Desde pequeno sempre sonhava em viajar pelo mundo, conhecer novos lugares, novas culturas, sem ter parada fixa. Estados Unidos sempre foi meu objetivo principal. Eu sei que não é algo inusitado... “Nossa, ele quer conhecer os Estados Unidos, que original”. Mas é o lugar que eu sempre almejei conhecer. A cultura estadunidense me cativa bastante. A língua inglesa mais ainda. Por isso desde pequeno me esforcei para aprender a língua. E hoje já me considero fluente. Belo Horizonte é um lugar legal para se viver, mas nada se compara com Nova Iorque, Seattle, Los Angeles, entre outras cidades que estão na minha lista. Aquelas férias não estavam valendo apenas como uma porta de emergência para fugir dos meus problemas, mas também estava sendo uma realização e o começo de um projeto que logo eu começaria.

─Tudo aqui é sempre lindo assim? – indaguei enquanto grudava os olhos na janela do carro, admirando a paisagem.
─Não. – respondeu Theo. ─Á noite fica melhor.
─Wow. – exclamei com contemplação.

─Theo, você e sua irmã já decidiram para onde irão levar seu primo? – questionou minha tia ao banco do passageiro, olhando seu filho pelo retrovisor.
─Acho que vamos levá-lo para o Griffith Park. – replicou prontamente.
─Boa escolha. – analisou a resposta do filho que sorri com o comentário. ─Mas vocês vão agora? Você não vai querer descansar, Dih?
─Eu amo dormir, cama é meu ponto de paz. Mas eu só tenho um mês de férias e gostaria de conhecer o máximo da cidade. Aliás, eu posso dormir á todo momento, até durante as aulas de física. – fiz-lhes rirem com a resposta que havia dito sem intenções irônicas. ─Que foi?
─Você é um bobo mesmo. – repetiu Miley.
─Você já disse isso duas vezes, só hoje... Posso levar como um elogio?
─Deve.

─Bom, se vocês vão para o Griffith, então eu vou deixá-los lá e depois vou passar em casa que mais tarde terei uma reunião de negócios. – comunicou meu tio alterando o percurso que fazia.

Enquanto íamos para o parque eu aproveitava para admirar a cidade num tour dentro do carro. Já havia visto Los Angeles em filmes, séries e fotos, mas nada era melhor que estar lá. Ao vivo e a cores em HD e 3D.

Após alguns poucos minutos de viagem, finalmente chegamos ao parque.

─Vamos levar suas malas, quando chegar os meninos vão lhe mostrar o seu quarto pra poder abri-las e arrumá-las com calma. – disse minha tia á janela do carro. ─Vão voltar de carro ou preferem ir de ônibus?
─Pode...
─Ônibus. – interrompi Theo, contradizendo-o antes de terminar a resposta.
─Nossa, que desespero é esse? – indagou Miley.
─É que quando disse que queria conhecer tudo, era tudo mesmo.
─Então ta. – riu. ─Se mudarem de ideia liguem pra mim que venho lhes buscar.
─Okie dokie. – dissemos em uníssono, batendo continência diante á ela que ri mais uma vez.
─Bobos... Até mais tarde.

O carro parte e ficamos seguindo-o com os olhos até que ele some de nosso alcance visual.

─E então... Pronto para um dia inteiro de farra? – questionou Theo colocando a mão sobre meu ombro.
─Não me viciando em drogas, tudo bem. – ironizei.
─Não esquenta, somos uns anjinhos. – comentou Miley sorrindo maliciosamente.
─Eu acredito em vocês, mas esses chifrinhos avermelhados sobre suas cabeças aonde deveriam estar as aureolas, não estão me convencendo muito.

Entramos no parque e ficamos lá até o fim da tarde. Enquanto andávamos pelo parque, reconheci alguns pontos que já havia visto em alguns filmes, parando para tirar algumas fotos, claro. Assistimos alguns filmes que estavam sendo apresentados e fizemos um pequeno piquenique com algumas guloseimas que havíamos comprado em um mercadinho horas antes. Miley e seu irmão nasceram em Los Angeles, mas desde pequenos aprenderam a falar inglês e português. Ambos são morenos de cabelo castanho mel e olhos cor de folha seca. Uma combinação perfeita e charmosa.

Meus tios sempre iam para o Brasil nas férias e os levavam junto deles. Miley quando mais jovem tinha uma quedinha por mim, ela mesmo já havia revelado. Ela sempre andava junto de mim e quando fizemos dez anos, demos nosso primeiro beijo. Após circularmos por quase todo o parque, estendemos o pano que usamos antes e deitamos sobre a grama, de frente a uma escultura de pedra pouco peculiar que deixou eu e meus primos rachando a cabeça por alguns minutos tentando entender o que era aquilo, até desistirmos e optarmos a admirar o lindo pôr-do-sol que se formava logo a nossa frente e chamava atenção de todos que por ali passavam.

─Eu estou zonked, e vocês? – comentou Theo deitando no chão, apoiando a cabeça sobre os braços cruzados.
─Zonked? – indaguei não entendendo a palavra.
─Ah... É tipo, exausto, cansado. É uma gíria comum na Califórnia. – explicou-se.
─Ata. – consenti com a cabeça, me sentindo um extraterrestre. ─Não sou muito familiarizado com gírias locais.
─Nem tente aprender todas. – aconselhou-me Miley, deitando ao meu lado. ─Até eu não consigo entender todas.

Após escurecer, fomos embora de ônibus. Sentei-me no fundo do ônibus e fiquei novamente admirando a cidade ─ agora iluminada pelas luzes dos portes e casas ─ enquanto o céu limpo era invadido por estrelas que tomavam conta do mar negro sobre a cidade de Los Angeles. Encosto minha cabeça no vidro e penso por um minutos em Lucy, logo mudando minha expressão feliz e contente para uma infeliz, chamando a atenção de Miley que assentara á alguns assentos á frente, vindo em minha direção e se sentando ao meu lado.

─Tudo bem? – indagou em um sussurro.
─... – balancei a cabeça em um sim, abrindo um leve sorriso de lado.
─Não parece. – parou, olhando para minhas mãos e segurando-as com força. ─Vai, me conta.

Eu me viro para ela e preparo para inventar uma desculpa ou uma resposta que contornasse a situação, mas olho em seus olhos e vejo sua preocupação... Não podia enganá-la.

─É uma longa história. – suspirei com pesar, já alertando-a caso não quisesse ouvir o meu choramingo deprimente.
─Tenho o dia todo. – respondeu, permitindo-me sorrir novamente.
─Então tá... – parei por alguns segundos, me perdendo nos pensamentos. ─Eu estou gostando de uma garota, e essa garota está gostando do meu melhor amigo. Ele sabendo disso, começou a evitar ela para me poupar, mas isso, de alguma forma, só me fez ficar pior. Não sei se você entende...
─Imagina, já passei por uma situação igual a essa antes.
─Sério? E como você... Sei lá... Fez para resolver isso.
─Quer mesmo saber? – indagou retoricamente, não esperando minha resposta. ─Eu sabia que se eu continuasse gostando daquela pessoa, só me faria mal. Eu já havia passado por várias outras decepções amorosas e não queria mais uma pra minha listinha. Então simplesmente tentei esquecer a pessoa. Pulei fora do barco antes mesmo que ele afundasse e me levasse para o fundo do rio emocional. Saí com os amigos, fui para boates e fiquei com algumas pessoas. Eu sei que soa estranho eu dizer isso, mas foi a melhor forma que encontrei para preencher o vazio no meu coração. – parou para erguer minha face que havia sido direcionada para o chão. ─Era isso ou deixar o vazio tomar conta de mim e me destruir de dentro pra fora.
─Entendo. – olhei fixamente em seus olhos. ─E admiro sua coragem, mas eu não consigo fazer isso. E a vida não dá uma ajuda.
─O que quer dizer com isso? – arqueou a sobrancelha.
─Eu costumo evitar gostar de alguém. Considero-me covarde por isso, mas... Eu tenho medo de me apaixonar de verdade e quebrar a cara de uma forma pior que a anterior. Dificilmente aparece alguém que acabo gostando de verdade, e quando isso acontece, o sentimento não é mútuo. As vezes acho que o problema sou eu.
─Não fale isso. – segurou minha mão com mais força. ─Você é um garoto simpático, inteligente e lindo. Não deixe que alguns desinteresses amorosos estraguem isso. Se você ainda não encontrou uma pessoa que goste de você da mesma forma é por que Deus está preparando uma pessoa melhor na sua vida. Se é que já não preparou e você não notou ainda.
─Obrigado. – sorri, admirando seu sorriso que formava leves covinhas em suas bochechas.

Descemos no ponto e andamos poucos metros até que chegamos ao prédio em que eles viviam. Entramos e pegamos o elevador, selecionando o décimo segundo andar, o penúltimo. Ao chegar fui levado até o quarto que iria dormir, arrumei minhas malas, retirando algumas poucas roupas e colocando em um armário. Tomei um banho e vesti uma roupa leve para dormir, deitando-me sobre a cama e esperando o sono vir. Todos já haviam ido deitar e todas as luzes da casa estavam apagadas.

Meu quarto havia uma sacada que dava uma vista de frente á um lindo parque. Deixei a porta e cortina da sacada abertas, possibilitando a pouca claridade adentrar em meu quarto. Deitei-me sobre o travesseiro e fiquei encarando o teto sobre mim. Fiquei pensando no que Miley havia me dito, não conseguindo evitar o pensamento de que ela estava dirigindo-se a si mesma quando disse que eu não estava notando a pessoa certa. E se aquilo foi uma indireta? E se ela ainda gostava de mim?

Após algumas horas sem conseguir pegar no sono, levantei-me e fui á cozinha para pegar um copo d’água. Encontrando-a que bebia água em um copo de vidro enquanto observava o céu pela janela.

─Não está conseguindo dormir também? – indaguei enquanto abria a porta da geladeira e pegava uma garrafa de água.
─Eu demoro pegar no sono, sempre sou a ultima a dormir. – disse ajeitando o cabelo.

Não pude deixar de notar que ela trajava uma camisola linda que ressaltava suas curvas e pernas chamativas. Acabo me distraindo por um breve momento, deixando-a encabulada.

─Ah... Me desculpa. – me redimi, desviando o olhar e ficando de costas á ela.
─Tudo bem. – sorriu com rosto corado. ─Eu que não devia estar andando por aí com essa camisola. – foi até a pia, deixando seu copo e passando perto de mim, que me viro e a seguro pelo braço.
─Quer me ajudar? – sussurrei. ─Me ajuda a esquecê-la?
─Pensei que não fosse pedir. – sorriu, dando-me a oportunidade de beijá-la.

Agarrei-a pela cintura, beijando-a profundamente. Com uma mão eu a segurava e mantinha seu corpo próximo ao meu, com a outra, deslizava sobre sua face delicada, passando pelos seus cabelos e descendo até sua nuca.

─E se seus pais nos pegarem aqui?
─É só não ficarmos dando sopa aqui na cozinha. – sussurrou em meu ouvido.
─Tem razão, sei de um lugar perfeito. – puxei-a pelo braço, indo em direção ao meu quarto. Ao entrar, fecho a porta e vou ao encontro de sua boca novamente.

Nossos beijos começaram a ficar mais quentes, nos excitando gradativamente, enquanto aumentávamos a intensidade dos beijos e nossas carícias. Aproximando-a de minha cama, coloco minha mão sobre sua coxa e deslizo por debaixo de seus trajes, passando sobre sua calcinha e alcançando sua cintura.

─Você tem...? – indagou em um cochicho ofegante.
─Não, e você?
─Também não, mas acho que sei onde o Theo esconde os dele. – disse indo em direção ao meu armário, retirando uma caixa em um fundo falso.
─Como descobriu isso? – ri desacreditado.
─Sou a irmã dele, eu sei de tudo que ele esconde de nossos pais. – sorriu, retirando algumas camisinhas da caixa e guardando-a novamente. ─Pronto.
─Onde havíamos parado mesmo? – questionei ironicamente, puxando-a para perto de mim e voltando a beijá-la intensamente enquanto retirava sua camisola debaixo pra cima.

Ao despi-la, retiro minha camisa e a deito sobre minha cama, admirando seu corpo formoso e seus atributos excitantes. Deitei-me sobre ela e notei que estava meio inquieta.

─Tudo bem?
─Sim. Só estou um pouco nervosa. É que... Eu nunca fiz isso antes. – revelou.
─Bom, se isso te conforta. Eu também não.
─É serio? – sorriu aliviada. ─Então vamos ter outra “primeira vez” juntos de novo?
─É o que parece. – sorri.

Retornei beijando sua nuca delicadamente enquanto acariciava seu corpo com uma mão, e com a outra, segurava sua cintura. Sinto sua respiração acelerar e seu corpo reagir aos meus toques, arrepiando-a a cada movimento. Seguro sua calcinha e deslizo-a lentamente por suas pernas até passar por seus pés, livrando-a completamente de seus trajes. Termino de retirar minhas roupas e me preparo, colocando o preservativo. Logo me pondo sobre seu corpo e encarando seus olhos vidrados aos meus. Nossos corpos suados se entrelaçam sobre o lençol da cama. Desarrumando-o sobre o colchão que acompanhava os nossos movimentos frenéticos em um vai-e-vem. Nossas respirações abafadas se sobrepõem sobre o silencio da noite junto de gemidos que resumiam o nosso prazer.

Continua...

Notas finais
Pois é pessoal, acabei que não pude postar sexta passada. Mas irei postar em dobro hoje, para não atrapalhar a ordem. Espero que tenham gostado :)