Manto Negro
10 Capítulo X
Sem acreditar no que ocorreu a algumas horas, retornei a minha habitação onde Leona conversava com Maya.
— Oh Guta, conseguiu se inscrever? — Leona perguntou
Neguei com a cabeça.
— Aconteceu algo? — Maya notou meu estado
Tentei ao máximo me segura, não sei qual seria a reação de duas adolescentes, ao saber que o um dos internos mais antigos me beijou.
— Sim, não posso lutar se não demonstrar minhas habilidades aos internos antigos — Respondi omitindo o verdadeiro ocorrido
Tive que repetir o conversado com Vlad, só que em um tom mais calmo e cansado.
— Não lembro de terem feito isso comigo — Leona comentou pensativa
— Claro que não, você por qualquer coisa soltava uma onda de choque, foi fácil saber suas habilidades — Maya retrucou
Queira mudar de assunto, tinha medo de acabar me embolando entre os pontos não contados da história.
— A quanto tempo vocês estão aqui? — Perguntei
— Eu a 4 anos, Leona 3 anos — Maya respondeu
— Bastante tempo... E nunca tentaram sair e viver lá fora como Vlad ou Hazel? — Perguntei
Falar o nome de Vlad me recordava o beijo quente, tive que segurar o sorriso e manter a calma e torcer pra não suspeitarem de nada.
— Sinto falta de algumas coisas lá fora, mas muitos mutantes tem seus rostos marcados pela mídia, assim que fica quase impossível sobreviver mais 2 dias lá fora sem alguém gritar "o mutante da televisão!" — Maya respondeu e Leona concordou
— E como eu posso sair? — Perguntei
— Pelo mesmo lugar que entrou, claro que tem que chamar um dos internos pra te guiar pelo túnel... Já aconteceu de alguns mutantes se perderem — Leona respondeu
Quando começou a anoitecer Maya voltou pra o seu quarto, e Leona adormeceu rápido. Eu queria sair hoje, estava determinada a fazer não somente isso, mas também a treinar minhas habilidades.
Pensei no Carniceiro plantado no canto do meu quarto, com aquele odor de carne podre, apenas esperando. Ele veio me buscar, poderia voltar se eu tentasse fazer algo.
Eu pensava nisso enquanto esperava dar 2 da manhã, um horário que eu tinha certeza que todos estavam adormecidos.
"Ele veio porque usei uma grande quantidade de poder, foi um local grande com muitas pessoas envolvidas... Se eu usar menos, talvez não apareça novamente" Assim pensei
De certa forma estava certa, porque quando era mais nova, minhas habilidades fluíam com facilidade, usava com uma ou duas pessoas, e ele nunca apareceu.
2:15 da manhã eu já estava no pátio, usando um moletom preto de capuz longo que podia esconder pelo menos a metade do meu rosto, era da Leona e por conta da altura e físico, ficava grande. Sem lanterna ou Vlad para iluminar o caminho, entrei no túnel e senti um frio absurdo, por um momento eu quis voltar para o calor do meu quarto, mas acabei seguindo em frente.
Andar no escuro era como um passeio amigável, sentia minha confiança aumentando, e uma vontade enorme de usar as habilidades.
— Quem diria que eu estaria fazendo isso — Falei para mim mesma
Procurei o túnel que levava a periferia da cidade, porque se alguém merecia sofrer, era os caras ruins. Andei por 20 minutos, e encontrei uma escada que levava para o sistema de esgoto, subi em mais uma e saí na cidade.
A iluminação era fraca, a rua estava vazia e fria. Decidi que era melhor eu caminhar pelos becos e tomar cuidado com qualquer coisa que ouvisse, até porque não sou a prova de balas.
Não demorou pra encontrar alguém, um rapaz alto tentando furtar um carro, não usava armas, apenas um taco que estava no chão. Fechei os olhos e me concentrei, abri e lá estava o rapaz, desorientado pois não enxergava mais nada além do negro.
"Vamos... Deve ter algo interessante..." Pensei
Mas ele era fraco, não aguentou mais de 2 minutos e acabou desmaiando de desespero. Tinha apenas medos infantis e nada de tão cruel além de furtos idiotas. Continuei andando pela cidade, a procura de alguém mais interessante, aonde eu pudesse explorar mais a fundo minhas habilidades. Encontrei mais 2, mas eram todos iguais ao primeiro, decepcionante.
Acabei no canal, sentada na beirada do pier, com um dos meus alvos desmaiados ao lado. Peguei o celular de um deles, e disquei o número da Holly.
— Quem é...? — Sua voz grogue de sono atendeu
— Sentiu saudades? —
Ela despertou quando ouviu minha voz, falou tantas coisas rápidas que eu mal entendi, acabei explicando tudo que aconteceu no mês, e aonde vim parar.
— Sinto muito pela sua mãe... O que passaram aqui foi outra versão, mas achei estranho quando ouvi — Comentou
— Que versão? — Perguntei curiosa
— Que você incêndio a casa com sua mãe dentro, e depois fugiu por ser um mutante — Respondeu
Uma ódio acendeu dentro de mim, nunca senti tanto nojo e raiva dos humanos. Por que ocultaram aquela besta? Por que me acusar?
— Quem falou isso? — Perguntei
Holly claramente notou meu tom de raiva.
— A policia,e outros caras que cuidam de assuntos dos peculiares — Respondeu rapidamente
— Agora eu sou uma assassina, ótimo. Agora entendo o que Leona e Maya falaram — Comentei
— Você não pode voltar aqui, qualquer coisa eu vou te visitar — Falou
— Acho melhor não, pode ser perigoso —
Eu ouvi um estralo atrás de mim, me despedi de Holly e devolvi o celular ao cara desmaiado.
— Oi? — Pronunciei
Ninguém respondeu, conclui que deveria ser algum animal de rua e resolvi voltar para Casa, pois já sentia o cansaço de usar minhas habilidades. Era quase 5 da manhã quando retornei a minha habitação do mesmo jeito silencioso e furtivo que sai, apaguei no mesmo instante em que toquei na cama.
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