Manhunters

48 Ameaça (amigável), visita (não marcada) e surpresa (?)


Notas iniciais
FALA AÍ, PESSOAL! Hoje é dia de mais um capítulo novíssimo pra vocês. E após 300 anos ou 47 capítulos, Manhunters está de cara nova mais uma vez. Eu ainda vou planejar uma galeria de capas com as anteriores e deixar o link na página inicial da fic. Espero que tenham gostado ♥ Ah, recentemente a fanfic ganhou mais um acompanhamento, com isso são 20 pessoas maravilhosas no total. Galera, eu só tenho a agradecer a vocês por dedicarem um tempinho para ler esta fic, muito obrigada mesmo! Um beijão ♥ Obs: Essa capa tem uma versão alternativa e não acho que vai demorar muito pra eu colocá-la aqui. Eu penso que esse capítulo é bastante importante, tanto que eu pensei em mudar a capa quando chegasse a esse ponto. Vocês vão descobrir o porquê, hehe. Aproveitem! Obs2: Esse título parece louco, mas no decorrer do capítulo vocês vão entender.

De volta ao trabalho. Sara chegou à delegacia uns três minutos após o fim do horário de almoço. Correu para a sala do sargento, mas não ficou lá por muito tempo. Tratou logo de falar com Brass em sua sala e relatar tudo o que conseguiu até o momento. Relatou os pontos mais importantes que notou e supôs no caso da terceira vítima. Satisfeito com os prévios resultados, o capitão pediu que ela continuasse no caminho que escolheu.

Então a detetive pensou em seguir para a sala de multimídia, porém, foi chamada de volta à sala do sargento. Não sabia o porquê, apenas que alguém iria "trocar uma palavra" com ela. Esse "alguém trocar uma palavra" a deixou inquieta. Tinha medo que tivessem descoberto o ingênuo, mas perigoso encontro dela com Grissom. Era tão mal assim cometer esse ato? Ela não sabia, mas muita coisa estava envolvida e qualquer deslize seria perigoso; disso ela sabia.

— Detetive Sidle? Que bom que atendeu meu pedido.

Assim que entrou pela porta, deu de cara com o homem em pé, mais precisamente no centro da sala. Era o xerife Ecklie, que esperava por ela de braços cruzados. Seu rosto mostrava frieza e ligeiramente traços de cordialidade.

— Xerife? O que...

— Estou fazendo aqui? — Ele a completou, descruzando os braços. Depois sorriu brevemente, como de praxe — Queria falar com você acerca do caso. Não tive muito tempo nesses dias, então esse é o melhor momento pra falar. Sei que você está ocupada, mas isso será breve.

— Ah, sim... ok. — Sara assentiu, ainda desconfortável com a presença dele ali. Se fosse o Grissom quem recebesse a "surpresa", com certeza arranjaria um motivo para discutir, mesmo que fosse com o xerife.

— Sente-se. — Conrad apontou para uma das cadeiras próximas a ele e depois se sentou.

Meio acuada a detetive atendeu ao seu pedido. Antes disso fechou a porta, depois se aproximou do homem novamente. Virou a cadeira de lado e sentou-se nela; Ecklie fez o mesmo.

— Como está se saindo aqui em Vegas, detetive?

Ah, não. Uma entrevista logo agora?!

— Antes ou... depois da suspensão do sargento? — Ela tentou não parecer sarcástica.

— Os dois, mais especificamente agora.

A detetive assentiu. Olhou para as suas mãos e respondeu em seguida:

— É... estão produtivos. — respondeu após piscar duas vezes.

— Ok. Como deve saber o sargento Grissom precisou ser suspenso por causa de sua situação, que a propósito, estava insustentável. — Ele ergueu o indicador esquerdo — E isso já durava anos.

— Pois é, eu... soube, mas... — Sara balançou a cabeça — Ele está se dedicando muito ao caso. — Então se arriscou — Acho que foi doloroso para o Grissom ser suspenso no meio disso. Quero dizer, — Ela fez um gesto com a mão — eu mesma ficaria abatida caso me tirassem.

O xerife encarou seu rosto por alguns segundos. A detetive se segurou para não engolir em seco e demonstrar nervosismo diante dele. Linguagem corporal era tudo.

— Foi difícil para eu tomar esta decisão, mas fiz pelo bem dele e do caso. Na verdade eu já planejava afastá-lo do trabalho há um bom tempo, mas adiei a decisão até o presente momento. O estopim foi o episódio do posto.

A morena olhou para o baixo. Ela mesma concordava em parte com a decisão de Ecklie. Grissom estava sobrecarregado demais.

— Sei que deve estar sendo complicado fazer o trabalho por dois, mas não foi à toa que escolhemos você, detetive Sidle. Conheço o seu trabalho e tenho certeza que demonstrará competência assim como o faz agora.

— Obrigada, xerife-

— Dependendo do que vier, peço que esteja preparada para eventuais... mudanças no decorrer do caso.

Mudanças?

— Desculpe a pergunta. Mas que tipo de mudanças o senhor está falando?

Ecklie franziu o cenho novamente e fez um movimento com o pescoço.

— Quando o sargento Grissom voltar quero que fique de olho nele. Caso haja mais inconveniências com ele não terei outros meios senão afastá-lo mais uma vez, ou — Deu de ombros — tirá-lo do caso definitivamente.

Um segundo após a resposta dele, Sara ergueu as sobrancelhas. Ela sabia que Grissom passou por duros enfrentamentos ao longo dos anos, mas não poderia imaginar que sua situação pudesse estar tão complicada.

— Você entendeu, detetive Sidle?

Ela, que olhava para o lado enquanto o ouvia, estremeceu brevemente ao perceber que dirigiu uma pergunta final a ela.

— Eu... entendi, sim.

— Ótimo. — Ecklie assentiu e depois se levantou — Espero não ter que tomar medidas drásticas, mas caso precise, sei que vou contar com a sua excelente dedicação. — Ao terminar de falar, o xerife estendeu a mão para ela. Na mesma hora a detetive se levantou e retribuiu o gesto.

— S-sim. — Meio desorientada e sem saber o que responder ao certo, a morena também assentiu e hesitou por um pequeno momento — Agradeço a... confiança.

O homem sorriu. De alguma forma ela não se sentiu muito bem com aquilo.

Ecklie não esperou mais e foi embora, fechando a porta em seguida. Quando viu que o local estava "limpo", Sara largou um suspiro de alívio. Ficar com o xerife naquela sala por alguns minutos foi sufocante. Parecia que estavam conversando num cubículo sem a possibilidade de escapatória. "Conversar" sobre o assunto foi angustiante. Conversar em termos, já que ele foi o único que dirigiu a palavra, praticamente. Resultado disso tudo? Grissom estava em maus lençóis, ferrado mesmo para falar a verdade. Tudo caminhava para o pior desfecho possível caso não "abrissem o olho".

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Algumas horas se passaram. O sargento não se contentou em ficar em casa. Seguiu para um local já conhecido por ele, só que preferiu não usar seu carro; não porque estava incapaz de dirigir, ele estava. A decisão foi para se manter discreto para o bem de ambas as partes.

Já era noite quando ele chegou à mansão. O lugar era chique; marcado por uma arquitetura requintada, clássica. Várias luzes estavam acesas e não era à toa. Quanto mais escurecia, a movimentação na casa era maior.

Ele foi atendido pela Lady em pessoa, que o recebeu com um largo sorriso. Largo, mas discreto. Assim como Grissom, Lady Heather era do tipo que gostava de ficar nos bastidores, sem extravagâncias, por mais que suas vestes de trabalho dissessem o contrário.

— Olá, Gilbert. — disse ela ao se afastar para que o sargento entrasse. Heather usava um vestido estilo era vitoriana; vermelho com rendas brancas.

Já ele usava uma camisa cinza polo de manga comprida, calça jeans, sobretudo preto e sapato também da cor preta.

— Oi, Heather. — Sorriu de lado.

Apenas aquelas palavras foram trocadas. Heather foi na frente, seguiu para a esquerda e destrancou a porta dupla com a chave já presente na fechadura. Ela a abriu, entrou e esperou que ele entrasse. O homem, sem pestanejar caminhou para dentro da sala, que foi fechada em seguida, e trancada.

Assim que ouviu o som do mecanismo da fechadura, Grissom, que estava de costas, comentou:

— Obrigado por me receber a essa hora. Espero não estar atrapalhando. — disse, retirando o sobretudo.

— Sempre tenho tempo para ouvi-lo, Grissom. Além disso, creio que minhas colegas estão mantendo os negócios bem enquanto falo com você. — Ela respondeu ao se virar para ele. Em seguida, caminhou em sua direção, pegou o sobretudo das mãos dele e o estendeu no cabideiro — Não se acanhe, pode se sentar. — Estendeu a mão direita para uma das cadeiras clássicas próximas ao sargento, mais precisamente à sua esquerda.

Quando ele assentiu e o fez como solicitado, a mulher arrastou outra cadeira para ficar de frente a ele. Heather se recostou à cadeira e cruzou as pernas, etiqueta e coisas do tipo. Já ele apoiou suas mãos nos descansos da cadeira e mal conseguia se manter fixo nela.

— Diga-me, Grissom. — falou em voz baixa. O tom de voz o fez engolir e seco e tentar encará-la de igual para igual.

Grissom respirou fundo, e após alguns segundos, enfim se voltou a ela, dessa vez mais sério e disposto.

— Não sei por onde começar... preciso de ajuda.

— Emocionalmente, profissionalmente, ou... sexualmente?

Ele não segurou o riso breve que escapou. Grissom, às vezes, ainda achava engraçado o fato de conversar tão abertamente com ela sobre assuntos tão fechados.

— Sempre insiste em tentar me auxiliar nessa questão, não é, Heather? — Ele não explicitou qual, mas ambos sabiam obviamente sobre o que o homem comentara.

— Eu não insisto, Grissom. Você mesmo se expõe.

O sargento fez um leve movimento com os dedos na madeira.

— Preciso de ajuda no caso que estou trabalhando.

— Aquele com a sua nova parceira?

Ele assentiu.

— O nosso cara é um serial killer que gosta de se aproveitar de suas vítimas.

— Você não me disse que estava à procura de um serial killer. — Ela ergueu uma sobrancelha, mas sem demonstrar surpresa.

— O caso é complexo, Heather. E falar detalhes sobre ele pode ser prejudicial. — Grissom fez um gesto com a mão direita.

— Eu devo me preocupar com este assassino?

— Estou de olho na situação. Não precisa se preocupar. Apenas... fique de olho.

— Certo. — Ela fechou o assunto, vendo que não tinha como insistir — O que mais?

— Enfim. O assassino vem demonstrado ter um comportamento típico de um dominador. E esse "comportamento" parece aumentar cada vez que ele mata suas vítimas.

— Você tem algo para me mostrar?

— Não tenho mais detalhes para te mostrar agora porque fui suspenso do caso por alguns dias.

Ao ouvi-lo falar meio irritado, Heather não conteve o sorriso.

— Você é uma caixinha de surpresas, Grissom.

Ele gesticulou com os lábios. Não respondeu.

— Como essa figura se aproveita de suas vítimas?

— Fisicamente. Ele as agride ao se aproveitar de seu estado vulnerável.

— Alguma investida sexual foi notada nessa curva de ataques?

— Não. — Balançou a cabeça — Nenhuma atividade sexual contra as vítimas foi percebida. A não ser que ele sinta prazer sexual ao machucá-las e se masturbe com isso. — Ele deu de ombros — Se bem que não encontramos sêmen no local do crime e nem nas vítimas, então presumo que ele seja alguém discreto.

Ao terminar de falar, Grissom suspirou por longos segundos e levou a mão direita à testa, inclinando-se um pouco para baixo.

— Está sobrecarregado.

— E eu não sei? — retrucou ligeiramente ao retirar a mão do rosto — Esse desgraçado tem tirado o meu descanso há meses.

— Ele já tentou se comunicar com você, Grissom?

— Não. Esse é mais um dos meus problemas. Ele já deve saber que eu estou no caso e mesmo assim prefere se manter discreto; como se... não quisesse ser incomodado.

Alguém bateu à porta. Ambos olharam para lá ao mesmo tempo. Lady Heather pediu licença e caminhou até lá. Era uma das mulheres que trabalhavam trazendo consigo uma bandeja com um bule e duas xícaras. Recebendo-a com um sorriso, Heather agradeceu e tomou a bandeja. A mulher se despediu e fechou a porta.

— Creio que nosso encontro merecia ter uma xícara de chá para nós.

O sargento sorriu de lado e observou a mulher repousar a bandeja em sua mesa principal e servir aos dois. Em seguida ela retornou para sua cadeira e continuou com a conversa.

— Bem, continuando... — Ela exalou o cheiro hipnotizante do chá de ervas e tomou um gole — Nisso eu concordo. Ele deve saber que você está trabalhando no caso e por isso não se "abre" para a mídia ou para a polícia. Talvez... porque não quer ser atrapalhado ou porque tem medo de você.

— Isso é um elogio? — O sargento sorriu sarcasticamente após tomar um pouco da bebida.

— É a verdade. Vocês dois são parecidos.

O sorriso logo se desfez. Na mesma hora Heather percebeu que Grissom não gostou nada em ser comparado com um serial killer.

— Eu não sou parecido com aquele assassino. — retrucou seriamente.

— Vocês são, sim. — Assentiu — Os dois não querem ser decifrados e criam barreiras para que isso não aconteça.

Grissom virou o pescoço bruscamente para o lado. Odiava quando tocavam em um de seus pontos fracos, mesmo sendo ela que o fizesse. Ele franziu as sobrancelhas e se recostou na cadeira.

— Voltando ao caso, — disse ele após expirar, assoprar um pouco a sua xícara e tomar um gole generoso — gostaria que me ajudasse com isso.

— O que você quer?

— Além de pedir uma opinião profissional sua no decorrer da investigação, pode ficar de olho nos seus clientes? Quem sabe se o meu cara não frequenta este lugar...

— Sabe que eu mantenho um sigilo sobre os meus clientes.

— Eu sei. Por isso, fique de olho neles discretamente e me avise caso você ou as outras notarem alguém apresentar um comportamento... incomum.

— Para o mundo exterior, tudo o que fazemos aqui é incomum.

— É. Mas sei que você tem a capacidade em diferenciar um do outro. — Ele a encarou nos olhos. Por alguns segundos ambos trocaram aqueles olhares profundos como sempre faziam.

— Está bem. — Ela repousou a xícara no pires — Vou ver o que posso fazer por vocês.

— Obrigado, Heather. — Assentiu e tomou o resto da bebida em sua xícara — Aprecio sua disposição.

— Você sempre consegue o que quer, Gilbert.

Isso foi uma indireta? Pensou ele ao erguer uma sobrancelha. Pensou também em questioná-la acerca desta afirmativa, mas deixou passar.

— Falando em "vocês", como está a sua relação com a parceira nova? Sara, não é mesmo? — Heather ergueu o indicador esquerdo.

Assim que ouviu falar o nome dela, Grissom discretamente engoliu em seco. Gostaria no momento em ter mais chá para tomar e disfarçar.

— Está melhor. Melhor que antes. — respondeu ao olhar para o lado direito.

— Só isso?

O homem se voltou a ela. Estava óbvio que Lady Heather esperava muito mais que uma simples resposta.

— Eu contei a ela o que aconteceu comigo depois que... fui embora da Califórnia.

— Isso é bom.

Ele suspirou.

— Foi difícil contar... ainda mais pra ela. — O sargento fez um leve movimento negativo com o pescoço — Sinto que estou em débito com Sara. Eu devia... eu devia ter feito mais por ela.

Um breve silêncio invadiu o interior da sala. Heather observava-o a todo o momento. Reparou em como suas expressões mudaram ao tocar naquele assunto.

— Você está só, Grissom.

Ele deslizou a mão esquerda sobre a face.

— Estou bem, Heather.

— Sua voz e seu corpo dizem o contrário. Você precisa de apoio.

— Emocionalmente, profissionalmente ou sexualmente? — Ele brincou ao dizer as mesmas palavras que ela no começo.

— Você me diz.

O sargento balançou a cabeça por várias vezes.

— O que eu preciso é encontrar esse serial killer o quanto antes. — Assentiu ao olhar para o lado — Além do mais eu... — Hesitou — não consigo me ver em uma relação amorosa. Não sou... bom o suficiente para dar todo o amor que uma mulher merece ter. — A voz dele baixou ao final da frase. Sua mente já não estava mais ali — Também não sou um homem que paga para obter satisfação numa relação sexual por puro e simples desejo de prazer, ainda que não seja o sexo em si.

— Você é um homem de uma mulher só. — Ela sorriu — Pude perceber assim que falou sobre ela pelo telefone.

— Eu não estou apaixonado, Heather, se é o que pensa. — O sargento fez um gesto com a mão, pronto a cortar aquele assunto de vez.

— Ainda insiste em ignorar o que está sentindo. — Heather o reprovou ao balançar a cabeça repetidas vezes — Está apenas prejudicando a si mesmo — Deu de ombros.

— Eu não estou-... — Ele mesmo se interrompeu e ficou quieto, sem disposição para continuar.

— Você tem que falar com ela. — A mulher se levantou e seguiu para a mesa, onde serviu mais chá para si.

Você está mesmo me ouvindo?! Pensou um pouco indignado.

— Falar com ela? — Grissom ergueu as sobrancelhas — Falar o quê?

— O que você sente. — Heather respondeu como se não fosse nada demais. Depois ela ergueu o bule e ofereceu mais da bebida a ele, que recusou.

O sargento deixou escapar uma risada, só que logo o semblante desapareceu. Foi do riso à melancolia.

— Ainda que eu sinta alguma coisa, Heather, ela merece alguém melhor. Alguém que... saiba amá-la.

— Se olhasse para si mesmo veria que é capaz de dar muito mais do que apenas diz.

O sargento não respondeu. Levantou-se da cadeira e deixou a xícara e o pires na bandeja. Ela, que estava próximo dele, observou que Grissom ainda mantinha a triste expressão. E para a surpresa dela, ele se pronunciou:

— Obrigado pela conversa, Heather.

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Antes do turno acabar, Sara recebeu a tão esperada ligação. Era Amanda, que respondeu ao seu pedido e concordou em falar com a detetive na sexta às 10 da manhã. Aquela ligação conseguiu arrancar um sorriso da boca de Sara, que teve um dia complicado. Não tão cansativo, mas complexo. Ela não obteve muito progresso após seu retorno do almoço (e do encontro com Grissom) e talvez uma conversa com a amiga da vítima pudesse lhe trazer boas informações.

Ao final do turno, relatório pronto, algumas burocracias básicas e, finalmente. Passou longe em fazer uma ligação para o sargento. Quanto menos fizesse contato com ele (ao menos naquele dia, ou dias), melhor. Ecklie fazia marcação cerrada mesmo não demonstrando explicitamente.

Sara pegou um táxi e voltou para casa. Tomou um banho, descansou um pouco e depois preparou seu jantar. Estava tudo sobre controle; a algum tempo mal conseguiria pensar nisso. Não entrou em contato com Grissom. Deixaria para fazer isso amanhã, quem sabe, ou depois de amanhã. Ela prezava bastante a discrição e depois daquele "alerta" do Ecklie sua mente não parava de pensar nas possibilidades de tudo ir por água abaixo.

Depois de um jantar simples, mas saboroso e um filme interessante, Sara trocou de roupas e pôs um conjunto de pijamas azul (blusa e calça), foi para o quarto e deitou em sua cama. Precisaria descansar bem, pois o dia seguinte seria corrido.

Então o fez.

Dia seguinte, três de novembro. Ao contrário do dia anterior, a detetive não pôde considerá-lo produtivo como esperava. Ela seguiu em busca de pistas no caso da terceira vítima. (Re)entrevistou todas as testemunhas que estavam disponíveis na medida do possível. Para isso precisou pedir uma viatura da polícia ou até o final do dia não teria dinheiro nem para o táxi em seu retorno à casa. Só que nem todos os depoimentos apresentavam um consenso total. Alguns tinham dificuldade em descrever totalmente as características físicas do suspeito e quase todos concordaram que foi difícil notá-lo, já que este rapidamente deixou o local do crime e mal perceberam que ele foi o autor. Parecia mais um homem que andava rápido sem motivo específico. Sua comunicação com Grissom se limitou a relatar o que enfrentou nas diversas viagens que fez no dia.

Sexta-feira, quatro de novembro. O dia para ela começou cedo, mais do que esperava. Eram seis e meia da manhã quando o celular tocou. Ela já estava acostumada a receber ligações em horários inusitados, mas dessa vez levou um susto, pois realmente não esperava por aquilo.

Quase em um pulo a detetive se ergueu para pegar o celular em cima do criado-mudo. Como a maioria das ligações que recebia cedo eram importantes, não hesitou e logo a atendeu.

— Sidle.

A voz masculina falou. O semblante sonolento foi logo substituído por outro, totalmente diferente. Ela ergueu as sobrancelhas; nunca poderia sequer imaginar que receberia aquela ligação, logo aquela.

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O sargento dormia em sua cama. Não teve pesadelos, a não ser que se encontrar num lugar estranho, escuro e vazio fosse considerado um. Pegou no sono rápido; o frio que fazia naquela ajudou bastante. Já eram sete da manhã quando ouviu o celular tocar. Ele sabia que era algum problema devido ao horário da ligação. Não era a qualquer hora que alguém ousava ligar para Grissom que não fosse sobre algo bastante importante.

De cara feia o sargento esticou o braço esquerdo para alcançar o celular no criado-mudo. Nem olhou para quem estava chamando. Sua visão estava turva e seu raciocínio não trabalhava muito rápido.

— Grissom...

— Ei, sou eu.

Lentamente ele abriu os olhos e piscou algumas vezes para se manter acordado.

— Sara? O que houve? — perguntou ainda sonolento, mas bastante preocupado.

Houve um pequeno silêncio. A ansiedade do sargento aumentou ainda mais.

De repente ouviu um suspiro do outro lado da linha.

— Lewis. Ele está morto.

Notas finais
Plot twist à vista! Ah, tarde demais pra avisar. O ponto alto do capítulo, mais do que a possibilidade da exclusão de Grissom no caso, foi a notícia da morte de Franklin Lewis. Foi um choque e tanto! Vocês vão descobrir o motivo da morte dele adiante. Agora, se já não bastasse pra Sara se preocupar com o caso do serial killer, agora tem que se preocupar com a morte do Lewis, justamente quando não conseguiram sequer arrancar alguma coisa. É, tá complicado. Sabem que eu gostei de ter escrito a cena do Grissom e da Heather conversando? Tentei me aproximar um pouco do jeito que um lida com o outro na série, por mais que eu nunca me aprofundei muito na relação entre os dois. É, Grissom, fica de olho. Como um comentário pessoal, eu já esperava que ele fosse sofrer uma ameaça daquela, e não por causa do Ecklie em si que o fez. O comportamento do sargento ultimamente chegou a deixar até mesmo a Sara preocupada, preocupada, mesmo. Mas é isso, galera. Sejam bem-vindos a uma nova fase de Manhunters. Estranho falar isso quando já se está de saída (sim, eu peguei uma parte dessa frase emprestada do Grissom dessa história kkkk) Mas enfim. Muito obrigada a todos vocês que estão lendo, de coração. Um grande beijo e até o próximo capítulo!