–Sua bota! Kay apontou para o canto — você está esquecendo!

A bota era surrada e velha, Donald a olhou insatisfeito, ele estava com pressa, ele queria sair daquela casa, muitos outros homens já passaram por ali, só havia duas prostitutas na cidade, e se uma havia morrido, ele deveria foder outra. Como os boatos correm, não? agora ele tinha que achar mais mulheres loucas por dinheiro, "vagabundazinha" pensou ele.

A casa de kay era no extremo da cidade, talvez uma das ultimas da rua, ele saiu chutando a porta, "puta desgraçada" pensou mais uma vez, caminhou mancando para o bar onde poderia falar mal de Kay com os amigos, os mesmo amigos que iam atrás dela nas noites, Kay era odiada pelas mulheres da cidade, quando ela passava na rua havia xingamentos e cuspidas, ela evitava sair, pedia favores aos clientes fieis dela, os quais estavam apaixonados, ela era uma mulher atraente, o tempo corria devagar, sua amiga de trabalho havia sido assassinada na semana anterior, ela sabia disso e sabia por quem, não havia certeza, mas frequentar bares a deixava por dentro dos assuntos dos capangas, ela adora ouvir eles falar, sobre mulheres, sobre trafico e sobre bebida, se os caras do bar falavam era bom acreditar, boatos correm rápido, ainda mais numa cidade tão pequena.

Donald Rugdes era um homem mal, era um dos capangas mais fieis do chefão do trafico da cidade, para tal cargo de confiança ele não poderia ser casado, não queria ter que carregar esse peso, ele tava irritado no momento, nunca havia broxado na frente uma mulher, com certeza aquela putazinha vai espalhar ele pensou, a rua tava deserta, o calor havia afastado as pessoas, ele tirou o chapéu e entrou no bar.

O lugar era devastado, as mesas tinham 5 camadas de pó, os lustres estavam enferrujados e o homem atrás da bancada era enorme, parecia um leitão, sua cara era branca como se nunca tivesse visto o sol, o avental dele era branco amarelado, e havia moscas rodeando ele, Donald foi para junto do Xerife que tava na mesa do canto, o Xerife era sempre bem discreto para entrar no bar, não gostaria que as pessoas soubessem que ele frequentava aquele lugar, poderia estragar o disfarce.

–Donald! exclamou Xerife

Ele puxou uma cadeira e se sentou junta a mesa do chefe

–Chefe, como ta indo? Donald e o Xerife trocaram olhares, parecia que eles tentavam se comunicar pelos pensamentos;

–Dois Whisky, Arth!; exclamou Donald para o homem-porco de trás da bancada, o homem virou e pegou os copos.

Donald tava pensativo demais, e o Xerife percebeu.

–Desembuche, Donald! Te conheço bastante tempo para saber que você quer falar alguma coisa!

O ar parou por um momento no bar, todos hesitavam quando o xerife falava, mesmo se fosse muito baixo. Arth veio com os dois whisky, colocou um copo na frente do xerife com gelo, o que seria um agrado, e de certa forma se sentindo obrigado colocou no copo de Donald, não escondendo a cara feia, se afastou o mais rápido que pode quando percebeu que se tratava de um assunto serio.

–Preciso saber quando vamos agir, há muita gente desconfiando já; Donald parecia ofendido. Era engraçado ver um homem tão bruto escolhendo palavras para falar com seu superior, pois na cabeça dele ele queria falar "vamos lá, desgraçado, sua mãe não te ensinou não ser esse filho da puta, preciso sair dessa cidade vamos filho da puta".

–Paciência Donald, tem muita coisa em jogo; o Xerife gostava de manter suas peças ansiosas, isso deixava o plano sair com mais força quando executado.-E não me aborreça, não vamos fazer nada enquanto não tiver o quer que seja aquilo... morto! Xerife abaixou o tom para terminar a frase.

"Ora seu desgraçado, aqueles dois viadinhos não vão conseguir" pensou Donald.

–O que eu faço até lá? perguntou Donald, ele poderia muito bem assaltar alguém e sair da cidade, mas seria caçado a partir da fronteira.

" nativos nojentos" pensou Donald, controlando sua língua.

–Ora, e eu vou lá saber? Pode ajudar os dois investigadores com a mina; Xerife sugeriu.

–Vou pensar; mentiu Donald, "seu desgraçado" pensou ele.

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–Quando terminarmos aqui, quero comprar um terreno em Longlive- Charlie estava penteando o cabelo, eu não fazia muito isso, mas com um espelho favoravel no banheiro do hotel agora ele tinha condiçoes.- eu costumava ir pra lá com minha tia, lá é legal- disse Charlie. O Sol estava muito forte lá fora, ele tinha que fechar a cortina para que não entrasse tanta luz.

–Já terminou? preciso mijar...- Fuller já estava pronto para entrar na mina denovo, dessa vez eles pretendiam ir mais profundo, se houvesse alguém por trás daquilo, eles tinham que ter certeza de quem era.

Os cavalos trotavam lentamente e Charlie estava aborrecido, Fuller estava arrumando a espingarda em cima da bolsa nas costas, para que a ponta ficasse para cima, não queria acertar Charlie.

Desceram do cavalo e entram na mina, acenderam o lapião e começaram a caminhar, depois de 1 hora o ar já estava bem pesado e quente, encontraram vários sinais de algo enorme ter passado por onde andavam, havia gosmas grudadas nas madeiras e havia tuneis desabados agora. Não estavam sozinhos.

Chegaram num túnel maior e com o trilho do carrinho que servia para transporte das cargas.

–Vem, vamos ir com ele.-Fuller começou a empurrar.

–Você lembra do que aconteceu? Isso chama muita atenção e não tem como parar de imediato se apa..-Charlie parou de falar quando viu que Fuller já estava numa velocidade mais rapida, Charlie correu para alcançar.

– Fica com a arma na mão.- disse Fuller, o carrinho já estava bem mais rápido, e o túnel passava por eles mostrando as marcas das gosmas.

Depois de minutos, no tunel o carrinho estava perdendo velocidade, — relaxa, temos que para mesmo para descer até onde tinha a fogueira.-disse Fuller, andaram e logo já estavam no centro da mina, e lá embaixo onde havia um dia fogo, agora estava apagado. Com certeza não estavam sozinho.

–Como vamos descer? Charlie perguntou.

Havia uma escada no canto da ponte do trilho, quanto mais descia, o ar ficava mais pesado, e logo havia um odor, desceram todos os lances de escadas e já estavam bem embaixo da ponte do trilho, e aonde tinha a fogueira estava bem a frente deles. Charlie notou que havia roupas jogadas pelo o que teria sido um acampamento, estava tão quieto, a não ser pelo barulho da bota de Fuller quando ele andava. Charlie abaixou para pegar o que tinha visto brilhando, era um amuleto, feito a mão, era bonito, um medalhão de madeira, estava gravado uma imagem de um urso e acima dele uma coruja...-uma coruja! exclamou Charlie.

–Fuller, acho que eram os nativos, esse medalhão é indígena. Se estiver tudo certo, são eles que matam os mineradores.-Fuller parecia ter entendido, mas não estava totalmente convencido.

–Você está esquecendo das gosmas, de quem é aquilo, alias, de que?- realmente Fuller tinha razão, Charlie agora pensava como era possivel, as gosmas com certeza não era dos nativos.

Houve um barulho, um zumbido bem longe e lá em cima eles conseguiram ver, o que seria um objeto caindo lentamente até onde estavam, era o carrinho do trilho.

–Corre! Fuller gritou, alguém havia jogado o carrinho de lá de cima, eles entraram num túnel, sem saber pra onde ir, Charlie ainda estava com o medalhão na mão. -Fuller, Fuller! o medalhão, ta comigo...; Charlie corria ao seu lado, Fuller gritou algo que parecia ter sido"lorase" ( um foda-se, na verdade), algo se movia lá trás, Charlie viu pelo canto do olho, e Fuller olhou para trás afim de ver o que fazia barulho que só agora Charlie havia percebido, era um rastejo.

No final do túnel a luz estava realmente muito forte, Fuller nunca quis tanto estar lá fora, Charlie estava desesperado, suas pernas doíam e suas forças estava acabando, havia pedras caindo no túnel, e o pó se erguera de vez, atrás dele uma minhoca enorme rastejava em movimentos violentos, talvez porque fosse cega e seguia seu tato com a terra (que no momento estava caindo). Charlie não acreditava que aquilo era possível ate ver ela abrindo a boca que o fez lembrar de um hexágono de pele e dentes, inúmeros incontáveis de dentes, nunca esteve numa situação dessa, queria mostrar para todos, e ainda tinha acreditado que foram os índios que mataram os mineiros, talvez as pessoas daquele acampamento lá atrás tivesse sido morta por essa criatura.

A luz se aproximava, mais perto cada vez que Fuller tomava um impulso de adrenalina, já Charlie estava no limite, estava fazendo o que podia, mais tropeçava do que corria, faltava tão pouco, e o que havia lá fora se distinguia devagar no fim do túnel; Fuller segurou a camisa de Charlie e ambos se abraçaram para sair do túnel, foi tudo tão rápido, Fuller não conhecia o lugar onde foram parar, estava machucado na cabeça e só notou quando foi resmungar sobre não estar perto da cidade.-Mas você nem sabe, talvez se contornarmos.- protestou Charlie, eles haviam parado num campo ao lado dos canyons, havia urubus lá no alto, e parecia que a minhoca havia desistido de devora-los, "talvez não gostasse de sol" pensou Fuller, a felicidade de sair da mina passou rápido, logo desejaram estar lá dentro de novo, os nativos haviam aparecido, vários deles, lá em cima nos canyons, uns com flechas, outros com lanças, havia uma nativa com medalhão enorme no pescoço ao lado de quem parecia pelas vestes ser o cacique. Charlie reconheceu o medalhão de longe, era igual o que estava em sua mão, só mudava a imagem, o da nativa era bem detalhado na madeira e com a mesma coruja em cima, talvez como uma guardiã.

Charlie então entendeu tudo, por que não havia pensado? estava cego todo esse tempo, só os nativos poderiam ter feito aquilo, são os deuses deles.

–Aúghoi!- gritavam os nativos, sem parar, estavam clamando por algo, estavam chamando algo.

Fim do sexto capitulo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.