Notas iniciais
Um chá de bebê muito muito muito moderno.

Uma vez li numa revista, faz muito tempo, que quando você está num evento sem conhecer alguém, o melhor que se tem a fazer é procurar por outra pessoa que parece estar na mesma situação e puxar um papo. É a primeira coisa que me passa na cabeça quando Becca some com o marido de Alexandra e meu namorado escada acima, me deixando sozinha na base. Muito, muito legal. Fica melhor ainda quando noto que todos os outros convidados estão em grupinhos espalhados pela casa, não muitos, mas tem umas pessoas por aí. Sinto um leve desconforto por não saber por onde ficar... podia dar aloca e forçar uma entrada descontraída numa dessas rodinhas, mas não estava muito a fim não. Tem dia que a gente não se entende mesmo e é geralmente quando você está meio antissocial que você tem que ser social.

Foi Becca quem atendeu a porta. O marido de Alexandra, Adam (ele teve que se apresentar de novo para mim, que tinha esquecido seu nome já. Também né, que situação foi aquela para nos conhecermos! Quase conheci o filho dele primeiro...) desceu a escada, que fica de frente para a porta, bem na hora que Becca nos recebia. Ela agradeceu o presente e disse que Alexandra estava lá em cima ainda com o bebê, assim disse que ia deixar lá e voltar. Adam queria consultar Vinícius e seus conhecimentos de arquitetura para umas coisas lá do quarto que ele falou e eu boiei total.

No meio de pessoas gentis permiti que eles levassem Vini e fiquei de bobeira. Disse que preferia ficar embaixo esperando-os... só não disse que era porque eu não sabia lidar com crianças pequenas. Sério, fico sem-jeito perto delas. Depois eu falaria com Alexandra mesmo.

Dou meia volta de onde estava para dar uma checada mais geral. Tocava umas músicas pop em tom baixo e os convidados estavam espalhados pela sala. Eram bem diversos e se apresentavam de tudo que era jeito, de formal a bem relaxado. Uns caras passaram por mim me observando. Definitivamente, era um chá de bebê moderno. O desconforto volta – se é que me deixou –, me sinto deslocada, mas não é por conta de minha roupa.

Falando em roupa, Vini me disse dentro do carro a caminho da casa de Alexandra – casarão, na verdade – que quase propôs de ficarmos em casa. Brincadeira, claro. Ele pareceu bem impressionado e até beijou-me com gosto ao ver-me pronta. Posso dizer que meu intento foi bem sucedido. Com um sapato um pouco alto – não queria ficar mais alta que ele, claro – uma maquiagem mais marcante em relação a minha usual e uma improvisada no penteado solto do meu cabelo listo trabalhou bem com meu look.

Meu meio longo cordão brilhoso de coração, que descia do pescoço até depois do busto, brincos pequenos e discretos de bolinha brilhosa e uma bolsa carteira preta média a tira colo para levar uns trecos necessários deram o toque final – mulher carrega muita tranqueira para onde quer que vá, não tem jeito. Eu tinha que levar celular e não tinha bolsos na minha roupa. Assim aproveitei e passei algumas coisas que estavam na que eu estava usando no dia anterior nessa preta. Foram alguns itens de maquiagem para retoque que encheu mais. Umas gotas de perfume só para complementar minha força presencial.

– Vou sentir ciúme de cada cara que bater o olho em você.

– Você sente isso por natureza, se bem lembro. Pior vão ser eles que ficarão com inveja de ser você quem eu vou beijar.

– Ah, isso eu posso garantir.

Ok, aquela inflexão de voz tão típica dele foi muito bem trabalhada – sei que ele adora usá-la. – Ainda mais por eu estar respirando seu perfume e tendo a visão de seu perfil manobrando o carro... Se só o perfil dele fazia meu coração bater forte, nem preciso dizer o que era tê-lo todo arrumado na minha frente.

Quando pronta fui para a sala onde os “homens de minha vida” esperavam de pé conversando, ao ver-me, Vinícius parou de falar e Murilo se virou para me ver. Ele deu um tapa na cabeça do meu namorado, dizendo que não queria ninguém babando na irmã dele. Homens. Engraçado é que, esses dois, não sei como, se entendem. Mas o bom é que eles se entendam mesmo.

Também dei uma olhada em Vini. E que visão... estava numa camisa de botões azul clara enrolada no cotovelo que deixa qualquer uma sem ar. Também sou ciumenta, mas sei me garantir. Eu acho. Tá, eu me garanto, digo logo! Sapato social e calça escura finalizavam seu look, e que look. E que cabelos bagunçados. E que olhar direcionado.

– Pra onde vocês vão mesmo?

Murilo nos cortou. Ele também estava bem arrumado. Era melhor que ele não se metesse a ir conosco, eu o mataria se fosse o caso. Melhor, usaria a chantagem do vídeo.

– Uma pergunta melhor é “para onde VOCÊ vai?”.

– O quê? Eu também tenho meus compromissos.

Levou a mão ao peito, ofendido pela minha... quase agressividade? Vini também não resistiu, riu do teatro.

– É melhor que você não esteja enganando a Aline, porque se for o cas...

– É com ela que eu vou sair. Vai rolar uma cultural hoje para os funcionários, fim de ano, sabe... e vamos juntos. Como amigos, mas já é alguma coisa.

Murilo falava e eu me afastava deles para pegar os presentes na mesa. Sorri discretamente de costas me lembrando do bom saldo que veio daquela história com Filipe. Meu irmão foi para a mesa da sala também pegar as chaves de seu carro.

– Sei. A propósito, os créditos são meus. Quero um almoço de agradecimento.

– Há, quem disse?

– Hã... eu? Lembra o que eu disse ontem? Bom saldo? Lado bom?

– Negativo. Eu consegui arquitetar um plano e saí bem sucedido. Hoje.

Ele, que estava do outro lado da mesa, falou bem determinado. Desconfiei um pouco... Realmente, não dei muita confiança para ele.

– Aham. Você e seus planos... que não dão certo. Fica difícil acreditar.

– Eu ia contar... mas você sumiu com esse aí. Fica curiosa agora.

Deu de ombros, colocou a chave no bolso da calça social e saiu se achando o vitorioso ajeitando a gola da camisa social cinza, levantando-a como se fosse um maluco. Levantei a mão pra ele.

– EPA, esse aí não.

Vinícius ficou o tempo todo só observando o nosso bate-boca, olhando de um para o outro, rindo na sala em seus braços cruzados. Claro que não era uma briga, era uma saudável discussãozinha fraternal. Mas eu queria saber o que passava na cabeça dele quando nos via tão... espontâneos. E só foi eu intervir por ele, que tomou atitude e se aproximou de mim, ainda o mais risonho possível, passando seus braços pelas laterais do meu corpo, aconchegando-se a mim ao apoiar seu queixo no meu ombro. Sua voz não foi baixa, mas foi bem no pé do meu ouvido.

– Deixa, Milena, ele gosta de te provocar...

O que tanto esse cara ri? Não sei, me contagia também.

– Eu sei, também adoro responder.

Correspondi a ele me enroscando e já trilhava o caminho virando o rosto para um beijo quando Murilo se manifestou quase da porta. Ele não tinha “compromisso” também? Não estava atrasado não?

– EPA agora digo eu. Que negócio é esse de vocês se agarrando aí? Eu num quero ver essa cena não.

Ele fez pose. Pose! Mãos na cintura mesmo. Não tem jeito.

– Pois num olhe, siga teu caminho para a porta. Tá atrasado não? Tá ficando tarde... Mulheres não gostam de atrasos.

– Ih, merda. Já era pra eu ter saído.

Se atrapalhou todo ao olhar o relógio de pulso. Pensei ter me livrado da peste. Ele voltou da porta só para nos afastar, apontar que estava de olho na gente e nos lembrar das regras. Eita regras. Tão logo saiu, Vini aproveitou para uma investida.

– Você está maravilhosa.

E então o beijo que ele disse querer ter me dado desde que entrei na sala finalmente se realizou, sem empata, sem interrupções. Se dependesse dele, ficaríamos por ali mesmo, porque sabia que esperar por ele para parar era como pedir algo impossível. Acho que de todas as vezes eu era a única que tinha o bom senso de parar.

Sem muito o que fazer para esperar a volta de Becca e Vinícius, fico do lado do corrimão de madeira da escada, olhando os degraus como se fosse ver algo de lá de cima. Só que só tinha a visão de um lance dela, e eram dois. Penso em pegar uma bebida para me distrair, tinha uma mesa de comes e bebes pela sala. Só que ainda atenta à escada, fui devagarzinho andando de costas.

Taí uma coisa para não se fazer... andar de costas. É perigoso. Tinha um cara atrás de mim e não percebi. Antes fosse só isso. Me espanto quando ele grita:

– Não, meu pé, meu pé, meu pé...

É, eu pisei – de salto, detalhe – no pé do cidadão que estava de chinela. Apreensiva, senti que ia cair pra trás. Ele me equilibra e me afasta, dou um pulo para frente e me viro para ver. O cara se abaixa e analisa a lateral do pé numa dor que disfarçava. Só eu mesma para fazer um negócio desses! E em um cara bonito ainda por cima... ele estava bem casual de bermudas, só não fiquei olhando muito por... porque me sentia mal, oras!

– Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa... machucou? Muito?

Disparo umas mil desculpas desenfreadas. A música, apesar de baixa, pelo menos me cobriu um pouco, porque ninguém se virou para nós fazendo movimento perto da escada. Envergonhada, não sei o que fazer para ajudá-lo. Então ele levanta de vez:

– Um pouco. Tá ardendo... só arranhou mesmo, saiu uma pelezinha. Eu só vou passar um pouco de água para limpar o sangue qu...

– Sangue? Ai meu Deus, sangrou?

Estarrecida, levo a mão à boca, também para não chamar atenção. Que vergonha! Cadê algum lugar para eu enfiar a cara? Porque não dá pra sair daqui.

– É... nadinha na verdade. Deixa que eu... eu vou ali no banheiro.

Ele segue para uma porta ali perto. Devia ser ou da família ou amigo próximo para saber onde entrar. Vou atrás dele para tentar ajudá-lo em algo, sei lá. Devo estar com uma cara estranha porque quando ele sai depois de uns segundos no banheiro, ele passa por mim rindo e mais uma vez o acompanho, agora para a cozinha. Sem dizer nada, ele puxa umas gavetas, bagunça umas coisas e se mostra frustrado nessa busca. Ele me deixa tão inquieta que pergunto logo:

– O que está procurando?

– Band-aid.

– Ah, eu tenho.

Ou eu tenho que parar de andar com band-aid na bolsa ou eu tenho que parar de falar às pessoas que ando com eles. Ou será que não devo mais oferecer? Ah, o band-aid acaba caindo nas minhas bolsas quando faço a troca... e foi um bom “presente” da Flávia. Me envergonho mais quando a sobrancelha dele sobe e, mesmo tendo uma expressão engraçada na face, não deixo de evitar olhar diretamente para ele. Engulo em seco sua questão muda e busco na bolsa o bendito. Ao lhe entregar, ele se mostra duvidoso de pegar. Ou diria que ainda considerava estranho? Grandes chances.

Ele recebe e se senta numa cadeira da cozinha enquanto abre o band-aid. Sento-me a sua frente observando tudo sem um pio. Qualquer coisa que eu falasse seria constrangedor, sinto em mim. Coloco minha bolsa sobre a mesa e fico olhando para os riscos que tinha nela sem saber mais o que fazer. Ou esperar.

– Desculpa. Mesmo.

– Não precisa. Foi... besteira.

Ele responde ao terminar de colocar o band-aid sobre o pequeno machucado, com um belo sorriso de que não ia levar o caso muito a sério. Pelo menos.

– Mas posso perguntar por que você anda com band-aid na bolsa? Ou seria muito indiscreto?

Ele puxa papo ao abaixar a perna que estava levantada, de quando tinha colocado o curativo. Deve ter percebido meu desconforto e quer que eu relaxe. Assim solto um riso abafado mínimo fazendo uma possível previsão de sua reação quando eu contar sobre o “presente”.

– Foi um presente de amigo-da-onça.

Dito e feito, ele riu. Tanto que seus cabelos lisos de tom preto caíram em seus olhos escuros e ele teve que fazer um movimento de jogar os fios para cima. Não me diz que é charme, não me diz!

– Eu estava procurando por uma dica e você acaba de me dar uma perfeita.

– Ah, mentira.

Ele tinha algo bem descontraído nele. E se era plano dele me distrair, estava funcionando. A pequena conversa, não o charme dele.

– Não, é sério. Fim de ano sempre o povo do meu serviço inventa essas coisas e eu nunca sei o que dar de presente. Na primeira vez que entrei nessa brincadeira, tirei minha chefe da época e dei um perfume masculino. Descobri que mulheres adoram perfumes masculinos... e que aquele era o preferido dela. Me perturbaram por muito tempo dizendo que eu era puxa-saco da mulher por dar um presente de verdade e ter quebrado a brincadeira. Mas eu não conseguiria dar um rolo de papel higiênico, uma faca de plástico, uma caixa de sapato ou uma maquiagem de criança como tem rolado. Ano passado dei um urso de pelúcia para um colega.

– E já considerou não participar dessas brincadeiras se você não as curte?

– Pensei, claro. Aí vem aquela coisa de conveniência, ambiente de trabalho e descontração... e acabam me levando. Ano passado ganhei um... coco.

Faz uma expressão bem cômica de quem não entendeu nada. Um coco parece bem bizarro mesmo. Dou um pouco de incrédula para não rir abertamente:

– Um coco?

Debruça-se sobre a mesa da cozinha, porém se retém ao seu espaço. Junta as mãos ao alto, os cotovelos apoiados, e tenta explicar o que sabe.

– Também nunca entendi. Você, que parece entender a brincadeira, pode me explicar porque alguém daria um coco? Vazio? Nem naturista sou.

– Ah, vai ver é isso. Queriam levar naturalismo a você. A ideia basicamente é zoar, levar coisas sem sentido, bizarras, o contrário do que seria bom, porém que tenha certa utilidade. O band-aid, por exemplo, é uma coisa pequena, barata, tem utilidade e é perfeito para aqueles que se machucam muito. É... sugestivo. Também dá pra trabalhar com a ironia...

– Então você se machuca muito?

Por que todo mundo sempre leva para o lado sugestivo? Mesmo sem me conhecer? Fica tão na cara assim?

– Até que não muito, acho. Eu quase não os uso.

– Sei. Então, você conhece quem por aqui?

– A Alexandra e a Rebecca. Sou Milena, prazer.

Estendo a mão ao meio da mesa e lá ele responde a minha atitude, dando-me sua mão. Fica clara sua surpresa quando me identifico, só que quando ele ia responder, eis que Alexandra aparece na cozinha e solta meio alto:

– Olha quem se encontrou aqui. Alexander, meu irmão querido, não perde tempo, né?

– Estava fazendo companhia a esta jovem perdida. Você não o fez, minha irmã, alguém tinha que o fazer. Vocês sumiram.

Levantamos os dois ao mesmo tempo. Eu, constrangida de novo, ele, divertido. Vinícius surge por trás de Alexandra e percebo que está estranho. Mal vejo sua expressão porque ele me puxa para si e cumprimenta o cidadão, voz bem firme:

– Vinícius, namorado dela.

Ai, os ciúmes. Às vezes, deliciosos ciúmes. Reviro os olhos, sabendo que ele não pode ver por estar colado às minhas costas. Eles apertam as mãos e Alexander, entendendo o chega-pra-lá de Vinícius, faz passar despercebido ao questionar sua irmã:

– Então essa é a famosa Milena que salvou meu sobrinho? Além da Becca, claro.

Todos parecem rir e eu os acompanho. Alexandra vem a mim e me abraça, afastando momentaneamente o possessivo do meu namorado diante do outro cara.

– Milena, não acredito que esses três te deixaram aqui sozinha. Deixei meu filho dormindo e corri para vir te ver. Que bom que você veio. Está linda.

Ela estava num vestido floral que ia até os pés. Também estava ótima. Parecia estar bem mais equilibrada do que aquele tenso dia.

– Ah, tudo bem. Estava conversando com o... er... Alexander. Você também está linda... adorei o vestido.

Dei um toque enfático no “conversando”. Pra esclarecer para meu namorado e para o outro sacar que eu não queria que falassem do nosso incidente. Ele assentiu ao entender. Só que ficou um clima meio assim... inconveniente, sei lá. Alexandra logo cortou, o que agradeci mentalmente.

– Vem conhecer meu filho.

– Ah, ele não está dormindo? Não quero incomodar.

– Nada, não precisa. Quero que pelo menos você o conheça. Adam, cadê a câmera? Tenho que ter essa foto!

Adam estava na sala e, ao ouvir as palavras da mulher, correu pelas escadas novamente. Alexandra me puxa pelas mãos para segui-lo e Vini vem logo atrás, sorridente. Homens, vá entender.


~;~


– Não, Milena, eu quero que você segure.

– Não, deixa o Vinícius pegar.

Como se ele soubesse pegar criança pequena também!

– Milena, eu quero muito essa foto. Tem algum problema?

Alexandra me fala com o bebê em seus braços, dormindo tão quieto. Era muito fofo, tão pequeno. Mal nasceu e já tinha charme... um gorrinho azul claro estava em sua cabecinha, combinando com o pijaminha branco com azul. E as meiazinhas brancas? Eu tinha medo de não saber pegá-lo e o acordasse e... sei lá, quebrá-lo? Parecia tão frágil a qualquer toque.

– Okay... eu não sei... ou tenho jeito de pegar criança. É vergonhoso não conseguir isso.

Me encolho ao abraço de lado de Vini, que beija o topo da minha cabeça ao ouvir minha confissão. Um sonoro “own” veio das meninas, Alexandra, Becca e a babá, tomando todo o quarto. Aí sim fico sem-jeito. Elas me ajudam, me guiam para segurar o menino nos braços, cheias de dicas até eu conseguir apoiá-lo bem. Nenhum movimento o acordou. O pequeno Alexandre – é, eles tem uma fissuração por nomes parecidos. Parece que esse é o nome do avô do pequenino – se acomoda em mim como se eu fosse sua cama quem sabe. Tê-lo nos meus braços me fez querer ver seus olhos, mas só por conseguir tê-lo ali me contento.

Vinícius continua ao meu lado e fazemos pose para a tão querida foto que a mãe pedia. Na verdade, foram duas. Uma que Vini nos abraça e uma que ele beija minha bochecha. Assim parece que somos os pais daquela criança. O sorriso não me saía da face... Achava uma total graça esse clima. Alexandra amou a manta de criança que demos de presente – brilhante ideia de Djane. Ela disse que ainda tem guardada a de Vinícius.

Não comentei com ele pelas desavenças que eles ainda têm, mas achei muito muito muito fofo. Por pouco não belisquei as bochechas dele quando fechei meu celular depois da ligação dela. Espero pelo dia que poderei dizer isso a ele sem que fique ressentido com a mãe. Pensando mais longe, é capaz dela me mostrar as fotos dele criança, como a maioria dos pais fazem e deixam os filhos sem graça. Mas vai que faço isso com ele e ele conhece a minha mãe?

Claro que vou apresentá-los algum dia, só não os quero tão cúmplices assim... a ponto de ver minhas fotos de menina. Minha mãe é muito exagerada! E ele já é cúmplice de Murilo. Imagino a cara de papai... e de vovô... e de vovó rindo da cara ciumenta desses dois. Tão a cara dela fazer isso.

Alexandra fez questão de enrolar o pequenino na manta. Era de azul claro com desenhos pequenos espalhados de brinquedos de menino, como carrinhos, caminhões, bonecos de ação, chapéus, robôs, pipa, pião. Uma mistura quase atemporal se pensar no pião e no robô.

– Viu, eu disse que você conseguiria.

– É, né, Becca, depois de muitos “ajeita aqui” e “ajeita acolá” de vocês.

Rebecca sempre me passou um ar de tranquilidade, mesmo quando eu pensava que ela namorava o Vinícius e eu morria de ciúmes só de pensar. Ok, não engano, ainda tenho um pouco de ciúmes. Quando subiram juntos acompanhados de Adam ao chegarmos eu ainda fiquei naquela, olhando os dois, observando no meu canto, discreta. Ela estava de bata longa preta que quase cobria o short cinza... estava de salto alto que passava da altura de Vinícius acho. Até hoje ele não contara o que foi esse surto deles de inventar um namoro. Deu a entender que eles mal se conheciam, o que olhando para os dois não parecia.

Alexander apareceu no quarto com Michelle, a outra irmã de Alexandra, que me ajudou da outra vez a comprar o presente de Flávia na loja. Ela veio me cumprimentar e tirou o pequenino dos meus braços com cuidado.

– Olá, Miguel, coisa “ninda” da titia. Quando eu chego que você resolve dormir, né, bebê?

Miguel? Mas...

– Espera, o nome dele não é Alexandre?

Pergunto ao grupo no quarto, enquanto Michelle o coloca no berço com toda uma meiguice de falar com bebê ainda dormindo. Ela mesma me responde.

– O Adam também quis colocar o nome do pai dele. Aí ficou Miguel Alexandre. Mas eu espalho para as pessoas que foi por causa do meu nome, sabe? Pegar um crédito.

Bom, Miguel Alexandre, mesmo dormindo, roubava a atenção. Nem eu resisti, quando me noto, estou apoiada no berço junto com as outras mulheres quase imitando seus “own” meigos. Isso até Alexandra começar a cutucar a irmã:

– Por que você demorou tanto?

– Tem um engarrafamento na avenida principal. Foi uma batida e teve até ambulância. Polícia e trânsito lento define, né?

– Trânsito lento?

Deixo a pergunta em aberto e levanto a cabeça para encontrar um dar de ombros do Vinícius perto da porta com os outros caras. Alexandra, bem observadora, nota o movimento:

– O que? Que tem?

– É que temos um aniversário para ir mais tarde... e combinamos com uns amigos um lugar marcado. Esse trânsito pode nos atrasar.

– Ah não, vocês mal chegaram. Nem começou as brincadeiras. Não, não, vocês ficam. Desejo de grávida é para ser atendido.

Okay, preciso avisá-la que cruzar os braços e fazer bico para mim não funcionam? Nem carinha triste? Quem intervém é seu irmão, e ainda cutuca o cunhado:

– Irmãzinha, não sei se você percebeu... você já deu a luz. Adam, essa tua mulher não tá batendo bem das ideias.

Indignada, ela põe as mãos na cintura e vira para ele. Ela queria porque queria convencer a todos que ainda tinha direitos de grávida. Não posso deixar de falar que era bem divertido. Sem contar que Alexander me lembra um pouco a relação que tenho com Murilo.

– Eu sei, tá, Alexander. São os hormônios. Enquanto eles não voltarem ao normal, tenho meus privilégios.

– Xiii, Adam, vai sobrar pra você.

Uma gargalhada gostosa veio de todos nós e a babá pediu silêncio enquanto ligava o móbile do pequenino, que só se remexia e voltava a ressonar. Para fazer uma média, falo para Alexandra:

– Ainda temos um tempo, não se preocupe. Quem sabe até lá, não tá limpa a barra na avenida?

Ela se contentou com o pouco e a babá foi nos expulsando delicadamente para deixar o menino dormir sem zoadas. De lá nem dava para ouvir a música ou os convidados. Só no último lance da escada que deu para ouvir ao longe o som tocando e ao chegar de fato pela sala, era fácil se contagiar com as pessoas começando a dançar.


Trilha indicada/citada: Kylie Minogue – Come Into My World

http://www.youtube.com/watch?v=63vqob-MljQ


Eu reconheço a música, é um dance antigo que não lembro o nome, mas tinha uma batida meio lenta e meio dançante. Becca me puxa pelo braço e me leva num “na na na na na na” da música.


01:39

Take these lips that were made for kissing

And this heart that will see you through

And these hands that were made to touch and feel you

So free your love

Hear me I'm calling

Oh baby come, come, come into my world

Won't you lift me up, up, high upon your love?

Oh baby come, come, come into my world

Won't you lift me up, up, high upon your love?

Pegue esses lábios que foram feitos para beijar

E este coração que irá vê-lo através

E estas mãos que foram feitas para tocar e sentir você

Então liberte seu amor

Escute-me, estou chamando

Oh querido, venha, venha para meu mundo

Você não irá me levantar, levantar, para acima de seu amor?

Oh querido, venha, venha para meu mundo

Você não irá me levantar, levantar, para acima de seu amor?


De passinho pra lá, passinho pra cá, mexendo os ombros, quase sincronizamos no improviso uma dança. Não tarda e os garotos aparecem para distanciar qualquer cidadão que nos cercasse. Isso que podemos chamar de chá de bebê moderno... Ser abraçada na suposta pista da sala pelo namorado ciumento seguindo seu ritmo improvisado de uma música antiga. Não devia ser música de criança? Me pergunto. Becca ri dançando com Alexander e percebo Vinícius meio dividido de atenção. Ou ele prestava atenção em mim ou era nos “gaviões” que ficavam de olho, me diz quando falo para relaxar e curtir um pouco. Mais um revirar de olhos que ele não vê.

Eu sei que estamos no século XXI, mas eu não tinha nada em mente de uma festa assim como chá de bebê. Só porque o menino já nasceu será que mudaram drasticamente os planos? Só sei que fico perdida pensando nisso. Até Pink começa a tocar. E minha mãe ainda pergunta que mundo é esse.


Trilha indicada/citada: Pink – Fun House

http://www.youtube.com/watch?v=Jdjtqu3XK4U


– Só eu acho estranho a festa assim? Não era um chá de bebê?

Pergunto a Vini, parando mais de dançar para buscar algo para beber na mesa, deixando os outros continuarem. Puxo-o pela mão e ele me segue de boa. Coloco suco para nós em copos enquanto ele responde.

– Também achei... hã... diferente. Mas, sei lá... Alexandra disse que ainda vai rolar as “clássicas” brincadeiras. Que eu não tenho a mínima ideia de quais são. Ela tá esperando umas outras amigas dela para começar, então acho que isso pode-se chamar de aquecimento. Ah, tenho uma coisa para te dizer. Na verdade, um recado do meu avô.

– Recado do seu Júlio? Pra mim? Qual?

Falo bebericando o suco. Percebo que então estava com mais sede do que pensava, que quase viro o copo de uma vez só.

– Você está intimada a almoçar conosco amanhã na casa dele.

– Hum. Intimada, né? É de família mesmo...

Balanço a cabeça fazendo graça e ele pega o copo dele que deixei em cima da mesa. Devia estar com sede também porque ele vira o copo praticamente. Ora e outra dá pra perceber que ele fica de olho em quem está perto de nós, aos poucos homens que tem na festa melhor dizendo. Eu disfarçava melhor o meu ciúme – eu vi! Eu vi umas garotas olhando descaradamente para ele! – com uma imagem de indiferente a elas. Me surpreendo quando ele vira de vez para mim e, sobrepondo a música, chega bem próximo para um sussurro.

– Então... o que você dizia no carro sobre fazer inveja mesmo? Porque eu ainda não vi nada disso.

Foi a cara-de-pau mais linda e cínica que ele já fez, o arrepio me vem da base da coluna até a ponta dos fios do meu cabelo. Quase impossível foi não gargalhar, tive que me segurar muito. Já meu coração... ah, esse não tinha quem o segurasse. A música continuava e eu nem aí mais para a festa, pois estava presa na nossa bolha. Sem demora ele avançou e, sim, ele queria fazer inveja. Ciúme às vezes pode ser tão divertido...

– Eita, isso é um chá de bebê!

Fala Alexander brincando, dançando perto com Rebecca. Deu pra perceber uma carga irônica, porém, não uma que me fez pensar longe para identificar. Na verdade só me fez rir mais ainda. Interrompidos, Vinícius olha desviado para trás e quando se volta para mim, tem uma expressão traquina adorável que me deixa perdida sobre o que teria corrido em sua mente. Puxa-me pela mão aos dizeres “vem comigo” sem falar mais que isso.

Passamos a sala e chegamos perto da escada. Me puxa para o banheiro e mal fecha a porta quando nos encontramos a sós nesse espaço. Ou foi essa corridinha ou seu olhar preso ao meu que me causa essa taquicardia no peito. Ele também demonstrava uma respiração alterada. Logo estávamos aumentando esses efeitos, sem se importar se haveria algum enfarte ali. Até porque se ocorresse, seria no mais belo estado de felicidade.

Que macios eram seus lábios, que exploradora era sua língua e que posse tinha suas mãos firmes em meu corpo. O que ele fazia comigo? Não sei dizer bem. Provavelmente o mesmo que eu fazia com ele. Existe uma conexão forte entre nós e não é de agora. E que cresce a cada dia, numa velocidade quase assustadora. Mesmo se não estivesse em presença comigo, um mínimo pensamento sobre ele costuma me deixar aérea. Melhor mesmo é quando nos encontramos. Nada parece nos tirar de nossa bolha, por mais que tentem estourá-la. Ele me faz mais que bem, ele... sei lá. É quase algo indizível para mim.

Bem concentrados um no outro estávamos. Tanto que não percebemos quando alguém abre a porta e... me falta voz para expressar o susto. Nada mais que um flagra, um estado paralisante que me sinto congelada e os pulos de meu coração atingem um novo nível. Ao forçar uma parada com Vinícius, minha mente só podia reclamar, porque as palavras tinham todas sumido para que eu as articulasse. Não, não... NÃO! NÃO PODIA SER! Como que o Diogo apareceu aqui? LOGO AQUI? COMO?

– Hã... Existe déjà-vu inverso?

Diogo. Na verdade, a cabeça de Diogo flutua da porta, pois seu corpo fica do lado de fora. Surpreso e sem-jeito também, percebe o que interrompia. O clima? Já era. Sinto até uma leve tontura pelo baque do que foi esse susto. Puxo o ar consideravelmente para voltar a mim e então entendo suas palavras. Seu déjà-vu inverso. Como essas coisas acontecem comigo? Sorte, cadê você? Vinícius está aqui!

De todos os lugares para se topar nesse mundo, tinha que ser aqui? Agora?

– Essa é... uma boa hora... para você me explicar... o que está acontecendo, Milena.

Esse foi Vinícius, ao afastar-se, meio apelando pelo seu controle, exigindo uma explicação. Que eu nem sei de primeira o que falar. Agora sim acho que senti o que Diogo sentiu quando lhe flagrei naquele estacionamento... e não, não é tão agradável assim. Mesmo.

Diogo fecha a porta e me seguro na pia atrás de mim para respirar melhor. Levo uma mão ao peito querendo segurar meu coração. Vinícius carrega em seu rosto uma mescla de expressões que nem me preocupo em decifrar. Também me sinto perdida.

– E-e-eu... nem sei por onde... começar.

– Pelo começo, seria ótimo.

A firmeza de sua voz indica clara fúria.


~;~


Explico.

Quer dizer, a aparição DO NADA de Diogo.

Chances de uma em um milhão parecem me perseguir.

A noiva dele, Ádria, – sim, ele já fez o pedido de casamento e quando mulheres souberam do processo (Becca, Michelle e Alexandra), a carga de “own” delas voltou com tudo – é amiga de Michelle e Alexander do tempo de escola. Alexandra é a mais velha e era de uma escola diferente dos outros, mas conhecia a mulher também.

Besta. Eu fiquei muito besta! Vinícius? Estava totalmente enciumado! Ele entendeu tudo errado. Entendeu o “déjà-vu inverso” de um modo como se eu tivesse ficado com Diogo e alguém tivesse nos interrompido... de que, de fato, alguém tinha me flagrado com o enfermeiro e agora ele estava me flagrando com Vinícius. Sinceramente, essa me deixou mais bestificada do que o esclarecimento de Michelle quanto à história de sua amiga.

Mil vezes eu havia dito para Vini que não havia nada entre nós – eu e o enfermeiro –, desde a primeira vez que achou que estava de vela. Sempre enfatizei que nada tinha rolado e nem iria rolar. Verdade que nunca falei que tinha o apelidado de “enfermeiro bonito”, que pra mim é algo desnecessário de se falar, mas Vini leva tudo embaralhado em sua cabeça, cego.

Ele não me deixou falar no banheiro, por mais que tivesse pedido para que eu esclarecesse. Tirou suas próprias conclusões e, nervoso, ficou de um lado para o outro – é, o banheiro era grande – falando sozinho. “Eu sabia!”, “tinha algo estranho entre vocês dois”, “sempre esperei por qualquer coisa”, “queria tudo menos isso”, “era isso não, era? Que queria me contar no outro dia?”... E mais outras que só me deixavam estarrecida por pensar isso de mim. Logo de mim!

– Eu não acredito.

Foi o que respondi à sua “atuação”. Meus olhos encheram-se de água. Minha vontade era de deixá-lo com suas constatações e ir embora dali o mais rápido. Entretanto, percebo que não valeria a pena correr. Eu estaria concordando com ele, não? Sabe a história do “quem cala consente”? Pois eu não iria consentir isso! Sim, eu não tinha água nos olhos de mágoa, era de raiva! Cruzei meus braços para manter as mãos presas e não fazer alguma besteira.

– Você só pode estar de brincadeira... porque o Diogo tem namorada. Foi isso que ele quis dizer... eu, no dia da sua alta, peguei eles aos beijos no estacionamento! Eu que dei o flagra! E agora ele nos deu o flagra. Por isso inverso. Nunca, nunca dei qualquer entrada ou dei entender que tive algo com ele, então não sei... não sei de onde você tirou tudo isso, viu.

Passei as mãos nos olhos, bem rápido, e peguei minha bolsa na bancada da pia, abri a porta e topei com Alexander cumprimentando Diogo logo mais a frente, perto da escada. Ao me verem, Diogo deu de ombros em leve desculpa e Alexander fez cara de que não tinha entendido. Apontou e perguntou:

– Vocês se conhecem?

Eu não podia ser ignorante com ele. Nenhum deles na verdade. Deixei que um sorriso amarelo confirmasse. Diogo que se utilizou das palavras:

– É, nos conhecemos no hospital faz um tempo. O irmão dela e um... hã... amigo tiveram uma passagem por lá e ela os acompanhava. Conheceu Ádria só de vista perambulando pelo local.

– Que coincidência, hein? Quem diria?

Eu não podia discordar de Alexander, porque... quem diria, né? Percebo o cuidado que Diogo tem de se referir a Vinícius, mesmo após o flagra. Ele me incentivou a investir nesse relacionamento na última vez que nos vimos, porém, depois disso, não houve mais encontro, nem novidades. Se minha mãe estava super por fora, imagina ele. O que me preocupa na verdade é: será que meu desconforto estava muito na cara?

Alexander continuou:

– Já sabe que ele e Ádria estão noivos?

– Ah, sim, ele me disse no outro dia. Contou sobre o planejamento de como seria o pedido.

Eu sabia que Vinícius estava logo atrás de mim, eu ouvi quando saiu e bateu a porta do banheiro de leve, ouvi seus passos até parar. Era bom que estivesse ouvindo nossa conversa. Não teria ele que ver para crer? Bom, estava aí, bem na sua cara.

Logo as meninas apareceram ao me escutarem falar sobre o planejamento do pedido. Elas queriam saber de tudo, detalhe por detalhe. Eu fiquei sem-jeito, afinal, quem tinha que falar era a noiva, né? Quando eu manifestei isso, elas disseram que Ádria já havia comentado, elas queriam saber era a versão do noivo... e como ele não sabia como descrever bem para todas as garotas, elas queriam saber de mim o que eu sabia. Então desatei a falar, começando pelo que Vinícius deveria ouvir:

– Ah, bom, eu fui ao hospital outro dia para conversar com Diogo sobre umas “pendências”... e ele me falou da luta que foi ele ficar com Ádria, do problema que foi manter o relacionamento deles em segredo por causa da política de funcionários de lá. O que eles passaram naquele hospital foi... sei lá, podia dar uma novela. Teve muito sacrifício entre os dois e algumas confusões também... mas de fim, se vocês, meninas, pudessem ter visto o brilho que ele trazia por falar dela, de como todo bobo ele ficava, pensando em todas as opções, cada detalhe, de como seria o anel, de planejar a surpresa, se seria num bolo, se seria no travesseiro... além de muito romântico, foi realmente admirável.

Seguiu-se assim o coro de “owns” e uns pulinhos, mais ainda porque Ádria puxou seu noivo para um beijo e, por um momento, até me contagiei com a alegria de todos. Isso até Vinícius surgir de de trás e pegar na minha mão. Tentar pegar, na verdade, porque ele não estava sendo minha pessoa favorita no momento. Pra quebrar o gelo e ninguém perceber, perguntei de onde conheciam o mais novo par de noivos e foi então que Alexander e Michelle me relataram.

Logo Diogo percebeu quem estava ali e cumprimentou Vinícius de boa, agora mais apático. Praticamente foi ele que pediu esse tapa na cara, né? Ele duvidou e desconfiou de mim... com Diogo! Céus! Eu nem sei como descrever a decepção que ele me trouxe. Algo batia no meu estômago e me deixava inquieta. Que sente algo forte por mim, não dá pra negar, mas esse ciúme todo... tudo agora com ele parece ser um mal-entendido!

Eu também me cansava disso, mesmo com tudo que sentia por ele. E isso machucava.

– Então, gente, vamos voltar para a festa, né?

Alexander, sempre ele trazendo uma boa aura para mim. E olha que o conheci fazia nem uma hora. Lembrei-me do outro compromisso que ainda tinha, apesar de não estar com muita vontade de ficar no carro, sozinha com Vini, e perguntei que horas eram.

– Vai dar 19h. Já tem que ir?

Respondeu Becca ao olhar seu relógio de pulso.

– Ah, não. Vocês vão mesmo desacatar o pedido de uma grávida? Milena?

Claro que essa foi a Alexandra insistindo, e por mais que eu não quisesse ter que ir para não ter que ficar o caminho todo presa com Vinícius, brigando quem sabe, eu já havia prometido para meu amigo e tinha que está lá com ele. A noite só começava. E claro, todos praticamente fizeram um coro:

– Você não está mais grávida, Alexandra!

– Ah, gente, vocês entenderam!

Notas finais
Levanta a mão quem tem dificuldades em pegar crianças pequenas o/ Sou tão ruim quanto a Milena hahaha
O último chá de bebê que fui envolveu moças e moços sem problema (parece que o chá de fralda que é mais restrito), só que também não foi TÃO diferente assim ;P