Map That Leads to You

3 Chapter Two ― Dança sobre o Gelo


Notas iniciais
Hey! A cada capítulo fico mais e mais emocionada com os comentários de vocês! Fico tão feliz que estejam gostando de verdade! Bem, aqui está o segundo capítulo, saindo quentinho do forno! Espero que gostem!

Chapter Two

Dança sobre o Gelo.

Agora que já sabem o provável início da historia deles, permitam-me fazer uma observação.

Eu ainda não acreditava no amor verdadeiro.

A primeira história de amor que presenciei terminara com uma promessa descumprida, solidão e tristeza.

Então depois disso não me importei mais. Só quis esquecer e voltar para as histórias comuns.

Até que presenciei novamente. Um dia observando uma jovem moça sendo despedida de sua única fonte de sustento vi Elsa outra vez. Ela estava tão diferente. Estava mais jovem, aparentava ter quinze ou dezesseis anos.

Foi aí que comecei a acompanha-la e descobri a sua segunda história de amor. Dessa vez, com Jack Chevalier Froid.

• • •

Strasbourg, França ― Século XX (1952)

Como havia dito, eu vi Elsa outra vez enquanto via a moça Astrid se não me engano, ser despedida. Sei que ela estava andando calmamente com uma bolsa escura sobre o ombro esquerdo.

Dessa vez o cabelo loiro estava preso em um coque no meio da cabeça, e uma pequena franja cobria sua testa. Trajava uma roupa bem diferente da ultima em que eu a vi.

Uma camisa de mangas longas de tonalidade branca com uma fita azul claro formando um laço em seu pescoço. Uma saia longa e rodada, azul escuro movimentava-se a cada passo que ela dava e um sapato de saltinho quadrado preto fazia seu típico barulho na calçada de paralelepípedos.

Um par de luvas azuis cobria suas mãos. Bem ela estava muito longe de ser uma simples camponesa das províncias holandesas.

Um pouco depois de andar, ela entrou em uma enorme casa, que aparentava ser antiga. O letreiro em francês anunciava ser aquela uma academia de dança.

Logo descobri que de camponesa Elsa se tornou em uma bailarina francesa de Strasbourg. Apesar de aberta a academia estava vazia e aparentava ficar assim por um longo tempo.

Elsa se trocou, vestindo uma roupa de ballet consistindo em sapatilhas e collant pretos. Ligando um pequeno rádio que estava sobre uma mesa no canto esquerdo do salão, ela se posicionou em frente ao espelho e começou a dançar.

Apesar de não ter profundo conhecimento na arte do Ballet sabia que ela era ótima no que fazia. Enquanto realizava movimentos simples com os braços, as mãos delicadas se movimentavam em torno do corpo seguindo a melodia.

Os pés rentes e apoiados nas pontas dos dedos pareciam flutuar, hora ou outra deslizando pelo chão como se este estivesse coberto de óleo facilitando seus movimentos.

Ela parecia realizada. Fechava os olhos e sorria levemente seu coração batendo o rítimo calmo da música.

Estava tão entretida que não notou estar sendo observada. Apoiada em uma das enormes pilastras bege que sustentavam o telhado da academia estava uma mulher alta.

Ela estava de braços cruzados sobre o peito e analisava cada movimento de Elsa, concentradíssima. Usava a mesma roupa que a loira com a diferença que as suas eram brancas.

Quando Elsa se posicionou para realizar um belo sissone* a mulher pigarreou alto desconcentrando a loira que se atrapalhou com os pés e acabou caindo no chão.

― Merde! ― protestou baixinho passando a mão no tornozelo direito que sentiu graças à queda. Olhou para quem havia destruído seu movimento e sorriu rápido para a mulher que andava em sua direção.

― Quantas vezes já lhe disse para realizar o sissone precisa partir do demi-plié*, Elsa? Anos de ballet e ainda não sabe disso? ― A mulher sorriu jogando os enormes cabelos pretos para o lado.

― Désolé, Elinor. ― Disse sorrindo se levantando. ― Desculpe-me.

A mulher, Elinor sorriu para Elsa e desligou o rádio que ainda tocava.

― Ainda não entendo o porquê de insistir em chegar tão cedo aqui. Já lhe disse que não dá pra ficar deixando a academia aberta todas às vezes. ― Colocou a mão na cintura e ficou de frente para Elsa.

A loira revirou os olhos e se virou para o espelho colocando as duas mãos nas barras de madeira que ali estavam.

― Ballet requer treino, Elinor. E é isso que estou fazendo. ― Começou a fazer movimentos com os braços, mas logo parou lançando um olhar desafiador para ela. ― Ou melhor, estava antes de você me interromper.

― Ácida... ― Ela sorriu e se moveu para o lado de Elsa, começando a alongar-se. ― Espero que retire um pouco de seu veneno para hoje à tarde ma Cher.

Elsa olhou para ela com o canto dos olhos tentando não se desconcentrar.

― E o que terá hoje à tarde, minha querida? ― Devolveu o carinho com ironia.

Elinor pareceu ofendida, pois parou de alongar e olhou para Elsa.

― Não acredito que se esqueceu! Elsa, Jack irá voltar hoje à tarde! ― Ela parecia muito feliz com isso.

Confesso que também fiquei. Não me enganei quando pensava que os dois se veriam outra vez.

Entretanto Elsa pareceu confusa, pois parou e olhou para Elinor com o cenho franzido.

― Jack? ― Perguntou. Elinor suspirou e olhou para Elsa como se ela estivesse brincando com a sua cara.

― É, isso mesmo. Jack Chevalier Froid, meu lindo filho, esqueceu?

Elsa pareceu pensar por um instante, mas nenhum sinal de reconhecimento apareceu em sua face.

― Francamente Elsa, o que você pensa que não consegue prestar atenção ao seu redor? ― Ela riu. ― As meninas falam dele há semanas!

― Tenho mais com o que me preocupar Elinor. Não ligo pras meninas sendo sincera.

As duas riram e eu me senti decepcionada. Bem de qualquer forma as horas se seguiram assim. Aos poucos outras meninas foram chegando e me surpreendi quando vi que uma delas era a pequena Anna a irmãzinha de Elsa a camponesa.

Bem mas ela estava bem longe de ser aquela pequena garotinha que observei. Já era uma moça e não era mais irmã de Elsa, pois as duas nem sequer se falaram.

Estava aguardando o momento em que Jack passasse pela porta e os dois finalmente se conhecessem, mas fui desapontada por Elsa que foi embora mais cedo antes da chegada dele, com a desculpa de que sentia seu tornozelo graças a queda que levara de Elinor mais cedo.

De qualquer forma ela foi para casa e não fez absolutamente nada. Apesar de tudo, no dia seguinte levantou cedo e seguiu para academia. Dessa vez Elinor não chegara mais cedo e não interrompera a loira, o que rendera a ela umas boas horas de prática e aperfeiçoamento de suas técnicas.

Quando beirava o inicio da tarde Elsa já estava cansada e ainda sozinha na academia. Cansada sem dúvidas, mas ela não parava. A todo o momento tentava um novo movimento.

Mudava a posição dos braços ao finalizar. Quando caía, levantava e tentava outra vez. O suor escoria nas laterais de seu rosto e vez ou outra ela fechava os olhos em uma clara expressão de dor.

Mas não parava. Foi naquele dia que vi pela primeira vez em Elsa a determinação. Para mim ela podia fazer o que quisesse apenas com aquele brilho nos olhos que ela tinha todas as vezes que errava um passo e tentava-o outra vez.

Foi em um desses movimentos de Elsa que ele chegou. Jack entrou na academia e parou quando a viu. Ele estava diferente do que eu me lembrava. Os cabelos outrora castanhos agora estavam loiros mais claros que os de Elsa, quase brancos.

Os olhos, outrora castanhos estavam azuis claríssimos tão azuis quanto o céu. Mas o rosto era o mesmo. O corpo era o mesmo. E o sorriso também.

Ele parou atrás de uma pilastra e observou Elsa dançar, enquanto ela estava inerte de sua presença ali.

Em um momento, Elsa se aventurou mais uma vez em um sissone, mas outra vez errou resultando em um belo tombo e mais um lance de palavrões baixos.

― Para realizar o sissone, tem que partir do demi-plié. ― Jack saíra se seu ‘esconderijo’ e andara em direção a Elsa que estava de costas para ele vendo-o apenas pelo espelho enquanto se levantava.

― Já ouvi isso. ― Ela murmurou olhando-o calmamente. Virou-se para ele. ― Quem é você?

Ele sorriu.

― Me dói saber que uma das alunas de minha mãe não sabe nem ao menos quem sou. ― Ele sorriu de lado parando à alguns metros de distância dela.

― Chevalier? ― Ela perguntou se sentindo envergonhada por nem ao menos saber quem ele era.

― Prefiro Jack. ― Ele aumentou o sorriso. ― E a senhorita deve ser Elsa? Minha mãe disse que estaria aqui. Também disse que você não é aberta a sugestões, tem dificuldades extremas em passos simples e é portadora de um belo sarcasmo.

― Elinor disse muitas coisas sobre mim. ― Ela comentou cruzando os braços. ― Agora só me resta saber o porquê.

Jack deu uma risada e fez sinal de rendição com as mãos.

― Se calmer, ela só disse coisas boas. Mas não foi pra falar de você ou pra te atrapalhar que eu vim aqui. ― Ele se dirigiu à um dos armários na parede e abriu-o retirando de lá uma caixa com duas sapatilhas. ― Vim para pegar isto.

― Suponho que irá embora então. ― Ela estava sendo rude. Mas Jack apenas sorriu colocando a caixa debaixo do braço e deu alguns passos na direção dela.

― Sim, eu já estou indo. Mas sabe, não posso ir sem antes ressaltar sua óbvia dificuldade em realizar alguns passos básicos. E como bom moço, devo me oferecer para ajudá-la.

Elsa demonstrou estar claramente irritada. E eu confusa. Os dois se amavam muito quando camponeses e agora no seu primeiro encontro agiam assim.

― Merci, não preciso de sua ajuda. Sei me virar sozinha. ― Ela foi ácida e ignorou completamente a existência de Jack, voltando à barra e continuando seus movimentos.

― Já que insiste tanto irei ajudá-la ― Comentou irônico se virando para ir embora. ― Esteja aqui amanhã cedo.

Elsa virou confusa para ele enquanto chegava à porta. Antes de sair lançou um belo sorriso para ela e falou antes de bater a porta:

― Não vai ser tão difícil pra você né? Soube que está aqui todos os dias. Au revoir. Até mais.

Assim foi o primeiro encontro deles. Eu fiquei desapontada. Mas logo estaria a sorrir quando na manhã seguinte Jack apareceu de manhã como havia dito. Elsa não escondeu seu espanto nem sua irritação quando ele insistiu para que ela o acompanhasse.

Mesmo estando incrivelmente irritada com a persuasão dele ela o acompanhou. Afinal ele prometia a ela o aprimoramento de suas técnicas de ballet e ela não tinha nada a perder. Seguiu ele com uma roupa simples de inverno, mas que a protegia do frio.

Jack usava uma roupa simples também, consistindo em uma blusa de frio azul, uma calça marrom e um sobre tudo também marrom que cobria seus ombros e descia até os joelhos. No seu ombro tinha um pedaço de pano que ele jurara ser uma mochila. Ele a levou até um lago que devido ao frio estava congelado.

― Como um lago congelado vai me ajudar com o ballet? ― Perguntou cruzando os braços enquanto o via agachar e abrir sua mochila. De lá ele tirou dois pares de sapatos diferentes que pela expressão de Elsa ela não fazia ideia do que era.

― O lago não vai te ajudar. Os patins é que vão. ― Ele disse sorrindo e estendendo à ela o par branco. Ela o pegou e com a ajuda dele calçou-os.

Com as duas mãos segurando as delas, Jack a levou até o centro do lado, segurando-a firme todas as vezes que ela ameaçava se desequilibrar.

― O que estamos prestes a fazer? ― Ela perguntou confusa olhando para os próprios pés que deslizavam no gelo.

― Estamos prestes a dançar. ― Respondeu ele sorrindo da cara de espanto dela.

― No gelo?

― No gelo. ― Lentamente ele foi puxando-a pelas mãos fazendo-a girar no gelo tão leve quanto uma pluma. ― Use suas habilidades de equilíbrio do Ballet aqui. Tente fingir que estamos no salão e que os patins são suas sapatilhas. Eu serei o seu apoio.

Elsa assentiu com a cabeça e fechou os olhos tentando se concentrar. Aos poucos foi se movendo, tentando pegar o ritmo. De inicio não conseguia nem mesmo sair do lugar mais logo prosseguiu.

Jack a movia pelas mãos ajudando-a se equilibrar e vez ou outra arriscando fazer alguns movimentos. Quando Elsa pegou o ritmo ele ajudou-a a fazer os movimentos em que tinha dificuldade.

Jack a guiava com maestria, ainda me pergunto onde ele aprendeu a fazer aquilo. De qualquer forma antes de sequer tentar os passos básicos, Elsa abriu os olhos e a determinação voltou a brilhar em seus orbes cristais.

― Quero arriscar uma pirueta.

― Quoi? ― Ele disse assustado. ― Tem certeza?

Ela apenas assentiu. Jack sorriu com a determinação dela. Distanciou-se um pouco dela, mas sem soltar suas mãos. Elsa respirou fundo e tentou o primeiro giro. Sem sucesso. Se Jack não tivesse segurando-a ela teria caído sem dúvidas.

Mais algumas tentativas, mas todas falharam. Jack já estava com medo que ela se machucasse afinal, ele não conseguiria segurá-la em todas as vezes que ela ameaçasse cair. Mas Elsa não desistia.

Em um determinado movimento ela conseguiu completar uma volta, mas se atrapalhou e quase caiu. Jack por reflexo a pegou com uma mão pelo braço esquerdo e passou a outra nas pernas dela a levantando antes que atingisse o chão.

Aproveitando o movimento ele a levantou além de seu peito girando ele mesmo no gelo com ela em seus braços. Assustada ela o olhou nos olhos, mas logo sorriu o acompanhando.

Lentamente ainda girando ele a desceu até que ela encostasse os patins no chão. Rodando até que parassem um de frente para o outro.

― Desde quando faz isso? ― Ela perguntou enquanto ele sorria.

― Sozinho à uns três anos. Acompanhado é a primeira vez. Nunca achei alguém louco bastante pra me acompanhar.

Ele riu e ela o acompanhou.

Gostaria de dizer que eu fiquei mais tempo os observando. Mas eu considerei apenas esse momento ser o bastante. Para mim, saber que Jack cumprira sua promessa mesmo sem saber já era o suficiente.

Só queria presenciar uma história de amor que me fizesse ter fé na humanidade outra vez. E consegui ver uma que mesmo tendo me decepcionado em algumas partes me rendeu uma boa reflexão.

Daí em diante, eu parei de procurar outras histórias de amor. Bem não sei se Elsa e Jack Chevalier Froid ficaram juntos. Talvez sim, talvez não.

Não me admira se tiverem ficado afinal mesmo tendo pegado o inicio dessa história eu soube que o amor anterior deles ainda fluía em seus corações. A partir daí eu parei de procurar Elsa e Jack.

Também não achava que fossem aparecer outra vez.

Mas apareceram. Quando eu menos esperava, novamente eles me surpreenderam com sua história de amor. Dessa vez irei relatar a história de amor de Elsa e Jack Arktis M ü ller.

Dois corações em uma guerra

Notas finais
*Sissone:Um salto dos pés caindo em um pé com a perna trabalhada estendida para o lado, frente ou atrás num movimento parecido com o de uma tesoura. *Demi-pliè: "pequena dobra dos joelhos". Todos os passos de elevação começam e terminam com um demi-pliè. Então o que acharam? Bom saber que muitos já captaram o rumo da história! Foi um capítulo um tanto complicado de se escrever, contanto que meus poucos meses de ballet não foram lá muito bem aproveitados haha De qualquer forma se tiver algum erro, ortográfico ou não, de conteúdo ou não, me corrijam por favor! Obrigada a todos aqueles que têm comentado! Qualquer crítica ou sugestão é muito bem aceita! Nos vemos no próximo capítulo! PS.: Alguém aí tem algum palpite para os próximos Elsa e Jack da história?! Digam nos comentários!