Mantendo O Equilíbrio - Um Novo Amanhã (T4 + T5)
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Milena que aproveita e espalha pra gente :D
Enjoy.
P.S.: Dica de cast? (tô evitando postar foto pro Nyah não me barrar de novo, então vai aí uns links)
Gui/Aguinaldo - Max Irons (The White Queen; A Garota da Capa Vermelha)
http://i1286.photobucket.com/albums/a619/alexisklets/MoE/Max-3-max-irons-31030184-500-661_zps88a4523b.jpg
Djane - Felicity Huffman (Desperate Housewives)
http://i1286.photobucket.com/albums/a619/alexisklets/MoE/felicity-huffman-20060707-143434_zps7d155e87.jpg
Bart - Stanley Tucci (Encontro em Manhattan)
http://i1286.photobucket.com/albums/a619/alexisklets/MoE/664px-StanleyTucciMay09_zpsf3ace564.jpg
Flávia - Dianna Agron (Glee; Eu sou o número 4)
http://s1286.photobucket.com/user/alexisklets/media/MoE/dianna-agron-fox-all-stars-party_zps623cf5af.jpg.html?sort=3&o=18
André - Jason Dohring (Veronica Mars)
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Logo que Gui estaciona o carro em frente à faculdade e me vê ansiosa para descer, falar com Djane que andava despreocupada pela calçada, saindo da instituição, ele fez um drama:
– Vai lá, me abandona, vai atrás da sogra.
– Oxi, como se tu num fosse me abandonar pela Flávia.
Dei uma corridinha para lhe alcançar, ela estava indo na farmácia para comprar umas vitaminas que precisaria, o trabalho dela mal tinha começado e já a puxava, precisava se fortificar. Como a drogaria era na esquina, em dez minutinhos estávamos de volta à faculdade. No caminho falávamos sobre a monitoria. E Sávio.
– Confesso que tinha uma pouca esperança de que você se assinaria para monitoria comigo.
– Awn, Djane, você sabe por que não me candidataria. E nem é bem minha área. Que bom que alguém deu chance esse ano, te pegou num bom momento.
– Ah, ele é muito bom rapaz, muito competente e prestativo. Uma benção. Não me dá nenhum trabalho e me ajuda até demais. Onde você me achou um monitor desses, Milena?
– Numa saída de lotérica, pelo jeito. A senhora sabe, na véspera de aniversário de Vini, que quase fui assaltada, lembra?
– Ah, sim, meu filho me contou. Agradeço que havia Sávio por lá, você se mete em cada uma, menina.
– Eu? Eu quem mais tento fugir dessas situações...
Ainda tínhamos uns minutos antes das aulas começarem, assim fomos para a sala dos professores, que estava vazia. Enquanto ninguém mais chegava, fiquei de conversa com Djane lá mesmo. Ela organizando umas papeladas na mesa enquanto eu segurava outras para ela, sentada também.
– E outra, essa eu tenho que te contar. Murilo tá oficialmente namorando.
Para de mexer nas folhas no mesmo instante, meio esfuziada.
– Não! Sério?
– Isso mesmo, chamou até o Vini para comunicar ontem. Djane, você precisa ver a cara dele todo tapado, quer dizer, apaixonado. Acho que posso assaltar um banco, por a culpa nele, ele ir pra cadeia, que ele não se importa, tá num efeito bobo que nunca vi. Ele realmente gosta dessa garota.
Djane abraça as folhas que estavam ao colo. Que minha mãe não saiba que eu contei primeiro à sogrinha ou ela me mata. Deixei a responsabilidade para Murilo, afinal, quem arrumou alguém foi ele.
– Ai, ganhei mais uma nora no coração. Estou doida conhecê-la. Ou reencontrá-la... você entendeu. Domingo, na casa de seu Júlio? Aquele ali também já tem seu irmão como neto, você sabe.
Eu ia responder que ia pensar no caso, como que ciumenta por atenção. Seu Júlio também era meu avô de consideração. Só de pensar que ele ficou tão afastado de Vinícius por anos por causa das mentiras que ele não quis compactuar me dá um aperto. Ele é tão bom, um bom coração que mal é fabricado esses dias de hoje, me adotou, assim como a Murilo e Iara. Mesmo Iara sendo às vezes mal vista por meu irmão e Djane, coisa que não concordo. Isso a faz se fechar tanto.
Para seu Júlio e eu aquilo tudo que Iara fez pertence ao passado, ela mesma não estava nas melhores condições de saber se portar se só sabia o lado de Filipe. Por isso eu costumo brincar às vezes que tenho ciúmes, porque agora seu Júlio tem um montão de netos para dividir atenção. Ia fazer novamente, quando alguém abriu a porta e me interrompeu, fiquei pela metade. Professor Bartolomeu.
– Sei bem até demais, agora tenho Muril...
– Arhg. Isso é lugar para vocês ficarem de fofoquinha? Humf. Isso é uma sala de reuniões e dos professores. Cadê a ética que ensinam por aqui? Ah, sim, Djane é a professora, tá explicado.
– Então comunique à sua esposa, Bartolomeu, pois, se me lembro bem, quem resolveu dar vexame de bebida foi ela naquele encontro de seminaristas de Administração ano passado. Ética e etiqueta.
Professor Bart ficou mordido, se calou. Foi até seu nicho no armário dos professores, pegou o que tinha de pegar, deixou lá o que tinha de deixar, e saiu, sem uma palavra sequer sobre o que Djane havia comentado. Ressalto apenas que o homem estava bufante e aquela veia, na sua careca, saltada. Bateu a porta da sala ao nos deixar novamente a sós.
Aquilo me lembrava um pouco da sua relação com Filipe quando eles brigavam. A diferença é que o gênio de Djane nessas vezes ficava submerso, quase que indefeso, ela se rebaixava por medo do que Filipe pudesse revelar a Vinícius antes do tempo. Com professor Bart ela não mede nada. Isso me impressiona, de um bom, muito bom jeito.
– Desculpe, querida, por isso... Esse homem parece que gosta de tentar me tirar dos nervos. Mas veja, ele saiu com o rabinho entre as pernas. Não teria argumento contra isso mesmo...
– É, ele ficou bastante emburrado. O que a mulher dele fez?
– Digamos que é melhor evitar servir bebidas alcóolicas nos coquetéis pós-seminários. Ao que parece, ela havia discutido com ele durante o encontro e para descontar nele, saiu gritando umas coisas das intimidades deles. Meu Deus, que noite foi aquela! Quase senti pena do homem, se não fosse tão... Bart. Felizmente isso foi no fim e os alunos não estavam mais por perto. Ah, foi naquela noite que teve aquela chuva terrível que me impediu de ir para casa, tive que ficar na casa de Silvana, lembra? Que você estava com Vinícius...
Ô se lembro, ô se lembro...
– Aham. Ele ligou para a senhora.
– Sim. Me fez dormir tão tranquila aquela noite, meu filho me ligando, meu filho querendo saber de mim... Ai, Milena, vocês não sabem como é bom ter vocês tão perto, Murilo também e agora a Aline. Vocês enchem esse meu coração.
Parece minha mãe falando.
– Imagine depois de eu contar a história daquela peste.
– Pois sim, conte antes que dê nosso horário de subir.
– Tenho tempo para um lanche rápido?
~;~
Na quarta-feira a professora Silvana não pôde ir dar aula, Djane a substituiu nos primeiros horários, adiantando a aula que teria no dia seguinte, o que terminou por nos liberar de não ir à faculdade na quinta. Um bônus para resolvermos alguns trabalhos pendentes, pelo menos por mim que precisava. No finzindo do segundo horário de aula, antes do intervalo, ela meio que nos deixou ir. Já havia acertado alguns detalhes de um trabalho para a turma e, quando Marcinha gritou que tava tendo promoção-relâmpago de passagens de avião, ela achou melhor encerrar por ali e nos dar um tempinho, o que foi... err... chocante ainda para os outros que não acreditam muito na mudança dela. Nem eu ligava mais para isso.
Infelizmente não havia computadores/notebooks suficientes para todo mundo que queria acessar a tal página de promoções, além do sinal wi-fi que estava caindo muito. Então isso rendeu até o intervalo, onde encontrei com Dani, Bruno e outras pessoas mais que estavam combinando de ir todos, se possível, quase no mesmo avião.
Isso reaproximou esses meus dois amigos, Daniela e Bruno, que dançava a simpatia entre eles como no começo de nossa monitoria, o que me fez suspirar de saudades um pouco daqueles dias tensos. Ele então conseguiu uma poltrona ao lado da marcação dela. Ficamos todos bem perto uns dos outros. Quem quis partir na segunda “futura” de maio, agendou, de vários horários e outras datas, mesmo para chegar em cima da hora do EREAD. Marcamos a ida e a volta logo.
Estávamos então comentando sobre essa nossa tamanha sorte... até que Gui soltou uma história que me fez chamá-lo pelo nome, coisa que ele mereceu:
– Não é por nada não, mas muita gente de nossa turma num mesmo avião... me lembra aquele filme, Premonição.
Sabe quando a pessoa fala uma coisa e mecanicamente você vira o pescoço devagar para onde ela está e faz isso tão devagar quanto enfaticamente? Pois então. Fui tirar a tranquilidade dele que descansava o peso do corpo encostado numa pilastra do pátio.
– Eu juro, Aguinaldo, se esse avião cair e você não morrer no processo, faço por você. Nem que tenha de voltar do além.
Gui tira as mãos dos bolsos da calça, levanta-as em rendimento enquanto todos riem de nosso pequeno drama. Flávia, no entanto, se arrepia e faz sinal da cruz em proteção a todos.
– Só tô dizendo.
– É, bastou um dizer algo assim para o Titanic bater e afundar.
– Ai, Milena, que melodrama.
– Claro, você acha que tá falando com quem?
Então ele me abraçou de lado para bagunçar meu cabelo, mas tão logo teve que abraçar a namorada porque Flávia não gosta de falar essas coisas. Ela queria que a gente retirasse o que tinha falado, mas como? Uma vez dita, o máximo que se pode fazer é não ser repetida. Ainda assim ela nos fez dizer “retiramos o que dissemos” porque foi disso que o Titanic precisou e não teve alguém para declará-lo a tempo.
Um pouco antes de todos subirem de volta às aulas, Dani me entregou umas folhas que haviam caído do meu caderno e voado para próximo dali. Nisso ela observou os brincos que eu estava usando. De um lado uma pena em tom nude com umas missangas neutras peroladas e do outro, uma pérola pequena, que dava um charme.
– Uou, adorei os brincos.
Tocou na pena do meu lado direito. Depois ajeitou a gola da minha blusa que, imagino, estava amarrotada e fora do lugar. Esse processo favoreceu a ela uma visão que tentei esconder desde que tinha achado a marca no espelho essa manhã.
– Sério? Também gosto deles. Vini me deu outro dia desses, comprou na praia.
– Foi? E foi ele quem te deu isso também?
Fiquei de olhos saltados, sem-jeito. Abri a boca para nada sair de lá apenas.
– Caramba, que vampiro. Já estão assim? Que perigo pra sociedade, hein!
Eu sei que ela brincava, ria, mas... me soou como um flagra e eu me senti avermelhada de ter sido pega. Corei mesmo e Dani percebeu. Me ajeitei ao máximo, retomando meu porte de... de sei lá, pisquei tanto que nem sabia o que tava fazendo.
– Oh, você tá corando?
– I-i-isso não é nada, só...
– Só um chupão. Vinícius, hein... parece tão calminho. Tô vendo que é uma fera. Pode deixar, da minha boca ninguém saberá. Melhor manter essa blusa bem no lugar, você não quer que outras pesso...
– Valeu, Dani, agora te-e-enho realmente que-e-e ir... Tchau.
Ia matar o Vinícius por causa disso!
Me refugiei no banheiro perto da minha sala de aula, já esvaziada porque as aulas já deviam ter começado. Mesmo sendo o professor Bart a quem eu fosse ter que enfrentar, preferi dar essa pausa no meu caminho e ajeitar a blusa para que ninguém mais percebesse o fato. Do espelho eu via que ainda estava uma marquinha avermelhada... Me perguntei como que Vini conseguiu isso sem eu mesma não protestar.
Tão rápido quanto a pergunta, veio o entendimento. Como o vampiro comparado à sanguessuga, um beijo apaixonado desses é daqueles que suga embebido e que irradia prazer. Fora tudo tão rápido, tão intenso na outra noite que acho que nenhum de nós dois demos conta do que rolava até vermos os resultados. Quer dizer, eu tenho uma evidência no meu pescoço, o que terá acontecido com Vinícius? Será que o fato de ele estar se... “privando”... ante nosso namoro e toda responsabilidade que sinto que nele pesa, isso está se acumulando numa energia que logo é possível ele não ter controle?
Teria que trazer essa “pauta” novam...
– Lena, o que você...?
Com aquele ar de “fui pega de novo e divagando” reajeitei a blusa e dei uma última olhada no espelho, mexi no cabelo. Flávia ficou na muda pergunta sem nada entender e então seguimos para a aula, chegamos a tempo de emparelhar com o professor caminhando para lá. A minha desculpa de voltar a divagar sobre o assunto secretamente era de que estava muito animada sobre a viagem e do que eu teria que arrumar para ela. Fazer compras e algumas economias. Na verdade, eu só pensava em Vinícius... em como algumas vezes a gente se vê numa cena intensa.
A minha sorte para o caso é que os dias que se seguiram foram frios, pedindo blusas mais quentinhas, consequentemente mais fechadas. Isso me assegurou para que ninguém mais, nem mesmo meu irmão, pudesse ver a marquinha se desfazendo por si só. Abordei com Vini quando pude, mas sempre, sempre somos interrompidos e não pude voltar ao assunto sem demonstrar minha preocupação por ele. Por mais que eu pensasse sobre isso, havia outras coisas ao nosso redor, então tive de deixar in off enquanto dava atenção a elas.
~;~
– Deixa eu ver, deixa!
– Não, Flávia.
– Poxa, a Dani viu.
– Já não tem muita coisa.
– Então não tem problema se...
– Flávia.
– Ok.
Graças ao bom departamento de meu curso, eles reduziram os horários de sexta-feira, deixando apenas o mala do professor Bartolomeu com dois horários. Mesmo cansada do trabalho (e de ver esse careca bundão chato me importunando), fui para a casa de Flávia esperar por Vini – por essa insistência dele de querer sempre me buscar na faculdade – e como ele não sai cedo como eu, preferi esperar na casa dela, que era perto da instituição.
Estava lhe contando sobre o estado tapado de Murilo que se encaixou perfeitamente ao meu de se safar de ele ver o que não podia. Sim, a marquinha no meu pescoço. Deixei essa escapulir para minha amiga.
– Quando seu irmão desconfiou de vocês dois, que estavam sendo mais que os amigos que demonstravam, e então você confirmou... ele não partiu para cima de Vini. Eventualmente ele vai saber, Lena, que vocês têm uma relação. Uma relação de verdade.
– Eu sei... é estranho, quer dizer. É como seu pai descobrir que você... você sabe. Não é algo que ele quer ouvir e nem que você quer dizer às claras. Mamãe é diferente... apesar de agora entender o que foi aquilo depois do Natal. De qualquer forma, do mesmo jeito que eu não quero que ele saiba – ou tenha detalhes sobre o assunto – eu não quero saber dos dele. Pelamor, até eu fiquei tapada quando ele me disse para não falar das cuecas rosas dele enquanto Aline estivesse lá.
Foi... estranho.
– Pera, agora eu me perdi. Rebobina a história. Você só me disse que eles estão juntos, que ele até detalhou tudo. Só num me disse o quê.
– Flá... você precisava ver. Foi assim, de outro mundo. Quando chegamos na cozinha, eu e Vini, estavam dispostas três tacinhas de sorvete, ele pondo na hora, além de cobertura e colheres e... um sorriso. Aquele sorriso de “ganhei o mundo”. Eu olhei para Vinícius, que olhou pra mim e... meu Deus, Murilo disse as palavras que nunca pensei que sairiam em tamanha espontaneidade.
– O que ele disse-o que ele disse?
Flávia iria me chutar da cama dela se eu não falasse, então parei de enrolar. O que ela deu um gritinho de felicidade e fofura por causa da declaração de meu irmão. Estávamos deitadas, jogadas brincando com seus ursinhos de pelúcia.
– “E mais cobertura pra mim porque os créditos hoje foram meus. Aline aceitou meu pedido de namoro”.
Flávia ficou esfuziante, sentindo orgulho da peste.
– Murilo é muito lindo.
– Só NUNCA, NUNCA fale isso alto o bastante para ele ouvir.
Alertei. Preciso deixar a humanidade a par disso.
– Exagerada.
– Realista. Sábia. Conhecedora. Espert...
– Tá, e a história das cuecas?
– Ah, foi ontem de manhã quando acordei. O estranho já começou pelo fato de Murilo entrar no banheiro logo depois que eu saí... ele tem um banheiro pra si no quarto. Também não perguntei. Enquanto preparava meu desjejum, fui ver como tavam algumas coisas minhas no varal lá do fundo... e numa bacia estavam um montinho que achei estranho. Havia um recado de dona Bia lá dizendo que o gênio do meu irmão tinha feito o processo errado e isso tinha “colorido” umas peças dele. Que sexta, hoje, ela levaria o produto que removeria melhor. Aí eu fui de boa bater na porta dele para avisar isso...
Me levanto um pouco, me encosto na parede em que a cama estava emparelhada. Flávia me segue, ficando ombro a ombro comigo, ansiosa pelo que eu narrava.
– E...
– E ele não respondeu. Verifiquei, estava de porta trancada. Algo me dizia que ele tinha aprontado uma besteira... então levantei a voz. Disse que a culpa dessa vez era dele por suas cuecas estarem cor-de-rosa e que dona Bia era muito gentil de se preocupar em levar biscoitos de boneco para ele, que eu vi num outro recado na geladeira. Aí ele abriu uma fresta da porta todo injuriado dizendo pra eu parar de falar aquelas coisas, que estava o constrangendo com Aline.
Os olhos da minha amiga saltam sugestivamente.
– Nossa, e eles já estão assim?
– Pelo jeito... babado forte. Não é bem o tipo de cena que se espera quando se acorda. É tão estranho que me dá vontade de rir. Sabia que ele tava bem gamado nela, ultimamente é que ele tem ficado meio fissurado. Murilo de vez em quando teve uns casinhos, alguns namoros e tal... com Aline, é bem diferente. Talvez seja ela “aquela”.
Flávia se anima.
– Wow, aquela “aquela”? Aquela com quem ele vai casar?
– Não, aquela que vai tirá-lo do meu pé... Ou isso também.
Vai que?
– Tu reclama dele, mas também é dose, viu. Imagina que também não seria muito agradável para ele se te pegasse naquela história de visitas noturnas...
Ela tinha que lembrar?
– E tu me ama tanto que prefere defender ele, né? Poxa, se eu não soubesse que você tá com o Gui, diria que gosta muito dessa peste a quem chamo de irmão.
– Gosto dele, quase como um irmão. Acho fofo o cuidado que ele tem com você, apesar de todas as paranoias dele. Sabe que ele é um de um milhão, né?
Ela adora me convencer dessas coisas.
– Também não sou tão tapada assim, ele que domina essa parte. Mas chega de falar nele, quero saber de Gui... e aquela história, a do Hermani. Sinto que às vezes ele fica meio distante quando o obtuso aparece. Lá no estágio Gui procura não topar muito com ele que eu vejo...
E isso me deixa preocupada. A carinha de Flá entristece um pouco, ela abraça o seu grande urso de pelúcia. Era assunto chato mesmo. Chato não como uma aula de cálculo, chato por importunar, atrapalhar nossos relacionamentos.
– Demorou para abordar. Ontem discutimos sobre isso. Insisti em falar, porque ele ficava desse jeito aí de tempos em tempos, então deixei claro que sabia que ele sabia, que ele perguntasse logo de uma vez pra mim antes que algum de nós ficasse remoendo demais isso. Gui resistiu, então disse. Disse que Hermani o provocou lá no estágio.
A raiva por esse ser voltava. Torci para estar errada quanto a minhas conjecturas sobre ele. Estava certa, certa demais para meu ódio particular.
– Eu sabia! Ah, aquele maldito. Qual foi a provocação?
– Ai, Lena, dá até vergonha de falar... não é a toa que ele preferiu guardar para si. Não sabia que meu desprezo poderia tomar exponenciais, tomou depois dessa.
– Ain, Flá, desse jeito quem dá um jeito de acabar com ele sou eu.
Flávia se move inquieta, levanta da cama, seu celular bipava alguma notificação. Esperei pelo tempo que ela respondia, que voltava desgostosa pelo assunto que tratávamos. Dali vinha uma bomba, tinha certeza.
– Ele... ele... estavam os dois te esperando para a apresentação ao estágio. Hermani foi puxar um papo, perguntou por mim, do nada. Aquele desgraçado, o cretino comentou algo como “Tá pegando a Flávia, né? Uma gostosa. Já passou na minha mão”.
– Que maldito!
– Aí ele mesmo se consertou, como se tivesse falado errado, o que saiu pior ainda. Disse “quer dizer, já passei a mão no material”. Material, Lena!
– Acho que vou me juntar ao Gui nesse homicídio. Porque o Gui teve toda a razão de agir daquele jeito. Sabe-se lá o que mais André já disse para ele? Por mais que o odeie, foi bem melhor eu ter pegado a vaga com ele... já pensou o Gui trabalhando lado a lado com ele?
– Deus me livre! Aguinaldo poderia fazer besteira a qualquer momento. Ainda temo que o faça, que eu não possa impedir. Lena, sei que você pegou a vaga com o Hermani por ele, que tem ficado de olho nos dois e tal... Só peço que fique assim, em alerta para qualquer coisa. Se André fizer algo para prejudicar mais meu relacionamento, juro, juro que não sei o que faço com ele.
– Vou tentar meu máximo, Flá. Ele sabe que eu sei?
– Sabe. Só não sabe que você sabe que ele sabe.
– Sempre achei isso engraçado.
– Tipo o quê?
Meu celular que bipou uma mensagem.
– A expressão do “sabe”. É uma confusão que faz sentido. Ih, Vinícius chegou.
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