Notas iniciais
HOJE É SEXTA-FEIRA GALERA! E aí, gente, tudo bem? Então, não pretendia postar mais um capítulo essa semana, já que tinha postado logo dois na segunda-feira. Mas relevei, essa semana foi especial pra mim, e aposto que muitos estavam ansiosos para saber do reencontro dos nossos policiais favoritos. Outro detalhe é que estou conseguindo adiantar bem os capítulos, fico muito feliz comigo mesma! Agradeço de coração a todos que estão acompanhando essa fanfic até aqui, sem contar ao pessoal que comentou e está sempre comentando! Só pra constar, o próximo capítulo deve sair quarta ou sexta, já que estou postando esse aqui numa sexta. Aproveitem!

Foram poucos dias, que pareceram meses. Um estranho reencontro, se é que se podia explicar. Por dez segundos inteiros, nenhum dos dois se pronunciou; como se uma barreira os impedisse de falar. Um choque, talvez? A última visão de um para com o outro foi crítica, urgente.

Assim que ele viu o rosto dela, o sargento fechou seus olhos por breves segundos e sorriu de lado.

— Bom dia... — falou com a voz fraca, como se nada tivesse acontecido.

Sonolento, o semblante do sargento e se encontrava sereno, dando a impressão que nunca passou por aqueles momentos dias atrás. Grissom vestia roupas hospitalares e estava coberto com um lençol branco da cintura para baixo. Sua barba crescera mais, inclusive o cabelo, um pouco mais alto.

Ela franziu as sobrancelhas.

— Bom dia. — Aproximou-se mais dele — Que bom que você está bem, porque agora eu posso te matar! — disse, após cerrar os punhos de raiva.

Grissom fez uma careta, surpreso em ouvir aquelas palavras. Estava se recuperando das drogas que recebeu, aparentando estar meio grogue.

— Você não estava assim... naquela hora...

— Claro que não estava! — retrucou, dando meia-volta. Voltou-se a ele, segundos depois — Que droga, Grissom, olha o que aconteceu!

Ele tentou se ajeitar na cama. Lentamente, apoiou os dois braços no colchão e fez força para se mover. Aquela ação o fez soltar um breve gemido de dor, que logo chamou a atenção da detetive.

— Ah!

— O que foi?!

— Minha perna... — Ele tocou no local de onde levou um tiro — Não estou... sentindo...

— Deve ser o efeito dos anestésicos. Logo você vai se recuperar, seu idiota.

O sargento se fixou na perna, coberta pelo lençol. Calado, ficou por alguns segundos daquele jeito até que se voltou a Sara.

— Céus...! — Ela levou a mão à testa, vendo-o finalmente ficar na posição que gostaria — Olha só pra você... — Balançou a cabeça.

— Levei dois tiros. — retrucou sarcasticamente — E pelo visto, você não... — comentou após observá-la.

— Ah...! — resmungou, pegando uma cadeira próxima à cama, no lado direito e sentando-se nela. Ficaram a meio metro próximos — Eu não consigo acreditar no que está acontecendo. — Sara apoiou os cotovelos nas pernas e baixou a cabeça. Levantou e novamente levou a mão ao rosto.

Deveria estar contente, mas acabou que, só de falar com ele acabou se irritando ainda mais.

— Você... tá bem? — Grissom perguntou desviando seu olhar dela já que não conseguia mantê-lo.

— Estou ótima, Grissom, ótima. — Sorriu e respondeu sarcasticamente.

— Não... você não tá.

— Como pode dizer isso? Está quase tão chapado quanto Samuel Davis!

Ele soltou uma breve risada.

— Pare de rir, eu não estou para risadinhas agora. — respondeu irritada, levantando-se da cadeira para caminhar até a janela à esquerda. Sara abriu-a e deixou que o ar (não tão puro) da cidade entrasse.

Grissom a observou calado. Soltou um longo suspiro. Virou o rosto para o lado ao notar algo que não vira antes. Então reconheceu a bolsa de viagem.

— Trouxe minha bolsa?

Apoiando os antebraços na janela, Sara virou o pescoço para o lado e respondeu:

— Você não vai voltar com essas roupas, vai?! — retrucou.

Ele olhou para si mesmo, que vestia as roupas brancas com detalhes azuis. Não era todo mundo que faria aquilo.

— Obrigado... Eu... gostava daquela camisa. Mas eles a destruíram. — disse, referindo-se ao momento em que foi socorrido, no qual precisaram cortar suas roupas.

— Ah, ninguém merece. — A detetive suspirou, fechando a janela e se voltando a ele.

— Que dia... é hoje? — Ele perguntou, virando-se para a janela.

— Sexta-feira. Não te falaram?

Ele arregalou seus olhos.

— Preciso fazer uma ligação. — Sua voz era apreensiva.

— Pra quem?

— Tenho que saber como Hank está.

Hank?! Quem diabos é Hank? Ela pensou, franzindo o cenho. Será que ele é pai?

— Quem é Hank? Por acaso é filho teu? — Apontou para ele.

Por que tinha que ser logo Hank?

— Hank é o meu cachorro.

Ainda franzindo as sobrancelhas, ficou meio boquiaberta, mas por poucos segundos.

— Seu cachorro? — questionou surpresa — Ele está na sua casa?!

— Não... está na casa de um vizinho.

— Ele deve estar bem... melhor que você.

Céus, tinha que ser logo esse nome?

— Onde estão as minhas coisas? — Grissom perguntou confuso, olhando para todos os lados — Distintivo, celular...

— Devem estar ali. — Ela apontou para o pequeno criado-mudo com uma gaveta, situado à direita da cama dele, após o equipamento hospitalar.

A mulher caminhou em direção ao móvel, entretanto parou no meio do caminho.

— O que houve? — Ele perguntou preocupado, com a repentina parada.

— Nada... — respondeu, levando a mão à testa. Sentia-se um pouco tonta — Foi só uma tontura.

— Você deve... estar com a pressão baixa.

Ela olhou para o sargento. Deu uma breve risada e balançou a cabeça.

— Eu estou bem, foi só isso. Uma leve tontura. Viu, — Apontou para si mesma — já estou melhor.

— Não está, não. — Insistente, ele a encarou sem reservas — Vá... comer alguma coisa. Não vou sair daqui mesmo.

— Haha, muito engraçadinho você.

— Obrigado. — respondeu no mesmo tom — Depois... me conte o que aconteceu nesses dias.

A detetive sabia que não estava 100% bem. Sua pressão diminuiu no decorrer do caminho. Toda aquela ansiedade e estresse acabaram por afetar o seu estado. Mesmo querendo acabar logo com aquilo seria melhor se comesse alguma coisa.

— Tá, eu vou. Mas só por que estou com fome. — terminou apontando para ele.

— Vá. — Grissom assentiu.

Sara caminhou até a porta e chegou a abri-la, mas ele a chamou novamente:

— Sara...? — chamou-a meio hesitante.

— Oi. — respondeu, se virando para ele.

Ele desviou o olhar por alguns segundos e depois se voltou a ela. Não sabia como dizer ao certo, chegando a hesitar por um instante.

— Eu... me lembro de você. — disse, encarando-a um pouco abatido.

Os olhos dela se arregalaram no momento em que ele terminou de falar. Sua respiração ficou meio ofegante devido às batidas de seu coração, que aceleraram. Ficou sem reação.

— O... o quê?! — questionou-o, tentando parecer mas firme. Mas da mesma forma que o sargento, hesitou.

— Eu... — O sargento ficou sem palavras. Sentia dentro de si todas as palavras rondando sua mente, só que não as conseguiu expor.

Ela não quis saber de mais respostas. Decidida a não ouvir mais nada, abriu a porta.

— Sara, espera!

A detetive deixou o quarto e bateu a porta.

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O detetive de Las Vegas carregava um currículo de peso. Não era qualquer um que, em poucos anos de carreira, conseguia conquistar uma reputação desejável e respeitável. O promissor caçador de homens era versátil, quieto, meio sarcástico e de poucas palavras, o destaque da Homicídios, mesmo odiando ser uma vitrine da polícia.

Primeiro dia da Conferência. Estava meio nervoso. Há apenas um mês foi convidado a comparecer aos dias daquele importante evento que acontecia a cada ano num estado diferente da Costa Oeste americana. Sentiu-se lisonjeado, saber que seu trabalho era reconhecido foi muito bom para sua autoestima.

Vestiu-se formalmente, conjunto social completo. Fez a barba e o cabelo, tudo para causar uma boa primeira impressão naquelas centenas de pessoas. Preparou-se dia e noite para aquele momento, estudando como iria expressar-se sobre sua tese e seus métodos de resolução de um caso. Era especialista em crimes hediondos, e por isso precisava "quebrar sua própria cabeça" para entrar na do criminoso.

Carregando uma pasta com seus arquivos, ele subiu no palco e caminhou de cabeça erguida e peito ereto até a bancada. Estava nervoso, tinha de admitir a si mesmo. Após retirá-los o promissor caçador de homens encarou seus arquivos, tomando coragem de olhar para a frente. O jogo de luzes o permitiu observar com clareza os rostos daqueles que estavam à sua frente.

Mas antes que pudesse falar, seus olhos alcançaram os olhos de uma jovem mulher. Morena, de cabelos presos num rabo de cavalo, vestia, talvez, uma blusa de alça azul, e um casaco fino de lã branca; brincos com um detalhe que ele não conseguia enxergar e um cordão dourado com um pingente, que também não era possível enxergar.

Para ele, não deveria ser uma mulher comum, porque não teria chamado sua atenção daquele jeito. Aquele não era um olhar qualquer, tinha algo a mais, algo inexplicável.

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"Eu... me lembro de você." Não acredito nisso. Aquele... babaca.

Então ele se lembrava. Lembrava-se de tudo, talvez? Questionava a mulher. Sua mente estava a mil por hora, informação demais para administrar. Tanto tempo se passou, oito anos. Ela mudou, não era mais aquela jovem detetive que acabara de descobrir um mundo novo ingenuamente. Agora carregava uma grande mala com seus feitos de tempos passados para o presente. Pensamentos, atitudes...

Lembranças boas poderiam se transformar em lembranças ruins dependendo da situação. Ouvir aquilo foi como o estalo de um gatilho que disparou com força total aquelas memórias dos dias daquela Conferência. Por mais que lhe dessem uma sensação nostálgica, odiou aquilo.

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— Bem... seguindo o raciocínio de Stanford, que escolhia minuciosamente suas vítimas pela cor de sua pele, tudo indicava que se tratava de um crime de ódio, pois suas vítimas eram jovens mulheres negras. Entretanto, essa teoria caiu por terra ao analisar todo um histórico de sua vida pessoal e profissional. Adam Stanford, ou o Assassino da Corda apresentava problemas psiquiátricos e sofria de distúrbios mentais acumulados ao longo de anos...

O detetive olhou para o público. Alguns visivelmente mostravam total desdém à sua apresentação. E eram logo aqueles poucos que o deixavam apreensivo. Decepcionou-se consigo mesmo por não ter causado uma boa impressão logo no seu primeiro dia como palestrante.

Todavia, encontrou aqueles olhos novamente. Tomou coragem.

— É... e por isso... após uma rigorosa análise de seus crimes e seu comportamento ao longo da vida, deu-se como comprovado a sua peculiar obsessão por aquelas mulheres. — Ele fez uma pausa — O que aprendi com esse caso? Nunca tomar decisões precipitadas. — completou com um sorriso de lado. Aquilo levou uma boa parte da plateia ao riso.

Ao menos...

— Penso que, o maior de nossos problemas como investigadores é a persistência em raciocinar num círculo bidimensional, ao invés de pensar numa esfera tridimensional.

Ele observou o público com atenção, principalmente a jovem mulher de olhos cativantes e rabo de cavalo, que não tirava seu olhar dele.

— Muitas das vezes, ao tentar entender o modus operandi de um assassino em série, tentamos compreendê-lo do nosso próprio ponto de vista. — gesticulou, usando as mãos como guias — O que eu quero dizer? Bem, muitos já devem ter ouvido isso, e eu reitero: tente entrar na mente de alguém para tentar entendê-la. Você não vai conseguir me conhecer lendo uma biografia minha ou um diário. Podem esquecer. — O detetive estava mais solto, largou um sorriso maior, e quase todos que o assistiam riram novamente, inclusive a jovem detetive.

Impressionada, se assim podia dizer, era o estado da morena. Por pouco não se esquecia de anotar os pontos importantes da apresentação do promissor caçador de homens.

— Não estou dizendo que vocês vão conhecer definitivamente uma pessoa ao se dedicar a ela exaustiva e definitivamente. O definitivo não existe nessa questão. A minha crítica aqui é o modo atual como nós, oficiais, civis, pensamos. — Ele fez uma pausa — Será que o nosso trabalho como policiais é apenas prender bandidos e... voltar para casa e abraçar nossos familiares, rezando a Deus ou outras divindades para que os proteja daqueles que temos o trabalho de prender?

Ele percebeu diversas faces observando-o atenciosamente. Alguns, chocados, outros surpresos.

— Em todos os meus anos como militar, e depois, policial, eu vi de quase tudo. — O detetive apoiou a mão esquerda no suporte — Prendi muita gente, e em todos os casos nos quais me envolvi tentei compreender o motivo de seus crimes. Até porque esse é o meu trabalho.

Novamente ele arrancou algumas risadas. Dessa vez a jovem detetive ficou calada, prestando atenção em cada palavra dele.

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Um prato vazio, um copo de vidro quase vazio e uma mente cheia. Ela estava lá, sentada numa cadeira; apoiou os cotovelos na mesa e sustentou sua cabeça em suas mãos.

Num restaurante a duas quadras do hospital naquela movimentada cidade, a detetive finalizou o seu almoço das onze e pouca da manhã. Aquilo fez bem a ela, que precisava de um tempo sozinha para se alimentar e esfriar a cabeça. Em breve, precisar-se-ia retornar àquele hospital, mais precisamente àquele quarto donde estava metade do motivo de sua dor de cabeça.

Melancolia, desânimo, estresse. Em uma mente já sobrecarregada, poucas palavras foram necessárias para desmontá-la. Mais uma vez, a detetive perdeu o foco e por pouco não envolveu assuntos pessoais enquanto conversava (discutia) com aquele homem. Ela sabia, aquilo não estava dando certo e tinha certeza que, se continuassem assim, uma hora tudo escaparia.

Então ele se lembra.

Sem querer abriu um sorriso involuntário enquanto olhava para aquele prato vazio.

Ficou em conflito consigo mesma.

Brass.

— Sou eu, capitão. Sidle.

O que foi?

— Acabei de sair do hospital. Grissom está bem, já está conversando e tudo mais.

Que bom. Ele já ganhou alta?

— Não recebi uma previsão de alta do médico. Talvez ele esteja liberado até amanhã. Assim que souber a notícia do doutor eu te aviso.

Ótimo. Mais alguma coisa?

— Não... Só isso.

Está bem, até mais.

Sara encerrou a ligação feita ainda no restaurante. Guardou o celular na bolsa, chamou pelo garçom, pedindo-lhe a conta; pagou-a e deixou o local. Entrou no utilitário e dirigiu de volta ao William Bee Ririe. Informou à recepcionista a situação, e ela, em pouco tempo, permitiu novamente o acesso de Sara ao quarto 415-B. Ela fez todo aquele caminho ao quarto, mas antes de se aproximar da porta, fechou os olhos e respirou fundo.

Você consegue.

Então abriu-a e entrou.

Notas finais
Fim do capítulo. Não pensem que acabou essa parte, os dois ainda vão conversar bastante naquele quarto do hospital, aguardem! Admito que enquanto relia esse cap e revisava, ouvia as músicas If I Were You do 2NE1 e One Of These Nights do Red Velvet. Vejo muito a Sara ao ler/ouvir alguns trechos dessas músicas. Sobre o capítulo: Então o Grissom se lembrou da Sara minha gente! Como acham que ele se lembrou dela? Ou será que ele se lembrava e mentiu para ela logo no comecinho da história? Só que aí a Sara ficou com "raiva" e deixou o quarto mais irritada que antes. Será que foi o momento certo do Grissom ter dito aquilo? Ou falou porque mal se dava conta de si mesmo, já que ainda estava sob efeito dos remédios? É complicado. Próximo capítulo: "Segunda visita" da Sara ao quarto do Grissom! (esse não vai ser o nome do próximo capítulo *risos*) Obs: alguns comentários das queridas leitoras citam/perguntam sobre o motivo do Grissom "não ter lembrado" da Sara. Bem, não se preocupem, irei abordar essa questão em capítulos mais para frente. Até porque essa questão é vital. Mas não se preocupem, show de bola? Show de bola! É isso aí galera, muito obrigada a todos que leram! Um grande beijo e abraço a vocês. Até o próximo capítulo!