Mana No Monogatari
10 Diddle's Letter
Notas iniciais
– Eu vou dar uma volta em Domina, depois eu volto. –Disse Toto saindo de casa.
– Que raro ele sair cedo assim. –Disse Bud.
– Verdade, ele geralmente fica boa parte do tempo reclamando e só depois sai. –Disse Lisa.
– Me pergunto se algo aconteceu. –Disse Bud.
– Talvez ele tenha algo importante para fazer lá, afinal ele saiu com tanta pressa. –Disse Lisa.
– Ou talvez ele tenha um encontro com alguém, e por estar nervoso saiu correndo para não se atrasar. –Disse Bud.
– Acho que isso é meio difícil de acontecer. –Disse Lisa.
– Ei, o que acha de irmos dar uma espiada nele? –Perguntou Bud.
– Nem pensar. Além de ser errado, nós ainda temos que cuidar da casa. –Disse Lisa dando um leve tapa na cabeça do menino.
– Que sem graça... –Disse o menino.
Após correr por algum tempo, Toto já se encontrava na cidade de Domina.
– Eu vim correndo até aqui porque não queria lavar a louça, mas não tenho ideia do que fazer agora... –Disse Toto.
– Ah! –Disse Lisa.
– O que foi? –Perguntou Bud.
– Eu acabei de lembrar de algo muito importante. –Disse Lisa.
– O que? –Perguntou Bud.
– Você irá saber depois. Mas Bud, que tal tentarmos um monte de receitas novas hoje? –Perguntou Lisa.
– Tudo bem em fazer isso? Afinal, vai sujar bastante coisa. –Disse Bud.
– Não se preocupe com isso, pode sujar o quanto quiser, hoje não tem problema algum. –Disse Lisa.
– Tudo bem então, mãos a obra! –Disse Bud.
Toto caminhava pensando em como não acabar no tédio, indo de um lugar para o outro.
– Já sei! Acho que vou ir ver o Capella e o Diddle. Talvez eles saibam de algo legal para se fazer. –Disse Toto correndo para o parque da cidade.
Ao chegar ao local, Toto foi em direção a duas figuras bem peculiares. Um deles era Diddle, que se parecia bastante com um gramofone, tendo apenas de diferente um rosto, braços e rodas para se movimentar. O outro era Capella, um simpático macaco que ficava sempre fazendo malabarismos. O parque não era tão grande, havia uma fonte com uma grande estátua e alguns bancos espalhados pelo local.
– Ei! –Gritou Toto.
– Ah, Toto! Veio nos ver novamente? –Perguntou Capella.
– Sim. Eu não tenho muito o que fazer, então pensei em passar um tempo com vocês. –Disse Toto.
– Faremos o melhor para não te deixar entediado! –Disse Capella.
– Certo! Ah, olá Diddle. –Disse Toto.
– ... –Diddle ficou em silêncio.
– Calado como sempre. –Disse Toto.
– Sente-se Toto, iremos começar. –Disse Capella.
– Ok. –Disse Toto.
Logo após se sentar, os dois começaram a fazer seu número. A precisão de Capella no malabarismo não deixava de impressionar a Toto, e a melodia agradável que Diddle tocava fazia tudo ficar ainda melhor.
– Ótimos como sempre! –Disse Toto os aplaudindo.
– Ah vamos, você me deixa com vergonha assim. –Disse Capella soltando um pequeno riso.
– Ah, sim... –Disse Diddle lentamente, saindo para a esquerda do parque em seguida.
– O que foi isso? –Perguntou Toto confuso.
– Ei, para onde ele foi? –Disse Capella.
– Ah, você estava de costas na hora não foi? –Perguntou Toto.
– Hum...Ah, quem liga! Ele irá voltar! –Disse Capella voltando a fazer malabarismos logo em seguida.
– Eu acho que deveríamos ir atrás dele. –Disse Toto.
– Não, eu não vou procurar por ele! Não! –Disse Capella.
– Tudo bem então, mas eu irei. –Disse Toto indo atrás de Diddle.
Chegando lá, Toto notou que o lugar estava completamente deserto.
– Nem ele, nem a Pelicano estão aqui. Que estranho. Melhor eu avisar o Capella. –Disse Toto.
Ao voltar, Capella se encontrava parado por onde Toto tinha ido, como se o estivesse esperando voltar com notícias.
– Você viu o Diddle? Ele sempre faz isso comigo! –Disse Capella.
– Quando eu cheguei lá, ele não estava mais por perto.
– Meu malabarismo não será o mesmo sem a música dele. –Disse Capella.
– Então, o que você irá fazer? –Perguntou Toto.
– Vou procurá-lo! Acho que vou perguntar para alguém. –Disse Capella indo em direção ao centro da cidade.
– Acho melhor ir atrás dele. –Disse Toto seguindo para o mesmo caminho.
Capella havia ido ao hotel da cidade, mas antes que Toto pudesse entrar no local, um Sproutling começou a falar com ele.
– Eu vi um pássaro carregando algo no ar. –Disse o Sproutling.
– Um pássaro? –Perguntou Toto.
– Se você quiser saber sobre o pássaro, pergunte ao pássaro. –Disse o Sproutling.
– Então, você disse a mesma coisa para o Capella e por isso ele foi para o hotel? Se me lembro bem, aquela Senhorita Yuka é a vigia de lá. –Disse Toto indo em direção ao hotel.
Ao entrar no lugar, Toto viu Capella e Yuka conversando.
– Ah, entendi! Você suspeita de mim porque um Sproutling te disse que um pássaro levou seu amigo! –Disse Yuka.
– Bem, não estamos te acusando de ser a sequestradora, mas... –Disse Capella um pouco sem jeito.
– Bem, talvez isso sirva pra convencê-lo. –Disse Yuka.
– O que? –Perguntou Capella.
– EU NÃO SEI VOAR! –Gritou Yuka.
– Ah, é mesmo. Eu esqueci que você é uma galinha. –Disse Capella.
– Eu não sou uma galinha! Eu sou uma CANÁRIO! –Gritou Yuka fazendo um movimento com as mãos.
– Sério mesmo? –Perguntou Capella.
– Como assim “sério mesmo”? –Disse Yuka se aproximando de Capella.
– Desculpa. –Disse Capella.
– Apesar de que, EU VI Diddle comprando um selo um tempo atrás. Talvez a Pelicano tenha levado seu amigo! –Disse Yuka.
– Faz sentido. Irei comprar um selo para atrair a atenção da Pelicano. Bom, te vejo por ai. –Disse Capella saindo do hotel.
– Uh, bem...e o que eu faço agora? –Perguntou Toto.
– Para onde será que o pequeno Diddle desapareceu? Acho bom você ir atrás do Capella, talvez procurar onde vocês o viram por último possa trazer alguma pista. –Disse Yuka.
– Certo, farei isso. –Disse Toto.
Seguindo o conselho de Yuka, Toto foi em direção ao parque, mas ao ver que Capella não se encontrava lá, decidiu ir mais para a esquerda, aonde Diddle havia desaparecido. Ele logo notou que Capella estava lá parado, olhando de um lado para o outro.
– Capella! –Gritou Toto.
– Ah, Toto. Para onde o Diddle foi? Já que ele é meio desajeitado, talvez... –Disse Capella.
– Talvez o que? –Perguntou Toto.
– Talvez ele tenha prendido um selo na cara e então acabou sendo levado pela Pelicano! –Disse Capella.
– Eu não acho que ele faria algo assim. –Disse Toto.
– Desse jeito! –Disse Capella pregando um selo bem grande em sua cara.
– Ah, bem... –Disse Toto.
– Carta não entregue! Carta não entregue! –Gritou uma voz.
– Huh? –Disse Capella olhando de um lado para o outro tentando descobrir quem havia gritado.
Com uma velocidade impressionante a Pelicano, que vinha do céu, agarrou Capella pela cabeça e começou a puxá-lo.
– Aaaaaaargh! Me solta! –Gritou Capella.
Depois de gritar, Capella se balançou e conseguiu escapar da Pelicano, voltando para perto de Toto.
– Eu não sou uma carta! –Disse Toto.
– Por favorzinho, não interrompa meu trabalho! –Disse a Pelicano voltando e agarrando Capella mais uma vez.
– ME SOLTAAAAAAAA! –Gritou Capella que dessa vez não conseguiu se livrar das garras do pássaro.
– Tá...pelo jeito vou ter que ir atrás dele, mas como...? –Toto perguntou a si próprio.
Após algum tempo pensando no que fazer, a Pelicano voltou para o local onde Toto estava, mas sem carregar nada.
– Ei, para onde você levou o Capella? –Perguntou Toto.
– Aquela cartinha era um erro! Ops! –Disse a Pelicano cantarolando.
– Eu sei disso! Quero saber para onde você o levou. –Disse Toto.
– A cartinha eu levei, para Luon Highway! Bem a tempo! –Disse a Pelicano cantarolando novamente.
– Certo...acho melhor me apressar e ir para lá. –Disse Toto.
Ao chegar em Luon Highway, Toto avistou uma menina familiar com vestes brancas, parada e pensativa.
– Uh, onde eu estou? Elazul...? –Disse a menina.
– Pearl? –Perguntou Toto se aproximando.
– Oh, Toto! –Disse Pearl escondendo o rosto com vergonha.
– O que você está fazendo aqui? –Perguntou Toto.
– Hum, eu...me perdi novamente. Onde Elazul poderia estar... –Disse Pearl.
– Acho que ele provavelmente não está aqui por perto. –Disse Toto.
– A propósito, Toto, o que é esse lugar? –Perguntou Pearl escondendo seu rosto novamente.
– Bem, é uma estrada. –Disse Toto.
– Uma...estrada? –Perguntou Pearl.
– Sim. –Respondeu Toto.
– Oh...talvez eu deva ir ver o que tem para aquele lado... –Disse a menina caminhando um pouco para a direita.
– Ei... –Disse Toto.
– Hum...talvez para esse lado... –Disse a menina caminhando até sair da estrada.
– Será que ela vai ficar bem? Mas, tenho que ir atrás daqueles dois primeiro. –Disse Toto.
Achando que seria melhor começar pelo centro do lugar, Toto tocou o Boink e foi teletransportado.
– Acho que nunca vou me acostumar com essa sensação... –Disse Toto.
Ele então começou a olhar ao redor para ver se encontrava algo.
– Aquilo no chão é uma carta? –Disse Toto se aproximando para confirmar.
– Ei, é uma carta! –Disse Capella que estava correndo em direção a Toto.
– Capella! De onde você veio? Você está bem? –Disse Toto.
– Sim, estou bem. Mas veja, é a carta que o Diddle escreveu! –Disse Capella.
– Ah, então é dele. –Disse Toto.
– .....Ninguém está vendo. –Disse Capella olhando para os lados e em seguida pegando a carta.
– Ei, mas ela não é sua! –Disse Toto.
– Ei! Mas o que...Meu amigo foi sequestrado, e essa carta é a única pista! Claro que eu irei ler. –Disse Capella.
– Você é quem sabe. –Disse Toto.
– “Caros mãe e pai, eu estou me saindo bem aqui.” Ok, isso é normal. O que mais ele escreveu aqui? –Disse Capella.
– Você vai ler em voz alta assim? –Perguntou Toto.
– “Eu estou fazendo shows com o Capella, mas não anda indo muito bem. Apenas borboletas e insetos assistem a nossos shows. Eu estou cansado disso, então gostaria de ir para casa.” –Disse Capella, lendo a carta.
– Ei... –Disse Toto.
– Cara! Eu não acredito nisso! –Gritou Capella correndo em direção ao sudeste.
– Capella, espere! –Disse Toto correndo atrás dele.
Ao tentar perseguir Capella, Toto se viu em frente a uma grande caverna, e na sua entrada estava Diddle.
– Eu me perdi... –Disse Diddle bem lentamente.
– Diddle! Pare de sair fugindo por ai sozinho! –Disse Capella ao chegar onde eles se encontravam.
Ao ver o amigo, Diddle começou a ir em sua direção.
– Vamos voltar. Aqui, esta não é sua carta? Você colocou um selo em sua cabeça e acabou sendo “entregue” aqui ou algo assim, certo? –Disse Capella entregando a carta a Diddle.
– Wow, Capella! Isso foi exatamente o que aconteceu! –Disse Diddle.
– Sério? –Disse Toto olhando para os dois.
– ...Espere ai. –Disse Diddle.
– Essa não... –Disse Capella dando um passo para trás.
– Capella, você não abriu e leu minha carta, não é? –Perguntou Diddle.
– Mas é claro que não! Eu não faria algo assim! –Disse Capella.
– .........Mesmo? –Disse Diddle se virando para Toto.
– Uh....bem...ele leu. –Disse Toto um pouco desconfortável com o olhar de Diddle.
– Você é um mentiroso, Capella! –Diddle disse chorando e correndo em direção à caverna logo em seguida.
– Me desculpa Diddle! Eu não queria fazer isso! –Gritou Capella indo atrás do amigo.
– Acho que fiz besteira...tenho que ir atrás deles. –Disse Toto correndo para a caverna também.
O lugar não era muito bem iluminado e por ser fechado, era possível ouvir os passos de Capella ecoando, o que facilitava a busca de Toto. Após andar um pouco, Toto encontrou Capella desesperado correndo de um lado para o outro.
– Ei Capella! –Disse Toto.
– Cara, eu o perdi de vista! E tem um monstro daquele lado também. O que eu deveria fazer AGORA? –Disse Capella apontando para a esquerda.
– É melhor eu derrotar esse monstro, antes que algo aconteça! –Disse Toto seguindo para a esquerda.
Ao adentrar no local, Toto se deparou com um lagarto de tamanho médio e que tinha apenas duas pernas e uma cauda acopladas ao seu rosto, que lembrava o de um jacaré.
–Vou acabar com isso rápido. –Disse Toto sacando suas facas.
Ele então foi em direção às pernas do monstro com um movimento rápido, mas ao tentar usar suas facas, as mesmas foram repelidas pela rigidez da pele do animal, que em resposta ao movimento de Toto, utilizou seu rabo para acertá-lo e afastá-lo.
– Não esperava que ele tivesse uma pele tão rígida assim. Mas, deve haver algum ponto fraco, só preciso observar com cuidado. –Disse Toto a si mesmo.
Concentrando-se em observar o corpo do alvo, Toto observou que a pele dele na região do maxilar não era revestida do mesmo modo que o resto de seu corpo. Ele então avançou em direção a essa região.
– Encontrei! –Gritou logo após desferir um corte no animal que soltou um uivo e foi de encontro ao chão.
Após o barulho da queda do animal ter dissipado Toto começou a olhar os arredores do local tentando encontrar Diddle, mas sem sucesso, decidiu voltar para falar com Capella sobre o ocorrido.
– Ah, Toto! Ei, como foi? Você achou o Diddle? –Perguntou Capella.
– Não... –Disse Toto.
– Oh! –Disse uma voz.
– Huh? – Disse Capella.
– O que você está fazendo em um lugar assim, Capella? –Perguntou Diddle se aproximando do amigo.
– Como é que é? Eu estava procurando por você! Onde VOCÊ esteve? –Disse Capella irritado.
– Hum......Eu não sei. Ah, sim. Eu estava te procurando, Capella. –Disse Diddle.
– Hum....Você estava procurando por mim? –Perguntou Capella.
– Sim. Eu queria me desculpar...porque eu sempre estou com raiva de algo. –Disse Diddle.
– Ah, qual é, Diddle. VOCÊ está sempre com raiva? Olhe como eu estou então! –Disse Capella.
– Eu estava procurando por você, para que possamos ser amigos...mais uma vez. –Disse Capella.
– Bom, você certamente tem seu próprio ritmo. Mas eu não quero ser “amigo mais uma vez” com você. –Disse Capella.
– O que? Por quê? –Perguntou Diddle.
– Porque nós já somos amigos! Caso encerrado! Venha, vamos embora. –Disse Capella indo em direção à saída da caverna.
– Espere por mim! –Disse Diddle.
– Bom, ainda bem que tudo acabou bem. –Disse Toto.
– Ah, espere um momento. Obrigado por nos ajudar Toto. –Disse Diddle indo atrás do amigo logo em seguida.
– Não precisa agradecer! –Disse Toto dando um sorriso.
A caverna então logo voltou para um silêncio absoluto, o que provava que os dois já haviam saído dali.
– Acho que está na hora de eu voltar para casa. –Disse Toto.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que Toto notou foi que a cozinha estava uma completa bagunça.
–Ei, o que foi que aconteceu aqui? –Perguntou Toto.
– Ah, olá Toto. Como foi o seu dia? –Perguntou Lisa.
– Isso não importa agora, quero saber por que isso está uma bagunça. –Disse Toto.
– Nós ficamos o dia inteiro testando novas receitas! –Disse Lisa.
– Percebi isso, mas por qual motivo vocês fizeram isso? –Perguntou Toto.
– Você ainda pergunta? –Disse Lisa.
– Hein? –Perguntou Toto.
– Um certo alguém hoje saiu correndo de casa mais cedo para não ter que cumprir com os seus afazeres, não é mesmo? –Disse Lisa.
– Ah, bem...é que eu tinha esquecido que hoje era meu dia de lavar a louça, só isso. –Disse Toto soltando um riso.
– Não adianta dar nenhuma desculpa. –Disse Lisa.
– É que...o dia hoje foi cansativo então espero que você compreenda. –Disse Toto tentando correr para o andar de cima em seguida.
– Nem mais um passo! –Disse Lisa.
– Ah....ei, olha o Bud ali na mesa! Ele parece estar desmaiado. –Disse Toto.
– Eu não consigo comer mais nada... –Disse Bud.
– Não se preocupe, ele ficará bem. Mais importante, as louças estão a sua espera. –Disse Lisa.
– Droga... –Disse Toto.
– Ei Toto, eu quero que me conte como foi o seu dia. –Disse Li’l.
– Nada disso! Só depois que ele acabar com a louça. –Disse Lisa.
– Mas eu quero que ele me conte agora! –Disse Li’l.
– Já disse que só depois que ele terminar! –Disse Lisa.
– Fala sério... –Disse Toto desanimado após perceber que sua noite ainda estava longe de ter um fim.

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