Notas iniciais
Fiquei dias criando coragem para revelar a verdade a James, e quando decido fazer isso, ele me diz que ficará com a Lucy. Bom, a historia não roda apenas entorno de mim. Eu não sei de tudo o que acontece com os demais envolvidos. Cada um tem o seu ponto de vista, então acho que seria legal o James explicar o lado dele da historia...

Sou James Alves, tenho 18 anos de idade e ainda estou cursando o terceiro ano do Ensino Médio. Devem estar se perguntando o porquê de eu estar narrando a historia agora, mas é por que o Dih foi ao banheiro e eu estou substituindo ele. Não, zoera. É simplesmente por que o fato que irei contar não foi vivenciado por Diego, então não havia como ele descrever.

Ainda naquele dia, ao final da penúltima aula, como de costume saí da sala às pressas e me juntei ao meu time de basquete para nos aquecermos antes do jogo.

─Isso aí, meninas! Todos se aquecendo que hoje eu quero mais uma vitória. – disse chegando ao vestiário.
─James, é só um jogo durante a aula de Educação Física, não uma disputa estadual. – Roger, um dos jogadores do meu time, me contradisse, sendo segurado por mim que enrosco meu braço direito entorno de seu pescoço e forço o punho esquerdo contra o centro de sua cabeça, fazendo movimentos circulares com força.
─Não é com esse espírito que quero que entrem naquela quadra. Se eu disse que quero uma vitória, teremos uma vitória... Quem está comigo? – animei aquele bando de preguiçosos.

Ao sairmos do vestiário, me deparei com Diego e Lucy conversando, parecia que finalmente ele havia criado coragem. E pra falar a verdade, eu não senti nem um pouco de ciúmes.

Passamos pela torcida que se formara para ver o jogo e mandei alguns cumprimentos para um grupinho de fãs que gritavam meu nome na arquibancada. Fizemos a tática de jogo e antes da partida se iniciar, vi Lucy assentada na arquibancada me olhando, logo correspondi com uma piscadinha. O jogo começa e de cara o time adversário marca ponto, o que nos faz ficarmos mais atentos. Ao tomar posse da bola, tento aproximar o máximo da cesta adversária e passo para outro do meu time que estava vago, que marca ponto.

O placar fica indefinido por grande parte do jogo, criando uma expectativa de vitória apenas nos minutos finais. Roger toma posse da bola e aproveito para invadir o campo adversário e tomar frente, dando a oportunidade para Roger passar a bola, o que ele faz. O jogo está em seus segundos finais quando eu faço o ponto decisivo. Marcando de cara três pontos e alavancando o nosso time á vitória, trazendo a torcida à tona. Lucy é a primeira a invadir a quadra e me parabenizar, pulando em meus braços e se apoiando em meu pescoço.

─Você foi demais. – elogiou-me.
─Obrigado. – sorri. ─Essa foi pra você.

Diego e Luana desceram logo após para parabenizar a mim e ao time. Ele parecia estar mais alegre do que antes, até soltava alguns sorrisos leves em meio de algumas de suas famosas piadinhas sarcásticas.

─Que isso em cara, mandou ver. – tocou a mão com a minha.
─Ah cara, fiz o meu melhor, né. – gabei-me.
─Pra alguma coisa você deveria servir, né Jay. – Lu me provocou.
─Tá ouvindo alguma coisa, Dih? Pois eu só escuto uma mosquinha invejosa.
─Haha... Estou brincando, você mandou bem. Não só você, mas todo o time. – abraçou-me evitando muito contanto, pois eu estava bastante suado.
─Vai com a gente agora?
─Não, podem ir na frente. Vou tomar uma ducha antes. Estou todo ensopado. – mostrei meu estado, pingando suor até dos meus fios de cabelo.
─Beleza então, mais tarde a gente conversa.
─Pode crer. – nos despedimos e fui em direção ao vestiário novamente.

A escola já estava completamente vazia e as poucas pessoas que ainda estavam lá, ou eram funcionários ou eram alguns alunos que saiam aos poucos. Enfiei a cabeça debaixo do chuveiro e senti a água fria escorrer pelo meu corpo, trazendo um alivio reconfortante. Ao terminar, vesti meu uniforme e sai, dando-me de cara com Lucy que esperava do outro lado do vestiário, assentada em um banco.

─Lucy?! – arqueei levemente a sobrancelha junto de um sorriso de lado que chama o dela.
─Oi! – sorriu meio sem jeito. ─Deve estar pensando que sou uma louca por ter ficado esse tempo todo te esperando, né?
─Nada, só pensei que você fosse uma fã dedicada. – a fiz rir.
─Bobo. – abaixou a face, arrumando uma mecha de cabelo para trás da orelha. ─Você foi incrível hoje, não sabia que jogava tão bem.
─Pois é, obrigado. – suspirei levemente. ─Te vi conversando com o Diego hoje.
─É. Ele esbarrou em mim e me ajudou a pegar os livros que derrubei. Depois nos apresentamos formalmente. – fez um leve bico. ─Ele é um fofo.
─Sim, uma fofura. – fiz uma voz dengosa que arranca mais um sorriso dela.

Ficamos conversando por um bom período de tempo, enquanto íamos em direção á casa dela. A cada minuto ela me olhava de certo modo, com um sorriso bobo, e sempre que ia me responder algo, enrolava o dedo indicador em suas mechas de cabelo. Chegando a porta de sua casa, parei de frente a ela e fiquei encarando-a por um bom tempo, acariciando sua face e admirando seus lindos olhos e sua boca bem desenhada.

─Quer ficar comigo? – falei logo de cara, sem hesitar.
─Agora? – virou o rosto percebendo a minha aproximação. ─Aqui não, meu pai me mata, mas antes te mata e faz um caixão de você pra poder me enterrar.
─Nossa. – engoli em seco.
─Foi uma hipérbole, bobo. – riu da minha reação.
─Eu sei disso. – voltei a acariciá-la. ─Então o que acha de amanhã, depois da aula.
─Amanhã será perfeito. – desviou novamente, dando-me um beijo no rosto e se despedindo enquanto abria o portão de sua casa.
─Tchau. – respondi meio atrasado enquanto a via partir.

Enquanto isso, casa do Diego...

Subi as escadas ás pressas e fui direto ao meu quarto, jogando minha mochila sobre a cama e ligando meu computador. De primeira ele não responde e dá algumas travadas, tendo que reiniciá-lo, o que não funciona.

─Droga. – exclamei recebendo uma reclamação de minha mãe que passava por perto.
─O que houve boca suja? – indagou após perceber meu incomodo.
─Meu computador ta com problemas e queria falar com a vó. – respondi enquanto remexia nos fios e mais fios do computador que não respondia por nada. ─Faz tempo que ele tava com probleminhas, mas hoje ele empacou que nem um burro.
─Deixa aí que vou pedir para seu pai levá-lo para o concerto quando ele voltar.
─E como vou fazer para conversar com ela?
─Você não vive na casa do James? Vai lá usar o dele, ué. – me respondeu, indignada com minha falta de raciocínio. ─Ainda bem que você é bonito, por que você não é muito esperto, sabia?
─Engraçado, todo mundo fala o contrario.
─Eles não sabem de nada. – sorriu serenamente para mim. ─Você é lindo.
─Obrigado mãe. Mas você não conta, e mesmo se contasse, eu não ligo para a opinião dos outros. – rodei a cadeira giratória do computador, desviando o contato visual com ela enquanto falava. ─Se eu ligasse para o que os outros falam e pensam eu estaria sendo o “eles” e não o “eu”. Então a única opinião que me importa é o da minha própria pessoa. O que me agrada é o que me interessa. Os outros são os outros, estão lá apenas para criarem suas opiniões e guardarem para si próprios, pois pra mim não tem relevância. – a respondi de cabeça erguida, com convicção nas palavras.
─Ohhh isso aí! Gostei. – passou a mão carinhosamente sobre meus cabelos.
─Obrigado, obrigado... – me curvei como se estivesse diante de uma platéia clamorosa.

Alguns minutos depois...

─Tenho algo ótimo para lhe dizer.
─Também tenho algo, não tão ótimo, para lhe dizer. – soltei um leve sorriso.
─Então já que o seu não é ótimo, me deixa dizer primeiro. – parou verificando se alguém estava por perto. ─Vou ficar com a Lucy amanhã.
─É sério isso? – engoli em seco, projetando um falso sorriso contente.
─Uhun, vamos ficar amanhã depois da aula. – a alegria era nítida em sua face, e o meu descontentamento, quase. ─E então, o que iria me dizer?

Me diz, eu estava ou não encurralado? Já não aguentava mais esconder a verdade dele e quando resolvi contar, ele me veio com essa. Se a vida não é irônica e injusta eu não sei o que ela é.

─Ehh... Eu ia... Eh...
─Desembucha logo.
“─Me dá um tempo para pensar em uma desculpa?” – pensava. “─Vamos Diego, crie coragem. Você é um homem ou um saco de bonecas da Barbie?”
─Eu ia dizer que ganhei aquele livro que eu tinha quando criança. “─Boa, saco de bonecas.”
─Ah, era isso? – revirou os olhos ironicamente. ─Pensei que você já não lia esses livros infantis.
─É. – ri forçadamente, suando mais frio que o Polo Sul.
─Bom, vou subir que quero ver pelo menos o final do jogo. – virou-se de costas já indo em direção ás escadas.

Bom, Diego, a sua chance está aí. É agora ou agora. Você decide.

─Espera. – pedi com um pesar na voz.
─O que? – virou-se, retornando até mim.
─Não era isso que eu queria lhe dizer. – respirei fundo, tão fundo que deixei o ar rarefeito. ─Eu estou gostando da Lucy.

Continua...

Notas finais
Mais uma segunda-feira, mais um capítulo. Espero que tenham gostado :)