Map That Leads to You
5 Chapter Four ― Amor de A a Z
Notas iniciais
Chapter Four
Amor de A a Z.

Depois do reencontro passei a procurar Jack e Elsa. A todo o momento acompanhava o nascimento de bebês no mundo todo. Mas é claro que não os achei.
Fico feliz em dizer que os alemães ficaram juntos. Morreram juntos tempos depois de Jack voltar da guerra. Dormindo. Incrível a ligação dos dois. Não tardou muito para que os encontrasse novamente.
Cinquenta e seis anos depois. No primeiro ano do século XXI. Em um lugar muito, mas muito distante da Alemanha.
Apresento-lhes o amor reencarnado de Elsa e Jack Hielo Montenegro. Os que aprenderam a amar de uma forma completamente diferente de seus antepassados.
• • •
Buenos Aires, Argentina ― Século XXI (2000).
Era uma manhã calma de Agosto quando eu encontrei Elsa. Ela estava linda como sempre. Os mesmos cabelos loiros presos em uma trança que se contorcia até o alto da cabeça, um penteado até sofisticado para alguém que aparentava estar em seus dezesseis anos.
Os olhos azuis estavam vívidos como sempre, e embora não brilhantes como outrora, fascinantes. Usava um vestido longo azul claro, com pequenos detalhes brancos na barra, que se pareciam com flocos de neve, bem delicados.
Não pude não me lembrar do colar que outrora usava, e me descontentei por um breve momento ao perceber que, nesta vida, a loira não o exibia em seu pescoço.
Passei alguns dias a observando descobri que estudava em um colégio chamado Northlands, um dos melhores da cidade, e que era uma das melhores alunas do mesmo.
Ah, e também descobri um fato extremamente curioso.
Fatos que me arrasaram:
Essa nova Elsa odiava um garoto chamado Jack Hielo Montenegro.
Obviamente, não me tardou a descobrir os motivos da bela e jovem loira odiar o seu amor reencarnado. Jack dessa vez era um garoto extremamente irritante, prepotente e narcisista.
Nota:
Não confundam narcisista com nazista. É estúpido demais acreditar que eu o fiz?
Acontece que o garoto era o típico “popular”, termo que os humanos adolescentes usam para designar um grupo de pessoas, que por motivos sociais ainda incompreendidos por mim, eram melhores do que as demais pessoas que os cercavam.
E ao que consta na história dos humanos, garotos denominados populares odeiam os garotos denominados empollón ou como fiquei sabendo “os inteligentes”.
É algo totalmente estúpido, a meu ver. Não enxergo um motivo para odiar os sábios, ou qualquer outro ser de sua própria espécie. A Deusa Mãe do Destino, Erínia, embora fosse um tanto despótica, não me causava repulsa alguma.
E bem enquanto Jack era um mauricinho da classe popular, Elsa era uma jovem extremamente e irritantemente inteligente.
É quase que impossível acreditar que eles não se odiavam. Aham. Acontece que, acompanhando a rotina deles na escola, se não me engando faziam o chamado Ensino Médio ou algo assim, descobri que Jack maltratava Elsa, no sentido físico e psicológico também.
É. Eu também fiquei indignada.
O garoto simplesmente desonrava a todos os seus antepassados, fazendo brincadeirinhas de mau gosto com aquela que deveria amar e respeitar.
Certo dia, observando Elsa de longe, vi Jack e dois amigos seus – também populares que descobri chamarem Eugene Fitzherbert e o outro Hiccup Haddock- se aproximarem da jovem loira.
A princípio, imaginei que os três iriam falar com a loira, mas eu estava obviamente enganada. Eles de fininho chegaram por trás de um arbusto próximo de um banco em que a jovem loira estava sentada tranquila, lendo um livro.
Em um segundo, Elsa estava concentrada nas palavras em que lia, com seu vestido bege com detalhes em azuis escuro limpo e bem passado. No outro, a garota estava em pé, com um olhar assustado o livro estirado no gramado verde que cobria o chão, e seu vestido muito longe de estar limpo.
Os garotos saíram por trás do arbusto. O que supus ser o mais velho dos três, Eugene, gargalhava como se a imagem que tinha da pobre loira naquele momento fosse a piada mais hilária do mundo.
O mais novo, Hiccup, sorria de leve com um olhar debochado que de certa forma parecia não pertencer á ele. Quanto a Jack... Este esboçava um sorriso maldoso, cheio de segundas intenções e com um ar superior... Em suas mãos, um balde amassado e sujo com um líquido azul escuro.
― Pero... ¿Qué es esto? ― A jovem perguntou aos meninos que ainda mantinham os sorrisos nos rostos, e tentou ignorar todos que estavam no pátio, e bem, riam da sua cara. ― Tinta, sua esperta. Pensei que fosse mais inteligente. ― Jack bradou debochado como nunca. A resposta do loiro pareceu ainda mais engraçada aos olhos de todos ali à volta, pois riram ainda mais alto.
A loira cerrou os punhos e encarou Jack, raivosa. Seu rosto se contorceu em uma expressão de fúria e ela estava prestes a gritar com o jovem quando, do nada sua postura mudou.
― Espera... Mi libro!
Seu rosto agora voltava para a expressão de surpresa e ela correu os olhos por todos os lados do chão, como se estivesse à procura de algo. Quando seus olhos bateram no livro esparramado no chão, todo pintado de azul se encheu de água.
Ela se agachou perto do objeto, tomando-o cuidadosamente em suas mãos. Voltou a encarar Jack com mágoa, mas este apesar de carregar uma expressão questionadora para a loira, ainda mantinha sua pose de superior.
― Que tem este livro bobo? ― Perguntou com descaso.
A loira abaixou os olhos, deixando sua franja cobrir os orbes castanhos e se levantou abraçada com o livro.
― Era um livro especial. Minha mão me deu. ― Respondeu a loira ainda sem olhar para Jack.
Ele soltou uma risadinha de escárnio para logo depois perguntar:
― E a mamãezinha não pode dar outro? Vamos, é só um livro idiota! ― Riu novamente.
― Não era só um livro idiota. Era o diário da minha mãe. ― Ela levantou a cabeça e para o espanto de todos, estava chorando. ― E ela não pode me dar outro, pois morreu há muito tempo.
Dito isto, Elsa saiu correndo do pátio da escola, sujando de azul todo o lugar que passava. A postura de Jack e de seus amigos murchou e o loiro olhava de longe a menina toda suja correndo por entre as pessoas que riam da sua cara apontando os dedos.
Uma jovem de cabelos enormes e loiros se aproximou deles, com um olhar de raiva.
― Felicitaciones, Jack! Veja só o que você fez!
― Não enche Rapunzel. ― Respondeu Eugene à jovem. ― Não tinha como nenhum de nós saber que aquele livro era da falecida mãe dela.
― Mas qual a necessidade de fazer isso com a pobrezinha? Vamos, digam! Ela sempre fora gentil com vocês, mas continuam a humilhando na frente de todos!
― Rapunzel, eu não quero ouvir mais um de seus sermões. ― Jack disse sério, olhando para a loira e em seguida para seus amigos. ― Vamos.
Rapunzel suspirou olhando para as costas dos três que agora se afastavam e tornou a encarar o espaço vazio onde outrora Elsa estava toda suja de tinta azul.
― Ah, Jack... Dessa vez você foi longe demais.
Fora um episódio muito triste para mim, e eu quase desisti de observar os dois outra vez. Mas eu precisava ver mais daquele enredo. E é claro que o meu amigo destino interveio nisso, para minha alegria.
Ao que tudo indica para passar o nível escolar do tal colégio Northlands, era preciso se sair bem em uma determinada prova. E bem, Jack nesse caso era um idiota. Elsa estava toda segura de si, afinal todo tempo livre que tinha passava estudando.
Foi aí que eles se falaram pela primeira vez sem haver brincadeirinhas ou piadinhas. Pelo menos da parte de Jack. Ele foi até a loira pedir que ela o ajudasse a estudar para o teste.
E ela respondeu-lhe um belo de um não.
Mas o garoto era insistente. Pelo menos isso herdara dos seus antepassados. No fim das contas ela cedeu á chantagem emocional dos olhos azuis claros de Jack e aceitou ajuda-lo com os estudos.
Com uma condição.
Fatos que me animam:
Jack não poderia se apaixonar por ela, jamais.
E é bem óbvio que ele o fez.
Vamos pular alguns meses de trabalho duro, testes orais, e discussões perante enormes pilhas de livros entre os dois e passar para o dia em que eu me senti viva, apesar de não possuir nenhum quesito humano para tal:
Ambos estudavam na casa de Jack já que ela se recusara leva-lo até a sua casa. Estavam sentados na enorme mesa de madeira da sala extremamente arrumada de Jack, que revelava suas condições financeiras.
Elsa estava com um enorme livro de história geral em suas mãos e lia-o feliz, enquanto Jack apoiava o queixo sobre a superfície de madeira o olhar de tédio estampado em seu rosto.
Ele suspirava alto de cinco em cinco segundos. Impossível de não se apaixonar. Elsa que o diga.
Ela revirou os olhos, sua mania bem mais antiga do que ela sequer podia imaginar e depositou o livro sobre a mesa olhando para ele.
― Você é extremamente barulhento.
Ele fez uma careta.
― E você é extremamente chata.
Elsa ignorou o comentário;
― Posso saber o motivo de não estar lendo o que lhe mandei? ― Ela acenou com a cabeça na direção no livro enorme e fechado ao lado de Jack. Ele suspirou.
― Eu já li. ― Balbuciou olhando para o lado e cruzando os braços.
Ela o olhou desafiador.
― ¿Es cierto? Então o bastardo não se importa se eu fizer algumas perguntas no?
Ela sorriu presunçosa e antes que o jovem pudesse sequer protestar levantou-se com o livro em mãos.
― ¿Qué és a seleção natural e por quem foi desenvolvida? Cinco segundos! ― Jack arregalou os olhos e não respondeu nada. ― Acabou o tempo, próxima pergunta!
― ¿Ei no es justo! Cinco segundos não é o suficiente! ― Praticamente gritou sendo prontamente ignorado por Elsa que revirou as páginas do seu livro.
― Defina o conceito de utopia na era Renascentista: cinco segundos!
― Ah... Er... Otimismo!
― Não.
― Mundo novo!
― No.
― Paraíso!
― Nope ― Dessa vez cantarolou. ― Pare de chutar a resposta Montenegro. Acabou o tempo!
― Isso é um absurdo!
―Próxima pergunta! ― Dedilhou as linhas do livro os olhos brilhando e um sorriso divertido nos lábios. Irritá-lo me pareceu ser o seu passatempo preferido, apesar de Jack estar com um sorrisinho brincalhão. ― ¿O que é a teoria do Heliocentrismo? Cinco segundos.
― Não tenho nem ideia! ― Balbuciou levando as mãos nos cabelos claros. Elsa gargalhou.
― Ora, vamos seu bastardo! ¿Quem criou a pintura Gioconda? Cinco segundos.
― ¿Gio-o-quê? ¿Que diabos é isso?
Elsa bateu a mão na própria testa.
Fato:
Até mesmo eu sabia a resposta dessa pergunta.
― No puede ser verdad! ¡Idiota! ― Ela se aproximou dele dando-lhe um tapa na cabeça. ― Venga! Uma última pergunta, Jack. ¿Como ficou marcada o fim da Segunda Guerra Mundial? Cinco segundos.
Admito que seu eu tivesse um coração, ele teria parado naquele momento. Poderia ele... Se lembrar? Jack encarou o vazio por um milésimo de segundo. Tão rápido que posso jurar que Elsa não notou.
― A queda do nazismo, derrota dos Países do Eixo e o lançamento de duas bombas atômicas no Japão.
Elsa olhou assustada para ele e voltou-se para o livro como se tentasse confirmar o que ele acabara de dizer. Sorriu confusa. Eu me senti sorrir. É claro que ele teria no mínimo noção disso.
Afinal, ele estava lá.
― É isso mesmo. Está certo. ― Ela andou até ele e sentou-se na beirada da mesa, colocando o livro fechado ao seu lado.
Jack sorriu presunçoso e bateu uma das mãos no peito fazendo Elsa rir e revirar os olhos. Ele próprio riu com ela. E então de repente ele parou e continuou apenas a olhá-la.
Elsa se sentiu constrangida ao notar o olhar dele sobre si.
― ¿Que és? ― Perguntou levando a mão direita no cabelo. Jack pareceu extremamente sério.
― O que você faria se eu dissesse que estou apaixonado por você?
Elsa começou a tossir compulsivamente até desceu da mesa com a mão sobre o peito. Os olhos esbugalhados se voltaram para Jack. Cinco segundos de silêncio.
Eu sentia a tensão do momento. Esses cinco segundos me pareceram uma eternidade. Repassei todos os momentos que já tinha visto dos dois. Até que Jack começou a rir escandalosamente.
De inicio as gargalhadas pareceram meio forçadas, mas logo as mãos dele estavam sobre a barriga os olhos lacrimejando. Elsa por um segundo pareceu magoada. Mas logo mudou para uma expressão extremamente irritada.
― Você realmente acreditou? ― Ele falou entremeio as gargalhadas e tapas de Elsa em sua cabeça.
― Bastardo!
Eu teria ficado tão irritada quanto Elsa. Jack realmente era um idiota, pelo menos nessa encarnação. Mas eu queria que Elsa tivesse visto o mesmo que eu vi.
Durante os cinco segundos de silêncio antes das risadas forçadas os olhos de Jack brilharam intensamente. Um brilho que eu já conhecia.
O que significa que o que ele disse não era mentira. Ele realmente se apaixonara por ela.
Outra vez.
Fale com o autor