Manipuladores do Futuro
4 Uma morte é sempre uma morte.
Fernando sinalizou com a mão, a convidando a entrar e abriu a porta do passageiro, mas Sophie apenas cruzou os braços e o encarou.
— Entra. Não está com fome?
— Estou. Por isso vou para minha casa comer. – O longo suspiro que ele soltou a fez ter vontade de rir, o que ela estava tentando evitar.
— Então eu te dou uma carona e conversamos, pode ser?
O ônibus estacionou no ponto para deixar passageiros e o motorista estava visivelmente irritado por ter um carro onde não deveria. Ela observou a quantidade de pessoas lá dentro e o humor do motorista…
Entrou no carro sem pestanejar.
Durante alguns minutos o silêncio prevaleceu. Até que Fernando decidiu se explicar.
— Escuta. O lance do celular é simples. Não sabia que você estudava aqui e não pretendia passar em casa até a hora do jantar, por isso trouxe o aparelho comigo. Até tomei a liberdade de carregar a bateria. Não contei quando você perguntou por receio de você simplesmente sumir. Você pareceu furiosa ao me ver. – Era exatamente isso que Sophie pretendia fazer, não sabia exatamente o motivo, mas não gostou de encontrá-lo ali. No entanto, sabia que era paranoia sua e ele não tinha nada com isso.
— Compreendo… Obrigada por carregar a bateria.
— Posso considerar que está tudo bem entre a gente?
— Acho que sim. – O “entre a gente” não ficou bem esclarecido e Sophie decidiu nem tentar esclarecer.
— Ótimo! Eis a minha proposta… Podemos ir para minha casa, almoçamos, nos conhecemos melhor, depois jantamos e nos conhecemos ainda melhor. O que acha?
— Depende.
— De quê? – Aproveitou o farol fechado para tentar decifrar a expressão dela.
— Do que você quer dizer com nos conhecermos melhor. Posso aceitar seu convite. Mas se a sua intenção é transar, esquece.
— Olha, eu gostaria de transar com você. Mas estou te convidando apenas para almoçar e jantar. Podemos nos conhecer conversando, eu ainda sei fazer isso e acho que você deve saber também.
— Então acelera que estou com fome. – Disse isso para não dizer as besteiras que estava pensando, como: “Ah que pena, também gostaria de transar com você!”, claro seria só uma piada, mas vai quê?
A casa dele não era grande como a sua, tinha o tamanho certo para alguém sozinho, um quarto, sala, cozinha e banheiro, o quintal era espaçoso, mas não o suficiente para caber um carro. Ele explicou que o guardava em um estacionamento ali por perto. Por mais que não gostasse de estereótipos, não pôde deixar de notar o quão bem arrumada e limpa estava a casa.
— Seja bem-vinda! – Ele abriu os braços, como se apresentasse uma obra de arte.
— Obrigada! – Entrou um pouco tímida na casa. — Preciso comentar, não esperava uma casa impecável!
— Não passo muito tempo aqui, então permanece limpa. A moça que faz a limpeza merece todo o crédito.
Com alguns momentos constrangedores sem saberem o que dizer um ao outro, Sophie pediu para usar o banheiro e aproveitou para dar uma espiada. Não tinha certeza do que estava procurando, até encontrar, e se recriminou por isso. O sabonete líquido com cheiro de melancia não combinava com o cheiro amadeirado que ele carregava.
Quando voltou do banheiro, a mesa já estava sendo colocada. O ajudou a terminar e gostou, ao perceber que tinha salada de maionese e bife acebolado.
— Acabei usando seu sabonete de melancia para lavar as mãos, não encontrei outro. – Se recriminou de novo por puxar o assunto, mas não conseguiu conter a curiosidade.
— Não tem problema, nunca usei esse sabonete.
— Não gosta de Melancia? – Tinha certeza de que estava sendo infantil, mas não conseguia evitar, estava curiosa demais para isso.
— Gostar de uma fruta não significa querer cheirar a uma. – Ele deu uma garfada e olhou de relance para a garota à sua direita, dessa vez conseguiu ler sua expressão e riu. — Ganhei esse sabonete de uma amiga. Apenas uma amiga, não se preocupe.
— Não é como se eu tivesse motivos para me preocupar. – Deu de ombros tentando disfarçar e não voltou a falar até terminar a comida.
Diferente do que imaginava Fernando, não tiveram muito tempo para conversar. Decidiram assistir televisão depois do almoço e se acomodaram no sofá que ficava no quarto, um dos poucos móveis além da cama, de que se orgulhava pelo conforto. Dessa vez nem tanto, pois Sophie dormiu antes que acabasse o filme.
Rindo da posição desajeitada dela, ele desligou a televisão, a ajeitou em uma posição mais confortável e jogou um lençol por cima. Sua outra opção foi deitar em sua cama que ficava ao lado do sofá e dormir também.
Antes de pegar no sono, porém, o pouco que Sophie contou sobre sua vida o perturbava, não conseguia deixar de na história dela. A garota era filha biológica de Lívia e Rogério e foi abandonada pela mãe com seu pai e a esposa que não podia ter filhos. Ninguém sabia o motivo do abandono. O que mais o intrigou na verdade, foi a forma como um ano depois o carro de Lívia foi encontrado num rio.
Ao que tudo indicava, foi um acidente, mas não havia corpo e nem indícios de frenagem na ponte de onde o carro supostamente despencou. A história lhe soava familiar e mal contada. Decidiu que pensaria nisso depois, precisava descobrir outras coisas antes disso. E sentia que estava perto.
Soluços abafados despertaram Fernando. Ainda sonolento, custou a descobrir a origem, até olhar para o sofá e ver a garota quase sufocando enquanto dormia. Ele se aproximou para tentar descobrir o que estava acontecendo, mas não demorou muito para Sophie acordar, atordoada.
Demonstrando preocupação ele a abraçou e perguntou se estava tudo bem. Ela não respondeu e se afastou procurando por algo o sofá.
— Você viu meu celular? – Perguntou, a voz um pouco estranha, olhando para os lados e enxugando as lágrimas do rosto, tossindo em seguida para a voz sair melhor.
Fernando levantou e foi até a cozinha, onde o aparelho estava. Esperando uma explicação ele entregou o celular e aguardou até que ela parecesse pronta para falar. A atitude de segurar o aparelho como se fosse a solução de um problema deixava claro que Sophie não pretendia falar, mas Fernando estava enganado e a música da abertura de uma série que ele assistiu apenas alguns episódios começou a tocar.
— Oi mãe. – Ela atendeu a ligação antes mesmo de ver quem era na tela. — Posso, mas o que aconteceu? Sei... – Lançou um olhar de canto para Fernando, que estava ouvindo sua conversa e se levantou. — Quando aconteceu? Tudo bem. Daqui a pouco chego ai. Não faz isso mãe, eu não vou. Quando eu chegar a gente conversa. Tchau!
Sem ela precisar dizer nada, Fernando já estava se vestindo e pegando a chave do carro. Sophie apenas lavou o rosto e os dois seguiram para o carro, nem mesmo tinha percebido que ele estava apenas de cueca até o ver vestir as calças.
Durante o caminho ela ponderou se não seria melhor ir com seus pais, contudo, não queria se reunir com a família, com exceção de seus avós, pais de Bárbara. Seus tios e primas sempre foram maldosos, fofoqueiros e adoravam ter um motivo para falar de alguém, Sophie não queria ser alvo mais uma vez.
Teria de fingir estar mais triste do que realmente estava apenas para não parecer insensível e não queria isso. O melhor a fazer era inventar uma desculpa.
— Com que amiga você disse que estava fazendo trabalho? – A voz de Fernando a fez se sobressaltar, já não estava mais com os pensamentos ali há algum tempo.
— Não se preocupa com isso. Não é como se eu ainda precisasse mentir. As vezes esqueço que sou maior de idade. Esse não é o caso.
— Tudo bem. – Ele assentiu e estacionou em frente à casa dela.
Bárbara a esperava na porta de casa, por isso descartou a ideia de mandar Fernando embora, não daria tempo mesmo e seria falta de educação não apresentá-lo. Sua mãe a surpreendeu por não enchê-los de perguntas, apenas o cumprimentou, educada e abraçou a filha por alguns segundos antes de soltá-la e voltar sua atenção para ele.
— Bom… é melhor eu ir, depois conversamos dona...
— Bárbara, meu nome é Bárbara. – Esboçou um sorriso fraco, mas simpático.
— Foi um prazer! Pena que não é uma boa hora.
— Nem me fale, minha mãe deve estar arrasada com a morte da irmã. As duas eram tão próximas...
— Meus pêsames! – De repente, fazendo o coração da garota gelar, Fernando se virou e segurou o rosto de Sophie num gesto carinhoso, principalmente quando recebeu um beijo dele na testa. — Se precisar de alguma coisa, me liga!
— Obrigada! – Foi o que conseguiu dizer enquanto o via se afastar e entrar no carro. Podia jurar que Fernando lhe daria um beijo na boca e desconfiava que Bárbara também esperava por isso.
Recuperada do susto, entrou na casa com a mãe. As duas sentaram no sofá e Bárbara esperou até que a filha conseguisse falar. Odiava ver Sophie passando por isso, mas os remédios estavam só piorando a situação. Haviam coisas com as quais as pessoas tinham que lhe dar e esse era o casso, por mais que Rogério tenha escolhido não fazer, não podia escolher também pela filha.
— Eu a vi chamando por Lívia antes de morrer. Foi muito triste, ela nunca superou a morte da filha. – Ela contou o que viu, mas sem dar detalhes. Sua mãe sabia o quanto tudo parecia real para a filha, não precisava dar explicações.
Assistir a morte de uma senhora sozinha deixaria qualquer um abalado, mas a da própria avó era ainda mais triste.
— Lígia nunca superou a morte dela, acho que nenhuma mãe conseguiria. – Bárbara abraçou novamente Sophie, pensando que jamais superaria se algo acontecesse a sua filha e Rogério chegou nesse momento, se juntando ao abraço.
O momento durou pouco, seu pai se afastou, acariciando o rosto de cada uma de suas meninas antes de ficar em pé.
— Levantem! Ou não conseguiremos chegar a tempo.
Explicar ao pai que não queria ir ao enterro foi fácil, os dois sabiam como seria desgastante e não hesitaram em poupar a filha. A preocupação de Rogério era quanto ao tempo que deixariam a filha sozinha.
Márcia e Arnaldo, pais de Bárbara, precisariam deles, pois os irmãos de sua esposa mesmo morando perto, nunca se dignaram a passar um tempo com os pais para ajudar, nem mesmo nos momentos difíceis. Sempre ligavam para a irmã mais nova.
Letícia estava viajando. Duvidava que chamar uma babá seria o correto. O jeito era acreditar que tudo seria resolvido o mais rápido possível e que Sophie conseguiria se virar sozinha por um tempo. Bárbara levantou e pegou sua bolsa, se juntando ao marido.
— As coisas já estão no carro, arrumei tudo enquanto te esperava. Vamos! – Seu pai sempre esquecia coisas importantes, como escova de dentes, documentos e até mesmo chaves. Por isso era sua mãe quem sempre fazia as malas.
— Nada de pegar a moto. – Advertiu Rogério, enquanto a filha os levava até a porta.
— Se precisar, liga para o seu amigo. Ele parece grande o suficiente para te ajudar e intimidar qualquer um que tente se aproximar de você. – Bárbara cochichou ao abraçar a filha.
Sophie desconfiava que sua mãe tinha algum tipo de sétimo sentido, não era possível. O conselho foi quase como se ela tivesse adivinhado o que aconteceu na faculdade com a filha mais cedo.
— Podem ficar tranquilos! Boa viagem! Mandem mensagem quando chegarem.
— Pode deixar filha. Tenha Cuidado! – Seu pai a abraçou e em seguida, envolveu a esposa pelos ombros e foram para o carro.
Sophie assistiu seus pais entrarem no carro e seguirem para a estrada até o veículo desaparecer, depois trancou a porta e foi para o quarto. Deitada na cama, as imagens de Lígia não paravam de vir a sua mente. Como se estivessem sendo projetadas na parte de dentro de suas pálpebras.
Depois de repassar a cena em sua mente várias vezes… De Lígia dobrando as roupas da falecida filha, saudosa. Guardando no armário do quarto intocado de Lívia, arrumando tudo como se esperasse sua volta, deixando para alisar o lençol da cama por último, como se fosse um ritual diário, saboreando cada passada de mão. Em seguida levando a mão ao peito com a confusão estampada em seu rosto e sem seus olhos… Mas logo veio a compreensão e o desespero. Apoiando-se na cama, Lígia se ajoelhou e tentou gritar. No lugar do grito de socorro, saiu apenas um sussurro, “Lívia”, antes que seu corpo tombasse para o lado e caísse inerte no chão.
Por causa de sua semelhança com a mãe biológica, Sophie nunca conseguiu proximidade com a avó sem lhe causar dor, por isso não eram chegadas a ponto de sentir falta uma da outra. Mas a morte de uma mãe lançada a solidão, à eterna espera de uma filha que nunca vai voltar, é triste. Com proximidade, ou não.
Mais uma vez Sophie cogitou voltar a tomar seus remédios. Não queria passar a vida tendo avisos prévios do futuro, era perturbador demais, pelo menos por enquanto. O único problema era, voltar a se consultar com seu psicólogo. Na presença dele era impossível não se sentir insignificante e temerosa. Tinha duas opções, voltar a ser e se sentir um trapo humano, ou se acostumar com os sonhos.
Mesmo perturbadores, no longo período em que não sonhava, ou não se lembrava deles, Sophie sentia falta, de alguma forma parecia que parte integrante de quem ela era estava naqueles sonhos.
Dom, precognição, ou qualquer nome que aquilo tivesse. Era seu. O melhor que podia fazer era tentar aprender a conviver com aquilo.
As consequências de seus anos como trapo humano devorador de pílulas, foi medo de se envolver com pessoas e contenção de sentimentos, isso ela podia avaliar. As coisas precisavam mudar. Pela primeira vez em muito tempo, estava disposta a se permitir um pouco mais.
Poderia começar por Fernando, por exemplo. Ele estava claramente a fim dela e a irritação, constrangimento e borboletas no estômago que sentia perto dele indicavam interesse mútuo. Claro que poderia estar interpretando tudo errado e poderia ser mais um erro, talvez…
Mas o que são os tropeços, comparados à vida? Às vezes é preciso apenas se entregar e deixar as coisas seguirem seu curso. Era melhor pecar pelo excesso que pela falta.
Quando seus devaneios a estavam abandonando e o sono chegando, o toque de seu celular a fez dar um pulo da cama. Sophie levantou catando cavaco pelo quarto até chegar a sua bolsa que havia deixado no chão. Quando olhou na tela e viu o nome “Fernando”, congelou por um tempo antes de atender a ligação. Agradeceu por não ser nenhuma notícia ruim sobre seus pais que tinham acabado de sair.
— Oi. – Bocejou sem querer e esfregou os olhos para despertar sentando-se na cama. — Eu imaginei, não tinha seu telefone. Sim, estou bem. Se você quiser me fazer companhia não reclamo, tenho algumas perguntas para você. – Ela riu e balançou a cabeça com a resposta dele e saiu do quarto. — Estou indo. Tchau! – Guardou seu telefone no bolso da calça e foi para a sala abrir a porta para Fernando.
— Você está com cara de sono. – Ele sorriu e beijou o rosto dela ao entrar.
— Por que será? – Revirou os olhos ao fechar a porta e se jogou no sofá pequeno colocando os pés para cima e apoiando a cabeça na almofada.
— Isso é mau humor? Se quiser posso ir embora. – Sophie o observou sentar no sofá e estreitou os olhos na tentativa de perceber algo errado. Era como se todo cara que tentava ser legal com ela tivesse algum defeito, nunca deixaria de procurar.
— Na verdade não. Meu humor é assim mesmo. É que sua observação tinha uma resposta muito óbvia.
— Certo… – Essa era uma das poucas vezes em que ele não sabia o que responder e o silêncio ocupava mais espaço do que deveria.
Sophie não conseguia enxergar más intenções no comportamento dele e desistiu, porém, fez o mesmo que julgou estar sendo feito com ela. Reparou em outras coisas, coisas que a distraíam. Como a cor preta e intensa dos cabelos dele, os músculos marcados pela camisa branca, a cor da pele quase morena, acreditava que ele não devia pegar muito sol. O sorriso um tanto quanto inocente demais para aquele rosto e o olhar de quem escondia algo. Era um cara bonito e atraente, mas aquele sorriso sugeria certo desequilíbrio e isso a deixava receosa.
Fernando não conseguia desviar ao olhos dos dela, era quase como se estivesse perdido naquele mar de mel e sua boca enchia de água só de pensar, o que finalmente o fez desviar os olhos e sorrir, reparando em outros detalhes. O modo rude e delicado como ela se comportava e ao mesmo tempo inocente. O corpo com as curvas certas, nada exagerado, apenas um quadril mais largo e atraente.
O tom azeitona da pele dela, claro demais, como se a garota corresse do sol a qualquer custo, e o cabelo castanho com um fundo avermelhado que só era perceptível pelo reflexo da luz que entrava pela janela da sala. O que mais o fascinava não era a beleza distinta de Sophie, mas o seu olhar investigativo, e as cores. O mel dando lugar ao cinza como se anunciasse o fim do mundo por um dilúvio, o fez ofegar e ficar excitado.
— Para de me encarar desse jeito! – Num movimento brusco e irritado ela se sentou no sofá e bufou.
— Foi mal! – Ele pigarreou e relaxou a postura. — Quais eram suas perguntas mesmo?
— Em que você trabalha? Qual curso faz? Se você tem irmãos, filhos, essas coisas… Já que parece que você vai entrar de sola na minha vida, gostaria de saber mais sobre quem entra em minha casa e conhece a minha família, entende? – Esperava não ter soado grosseira.
— Claro! Foi por isso que te convidei para jantar e para ir a minha casa. Posso te contar tudo mais tarde. Se o jantar ainda estiver em pé depois do que aconteceu…
— Está sim. – Respondeu sem vacilar, queria e precisava se distrair um pouco.
— Depois de sair daqui, é que me toquei que não tinha confirmado com você. Que poderia não estar no clima. Aí resolvi esperar seus pais saírem.
— Uma morte é sempre um morte, mas não éramos tão próximas, então… – O interesse dele na resposta a fez se sentir desconfortável, uma leve mudança na postura de Fernando sugeria sondagem. — De qualquer forma, você poderia ter apenas ligado.
— Queria ter certeza de que estava bem. – Uma nova onda de silêncio tomou conta do cômodo e o fez se levantar, olhando no relógio em seu pulso. — São 17:00. Posso vir ás 19:00?
— Combinado. – Ela também se levantou e o acompanhou até a porta.
Os dois se despediram, sem jeito e Sophie ficou observando-o entrar no carro e desaparecer no final da rua.
A atração entre os dois era palpável, os momentos de proximidade a deixava constrangida, não que fosse tímida, longe disso, mas há muito tempo não saía com alguém diferente, eram sempre Adriano, ou Bruno e desde que Adriano começou a namorar, apenas Bruno ligava, e mesmo assim fazia quase seis meses que ele não ligava, desde a última vez em que saíram.
Fernando provocava comichão por ser novidade. Sophie parou por alguns minutos diante da escada, repassando a conversa entre eles em sua mente. Algo a incomodou fazendo com que se fechasse quando falava de sua avó, pensou ter sido pela curiosidade que ele demonstrou, mas era normal, não era?
Além do mais, será que isso não foi algo dela? Uma possível culpa por não estar se desmanchando em lágrimas, afinal, sua avó acabara de morrer? Se fosse isso, precisava dar um jeito de acabar. Mais patético do que sentir culpa por não conseguir chorar a morte de alguém, só chorando para mostrar às pessoas que se importava quando na verdade, não se importava tanto assim.
A resposta mais óbvia era que Sophie tinha se fechado por receio de Fernando pensar que ela não tinha coração, tanto que estava até esperando que a garota desmarcasse o jantar.
Se ele estava mesmo interessado nela, talvez, sua aparente insensibilidade fosse um ponto negativo, mas Sophie não agiria de forma diferente, não por um cara que tinha acabado de conhecer.
Cansada, subiu a escada à passos lentos para seu quarto e colocou o celular para despertar às 18:00. Adormeceu quase que imediatamente ao deitar na cama.
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