para o direito, a lâmina da lança batendo na barriga, nas mãos e nas pernas da criatura. Quando ela se ergueu com o ataque, afastando os braços do rapaz, ele firmou os pés no chão e segurou a lança com ambas as mãos, firme, as pontas apontando para a barriga do monstro. Deu um rápido impulso com os pés e o perfurou na virilha, desta vez com o Sacrifício Draconiano ativado.

O dano dessa vez foi aterrador e a barra de HP na esfera caiu para um pequeno toco, ainda menor que a de Italo, em porcentagem. Além disso, usar o Sacrifício Draconiano com a Low Berserk ativada ainda conferia uma chance de restaurar o HP de acordo com o dano inflingido. E ela aconteceu: o HP de Italo agora estava quase cheio, restando apenas uns vinte ou vinte e cinco porcento vazios.

Então um urro ecoou por toda a caverna — aparentemente, Italo não era o único que ficava mais forte quando levava muito dano: o monstro ficou repentinamente negro, muito mais do que antes, ganhando três pares de braços extras e cresceu, duplicando de tamanho. Se antes ele parecia um inseto, agora o corpo lembrava uma aranha muito magra que tivesse ganho duas pernas humanóides grandes e finas(As pernas da aranha eram os braços da criatura).

Ou não: o monstro apoiou-se nos oito braços e deu um chute duplo com as longas pernas, que Italo desviou com um movimento de lança. Tentou cortá-las, mas por se tratar de um jogo, as pernas não se partiram, em vez disso se moveram para o lado e para baixo, derrubando o rapaz numa rasteira. A criatura então se pôs de pé habilmente e curvou-se para atacar — cada um dos oito braços tinha, como antes, a metade inferior formada por uma lâmina, só que agora tinham dois gumes. Italo se levantou, viu-se cercado pelos oito braços vindos de todas as direções, então jogou a cabeça para trás e rugiu.

Um círculo roxo-pálido se formou aos seus pés. Uma aura brilhante, levemente escamosa, cobriu-o por uma fração de segundo quando o grito saiu, um rugido alto e tão poderoso que as pernas do monstro estremeceram. Como estava com os braços abertos para atacar, sua guarda estava totalmente aberta, e o impacto daquela energia o atingiu em cheio.

O monstro foi jogado para trás e caiu de costas. Seu HP caiu até restar um mínimo quase invisível. Italo baixou a lança para prepará-la e o inimigo se levantou ao quicar numa cambalhota, saltando para frente com uma velocidade atordoante. Um de seus braços foi direto para a barriga de Italo, empalando-o e erguendo-o acima do solo.

A criatura rugia e Italo dava um urro prolongado e interminável de dor, suspenso no ar pelo braço que fazia a forma de um "V" aberto no ar, enquanto seu HP se esvaía rapidamente, recuperando o do monstro. O HP na barra da esfera ficou cheio, os gritos de Italo seguiram e seu HP chegou a zero.

–O Primeiro Lanceiro teve sua grande glória, para então cair na derrota — disse a voz da esfera, mais alta e cavernosa que o urro do rapaz — Mas você, Italo, fará o caminho inverso! Primeiro a derrota, pois sua magia Draconiana é completamente incapaz de fazer frente à minha. Mas agora, virá sua glória!

Italo tinha os braços abertos e uma lâmina de dois metros enterrada nele, mas o HP da esfera começou a baixar ao mesmo tempo que o de Italo se enchia, preenchendo a caverna inteira com uma energia estranha(se pudesse existir luz negra, é exatamente isso o que saía do corpo do monstro) enquanto a criatura ficava cada vez mais dissolvida. Quando finalmente se completou, o monstro já havia se esfarelado completamente, e Italo caiu. A caverna ficou em silêncio, a barra de HP da esfera negra sumiu. Um vulto alto e escuro saiu das sombras, correndo para socorrê-lo.

Então, naquele momento, Rockfield hesitou. Ele estava diante do líder da Sunrise of Astoria, o clã que há muito vinha perturbando seus amigos — e quem sabe quantos outros jogadores inocentes mais. O HP estava cheio, mas sendo Gatuno, poderia paralisá-lo e matá-lo antes que tivesse tempo de usar habilidades de defesa — se fizesse um pequeno movimento, se disparasse uma única shuriken naquele corpo caído, seria o fim. Rockfield poderia voltar e dizer aos demais membros que Italo simplesmente não sobrevivera à missão. Uma vez sem o líder, não seria tão difícil desmotivar os outros membros. Naturalmente, isso resolveria muitos de seus problemas — não, isso salvaria a vida de muitos outros jogadores.

Acontece que Rockfield não tinha esse sangue frio. Ali estava diante dele um rapaz, quase um garoto, e ele sabia muito bem que matá-lo agora mesmo seria o mesmo que um assassinato. Podia ser um jogo, mas era de realidade virtual, tão real quanto a sensação daquele momento. Ele simplesmente não conseguiria fazer aquilo — principalmente porque era o Italo, e Rockfield tinha meio que se afeiçoado aos modos do rapaz, depois de orientá-lo e passarem por aquela missão... Era como se ele se sentisse mais culpado ao matá-lo, seria como aceitar guiar uma mulher simpática e perdida por uma estrada e então matá-la, quando chegasse no final do caminho. Se a pessoa no chão fosse Dark Corpse, a Sunrise of Astoria talvez já estivesse com um membro a menos. Mesmo assim, aquele era o líder, e se ele morresse agora mesmo...

Antes que pudesse tomar uma decisão, Italo virou-se para ele e Rockfield esqueceu o assunto.

–Aqui, tome isso. Tem efeito extra em guerreiros — Rockfield agachou-se, oferecendo uma poção que ele mesmo havia fabricado. Italo bebeu e o efeito foi revigorante, e ele pôde ficar de pé.

–Valeu, cara — disse ele.

Viram que a barra de HP tinha sumido da esfera de energia negra, e aproximaram-se. Italo subiu numa das pedras, e a voz se fez ouvir novamente.

–Quase mal posso acreditar... Um portador digno. Você sofreu a derrota, como eu sempre soube que aconteceria, pois seu poder não pode enfrentar o meu, não aqui, onde sou mais forte. Sim, esta é minha prisão, mas durante incontáveis milênios este lugar sentiu minha presença, e passei a possuí-lo quase como um portador normal. Muito bem. Agora você terá o maior dos poderes. Basta... Pôr sua mão sobre mim.

Italo fez o que ele disse, tocando a esfera negra com a mão espalmada. Imediatamente a energia fluiu dela para o rapaz. A esfera negra pareceu ondular mais, como um reator atômico prestes a explodir.

–Erga-se, Italo! Minha energia irá restaurar a que você perdeu no combate. Agora você tem muito mais habilidades, e uma força tamanha que será ainda mais poderosa se a combinarmos juntos. Nenhum mortal é forte o bastante para me suportar por completo, Italo, então lhe darei um fragmento de mim. Por ser o primeiro a conseguir, irei recompensá-lo com a melhor parte. A parte mais poderosa!

Poderia ter terminado aí e Italo ficaria mais do que satisfeito. Mas o criador do jogo tinha resolvido acrescentar mais uma frase à fala da criatura:

–Agora, você retornará ao nível 31 e evoluirá novamente, renascendo para que meu poder cresça junto com você!

A esfera aquietou, a mão de Italo foi liberada e a energia pareceu ficar mais tranquila, como se estivesse adormecida. Estava claro que não iria dizer mais nada.

–Tu podia ter me dito isso antes de eu aceitar, né cara? — Italo sussurrou com uma leve nota de decepção na voz.

–Mas — Rockfield subiu na pedra, um sorriso no rosto — Isso quer dizer que eu tenho quase o triplo de nível que você. Espera... Uau, agora eu sou o nível mais alto do clã. Não mereço um prêmio por alcançar tal posição?

–Isso é com o segundo em comando, o Poke — respondeu Italo. O triunfo brincalhão de Rockfield azedou.

–Tá tá, nada de prêmios. Mas agora, como você vai fazer? A guerra de clãs vem aí e, hã, como você disse, Edelstein vai ser tomada pelos fortes, então...

–Então eu tenho uma semana pra upar — Italo respondeu tranquilamente — Não acredito que vou ter que fazer Chryse de novo, puta que pariu.

Rockfield riu. Chryse era uma ilha flutuante que flutuava acima de Orbis, que flutuava perto de Ludibrium. Mas então ele lembrou que provavelmente iam destruir seus amigos na guerra de clãs e parou de rir.

–Isso, espírito sério — aprovou o guerreiro — Já que você é agora o nível mais alto, é você quem vai me upar e me tirar logo desse level de cotoco.