Maneira de Lidar

3 Terceiro Mês


Notas iniciais
Todos prontos para ver a furada em que o Adrien vai se meter esse mês? xD Tadinho dele. Mas não se preocupem, ele não vai ser o único que passa por certos apertos nesse período. Marinette também não me escapa, hehe. Bom é isso. Espero que gostem.

Se os dois primeiros meses de gestação haviam sido marcados pelos enjoos, o início do terceiro mês, fez com que eles cessassem como num passe de mágica.

E Adrien quase ajoelhou-se, agradecendo aos céus por este feito, pois não havia sido nada fácil dividir a cama com Marinette, quando ela começava a passar mal a cada vez que ele se aproximava, por, supostamente, ter enjoado do seu cheiro.

A situação havia chegado a tal ponto que, em algumas noites, o loiro, sem outra alternativa, acabava indo dormir no sofá da sala, apenas para voltar minutos depois, para consolar — meio que a distância — uma Marinette carente, mergulhada em prantos. Hormônios de grávida, Sabine lhe explicara.

Mas ali estavam eles, avançando no terceiro mês — ou décima quarta semana, como a asiática preferia contar — e, finalmente, podendo curtir, de fato, aquele período marcante na vida dos dois.

E se Marinette mal comia antes, agora, precisava ser policiada pelo loiro, para que não se excedesse ao se alimentar. Afinal, haviam constatado certo aumento na pressão da garota, situação que, deveria ser vista com cautela, conforme enfatizado pela médica.

De qualquer forma, Adrien sempre acabava se divertindo com a expressão sem graça que a companheira fazia, ao ser flagrada devorando um pote de sorvete no ateliê, ou uma bandeja de salgados na lavanderia.

Ao menos nisso, o ex-modelo podia contar com a cumplicidade dos Kwamis, uma vez que Tikki, preocupada com a portadora, costumeiramente a repreendia quanto aos seus excessos e Plagg sempre a dedurava... Apenas porque gostava de ver o circo pegar fogo mesmo.

A verdade era que a própria asiática não vinha se entendendo ultimamente. Sempre achara um exagero, ou mesmo crendice, os tão famosos desejos de grávida. Contudo, não eram raros os momentos que se flagrava fantasiando em comer pratos que nunca lhe apeteceram, chegando ao ponto de passar algumas vezes na confeitaria e implorar para que os pais fizessem bolos específicos, apenas para que pudesse se empanturrar depois.

Qual não foi a sua surpresa quando, em determinada noite, em que rolava em sua cama, sem sono, percebeu que começou a salivar quando lembrou-se, aleatoriamente, do bolo Red Velvet que seu pai fazia tão bem.

A morena tentou se conter, com todas as suas forças, lembrando-se que, tão logo amanhecesse, poderia correr para a confeitaria do pais, que eles lhe ofereceriam o prato de bom grado. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia conter a ânsia de sentir a textura da massa fofinha sendo desintegrada pelos seus dentes e do recheio cremoso espalhando-se por sua boca.

Sem perceber, emitiu um gemido sôfrego.

— Você está bem, Mari? — Adrien, que sempre tivera um sono pesado, vinha percebendo que, por vezes, nos últimos meses, acabava por despertar com movimentos leves da namorada. Provável reflexo da preocupação que sentia.

— Tudo ótimo! — Respondeu ela, de pronto, sentando-se sobre o colchão e abanando as mãos.

— Então por que você está chorando? — Constatou ele, após acender a luminária sobre o criado mudo.

Surpresa, a jovem levou as mãos às próprias bochechas, mal percebendo que lágrimas lhe escapavam.

— Adrien… — Choramingou, derrotada.

— O que foi? — O loiro estava começando a se desesperar.

— Eu preciso comer o Red Velvet que o papai faz. — Declarou, com o olhar brilhante e pidão.

Um momento de silêncio se seguiu, enquanto o ex-modelo tentava descobrir se a namorada estava falando sério ou tirando sarro de sua cara.

— Podemos pedir para ele fazer amanhã. — Tentou.

— Eu definitivamente preciso comer agora! — Ajoelhando-se sobre a cama, com a expressão determinada que costumava ostentar principalmente quando estava sob o manto de Ladybug, a morena declarou. — É como se minha vida dependesse disso. — Acrescentou.

— Eu não acredito nisso! — Adrien exclamou, entranhando os próprios dedos em seus cabelos emaranhados, em sinal de desespero.

Mas não houve conversa. Marinette estava determinada a ter seu bolo a qualquer custo, e já tinha levantado-se da cama, preparando-se para sair, afirmando, fervorosamente que o loiro não precisava ir com ela que que poderia se cuidar sozinha.

Obviamente, ele recusou.

Afinal, não havia linhas de metrô funcionando naquele horário, o que significava que a companheira precisaria ir a pé até a casa dos pais, já que não possuíam carro e ela não sabia conduzir a motocicleta de Adrien.

Assim, um tanto contrariado, levantou-se e começou a procurar o celular, enquanto Marinette jogava um sobretudo por cima do conjunto de moletom que usava. Tão logo achou o aparelho, vasculhou a própria agenda em busca do contato desejado e apertou o botão discar.

— Adrien? Aconteceu alguma coisa? — A voz sonolenta e alarmada de Tom pôde ser ouvida do outro lado da linha.

— Por favor, diz que você tem Red Velvet preparado! — O ex-modelo praticamente suplicou.

Tom soltou uma risada compreensiva, fazendo com que Adrien se perguntasse qual era a graça da situação.

— É a Marinette, não é? — Deduziu. — Traz ela para cá. - Orientou, compreendendo com facilidade o desespero do jovem. Afinal, já havia passado por aquilo. — Eu vou preparando a massa do bolo. Só vou precisar que passem no mercado para comprar alguns ingredientes que não tenho. — Avisou.

— Me diga o que precisa e eu chego aí em trinta minutos. — O loiro respondeu, decidido.

Menos de dois minutos depois, Adrien estava com Marinette da garupa de sua moto, trafegando pelas ruas desertas e frias de Paris. Tal como Tom orientara, pararam em um supermercado vinte e quatro horas e compraram, as pressas, frutas vermelhas, chegando a confeitaria em exatos 25 minutos após saírem de casa.

A hora e meia que se seguiu, não foi nada fácil, por vários motivos. Tom e Sabine concentravam-se em fazer a receita solicitada pela filha, com a maior agilidade possível sem que comprometessem a qualidade do resultado. Enquanto isso, Marinette ocupava-se de de andar em círculos, sobre o tapete da sala, ora chorando por se achar a pessoa mais egoísta do mundo por fazê-los trabalhar àquela hora, ora perguntando, ansiosa, se ainda faltava muito para o bolo ficar pronto.

E Adrien, coitado, apenas cochilava, sobre o sofá, envolto com o cobertor que Sabine, compadecida, jogara sobre ele, sem conseguir evitar se sobressaltar-se preocupado cada vez que a namorada choramingava.

Quando os pais de Marinette — finalmente — terminaram, todos se acomodaram em torno da minúscula mesa de jantar da família Dupain-Cheng, enquanto garota se satisfazia com seu Red Velvet recém-preparado.

— Isso está tão bom! — A estilista elogiou, colocando mais uma enorme garfada na boca. — Obrigada Pai, você é o melhor! — Exclamou, animada.

— Não há de quê, querida. — Tom respondeu, pegando uma fatia para si.

— Mais uma fatia Adrien? — Sabine indagou, com pena do jovem que praticamente dormia de olhos abertos.

— Não, obrigada. — Respondeu. — Satisfeito. — Murmurou. — Àquela altura, já eram visíveis as bolsas arroxeadas que se formavam sob seus olhos. Os cabelos desalinhados, apenas completavam a figura deplorável que ele tinha naquele momento. Em seu interior, o desespero de saber que ainda teria que trabalhar no dia seguinte, lhe consumia pouco a pouco.

— Isso me lembra quando Sabine estava esperando nossa querida Marinette — Tom divagou, saudoso, atiçando a curiosidade do rapaz, que acabou por despertar um pouco.

— Sabine também tinha desejos? — Perguntou.

— Os piores. — Tom respondeu. — Certa noite tive que virar Paris de cabeça para baixo, atrás dos ingredientes para preparar a famosa sopa celestial do Tio dela. — Contou. — Mesmo que eu insistisse que não ficaria igual, pois o Tio Cheng sempre usa itens aleatórios.

— Ficou horrível. — Sabine revelou, ao passo que Marinette gargalhava.

— Mas não foi pior do que a vez que ela sentiu vontade de comer Lula Fresca. Às três horas da manhã. — Continuou Tom, arrepiando-se com a lembrança. — Mais difícil que conseguir a lula, foi prepará-la. Eu nunca mais quero preparar lula na vida. — Completou, vendo que Adrien assumia um semblante horrorizado.

— Por favor Mari, diz que nunca vai me pedir essas coisas estranhas! — Voltando-se para a companheira, que tinha o queixo sujo de creme, tal qual uma criança, implorou.

— Não se preocupe Adrien. — A garota respondeu, dando mais atenção a própria fatia de bolo que ao namorado. — Eu odeio lula. — Tentou tranquilizá-lo.

— Eu também odiava, até aquele dia. — Comentou Sabine, fazendo o desespero de Adrien crescer. — E passei a odiar ainda mais após aquele dia, para falar a verdade. Foi só uma vontade repentina.

— E pensar que a Mari ainda está no terceiro mês de gestação. — Choramingou o rapaz, debruçando-se sobre a mesa.

— Acalme-se rapaz. — Tom consolou, dando-lhe tapinhas nas costas. — A pior parte ainda está por vir. — Afirmou e todos riram, quando um gemido de frustração escapou da boca do rapaz.

Notas finais
Calma Adrien! Três meses já foram! Faltam só seis agora, força! Não dá vontade de apertar as bochechas dele e dizer que tudo vai ficar bem? *o* Espero que também tenham gostado desse capítulo. Até o próximo!