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30 Aquarium
–Decididamente esse não é meu mapa favorito — Gatts resmungou, sacudindo as mãos mais uma vez.
Ele e Kiara seguiam por Aquarium havia algumas horas, procurando algum monstro que pudessem matar para passar de nível. Ele era nível 87 — ela, 77. Tinham recebido uma dica de um jogador de que havia monstros mais fortes naquele lugar, mas até agora, tudo o que tinham encontrado foram algumas estrelas-do-mar, cavalos marinhos e baiacus explosivos.
Aquarium era uma cidade submarina, localizada no fundo do mar perto de Ossyria. A Torre de Orbis descia pelo subsolo, onde seu interior era completamente inundado e com monstros diferentes, como pinguins mergulhadores. Havia um buraco que deixava passar para uma estrada, que seguia indefinidamente pelo fundo do mar.
Eles experimentaram a água, cautelosos. Perceberam que, embora estivessem submersos, eles ainda podiam respirar, mas sentiam um incômodo no nariz e perdiam uma fração ínfima de HP momentaneamente. Os braços e pernas podiam ser movimentados normalmente, e os golpes com a espada ficavam apenas um pouquinho mais lentos. Mesmo assim, era uma sensação estranha.
–O corpo flutua como se eu estivesse mesmo dentro da água — Gatts disse irritado — Mas meus braços e pernas não são atrapalhados por ela. Posso me mexer quase normalmente. É muito estranho.
–Você preferia que as mãos fossem afetadas pela água que nem na vida real? — Kiara disse divertida.
–Não, mas mesmo assim é estranho! E atrapalha muito...
–Eu acho isso genial — a menina comentou — Estamos dentro da água, mas podemos falar e respirar. Podemos nadar, mas o corpo não sofre com a resistência da água. Imagina quanto tempo devem ter ficado trabalhando nisso!
–Pena que o mesmo não acontece com as armas — ele se lamentou com um suspiro. Podia mexer as mãos como se estivesse em terra firme, mas sua pesada lâmina ainda sofria um pouquinho da resistência da água.
Kiara olhou para o guerreiro e riu.
–Olha pelo lado bom, sua capa sacode e balança que nem uma bandeira! — ela falou. Realmente, a volumosa capa negra de Gatts tremulava e balançava sempre que ele se movia.
–É, mas não vou usar minha capa contra os peixes mutantes ou coisa assim — ele disse desanimado.
Eles passaram por vários peixes, mas nenhum deles forte o bastante para dar boa experiência. Por fim, chegaram a uma visão que era realmente impressionante: a cidade de Aquarium.
Localizada numa elevação plana no centro de uma fenda na água, a cidade era um amontoado de construções feitas de rochas, conchas e prédios em forma de corais. A estrada passava por ela e seguia além. Uma ponte de madeira ligava a cidade à estrada, passando pela fenda que levava às profundezas escuras de Aquarium.
–Não sei pra quê essa ponte. Podemos simplesmente nadar por cima! — Gatts comentou.
–Pode ser que tenha tipo, parede invisível — a menina sugeriu — Ou chão invisível. Acho que pra descer lá embaixo, só pela estrada.
Ela logo provou estar certa: quando tentaram descer pelo lado da ponte, sentiram algumas coisa impedindo-os, como se a água estivesse fazendo uma correnteza contra eles. Gatts recuou a mão, surpreso.
–Engenhoso — disse — Bom, parece que vamos ter que seguir reto então.
Aquarium era uma cidade estranha e magnífica. Os edifícios, as construções e os NPCs tinham sempre alguma coisa a ver com peixe. Viram alguns outros jogadores nadando e parando pelo local, conversando com os peixes e entre si. Logo que chegaram, um deles correu até os dois, apressado.
–Boa tarde — ele cumprimentou. Era um garotinho de expressão alegre e travessa, vestido com uma túnica azul com o desenho de uma estrela e carregando uma pequena varinha — O que fazem aqui em Aquarium?
–Procuramos monstros bons pra upar — Kiara explicou — Você conhece algum bom pra nível 75?
–Noventa — Gatts corrigiu firmemente. O sorriso do menino se alargou ainda mais.
–Wow, nível 90! É, vocês parecem bem fortes... Posso mostrar a vocês por vinte mil mesos!
Gatts ergueu uma sobrancelha, mas Kiara riu e bagunçou os cabelos castanhos do bruxinho. Não era incomum pessoas que já conheciam uma cidade cobrarem para ensinar as Quests e melhores locais de up para recém-chegados. Era um jeito fácil de se ganhar dinheiro, mas não era de todo mau negócio. Conhecer uma cidade, seus monstros e seus segredos levava tempo, e às vezes era preferível pagar para obter uma informação adiantada.
–Espera! Na verdade... — ele hesitou um pouco, claramente tentando se decidir — Não precisam me pagar com mesos. Eu tenho umas Quests pra fazer, e, bom, os monstros daqui são muito fortes... então...
–E por que você está aqui sozinho, já que é tão perigoso? — Kiara ralhou com ele divertida. O garoto a olhou suplicante.
–Eu queria upar mais rápido, lá nos Cogumelos é muito devagar! — ele protestou. A menina riu.
–Acho que podemos ajudar — ela disse com um olhar de esguelha para Gatts, como que desafiando-o a recusar, uma atitude que o rapaz achou desnecessária. Simpatizara com o menino e também queria ajudá-lo.
Ele e Kiara voltaram um pouco pela estrada que vinham percorrendo, seguidos de perto pelo pequeno Lucas, que os olhava com excitação. Kiara não parecia muito destrutiva, mas o guerreiro na armadura negra certamente era... Ele estava doido para ver como ele iria se sair.
E não conteve as exclamações de surpresa quando Gatts entrou em ação. O guerreiro saltava com habilidade, o a pesada armadura facilmente cortando aquela água falsa. Rápido como um raio, levantava a espada e a girava repetidas vezes, sem necessidade de um segundo golpe no mesmo monstro. E quando viu que o jovem bruxo o observava, ele sorriu para si mesmo e resolveu continuar.
Fazendo alguns movimentos para tornar a coisa mais poderosa aparentemente, Gatts fez a espada faiscar com os raios azuis da Carga Elétrica. Girou, saltou e atacou, e cada vez que acertava um monstro, era como se um raio estivesse explodindo da espada.
–Não é assim toda vez. Tá tendo esses brilhos todos por causa da água — Kiara explicou para o menino que olhava a tudo com os olhos arregalados — E ele brinca de super herói com a capa quando ninguém está olhando.
–Então como você sabe que ele faz isso? — Lucas perguntou e a menina lhe deu um apertão de leve no braço.
–Você é bem espertinho, hein? Por que não me mostra algumas das suas magias?
–Elas não afetam os peixes — Lucas disse desanimado — Ainda sou fraco demais pra eles... Minha Tempestade de Raios dá MISS quase sempre.
–É mesmo? — Kiara assentiu com um largo sorriso, aproximando-se do menino. Pôs a mão na testa dele e fez um gesto com a varinha na outra mão, e um pilar rosa-claro brilhou dela. Um par de fadas derrubaram um pote de um líquido amarelo em Lucas, que recuou impressionado.
–Tente agora — a menina pediu. Lucas assentiu e jogou uma Garra Arcana no baiacu mais próximo. E gritou, surpreso quando ambos os danos foram mais de 300, quase acabando com metade da vida do peixe de uma vez.
–Caramba... CARAMBA! ISSO É DEMAIS! — ele berrou animado para Kiara. Experimentou uma Tempestade de Raios, que foram conduzidos alguns metros ao redor pela água, acabando com tudo numa área maior do que ele teria imaginado.
Agora ele também ajudava Gatts na caçada contra os monstros. Não levou muito até que Lucas conseguisse reunir tudo o que precisava. Ele agradeceu os itens e encarou os dois, surpreso.
–Obrigado! Essa habilidade que você usou... Eu ganho ela quando ficar forte também?
Kiara sorriu.
–Não, essa é Bênção, de Clérigo — disse, e Lucas fez uma careta de desapontamento — Mas não se preocupe, logo você vai ficar tão forte que não vai precisar dela!
–Mas eu queria essa pra poder usar nas pessoas — ele insistiu teimoso.
–Na verdade, você ganha uma
sim
– Gatts disse e ambos os bruxos olharam para ele — Se chama Meditação, é uma árvore que, no nível máximo, dá ainda mais ataque mágico que a Bênção. E você pode usá-la em seus amigos.
Ele pareceu muito mais feliz com essa declaração, e prometeu que se esforçaria muito para alcançar nível suficiente para liberar a Meditação.
Como prometido, ele explicou tudo o que sabia sobre Aquarium. Não havia muito pra saber, mas não queriam contrariar o garoto. Quando ele falou sobre a estrada que levava para a parte mais funda, porém, Gatts pôs a mão em seu braço.
–Como assim, monstros mais fortes? — ele perguntou, sério. Lucas o olhou por alguns segundos.
–Um pessoal foi lá uma vez explorar — Lucas contou — Não voltaram desde então. Só o que eu sei é que na caverna mais funda tem um peixe gigante, e que quando morto, daria muitos prêmios. Vi um monte de gente tentando ir atrás dele por causa disso, mas eles não voltaram.
–Talvez o lugar seja tão bom que tenham ficado por lá — Gatts sugeriu, mas Lucas fez que não na mesma hora.
–Eu tinha um deles como amigo — disse — O diamante dele parou de ficar verde.
–Que nível ele era? — o guerreiro perguntou depois de um momento.
–Cinquenta e cinco — Lucas disse — Vocês não estão pensando em...
–Estamos pensando em dormir depois desse tempo todo de viagem — Kiara o interrompeu com firmeza — Mas não se preocupe conosco. Vamos só descer um pouco e ver se conseguimos matar os monstros de lá. Sabe, tenho Proteção Arcana e mais três habilidades de proteção que reduzem dano — ela sorriu para o menino — Não precisa se preocupar, tá?
–Só tenham cuidado — insistiu — Ah, e se quiserem um quarto, escolham a Kelpherd. Sempre durmo lá. Na verdade, vocês podem ficar com meu quarto, já que eu só queria pegar as Quests aqui... Ih... Não, a chave é introcável — ele fechou o menu desanimado — Desculpem.
–Tudo bem, nós alugamos um — Gatts disse — Obrigado pela ajuda, Lucas. Nos vemos algum dia.
Ele levou mais alguns segundos para se despedir de Kiara e partiu animado para a Torre de Orbis. Gatts e Kiara sorriram e seguiram para a cidade. O guerreiro estava ansioso para descer aquela estrada, mas depois que a amiga tocara no assunto, ele percebeu o quanto estaca cansado.
–Seakrag é a melhor — disse um dos jogadores de Aquarium quando lhe perguntaram onde ficava o hotel — É mais bonita e os quartos são maiores. Fica logo ali perto do centro de pesquisa.
Não demorou até acharem o tal hotel, um enorme edifício arredondado em forma de concha feito de pedras marinhas. Decidiram procurar um pouco mais e encontraral o Kelpherd a alguns metros. Realmente, era uma construçãozinha deprimente comparada ao enorme Seakrag. No entanto, ao compararem os preços, optaram pelo conselho de Lucas.
A atendente, uma peixe-espada amarela, recebeu-os com cordialidade. O quarto para dois era pequeno, mas muito barato, e tinha duas camas e uma pequena mesinha com um espelho fechável de concha. Um relógio estava parado em cima de uma das camas, na parede paralela à janela.
–Quarenta mil mesos por uma noite no quarto! — Gatts explodiu, lembrando-se da taxa do Seakrag — Aqui é cinco mil e não é nada mal. Por que alguém pagaria tão caro num hotel?
O quarto era pequeno, mas como todos no jogo, só procuravam o hotel para passar a noite ou para descansar depois de uma longa manhã de esforço. Não era necessário um quarto muito grande. Para Gatts, um espaço com uma cama para ele dormir era o suficiente, e nada mais.
–Nya, às vezes aquele hotel tem petiscos — Kiara comentou dando de ombros — Uma fez vi um que cobrava cinquenta mil mesos. Fui lá de curiosa, e eles serviam chocolate e milk-shake à vontade.
–Um chocolate cairia bem — Gatts concordou, tirando a armadura. Todo aquele aço não pesava tanto no jogo, mas era muito mais confortável dormir num pijama leve.
O mesmo não se aplicava a Kiara, já que as túnicas de bruxo eram geralmente leves e macias. Ele sorriu quando ela colocou a pedra azul na cama e se deitou ao lado dela.
Por um momento, uma sensação estranha lhe ocorreu. Sentiu um curioso misto de alegria, sofrimento e alguma coisa mais discreta, a mesma sensação de se avançar algum objetivo. Somente depois de apagar a luz e deitar em sua cama, pensativo, ele teria uma idéia do que era. Nunca havia sido bom em conversar com meninas, e agora estava dormindo no mesmo quarto que uma. Ele deu uma risadinha desconfortável. Se alguém da escola pudesse vê-lo agora, certamente faria piadinhas desagradáveis.
"Se isso acontecer, vou ter trabalho pra acender minha Carga de Fogo aqui nessa água", ele pensou. De repente, sentiu um forte orgulho de si mesmo. Estava superando sua falta de jeito com pessoas, afinal. "Quem diria, Gatts?" ele disse para si mesmo.
Ele estava quase adormecido quando ouviu um grito agudo e gutural que congelou seu sangue. A próxima coisa que sentiu foi seu corpo caindo da cama no chão — a água não o amortecera lá dentro. Estava para se levantar quando a luz acendeu, cegando-o por alguns momentos.
–Não acredito que você caiu nessa! — Kiara ofegou, sentada na cama dele sem conseguir segurar o riso — Esper... Esperei a chance pra fazer isso há um tempão!
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Aphanyus mudou de posição pela quinta vez, observando o velho e os outros presos adormecidos. Era um saco, ele pensou, ter que ficar ali. Faltavam ainda cinco dias para que ele fosse libertado.
–É chato isso, né cara? — disse um menino como que lendo os pensamentos do rapaz. Aphanyus assentiu.
–Quando não se é culpado, fica pior ainda... — ele disse. O garoto riu.
–Todo mundo diz isso, mas você fez alguma coisa
sim
. Senão não estaria preso.
–Eu matei alguns guerreiros — ele admitiu — Mas foi por...
–Aí, tá vendo! Matou guerreiros. Já era cara, matou, tá preso...
–É, mas foi pra...
–Não, não tem essa, matou foi preso, é assim.
–Foi pra me defender! — Aphanyus explodiu, erguendo as mãos irritado — Eles atacaram a mim e meus amigos, o que eu podia fazer? Não ou daqueles que matam pra roubar coisas.
–Entendo cara — o garoto assentiu — Nem eu, sabe. Adoro os Gatunos, mas eu não mato ninguém assim não.
Aphanyus bufou.
–Estranho vindo do cara que acabou de me falar que se alguém está na cadeia, é porque fez alguma coisa — ele disse com sarcasmo.
–Mas eu não matei ninguém não, cara! Sério!
–Claro — Aphanyus riu secamente — E o que você fez?
–Fui pego usando Theft num carinha aí — contou, balançando-se nas pernas dobradas — Uma skill de Arru, tu usa ela num jogador e pode roubar um item dele. Tava nível baixo, e o cara... Bom, ele me pegou e me jogou aqui.
–Não sabia dessa skill... — Aphanyus assentiu um tanto surpreso.
–É bem legal. Cara, eu já ganhei 50k e duas espadas super fodelonas com ela — ele se vangloriou — Mas o pessoal do meu clã fala pra eu não aumentar ela, foda-se eu vou aumentar!
–Vai ficar mais fraco só pra usar a skill que pode te matar — Aphanyus riu.
–Nem, quando ela ficar nível máximo, vai ficar difícil me pegarem — ele disse — Assim que eu sair daqui, vou upar só pra aumentar ela.
–A prisão realmente não está fazendo nenhum efeito em você — o guerreiro comentou secamente.
Eles ficaram em silêncio por alguns momentos. Aphanyus analisou melhor o pequeno garoto. Pele escura, olhos verdes, cabelos muito curtos e expressão de garoto bagunceiro que senta no fundão da escola. Parecia um perfeito ladrãozinho com o casaco verde de capuz. "Arruaceiro combina muito bem com ele", o guerreiro achou.
–Eu me chamo Aphanyus — disse, estendendo a mão. O menino a apertou, sacudindo-a rapidamente.
–Eu sou Rand Junior. Rand... FREESTYLE Junior! Estilo Livre, mano, sabe a parada? Não, tu não tem cara de quem manja.
–Eu tenho cara de quê então? — Aphanyus quis saber.
–De... Bom, de alguém que se deixa capturar e ser preso por alguém mais forte que você — ele disse. Aphanyus ergueu a cabeça rapidamente.
–Ele não era mais forte que eu! — disparou — Aquele piratinha só ganhou porque veio um mago vendado e me atacou pelas costas.
–Que feio, arrumando descul... Um mago vendado? — Rand se inclinou para a frente depressa — Tá dizendo que foi a Death Star?
–Estou dizendo que um mago vendado veio e me atacou pelas costas — o guerreiro tornou dando de ombros — Não sei de nenhum clã. Só sei que tinha um pirata de soqueira, esse mago... — ele hesitou — E é claro, o Davien, um cara com uma...
–Foice — Rand completou e Aphanyus assentiu — Caramba, você enfrentou o Bruken da Death Star! Não me surpreende tanto que você tenha perdido...
–Eu não perdi, eu enchi ele de porrada e tava quase pra dar o golpe final quando o mago me atacou! — berrou Aphanyus. Um dos outros presos se mexeu e grunhiu um palavrão — Se não fosse aquele mago, eu teria ganhado! — completou num tom mais baixo.
–Ich, o Gui. Ele é foda — Rand o encarou e torceu os lábios — Muito foda. Tem gente que diz que ele é até melhor que o Davien.
–Eu conheço esse Davien, estudava na minha escola — Aphanyus disse — Não sabia que ele tinha formado um clã.
–Um dos melhores, é o que o pessoal diz. São cinco pessoas, além dele, do Gui e do Bruken, tem a Julia, uma maga fogo e veneno e o Helion, um clérigo. Eles saem pelo mundo caçando bandidos. Meu clã faz muitos negócios com eles.
–Que clã é? — perguntou o guerreiro.
–Green Tag Audiosurf — falou, e Aphanyus fez um "ah" — Aposto que você já fez negócios com a gente, não?
Aphanyus inclinou a cabeça.
–Um amigo meu já... Rockfield, você conhece? Ele fala sobre vocês direto, mas pessoalmente, numa conheci seu clã...
–Ah sim, Rockfield, sei quem é — Rand respondeu animado — Armadura Nightingale, fez uma das Quests mais fodas que já vi. A gente queria uma dessas, mas parece que só existem três pelo mundo.
Aphanyus assentiu mais uma vez, deixando o silêncio estender-se sobre eles por mais um momento.
–Você parece saber de muita coisa... — disse de repente. Rand o olhou sem entender — Quer dizer, sobre o clã do Davien, agora a armadura do Rockfield. E como são esses negócios que vocês fazem? Nunca entendi isso direito.
–Nós sabemos de muitas coisas — Rand disse teatralmente, fazendo o guerreiro virar a cabeça para o lado em descrença — Não cara, é sério! A gente leva cartas e equipamentos de uma pessoa a outra, e às vezes, vendemos informações. Por isso a gente tem que saber sobre as coisas que movem a vida, não?
–Vocês são uma espécie de clã de carteiros?
–"Vocês são uma espécie de clã de carteiros?" — Rand o remedou — Que otário! Não, a gente leva as coisas de um lugar pro outro. Somos mensageiros, jornalistas... É, ou carteiros. Mas não é só isso, a gente é um clã que, se você estiver aqui e precisar entregar um item pra alguém lá na casa do caralho, é só falar com um membro da Green Tag que ele faz o serviço.
–Parece bem legal — Aphanyus respondeu com sinceridade — E as pessoas confiam em vocês pra entregar itens?
–Antigamente não — Rand confessou — Mas as pessoas acabaram precisando entregar coisas de um lugar pro outro, e acabaram confiando. E a gente entrega tudo direito, sabe, sem zoeira. É só desenrolar uma bufunfada no bolsodo que a gente dá conta.
–Fazer o quê?
–Dinheiro, mano, dinheiro! — Rand deu-lhe um soquinho no ombro — Não esperava que fosse tudo assim de graça, né?
Aphanyus não respondeu. Olhou profundamente para o garoto que havia sido preso por roubo e sacudiu a cabeça.
–Não pensei nisso nem por um momento — ele disse por fim.
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