Malu pós você
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Eu conheci essa gatinha, mas gatinha mesmo, pequena, doce e manhosa, escuta radiohead como ninguém e bebe igual a homem. Ela tem olhos lindos demais, uma boca linda demais e uma bunda linda demais. Ela estava vendo o pôr do sol do humaitá com a trupe de amigos viciados dela, mas uma galera legal de todo jeito, só que pra mim já deu de viciado e eu os ignorei. Menos ela, ela valia a pena salvar com toda certeza, me olhando descaradamente, torcendo o tronco todo cor de mel, a cinturinha fina, olhava e apertava os olhos, fingindo muito mal, eu ri o melhor sorriso sacana que aprendi com o Rei dos sacanas. Meus amigos estavam ficando meio chatos e eu sei que isso não é verdade, eu que to no numa puta trip entorpecente sem fim, ninguém suporta minha áurea negra pesando mil toneladas. Já passou da hora de superar o moleque, Malu, moleque mesmo caros amigos, mas eles não dizem isso por mal, é só porque ninguém sabe teu nome mesmo, eu escondo, eu omito, mas não falo. Gesto bonitinho, nobre? Uma caceta, é só que eu só falo seu nome em pensamento mesmo, nem te chamar pelo nome eu chamava. Era meu bem, era baby, era gatinho, mas nunca você. Eu levantei, sacudi a poeira do short jeans, agachei do lado daquela gracinha. Ela sorriu de lado, olhando pra o horizonte, a gente brincando de ser descolada. Iai, como é teu nome? Me chama do que quiser. Uau, que garota ousada, foi um deboche. Tinha um sorriso lindo demais, já disse né? Era a boca, os lábios, uma coisa de pirar qualquer homem maduro casado. Lolita. Dava pra vê no finco das sobrancelhas que era muito mais nova do que queria ser. Dei olá pra os amigos, não tinha ninguém chapado, mas eu podia sentir a expectativa no ar, eu conhecia aquela antecipação. O que você gosta de beber, abelhinha? Abelhinha? É, você é toda cor de mel, deve ter alguma coisa a ver ou eu estou bêbada demais. Outro riso, eu bebo água de coco mesmo, morena. Ela me chamou de morena. Ninguém nunca me chamou assim. Os pêlos arrepiaram atrás da nuca, atrás das coxas. Espera aí que eu vou pegar. Deixa, eu vou contigo. Eu não beijei abelhinha, mas peguei o número dela sim, se quer saber e fiquei pensando em como ela é o tipo de garota que você voaria em cima num nanossegundo. Mas azar o seu, eu a vi primeiro e até então, eu não tinha me lembrado de você. Uns dias até que são bons e eu esqueço que gosto de sofrer por você. E ah, o nome dela é Carol. Só Carol.
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