Notas iniciais
Mais um!

Bem vinda Alethia. – disse uma voz atrás de nós. Ela era grave e assustadora.

– Necros, desculpe-me a demora. – Kesabel falou e virou de costas, olhei para trás. Necros era alto, tinha cabelos negros na altura do quadril. Usava uma calça e uma camiseta comprida pretas e uma capa da mesma cor que chegava a altura de seus pés. Seus olhos eram de um tom de laranja e sua pele era alva.

– Não se preocupe com isso. Estava dando um jeito naqueles vampiros, são uns inúteis! Só dão dor de cabeça. Zero acabou os soltando novamente. Sendo um sangue puro ele não deveria fazer isso...

– Zero... Sempre ferrando com todo mundo. Caso queira alguma ajuda, saiba que estou aqui. – Kesabel parecia preocupado.

– Obrigado, mas já os prendi nas celas, e mandei os que estavam com fome para a Terra. Margott devia ser mais responsável. – fez uma pausa – Alethia é um prazer te conhecer. Nunca imaginei estar frente a frente com um anjo superior – Necros olhou calmamente para mim. – Está pronta para vermos que poderes você tem?

– Ah... – virei os olhos – Tudo bem mas, à 16 anos quando fui enviada ao mundo humano, tiraram as minhas armas.

– Já imaginava isso. Me acompanhe. – levantou suas mãos e começou a dizer alguma palavras que eu desconhecia em latim. Seus olhos emitiam uma luz branca. Em nossa frente uma fumaça negra se formou – Respire. – disse Necros olhando para mim. Inalei a fumaça e fechei os olhos, quando os abri não estava mais no jardim. Olhei em volta. Era uma sala de pedra escura. A única iluminação que ela tinha era para iluminar as espadas que estavam sobre algumas mesas.

– Onde estamos? – perguntei confusa.

– Na sala das espadas – disse Kesabel sério.

– E por que para chegar aqui eu tive que cheirar aquela coisa?

– É por que só quem respira daquela fumaça que é liberado para entrar nesta dimensão. – respondeu Necros.

– Outra dimensão? Por qual razão as armas são guardadas aqui?

– Para que um qualquer não entre em contato com elas, seria uma catástrofe se isso acontecesse. – continuou Necros. – Escolha uma para começarmos logo o treinamento.

– Qualquer uma? – perguntei.

– Na verdade não. A espada tem que te escolher. – Kesabel se intrometeu.

– E como saberei qual me escolheu ou não?

– Você saberá Ale. – Kesabel me chamou pelo apelido. Haviam quantos anos que ele não me chamava assim?

Caminhei em uma direção aleatória em busca de uma espada. Peguei uma preta com detalhes em vermelho no cabo, a analisei. Comecei a fazer movimentos imitando uma luta, para ver se era leve, ágil e de qualidade. Me parecia boa até ela me puxar para o teto. Eu não entendi o que estava acontecendo, ela fora puxada como um imã para cima. Abri as mãos para me soltar e voltar ao chão.

– O que foi isso? – perguntei assustada.

– Ela não gostou de você. – respondeu Kesabel.

– Veja se esta combina com você – Necros apareceu com uma espada branca na mão. A peguei e comecei a sentir uma dor nos dedos. Soltei a espada e olhei para a minha mão, ela estava sangrando. – Eu não entendo... – disse pensativo.

Olhei para os lados em busca de outra, e vi uma que me chamou a atenção. Ela não era bonita e também não tinha nada de especial mas, sua estrutura prateada brilhava tanto que qualquer um olharia. Estava largada em um canto no chão, andei em sua direção e a peguei. Era bem gelada mas não ao ponto de queimar as mãos. Fechei meu punho em seu cabo, queria ver se esta me faria sangrar ou me puxaria como um imã para o teto, mas nada, apenas o constante gelo. Endireitei a coluna e fiz movimentos de luta com ela, não ouve nenhuma reação.

– Parece que esta é asua espada. – Necros disse atrás de mim.

– É o que parece. – respondi.

– Por que não a testa com seus poderes? – continuou. Virei para trás e olhei em seus olhos laranjas. Voltei a encarar a espada. A apoiei com a ponta da lamina no chão. Coloquei as duas mãos sobre o cabo. Posicionei meu rosto para frente. Minha expressão era séria, fechei os olhos concentrada. Comecei a lembrar das palavras que não dizia a dezesseis anos, as palavras do vento. — Populus nati sunt, populi desineretque. Aura, veniet et. Observetis sensibus nostris. Observaveris copiarum... Gale

Uma ventania invadiu a sala. Todas as espadas foram arrancadas do chão e se juntaram em um furacão. Necro e Kesabel colocaram seus braços na frente dos olhos para tentarem se proteger.

– Satis! – eu disse para interromper o vento. As espadas caíram no chão com força. Os dois tiraram o braço do rosto e olharam para mim. Kesabel estava assustado, e Necros impressionado. Eu achei que iria demorar um pouco para recuperar os seus poderes Alethia, mas me surpreendeu. Fique com a espada, iremos precisar dela amanhã. Não podemos ficar muito tempo aqui, vamos. – se virou de costas e começou a dizer aquelas mesmas palavras em latim. Kesabel ficou do meu lado sério, olhando para Necros. Por que ele era daquele jeito só comigo?

A fumaça apareceu novamente fechamos os olhos e a inalamos. Quando os abrimos estávamos no campo de treinamento. Mas agora não haviam só nós três, mas também um homem e uma mulher. Ele era alto tinham olhos vermelhos e seus cabelos eram marrons, era bem jovem. Ela tinham uma estatura baixa, seus olhos eram pratas com uma pupila de gato e cabelos brancos, parecia ser um pouco mais velha que o outro. Ele usava uma camisa branca com alguns botões abertos dando para ver um pouco de seu peitoral, e uma calça preta onde suas mãos se encontravam nos bolsos. Ela usava um vestido preto com uma armadura para dar volume.

– Ora, ora se não é a Alethia. – disse o homem caminhando em minha direção. Kesabel colocou seu braço em minha frente me protegendo.

– Para que isso? Acha que vou machuca-la? – O braço continuava ali. – Só vou me apresentar. – Kesabel tirou o braço lentamente ainda desconfiando de algum ato do homem. – Ótimo... – Já na minha frente ele olhou para mim sorrindo. – Meu nome é Zero, senhorita. Sou um dos últimos vampiros de linhagem pura. É um prazer te conhecer... – Aproximou do meu pescoço e o cheirou. Tentei olhar para ele mas não consegui. Eles se afastou, seus olhos estavam fechados. Parecia que tinham sentido um perfume encantador, estava com um sorriso de canto. – Desculpe a minha indelicadeza, mas sempre quis saber o cheiro do sangue de um anjo superior, pena que você nunca deixaria eu sentir o gosto... – seus olhos brilhavam em um vermelho mais intenso.

– Chega Zero! – disse a mulher o afastando de mim. – Sabe que se morde-la vai transforma-la em uma vampira! Você é puro, não é qualquer um! Se controle!

– Mas elas adoram isso... A Bree adora isso. – ele disse tentando se defender.

– Mas ela não é a Bree.

– Margott, qual o problema?

– Os dois poderiam discutir em outro lugar? Não temos tempo para isso. O que vieram fazer aqui? – Necros falou sério.

– Queríamos apenas nos apresentar, Necros. – disse Margott. – Desculpe por toda esta cena. Com licença. – ela apertou um dos botões de seu vestido e tanto ela como Zero desapareceram.

– Leve Alethia para seu quarto. Já está anoitecendo, e amanhã de manhã precisaremos dela inteira. – Necros disse se dirigindo a Kesabel, mas olhava para mim, talvez tentando ver qual fora minha reação após aquela cena. Estava calma. Não havia ficado assustada e nem surpreendida, já espera isso de um vampiro.

– Sim senhor. – Kesabel pegou minha mão e me puxou para a porta, queria me tirar dali. Olhei para seu rosto e estava incomodado com aquilo que Zero havia feito.

Ao entrarmos no corredor continuamos em silencio, ele com a mesma expressão, e eu pensando no que dizer para quebrar aquele clima. Quando chegamos na porta do meu quarto ele a abriu e eu entrei. Analisei o quarto, estava diferente. A decoração não estava mais tão morta, agora avia um enorme lustre no teto, uma roupa de cama melhor. Cheguei até o armário e o abri. Havia um pijama.

– Caso precise de alguma roupa, sabe onde achar. Aqui a chave. – olhei para trás e lá estava Kesabel. Estava tão perto que conseguia sentir o calor de seus corpo, principalmente por sua camisa ainda estar aberta mostrando sua barriga com músculos definidos. Ele estava com a mão aberta com a chave em sua palma. A peguei e fiquei segurando. — Obrigada. – em seus olhos. Sua expressão ainda era séria. — Não há de que. O relógio irá desertar as cinco da manhã. Não se preocupe em trocar de roupa para ir tomar café. Todos estarão assim...

Kesabel se virou e saiu do quarto. Droga. Deveria ter conversado com ele sobre Zero.

Coloquei o pijama, uma camiseta e um shorts curto azuis. Deitei de lado na cama e fiquei pensando em tudo o que tinha acontecido até agora. Kesabel... sempre malicioso, Lúcifer... e seus olhos cinzas, Zero... com aqueles olhos vermelhos, aquele ar despojado. Kesabel ficou tão incomodado assim? Será que ele e Zero tem uma rivalidade ou algo do tipo? Ou... Apenas ficou com medo de que me machucasse? Fechei os olhos.

Notas finais
VAMPIROS! PQ OS AMO TANTO? ZERO CASE COMIGO!