Malfoy no País das Maravilhas
4 Colocando ordem no barraco!
Todos os participantes olharam para as autoras, uns de forma solidária, outros com raiva e alguns poucos achando graça, porém era o olhar do Professor Snape que as estava apavorando e por estão razão dirigiram-se primeiro à ele. As cinco meninas se olharam perguntando silenciosamente umas às outras quem falaria primeiro, já que nenhuma tinha coragem suficiente. Anne viu que isto poderia durar por um bom tempo, então resolveu que ela mesma abriria a boca, mesmo morrendo de medo como estava. Ficou de frente para Snape e começou a falar:
— Olha professor, nós sentimos muito que o senhor tenha se envolvido nisso – ela se encolheu quando os olhos de Snape faiscaram de forma perigosa, porém a garota sabia que ele não poderia fazer mal algum à ela, pelo menos não fisicamente, então continuou – Quero que o senhor e os demais também, entendam que não foi culpa nossa o Professor Dumbledore ter escolhido esse castigo para a gente. As outras meninas se aproximaram tentando ajudar a amiga.— Pra começar, nós nem fazemos ideia de como o Professor Dumbledore soube da existência desse livro – Alice falou olhando para todos.— Ou de como ele conseguiu achá-lo – acrescentou Gracie.— Normalmente nós nos revezamos de 3 em 3 semanas para ficar com o livro em casa – Rose explicou.— A única explicação em que podemos pensar é que o Professor Dumbledore conhece nossos pais e assim ficou sabendo do livro – Gail terminou de forma incerta.— Isso é mais que lógico – Snape disse azedo. Anne ficou irritada com a atitude do professor perdendo logo a paciência.— Nós estamos gostando tanto disso quanto o senhor, não pedimos por isso, embora tenhamos uma parcela de culpa pelas brigas que vêm acontecendo e quando digo “uma parcela” é lógico que não estou me referindo aos sonserinos – a garota não sabia de onde tinha tirado tanta audácia para falar daquele jeito com o professor. – Estamos todos presos nessa situação e a única forma de nos livrarmos é cooperando uns com os outros e isso não vai acontecer se o senhor continuar tão arrogante. Ao ouvir a última palavra Snape começou a mastigar a boca como se sentisse um gosto ruim nela.— Se você não fosse uma aluna e se não estivesse no comando de toda essa palhaçada, eu não pensaria duas vezes antes de trocar seu suco de abóbora por Veritaserum – e Anne percebeu quando o professor olhou sutilmente para um dos alunos. A garota seguiu o olhar do professor e ficou paralisada, entretanto se acalmou e não deixou Snape sentir o gostinho da vitória.— Se quiser pode tentar, eu não gosto de suco de abóbora de qualquer jeito – falou a garota dando de ombros. O professor crispou os lábios.— Vendo que só terei participação perto do final, não me incomodem até chegar o momento necessário – e dizendo isso saiu farfalhando a capa como só o morcegão das masmorras sabia fazer. Seguiu um silêncio desagradável à saída do professor, apenas quebrado pela voz fraca de Anne.— Acho que acabei de perder alguns anos de vida. Depois disso até alguns sonserinos riram.— Acho que não teremos muitos problemas com ele – Cedrico disse indicando o professor com a cabeça.— Fale por você – Gracie cruzou os braços e bufou. – Não é você que vai ter que chamá-lo de “meu benzinho”. Dessa vez ninguém aguentou e todos riram.— Bom, acho melhor começarmos logo, não? – Gina disse olhando para Rose – Eu não tenho experiência em teatro, mas acho que o processo é demorado.— Ela tem razão – Dino concordou – Eu já participei de uma peça quando criança e foi bem trabalhoso.— Antes de começarmos a ensaiar temos que arrumar algumas coisas. Vamos precisar fazer o script de cada personagem. Script é o texto com as falas de cada um – Rose explicou ao ver as expressões confusas dos alunos.— Como o Dumbledore disse que não podemos usar magia, vamos ver se conseguimos autorização para ir até uma livraria trouxa para fazer uma cópia do livro para todos, por que se fôssemos fazer à mão seria demorado demais – Ally continuou.— Enquanto fazemos isso, você terão suas medidas anotadas pelo pessoal do figurino, para que eles possam fazer as fantasias do tamanho certo – Gail falava, porém um vinco se formou em sua testa quando terminou.— Só que isso nos leva a uma questão que acho que o pessoal do figurino e cenário devem estar tendo agora. – Gracie levantou o dedo e apontou para os outros grupos. Anne seguindo o raciocínio da amiga tomou a palavra:— Como vamos conseguir o material necessário pra tudo isso? – ela cruzou os braços e apoiou o queixo em uma mão. – Vamos precisar de muito tecido para as roupas e vários tipos de material para os cenários, se bem que isopor e papelão serão os mais utilizados, mas mesmo assim o problema é onde conseguir grandes quantidades desses materiais, sem falar no dinheiro pra pagar tudo isso.— Quanto à isso não se preocupe Srta. Scorpion – todos se viraram ao ouvir a voz de Dumbledore. – A escola fornecerá todo o material que precisarem e vocês não terão que pagar nada. Quanto às cópias dos livros – ele piscou indicando que estava ouvindo a conversa – eu disponibilizarei um professor para desaparatar com vocês até a cidade trouxa mais próxima. Sim Srta. Granger, eu sei que não se pode desaparatar em Hogwarts – ele falou ao ver a garota abrir a boca. – entretanto, nesse caso, eu vou abrir uma exceção. Quando terminarem de conversar com seus colegas, poderão ir se arrumar para saírem, a Professora Sinistra irá acompanhá-las – e se encaminhou para falar com os outros grupos que já se organizavam.
— Então, já que esse problema foi resolvido vamos continuar – Ally levantou a varinha e gritou “Accio baralho” e alguns segundos depois um baralho trouxa veio voando e aterrisou em sua mão aberta. – Vamos sortear primeiro as Cartas de Baralho.— Só um aviso de quem tirar o Valete, não importando de qual naipe seja, será o de Copas, pois ele é o guarda-costas da rainha – Gracie falou, porém a maioria não parecia ter entendido uma vírgula do que ela dissera. Gail tentou explicar para os demais de forma mais clara.— Vocês serão números. Em cada carta tem um número e uma figura que representa o tipo de carta, só que tem 4 cartas que têm letras ao invés de números e o valete é uma delas.— Ele é representado pela letra “J”, então quem tirar essa carta será o protetor do Snape, ou seja, da Rainha de Copas – alguns alunos riram enquanto Rose mostrava as cartas.— Então não importa qual a figura que aparecer na carta, o valete precisa ser o de copas que é esse coraçãozinho de cabeça pra baixo. Ah, mais uma coisa, o Valete de Copas além de protetor da Rainha também é o seu, digamos, caso amoroso – Anne riu das expressões de alguns alunos – Então quem for o valete tem que demonstrar uma maior devoção à rainha. Vamos começar. Um a um as alunas pegaram suas cartas, até que chegou a vez de Rose que pegou o valete de ouro. As autoras começaram a rir do azar da amiga e Gracie já não parecia tão emburrada.— Puxa, até que o Snape está com sorte hein – Jorge comentou olhando para Rose – Se eu soubesse disso teria me voluntariado pra ser a rainha – e piscou para a menina que ficou totalmente sem jeito.— Arrumem um quarto vocês dois e vamos voltar ao que interessa – Gail não perdeu a chance de provocar a amiga. As últimas alunas sortearam as cartas e Ally anotou quem faria qual carta.— Certo, vamos sortear agora os personagens do Jardim das Flores. Os alunos se aproximaram apreensivos enquanto Anne escrevia vários nomes em papeizinhos e em seguida os dobrou deixando-os na palma de sua mão.— Vocês não irão se vestir como flores, apesar de terem nomes de uma – Anne explicava para os meninos – Suas vestimentas serão diferentes de seus colegas e será basicamente uma camisa e uma calça e alguns acessórios nas roupas – os alunos suspiraram aliviados, porém Anne não havia acabado – Só que tem um pequeno detalhe: vocês terão que cantar e dançar. O resto do grupo explodiu em risadas ao ouvir aquilo enquanto os garotos do grupo se olhavam estarrecidos.— Na história original o Jardim das Flores, que eram flores mesmo, apenas cantavam – Gracie foi falando – Só que achamos mais divertido colocar um grupo de cantores de verdade no lugar delas e eles iriam cantar e fazer coreografias, que seria dançar.— Não é muito complicado, é? – Olívio, que estava no grupo, perguntou incerto.— Na verdade não – Rose tranquilizou o amigo – Vocês só precisam ensaiar bem que vai dar tudo certo. — OK, vamos continuar – Anne esticou a mão com os papéis, todos os meninos pegaram um e seus personagens foram anotados.— Por último vamos sortear os animais do Jurí.— Acho que você quis dizer pessoas do Juri, não Ally? – Dino falou meio receoso.— Não, eu quis dizer animais mesmo. Vários habitantes do País das Maravilhas são animais falantes, apenas uns poucos são humanos, então a Rainha de Copas escolheu um Júri apenas de animais para que isso a favorecesse no julgamento.— E quais são os animais? – perguntou Lilá.— Deixe-me ver – Gail fazia uma cara pensativa – Tem algumas aves, uns peixes, uma lagosta, uma estrela-do-mar e uma foca. Nada de mais – ela assegurou. Os alunos então sortearam seus personagens e Ally anotou o de todos.— Ótimo – Rose falou chamando a atenção de todos. – Vamos entregar essas listas para o pessoal do figurino e vocês vão junto para que eles anotem suas medidas. Uma de nós vai ficar com eles para ajudar, outra vai ficar com o pessoal do cenário enquanto as outras vão buscar os materiais e fazer as cópias dos textos. Quando elas voltarem poderemos começar de verdade. Todos concordaram, ainda que alguns de má vontade.— Eu posso ficar com o figurino – Anne se voluntariou.— E eu com o cenário – acrescentou Gail.— Então nós três vamos indo trocar de roupa – Gracie apontou para si, Rose e Ally. – Nos vemos na volta.
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