Notas iniciais
Eis-me aqui de novo, tem combo hj! E músicas :) Ponto pra plataforma Nyah que agora insere links ao texto! Das indicadas tem uma que acho muuuuuito significativa pra certo capítulo à frente, vou lembrar de comentar depois. Como visto no trechinho que deixei no post passado, aqui vai rolar umas tensõeszinhas hohoho Shippers de Dani & Bruno, fiquem alertas! P.S.: Eu não sabia que tinha tantos leitores até ver o contador! :D Vcs, hein, lendo escondidinho hahaha Sem problema. P.S. 2: Esses dias estava escrevendo uns capítulos BEM decisivos e tensos dessa hst *ai meu coraçãozinho* e se puderem, hoje, que escrevi um super tenso (e lindo *-*), mandar uma review só pra dar AQUELE gás, eu ficaria muito agradecida, viu? Nem que seja um surto, nem que vcs leiam em 2057, aceito atemporais rs Murilo diz que eu mereço um mimo de vcs, fantasmas ou não =) Enjoy!

Outros colegas mais já estavam por lá e se estavam sob álcool ou energético, eu não saberia dizer, mas que estavam felizes pelo break oportuno que o evento nos deu, ah sim, não tinha esse que pudesse falar mal. A noite era “nossa” e do “house”.

House music não é um tipo de música que você pode caracterizar de forma tão definitiva. Quer dizer, a não ser que queira uma noção mais técnica, mas aí só quem entende mesmo são os djs e pessoas que procuram saber mais sobre a batida. Para leigos como eu, era apenas um tipo de música eletrônica que conseguia identificar por algumas batidas mais constantes que o ouvido captava.

Uma vez dentro da boate, ou mesmo antes de entrar, já dava para sacar. Mas se deter a explicar isso para Sávio era outra história. Ainda mais se nem todas que tocavam poderia servir de exemplo e era meio que difícil se lá dentro fazia muita zoada, mesmo estando na área do bar.

– Presta atenção agora.


01:18
Trilha indicada: Inna — Déjà-vu (Feat. Bob Taylor)

Agradecia mentalmente a Lucas que havia me dado uns toques sobre seu trabalho de dj. Sávio em seu jeito mais reservado (até para gosto musical) foi pegando o jeito com o passar das músicas. Como o cansaço havia me batido novamente, acabei que só dancei umas duas vezes quando cheguei e logo fui pro bar, ficar só observando o movimento com meu amigo, quem se sentia um pouco deslocado. Música eletrônica definitivamente não era seu estilo. Mas até que a gente conseguia conversar.

Mesmo no bar, não bebíamos algo alcoólico. Ainda assim, ora e outra aparecia algum de nossos amigos reforçando a história que nenhum de nós dois poderíamos beber. Apenas revirávamos os olhos. Isso não nos impedia necessariamente de ficar perto de muitos drinks que um garçom nos trazia.

Eram bebidas de galanteio que recebíamos. Todas as vezes que o garçom vinha com uma taça diferente, Sávio ficava sem jeito, e deixava a bebida ali do lado. Já dava pra começar a revender do tanto que acumulava e alguns amigos nossos aproveitavam a bebida de graça. Quando Sávio fez uma coleção de cinco e eu de três, pedimos para o garçom começar a recusar.

Dado um tempo, ele perguntou por que eu não estava lá no meio, dançando e extravasando com o povo. Sávio, não o garçom, que perguntou.

– Posso contar um segredo? Foi um erro vir com esse salto. Qual sua desculpa?

– Um segredo? Não sei dançar...

Quase engasguei com meu coquetel virgem, senti que o líquido ficou indeciso se ia para o estômago ou para o pulmão. Ele só podia estar de sacanagem comigo. Sávio, não a bebida ou mesmo estômago ou meu pulmão. O barman não nos ouvia, mas observava, e estava bem curioso por todas aquelas taças ao nosso redor.

– Não acredito.

Mas Sávio é mais rápido e desvia mais uma vez a conversa – ele não comentava muita coisa sobre o fato de ele ter recebido mais drinks-cantadas do que eu (não que eu estivesse reclamando, preferia ficar na minha e não ter ninguém dando em cima). Seguindo seu tom confessional, confirmo com a cabeça que eu pensava o mesmo:

– Além de que realmente não curto muita zoada. Não desse tipo.

– Também não.

E então ele me sacaneia, com aquele sorrisinho suspeito dele:

– Diz a pessoa que entende tudo de música eletrônica.

– Ah, eu apenas sei. Quer dizer, tenho um amigo dj. Normalmente não saio para boates, não é meu estilo. Lugares apertados, som alto, muita bebida? Não é bem meu ideal. Gosto do simples, do calmo. Não existe apenas uma fórmula para diversão. Uma boa conversa já me vale.

– Concordo. Também acho que uma conversa mais vale.

Com essa eu tive que rir.

– Há! Fala o coelhinho calado.

– Coelho calado?

– Era um desenho animado de um coelho que não falava. O que quero dizer é que você não é muito conversador. Tem coisa que a gente tem que arrancar de ti.

– Mas gosto do calmo. E se fico na minha é porque prefiro ouvir ou observar os outros. Pra falar a verdade, eu nem ia vir. Pensei em não vir. Como não quis ficar sozinho, preferi acompanhar vocês.

– E nem pode beber, né?

– É.

– Se pudesse escolher, qual seria o seu lugar ideal? Digo, “a sua praia” para seu tipo de diversão?

– Um barzinho de música ao vivo... Um banco de praça... Um píer...

Nisso, uma alegre Daniela praticamente pula em cima de nós. Tive que me segurar no balcão, pois minha banqueta sofreu um desequilíbrio. Ela se desculpou pelo tropeço dela e se voltou para Sávio:

– Mas como você sabe? Tá tendo previsão, é isso?

Acho que minhas sobrancelhas se uniram assim como as dele, não sacando do que Daniela se referia. Previsão? Meu amigo que questiona:

– Sabe de quê?

– Que eu ia dar a ideia de visitar amanhã a cidade do lado, que tem praia?

Dani não estava alterada. Ainda. Descansava do agito pedindo mais drinks pro barman e nos relatando o novo esquema. Que ela ouviu um grupo conversando na área V.I.P. sobre a cidade praieira adjacente, que um micro-ônibus sempre estava à disposição em tal ponto para levar os turistas, a viagem durava no máximo 40 minutos de estrada. Como foi o papo de alugar um carro, isso se alastrou fácil por algumas pessoas de nossa turma e logo algumas pessoas já estavam afirmando presenças.

Mas claro que para o horário de 14h, pois ninguém ali iria levantar cedo para uma empreitada dessas, ninguém. Por mim, dei de ombros, a cidade em que fomos parar era quente e não era costeira, me pareceu uma boa pegar essa trilha pra praia. Além do mais, estaríamos todos em grupos, que mal haveria de ter? Era um dia livre!

Papo vai, papo vem, Daniela já sentada perto de mim formando comigo e Sávio uma bolha de conversa no bar, percebi que ela estava um pouco inquieta. Animada, mas ora e outra olhava pra pista e não sei o que a impedia, se queria voltar. Quando Sávio atendeu a um pedido do barman de segurar o cano da cerveja, a espivitada cochichou no meu ouvido:

– Me ajuda a convencê-lo a dançar comigo.

Antes que sequer lhe respondesse, ela se levanta num pulo logo que ele se volta para a bolha de conversa. Já foi o puxando pela mão. Claro que ficou todo tímido e hesitou, tentando se justificar.

– Sávio, só porque você não tá tomando umas, não quer dizer que não possa dançar. Vem comigo.

– Ah, esses pés não dançam...

Dei um sorrisinho de meia-boca, sem saber se isso passaria despercebido, mas fiz minha entrada para ajudá-la como havia me pedido. Usei, infelizmente, um golpe baixo.

– Não dançam? Não foi o que vi outro dia...

Daniela puxou mais uma vez ele pela mão, mais surpresa pelo que deixei no ar.

– Sávio dançando? Onde? Quando? Por que que eu perco as coisas boas?

Ele? Parecia estar pensando em todas as desculpas possíveis para se safar. Ah, qual é, não minto que queria o ver dançando também. Ele precisava se soltar mais! Mas o cara pálida continuava a enrolar...

Só não contava com a astúcia e insistência de nossa amiga.

– Ah, mas... mas ali foi diferente e...

– E nada, Sávio, dança comigo, poxa!

Intervi mais uma vez.

– É, Sávio, dança ou conto um segredo. E eu sei de um muuuito bom que a Dani vai adorar... deixa o ritmo te pegar, deixa.

Aí que ele quis reverter o caso.

– E você que não tá dançando também?

Quase ri de sua tentativa furada, ele não sabe como eu posso arranjar brechas pra me safar. Eita se soubesse de meu histórico! De prontidão levanto só pra provar meu ponto.

– Não seja por isso...

~;~

Trilha indicada — Basslovers United — Forever Is Over

Não é a toa que academias são conhecidas por suas trilhas sonoras de passatempo com músicas remixadas em múltiplos efeitos eletrônicos. A energia que um simples remix desperta no nosso corpo parece mágica. Agora imagine se a música é quase puramente eletrônica... Apesar do domínio da noite ser house music, já tinha rolado de tudo um pouco entre dance, trance, psy e outros dos quais meus ouvidos não eram comuns. Só sei que eu mal sentia como meu sapato me machucava o pé quando peguei um ritmo.

Me meti por entre a galera que conhecia, havia casais arranjados e pares aleatórios, todos agitados de maneira que contagiava e logo o grupo se alargava mais, assim como pegava mais espaço pela pista. Eu praticamente já não via ninguém por me deixar levar ritmada, e por um tempo pensei estar dançando sozinha, liberando esse surto que me deu. Olhei para trás quando senti que um braço surgiu por me rodear e me puxou para si.

Suspirei em alívio quando reconheci Gui, que foi se adequando ao meu pulso dançante. Dei uma diminuída, no entanto, para poder conversar um pouquinho, mas não me virei para ele. Ri enquanto puxava papo.

– Já brigou com ela, foi?

Gui me acompanhou conforme fui pausando. E não me soltou de seu braço.

– Na verdade, vim para que ela não brigasse comigo. Pra cuidar de ti que tá cheio de marmanjo por aí testando a sorte.

Ele não pôde perceber, mas dei aquela revirada de olhos. Até aí eu já havia parado mesmo de me movimentar, ficamos os dois ali, engolidos pela pista, a música estourando os tímpanos, o mundo continuando a rodar e, no escuro, eu não via esse tanto de marmanjo que havia citado. Guando puxei seu braço de mim, ele cedeu. Porém não se distanciou.

– Aff, Gui, fala sério.

Ele tenta me convencer por se reafirmar. E foi apontando para o nosso redor, de forma que abarcasse uma galera que dançava perto de nós e ouvi bem quando vacilou.

– Tô te dizendo, sou homem. Vejo e ouço coisas. Vi que Sáv... que já tinha gente de olho.

Me surpreendi, ele sabia de algo. Entrecerrei os olhos. Não pelo escuro, mas pelo rumo que o papo levava.

– Você ia dizer...?

– Ok, ok... confesso. Eu ia dizer sim Sávio. E não só ele tá dando na cara. Tem todo um arranjo de homens por aqui secando minhas garotas.

“Minhas garotas”. Ele tava meio alto mesmo, não sei quantas já havia tomado.

Sua tentativa feliz de abordagem quase foi convincente, pois cara de anjo ele sempre teve e tom leve sempre foi com ele mesmo. Mas conheço a peça de outros carnavais. E sei que Gui não vai me falar nada a respeito nessas situações. Ele tem um modo mais simplório de cuidar de mim, apesar de suas implicâncias. Só que eu prefiro dispensar, pela fila que tenho de gente almejando pelo mesmo.

– Até parece que você tá compactuando com meu irmão.

E eis que nem preciso muito para arrancar dele, se ele mesmo faz questão de escancarar o que eu queria saber. Já que deserdo ele!

– Confesso que ele me pediu, mas respondi que não seria necessário. Até parece que não sei cuidar de você.

Bufo com um bico e um entrecruzar de braços. Vou matar o Murilo!

Sibilo pra mim mesma, sem saber se Gui entende. Talvez minha expressão, entrecortada pelas luzes piscantes, entregue alguma coisa.

– Ah, mas ele me paga por essa.

– Nesse meio tempo, ninguém chega perto de ti. Ou da Flávia. Ou da Dani. Pera, cadê a Dani? Vocês são dureza, hein, ficam se separando!

Legal, Gui alterado pelo álcool que era meu responsável. Muito, muito legal.

– Quem devia estar resmungando era eu. E te deserdando. Deixa eu chegar perto daqueles ouvidos do Murilo.

Falo já o empurrando de lado, que caçava olhando por cima das pessoas onde estavam as meninas. Aguinaldo, no entanto, não fica parado, me segue fazendo escolta bem rente a mim.

– Hey, eu tô fazendo um bom trabalho. Certifique-se de dizer isso a ele pelo menos.

Consegui me afastar dele, porém desisti de continuar a dançar depois dessa. Loreen já tocava, me chamando para deixar o desânimo de lado e voltar a me juntar aos outros à batida forte e meio dark (era o charme, Luke uma vez comentou). Mas não havia mais jeito pra mim.

Trilha indicada/citada: Loreen – Euphoria

Era pra ser só uma passada na festa. Ia dar 1h da manhã (lá tinha um relógio digital!) e tava todo mundo tão disperso, alto e agitado que cheguei a parar ainda no meio da pista só avaliando por onde eu começaria para reunir todos e ir embora. Sinceramente? Eu quase iria desistir e pegar um táxi. Até porque não aguentaria ficar de um lado para o outro, sendo que meus pés começavam a doer e o cansaço a me abater.

Só realmente não faria porque não sabia bem o caminho do hotel para informar ao motorista do táxi, assim como não valeria a pena se já havia pagado minha parte do trato do carro que todos fizemos, e já bastaria o fato de a gente ter combinado pegar um micro-ônibus no dia seguinte, que era outra despesa. Um pouco desanimada voltei para esquentar minha banqueta no bar, sempre observando o que acontecia ao meu redor.

E foi então que vi, um pouco distante de mim, Daniela dançando com uns colegas de sua turma e Bruno no meio. Nesse instante pensei nos dois e como não adiantava o quanto eles se mantivessem separados, uma hora eles tornavam a se aproximar e ficar um clima estranho. Quando me acomodei, eis que o “coelhinho calado” voltara também, pensei ter o perdido para a multidão. Antes que eu perguntasse a respeito, só senti um tumulto ao redor e logo um vulto emburrado sentar-se de volta à banqueta perto da minha.

Apenas suspirei ao olhar para trás, onde havia certo vago ao leste da pista, um Bruno constava meio estático enquanto as pessoas ao redor iam aos poucos fechando o espaço e nos separando cada vez mais. Daniela não quis comentar coisa alguma, só passou a entornar mais e mais umas e outras que ainda chegavam para nós, drinks-cortesias de outros festeiros. Tive que falar com o garçom de novo sobre isso, já que era outro que então tinha aparecido.

Captei enfim um olhar de Aguinaldo, de quem havia achado duas de suas garotas juntas, mas que percebi que expirara ao ver mais camaradas rondando próximo a nós. Acho que dessa vez ele iria confiar no Sávio, mesmo que outrora tivesse pensado mal dele. Apenas vi quando meu amigo me acenou um “olha lá e se comporta” enquanto se metia novamente pela multidão e se deixava baixar a guarda para a namorada. Não é todo dia que vemos Flávia assim, livre, leve e solta e acho que até ele queria aproveitar.

~;~

Uma coisa se tornava clara. Ver o quanto uma bebida – ou excesso dela – pode fazer com um ser humano, chego a uma constatação: não é bem que opostos se atraem, eles podem é se atrair.

– Dani, não bebe isso, cara. Sabe-se lá o que esse povo tanto manda pra gente. E nem vimos a preparação. Te disse que não ia ficar de babá, então te aquieta. Depois vai querer vomitar e eu que vou ter que te segurar.

Sávio apenas levantou os braços em rendição, como se não tivesse nada a ver com aquilo. Cansada, eu tentava afastar os drinks dela, olhando feio pra ele que não me ajudava. E se fez de desacreditado quando minha amiga quis se desfazer de mim.

– Daquela vez eu te segurei.

– Mas não vomitei. E nem bebida estava envolvida no caso.

Imagino que estamos falando daquele dia que dormi na sua casa e, desconfortável pela situação com Djane, usei minha avó como desculpa do que eu sentia de ruim. Só que ela, Dani, de repente surta numa risada que quase se engasga com a bebida que levava à boca. Nem sei quantas doses haviam ali no seu sistema já. E bruscamente muda o humor, como se estivesse muito deprimida.

– Vomitou sim. Só demorei a entender qual era o tipo de “vômito”.

Me pergunto se ela quer me dizer alguma coisa em código.

Embaraçada pelo que deixa no ar, nem me digno a me voltar para Sávio, quem só nos observava. Já vi Dani bêbada uma vez e, por incrível que pareça, enquanto todos esperavam uma explosão de excentricidade, de vivacidade ou algo assim, ela se mostra é muito quieta, de uma quietude nada típica dela. O que era até um pouco assustador sobre o que poderia ter acontecido. Quer dizer, ela ri, ri muito, ri até demais, porém, não faz nada extravagante. É como se a bebida adormecesse seu lado fera e libertasse da hibernação profunda esse seu eu “tranquilo”.

E com Bruno acontece o mesmo, pude observar também, só que numa proporção... hã... contrária. Ele que vira o extrovertido, que faz a baderna, que grita, ri, dança, se anima demais. A bebida o faz pular ao seu extremo não comum.

Olhando de um para o outro, separados, isso que parece os completar. Será que alguém já viu isso? Já notaram eles mesmos? Dizem que os opostos se atraem.

Vendo-os assim eu posso declarar que é verdade, e não só porque são tão diferentes de um do outro. Porque se assim fosse, eu teria que estar com um cara oposto de mim, e com Vini não é bem desse jeito. Não precisamos ser necessariamente opostos, tampouco convergentes. O que somos só nos dá equilíbrio.

Conforme vou afastando sutilmente minha amiga dos coquetéis, me pergunto o que faltava para seu equilíbrio. E para o meu próprio quando percebi que começava a “minha” música, Where Have You Been? da Rihanna numa batida um pouco suave puxada para o trance music.

Trilha citada/indicada: Rihanna — Where Have You Been (WES Project Trance Mix)

Não havia bebido, mas estava ali, me sentindo embriagada e cansada como se tivesse ingerido as quantidades alcóolicas que vi Daniela virar. Para meu próprio bem, imaginei que isso era só saudade e que o controle estava comigo. Não iria pensar novamente nas palavras de Eric, não enquanto eu não retornasse.

Achei melhor bater o martelo e decretar o fim daquela festa. Enviei meu amigo à caça dos outros, e ele conseguira resgatar os pombinhos do pega que rolava na pista e, no caminho, puxara Bruno também, sob a desculpa que já iríamos embora e era bom que voltasse conosco, já tinham todos “brincado” o bastante. Daquele jeito eu já tinha até desistido do passeio à praia, mas, ainda no estacionamento, Flávia insistia em manter esse plano, e Gui, tão alterado quanto ela (ainda tô besta por seu comportamento de outrora), afirmava o mesmo. Fiz que sim só para não ter que aumentar o trabalho de babá, sabendo que muitas respostas seriam diferentes ao amanhecer.

Dispersa com essa conversa, esperamos Sávio destravar o carro para que pudéssemos entrar. E aí o clima ficou bem desconcertante quando Daniela simplesmente puxou a camisa de Bruno logo que ele se atirava ao banco de trás. Ela tinha um semblante furioso que ninguém ousou interromper:

– Onde você pensa que tá indo?

Ele não entendeu o que era aquela pergunta, assim como o resto de nós, que trocamos uns olhares rapidamente. Bruno levantou a cabeça que já tinha enfiado no carro e puxou sua camisa de volta, num puxão brusco das mãos de Dani, que me assustou.

– Pro banco de trás? Onde eu vim?

Dani se fez de indiferente e o empurrou para a outra porta, onde Gui estava com a mão na maçaneta.

– Não, você vai no banco do carona agora.

Sabendo que a história ali num ia prestar, resolvi intervir antes que Sávio se metesse no meio e a coisa toda piorasse. Fiquei entre os dois, empurrei Bruno em incentivo para que ele fosse mesmo no banco da frente e Gui quase ficou sóbrio nessa hora, cedendo seu lugar, preocupado com a cena. Ele tem dessas de vez em quando.

– Isso, Bruno, melhor... hã... a gente fazer essa troca. A Flávia pode ir em cima da gente dessa vez, né, FLÁVIA?

Meio perdida, minha amiga demorou pra sacar as entrelinhas e quase não nos deu uma resposta. Praticamente joguei Bruno para o assento da frente, que ele foi com um pouco de resistência e emburrado, e incentivei os outros a irem entrando.

Só pude descansar a cabeça no carro ao ver que os dois haviam ficado em extremos opostos. Dani no ponto atrás de Sávio, Gui no meio do banco e eu às costas de Bruno, Flávia jogada em nós no banco traseiro. Mas respirar mesmo, só quando as meninas se deitaram. Por todo esse tempo até o quarto, felizmente, quase não houve um pio delas.

Porque eu tava de cara feia pra elas.

Notas finais
Apenas... EITA. CasoS sérioS.