Mantendo O Equilíbrio - Um Novo Amanhã (T4 + T5)
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Tem capítulo a la Milenar hoje, começando naqueeeeeeeeeele estilo. Odisseias, claro. Essa é a vida em cores (rs)
Enjoy.
A melhor hora para o universo te ajudar é quando se está atrasada (o).
Mas é aí que ele te sacaneia e sacaneia bonito.
Ok, não estou atrasada, tempo ainda não começou a me faltar. Só choramingo ao me dar conta que fiquei presa no terraço de casa. Sim, eu consegui ESSA proeza. Não sei onde estava com a cabeça ao sair e bater a porta da frente sem ter pegado a chave do portão antes. Realmente não sei. E choramingo ainda mais quando, enquanto procuro um celular perdido na bolsa, ouço-o tocando e noto que não está dentro dela. A voz do meu Ryan vem de algum lugar da casa, como da sala ou cozinha imagino. Como pude esquecer meu celular, ainda mais estando presa na minha própria casa desse jeito, sozinha? Que falta de “azar”.
Trilha sonora citada: OneRepublic – Life In Color
http://www.youtube.com/watch?v=BkShZ3bwKq8
Antes de me desesperar, tenho a brilhante ideia de procurar pela chave reserva, a que fica escondida. Quando não a encontro no lugar de sempre gemo achando que ou Murilo escondeu muito bem ou não a recolocou no lugar depois uma última emergência do outro dia em que ele perdera as suas. Não podia ser melhor.
Pensa, Milena, pensa! E rápido! Porque é simplesmente o último dia para se passar numa casa lotérica para pagar umas contas. Murilo me mata se eu não conseguir. Quanto mais fico presa, mais a provável fila da casa lotérica que pretendo ir aumenta e o tempo de fechar o estabelecimento diminui.
Hoje o dia tá dose.
~;~
Não acredito que vou apelar, que tô apelando, que apelei.
Chego ao topo do muro com a ajuda de uma cadeira que achei nos fundos da garagem. Me serviu de grande degrau na subida, apesar de ser desregular. Um pé estava menor que outro – não é a toa que estava largada onde encontrei – o que não a mantinha estável no chão. Ainda assim consegui.
“Você chegou longe, devia se orgulhar” é o que penso. Mentalizo também um “você consegue” quando espio a certa altura que tenho de matar para atingir o chão. Não dá pra colocar a cadeira do outro lado, então estou por mim mesma, sem nada mais que o chão para me amparar. Nessas horas que se deseja ser um gato, capaz de pular de uma altura significativa e cair sobre as patas.
Se serei bem aventurada nessa, não dá pra saber, afinal, o dia já não começou bem e até então não estava muito feliz. Tinha tanto para fazer em tão pouco tempo! Tenho que falar com Djane, com Gui, Flávia, Bruno, Dani, Wellington, seu Júlio, Filipe, Iara, Murilo... e o próprio aniversariante que não sabe NADA sobre a festa surpresa que estamos preparando – meu querido namorado Vinícius. Estamos fazendo tudo bem intocado para que não tenha a menor sombra de desconfiança. Ele acha que é uma coisa e é nada parecido.
Merda. O Ryan canta lá de casa novamente e me sinto mais frustrada por não poder atender o celular. Pode ser qualquer um deles, com um problema e... merda de mãos atadas!
Isso sim é vida em cores, my friend.
Sentada em cima do muro espio mais uma vez a altura. Vinícius fez parecer tão fácil no dia da briga com Filipe. Como que ele pulou tão rápido? Respiro fundo para dar calma ao meu pulmão não acostumado com estripulias de exercícios, está espantado pelo meu apelo de forçar a barra assim, repentinamente. Suspiro também por não ter testemunhas na minha rua vendo essa minha cena triste. Nem devo comemorar o fato de estar de calça escura, já que aqui venta e limpo não é. Se estivesse de vestido, estaria chorando praticamente. Não por causa da roupa necessariamente, pela tristeza da situação mesmo.
Tampouco agradeço por não estar chovendo, lavando minha vergonha, porque acredito em desastres e o que vivo no momento, para mim, já é o bastante. A temporada de chuvas caiu bastante desde que chegamos de viagem, o que foi bom, porque a cidade estava um caos com rios e rios toda madrugada, com batidas e capotadas de veículos. Se continuasse nesse ritmo, andar pela cidade seria trocado por natação, ao passo que os carros, seriam trocados por barcos.
No momento o que me preocupa é minha ankle boot... Acredite, cair de mal jeito significa torção. O salto não é significativo de qualquer forma. Só não quero ter que ir para faculdade no segundo dia já de gesso ou muletas. Apesar de terem construído uma rampa na área do meu curso – vi no dia da minha rematrícula – não quero ser a estreante oficial. Sabe como essas coisas chamam atenção. A última pessoa que me lembro de ter desafiado as escadas foi minha colega de turma Marcinha. Desafiado no sentido de conseguir subir de muletas, não de ela se ferrar nelas.
A galera ajudou bastante, claro. Só que não demorou muito sua recuperação e quebrou o braço numa queda, então na mesma escada. Quando chovia, a tal escada se tornava perigosa, aprendemos com Marcinha. Coitada, ela aprendeu na pele (e osso!), na marra. Ano passado certamente não foi bem seu ano.
A diretoria também notou o perigo, pois solicitou uma rampa logo no semestre seguinte. Ou foram os protestos da galera? Bom, o fato é que demorou um pouco por pura burocracia até começarem a construção de uma. Além de necessidade, era lei, diretriz estrutural de estabelecimentos de educação. Algo assim.
Por que eu tinha mesmo que ficar sem chave e celular? Bato a palma na testa, frustrada. O que é que o universo quer me provar dessa vez? Olho para o dia não muito nublado, não muito aberto. Ok, eu tenho que pular. Mordo o lábio ao passar as pernas para o outro lado, todo cuidado é pouco.
Se eu chegar viva à faculdade hoje, tenho de roubar ou o celular de Gui ou de Flávia, meu plano B. Isso se já não me deram por desaparecida dado o tanto de vezes que o Ryan já me chamou dentro de casa... O celular hoje tocava como se eu mesma estivesse o deixado tocando numa playlist na função repeat. Só não chegava ao refrão, sempre retornava ao começo. Era um toque de celular, por isso.
Olho o chão me requisitando. Num pulo estarei lá, num segundo apenas.
Mais rápido que isso impossível. Certo?
Ai, mamãe, essa preparação que me mata!
Já subi e pulei de árvores, já fui perseguida por cachorros, estive em situações piores e mais críticas. Por que essa não podia ser fichinha?
Tá, eu vou. No três.
Um. Doooooooois. Três.
Hesito.
Coragem, Milena! Você é uma mulher ou o quê?
Uuuuum. Doooooooooooooooooooooois. Três.
Pulei.
~;~
É engraçado a sensação que fica na gente quando saímos de casa sem celular. Se ele fica na bolsa, podemos nos esquecer da vida que mal nenhum tem. A garantia de que ele está lá, que é seu objeto de comunicação com qualquer pessoa a qualquer momento é o que nos dá certa paz. Mas experimenta sair sem ele. Certamente é o dia que mais se precisará do pequenino, pra uma mínima coisa. Até para olhar as horas.
Quem é que hoje ainda usa relógio no braço? Quase ninguém. Mundo moderno e suas ultrapassagens. Mas ainda bem que nem todo mundo é leso de esquecer o celular em casa, então consigo me informar logo que entrei na casa lotérica. Escolhi uma que ficava uma parada antes da faculdade, assim eu mataria coelhos com uma cajadada só.
Por que coelhos mesmo? São bichinhos tão inocentes, tão bonitinhos. Por que merecem morrer? Que fizeram? Que má fama é essa que ganharam? E tão fracos... Uma cajadada é suficiente para que cheguem ao outro lado da vida.
Acho que minha expressão especuladora não é bem vinda dada a olhada estranha que recebo do cara na minha frente na fila derradeira de expediente da casa lotérica. Ele que informou que eram 17h45. Parecia estranho. Ou eu era a estranha. Agora até pensar na frente dos outros é visto como coisa esquisita. Que mundo lindo é esse! As pessoas matam, sabia? Matam coelhinhos ainda por cima. E com uma cajadada só!
Não adianta saber que você não está com o celular, seu inconsciente não entende. A cada passo que a fila dava para diminuir, eu ficava inquieta, pensando no que teria que fazer, o que checar, o que enrolar, que desculpa dar. E meu inconsciente ia lá na bolsa procurar o bendito que não tava! Se algo der errado daqui pra amanhã, eu vou culpar o próprio aniversariante, que fica me fazendo pensar nele e acabo fazendo besteira.
Anoitecia quando finalmente fui atendida. Como estrategicamente saltei um ponto antes da minha real parada da faculdade, iria andando até lá. Esse horário é horrível para o trânsito, é quando tudo começa a travar e engarrafar. Só me falta a coragem de ir andando, atravessar um cruzamento e caminhar mais umas quatro quadras. Saio satisfeita do estabelecimento por pelo menos ter conseguido pagar as contas, menos uma coisa para me preocupar – e Murilo pra me atazanar.
Dou uma boa olhada no movimento da avenida para ver que caminho iria pegar. Na porta da lotérica que fecha, percebo o quão deserto ali ficava. A maioria das pessoas que saíam dali estava com seus carros, outros foram para a parada mais próxima. Pensei em pegar um ônibus, mesmo que fosse para uma distância tão pequena, porém, eu provavelmente chegaria tarde devido àquele trânsito que eu via. Djane está na faculdade desde cedo, então quero ver se consigo falar com ela antes da aula.
Meu primeiro horário de aula é com a professora Amália. Mulher bondosa, mas nem tanto se você chega atrasada. Além de te olhar feio algumas vezes, ela te marca para as perguntas mais difíceis durante sua apresentação de conteúdo. Sei porque Gui já foi seu alvo. A sorte dele era que de Marketing ele gostava.
Eis que vem a primeira percepção quando dou um passo para seguir o rumo que acabara de traçar. Vejo pelo reflexo da porta de vidro de uma loja fechada a minha frente a imagem de um homem, imagem que quase me faz travar, porque ele se mostra potencialmente um... cara perigoso. E mais outro chega perto dele, apontando “discretamente” para mim. Gelei.
Era só o que me faltava. Ser assaltada! E de verdade dessa vez.
Não dava para reagir, é a primeira coisa que penso. Mesmo se tivesse com meu caderno para bater – a lesa aqui se esqueceu de fazer a passagem dele pelo muro enquanto o pulava – eu não seria louca de uma coisa assim. Se eu gritar, quem vai me ouvir nessa barulheira toda da avenida? Um pouco mais à minha frente, um último carro sai do estacionamento daquela área e sinto que era minha última chance de pedir socorro. Preciso de um plano, preciso de um plano!
Quando o carro passa, vejo que atrás dele havia um cara arrumando sua moto. Distinto, parecia distraído. Era forte, dava para ver de longe. Era minha chance. Estranho ou não, lá eu vou pedir ajuda, pelo menos até os caras que estavam logo mais atrás passassem. Respiro fundo brevemente antes de seguir em frente, seguro firme minha bolsa ao braço.
O que falo para o cara?
Quando me nota na sua frente, parada, sem-jeito, ele levanta as sobrancelhas sugestivamente, como uma pergunta silenciosa daquela proximidade. Jogo logo a verdade na lata.
– Desculpe, mas pode fingir que está... hã... conversando comigo? Porque tem dois caras ali altamente suspeitos e eu não tô a fim de ser assaltada hoje. Não olha pra eles.
Ele olha! Levanta o olhar para além de mim e tensa fecho os olhos por ter pedido para não fazer isso. Ao abri-los, vejo que ele tem uma expressão séria, como que preocupado pelo que os caras poderiam realmente fazer.
– Eles estão se aproximando. Vem mais pra cá. Não vou deixar que eles façam algo com você. Segura isso pra todo caso.
O cara era um total estranho, mas algo no tom dele me fez acreditar que pudesse me ajudar. Prontamente, sem muita exaltação, desvio, tensa, da moto dele para ficar ao seu lado, de onde tive plena visão dos caras suspeitos e seguro seu capacete. Ele estava querendo dizer para bater com isso caso fosse necessário?
Fingi não olhar para os caras, prestava atenção pela visão periférica. Andavam em nossa direção. Isso me assustava a ponto de, a cada passo deles, algo no meu estômago revirar de ansiedade do que eles pudessem fazer. O alívio vem quando um alarme alto soa pela avenida num efeito Doppler (valeu The Big Bang Theory!) gritando uma presença de polícia.
Os caras passam por nós andando mais rápido e tomam o caminho que eu ia pegar antes de tudo. Olhamos eles sumindo por lá e só assim posso agradecer mentalmente por não terem percebido que aquele som vinha de uma ambulância, que tão logo despontou na avenida. A tensão vai se esvaindo devagar quanto meu expiro de consolação. Pelo jeito eu teria que voltar para a parada e pegar um ônibus mesmo, ainda que chegasse atrasada, ainda que não conseguisse falar com quem devia antes e resolver umas pendências, ainda que professora Amália me marcasse por um semestre todo.
Era mais seguro.
– Obrigada. Nem sei o que poderia ter acontecido se...
– De nada. Acho que estava com sorte.
Ele ri um riso discreto, mas assegurado. Finjo que não ouço sobre sorte porque é um assunto muito do delicado para mim, mesmo nas circunstâncias que acabo de passar. Então reforço o que estava dizendo:
– Sério, muito obrigada. Tanta coisa já me aconteceu hoje, mas isso seria demais. Acho que agora vou para a parada já que eles tomaram o caminho que eu ia andar. Melhor chegar beeeeem atrasada na aula do que... enfim, não chegar.
– Quer uma carona? Também tenho que ir para a aula, mas posso te deixar lá. Prometo que não sou sequestrador. Nem coisa pior.
Não sei se são seus olhos, se é seu jeito por completo. Algo nos seus movimentos discretos ao pegar de volta o capacete que eu segurava. Ajeita sua mochila, tirando-a das costas. Como o local era parcialmente iluminado por um poste próximo, dava pra ver mais de suas expressões, singelas. Me parece bem... confiável. Não só pelo fato de ter me ajudado, é aquele... feeling, sabe, de que a pessoa é prestativa mesmo, coisa muito difícil ultimamente nesse mundo.
Entretanto, é o que o torna mais perigoso, numa contradição já de cara. Porque muita confiança hoje em dia é o que acaba com as pessoas. Incerta, não sei como posso me desfazer de sua carona sem ser rude.
– Hã, e-eu... não sou muito fã de motos, sabe.
Era muito bonita, na verdade. Prata com bordô a sua. Só não entendo delas.
– Ela não morde. Facilita pra enfrentar esse trânsito. Minha faculdade fica logo ali, naquele prédio cinzento.
O cara aponta para o pequeno complexo de prédios logo à frente da avenida, o que me faz pensar se é realmente um golpe de sorte ou luz no fim do túnel. Será que agora o universo quer me compensar com coisas boas? Porque é...
– É o mesmo lugar da minha.
– Então pronto, fechou?
– Er...
Nessas horas a gente pensa naquele conselho que todos os pais dizem aos filhos pequenos, de não falar com estranhos e muito menos sair com eles, deixando-se a mercê deles (Filipe não conta daquela vez que me “atacou” porque, bom, ele não era um total estranho). E se esse cara desviasse o caminho? Bom, ele não sabia que era a minha faculdade também, é possível que esteja indo para lá mesmo. Acaba de me salvar de uma, mas será confiável mesmo?
Mas aí vem aquele fio de pensamento que diz: ainda existem boas almas. Elas nos ajudam a passar por caminhos difíceis. Ele podia ser um, não podia? Potencialmente? Seu rosto convence.
Ok, se eu subir nessa moto, se ele desviar o caminho, eu dou meu jeito.
Sempre dou, num dou?
– Tá, eu aceito. Como é seu nome?
– Sávio. Prazer.
– Milena. Obrigada.
Nem nos prestamos a apertar as mãos, ele só me entrega um outro capacete que devia ser reserva. Coloco-o e Sávio o ajeita em mim sem cerimônias. Tão perto. Ele tem um belo, discreto e encantador sorriso.
Mentira que eu acabei de pensar isso! Mentira!
Se alguém perguntar, digo que não sei do que está falando.
Mas quem iria perguntar mesmo?
– Ok, Milena, coloca essa mochila nas suas costas pra facilitar. Apoia os pés ali.
Isso porque se estivesse sozinho, ele colocaria nas suas; com a mudança de planos, a mochila passa para as minhas costas. Mostra-me um lugar seguro de manter os pés para logo ocupar seu lugar de piloto enquanto arruma o capacete na cabeça, esperando por mim que logo sento atrás. Aos ombros, ele meio que grita para que possa lhe ouvir bem, antes de, novamente sem cerimônias, pegar um braço meu de cada lado e levá-los a sua cintura:
– Segura em mim.
Sinto uma pressão em suas mãos quando firma as minhas no seu corpo. Queria que eu o segurasse com força. Não sei por que isso momentaneamente me desestabiliza. Empurro a sensação longe pela prévia adrenalina que sobe.
Liga a moto, faz uma barulheira, meu coração pula.
Será que ainda dá tempo de dizer “peraí, moço, que eu vou descer”?
– Lá vamos nós.
Acho que não.
~;~
A moto estaciona e... eu não largo dele. Claro que Sávio percebe, ele se mexe desconfortável e eu também, quando o solto toda destrambelhada. Meu Deus, o que está acontecendo comigo?
O “passeio” não durou muito, foi apenas um sinal de trânsito, uma cruzada de avenida, uma seguida por uma rua e então estacionamento. Foi extraordinário e altamente assustador ao mesmo tempo... De um bom jeito, talvez. A arrancada que ele deu no sinal que acho que fez isso comigo.
– Bem que você falou que não curtia motos...
– É... até que foi legal. Para uma primeira vez.
– Então você nunca tinha andado numa?
Nem preciso responder, só quero me afastar dele, de seu corpo, de seu sorriso mínimo. Não sei onde ele viu a graça e também não pergunto. Ele desce e, mais uma vez, chega próximo de mim, para então tirar-me o capacete, pegar sua mochila.
Engulo em seco quando me vem na memória o fato de que eu não só o segurei, mas me agarrei fortemente a ele, sentindo literalmente sua musculatura. Tudo bem, é inegável que olhar não tira pedaço, só que... sentir e ficar pensando sobre isso é outra coisa, certo? Isso não quer dizer que estou atraída assssssim por ele. Deve ter sido a emoção dos últimos minutos, a adrenalina. Isso.
Pelamor, o cara deve ter a idade do meu irmão numa média. O que não diz muita coisa. Ah, o que importa? Eu amo meu Vini. E é meio que culpa dele o meu desastre de dia (sou tão meiga, olha), por querer lhe proporcionar um ótimo aniversário. Isso tem me deixado meio doida esses dias.
– Então, acho que já vou indo. Valeu mais uma vez por tudo. Se puder fazer algo pra compensar...
– Na verdade... você pode. Poderia me dizer onde é a secretaria? Tenho que ver umas coisas da minha matrícula e, bom, sou... novato. Transferido, na verdade. As papeladas nem ficaram comigo, por isso não sei pra onde é nada aqui.
Isso poderia ser um bom começo pra se desconfiar. Porém, num sei, ele realmente tem um jeito de me convencer e acreditar nele. Estamos bem em público, se tentar algo, sempre tem a opção de gritar.
– Claro, me diz qual é teu curso e sala. Talvez eu saiba te orientar.
Sávio caça um papel no bolso da sua camisa de botões, desdobra-o, lê na luz fraca do estacionamento da frente.
– Agora tenho aula de Administração Mercadológica II, no curso de Administração, sala... hã... 502.
– Ah, sei onde é. Conheço a turma.
– Sério?
– É, eu tô nela. Professora Amália. Temos uns 20 minutos no máximo para chegar lá, porque ela adora marcar aluno que chega atrasado. Vamos, te deixo na secretaria. Ah, e seja-bem vindo.
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