Maldição Wilde
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Ela já estava nervosa,não aguentava mais.Quando ela o esquecia,a mente voltava a torturá-la e arrumava um jeito de faze-la lembrar.Do gosto de menta.Dos cabelos arrumadamente bagunçados.Do jeito como ele a olhava.
Ela se amaldiçoou por isso,mas do que adiantaria?Afinal o fato de ter um família amaldiçoada desde três séculos atrás dava-lhe vantagem?Ela sabia que em algum momento teria que afastar-se dele.Mas algo a dizia que tudo daria certo,que não precisaria deixar a pessoa por quem nutria um sentimento tão puro e profundo.
Puro?Ela não sabia o que pureza significava,essa palavra perdeu o sentido quando ela fez treze anos e descobriu a verdade suja de seus ancestrais e no que estava envolvida.Ela era um grande problema,algo apesar de não saber o que dizia-lhe:"Nunca poderá viver entre nós,deverá ser aniquilada o mais rápido possível."
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Melina viu Sophia sair pela porta depois de desviar de um de seus travesseiros.
Colocou o rosto entre o colchão e emitiu um grito abafado pelo pouco espaço.
Levantou-se e colocou o travesseiro de volta no lugar.Adormeceu logo depois.Nunca dormira tanto em uma tarde de inverno.
Já eram sete da noite quando ela acordou,assustou-se,logo seria a hora do jantar.Levantou-se em um pulo.
Iria tomar banho,diziam que isso limpava a alma,mas por mais que fizesse isso mil vezes sua alma nunca seria totalmente purificada,nunca.
Perguntava-se onde estava Sophia,não a vira desde a "briga".
"Provavelmente está com a Kathleen",baniu o pensamento da mente.A loira não faria mal para uma garota inocente com Soph,faria?
Depois de sair do banheiro e trocar o uniforme horroroso,ela iria se dirigir a porta...até se lembrar de algo.
Havia recebido uma visita do irmão na semana anterior.Depois de dizer que os pais estavam ansiosos para vê-la,ele lhe entregou uma carta e disse:"É importante,Lina.Leia bem,os detalhes formam a solução..." e foi embora.
Ela ficou atônita,odiava enigmas,principalmente quando não eram necessários.Não havia aberto e não pretendia abrir aquela carta tão cedo.
Procurou dentro do criado mudo e da secretária que ficava perto da janela e por mais que procura-se,não estava nem perto de encontrar.
Andou de um lado para o outro até se lembrar.O livro de história não era um bom esconderijo,mas ela nem se lembrava de ter colocado aquilo lá.
Era um carta simples,havia algo escrito no verso.
Para Melina Wilde
Aquilo não era boa coisa,tudo que a envolvia,não era boa coisa.
Mas não era nisso que ela pensava,era no motivo daquela caligrafia não ser a de James e porque ele havia lido algo que pertencia a ela.
"Juro que quebro o pescoço dele um dia."
Guardou a carta no mesmo lugar,leria no dia seguinte.
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O refeitório estava cheio,já era hora do jantar e ela não havia visto Soph.
Avistou uma cabeleira ruiva próxima a fila,que se escondia atrás de um grosso livro.
Caminhou até lá e sentou olhando para a ruiva que havia aberto um sorriso sem mostrar os dentes.
–Onde estava,Soph?
–Encontrei lugar tranquilo para ler,só isso.
–Ótimo,mas eu posso saber que lugar é esse?
–Uma clareira no bosque.–Sophia sussurrou.
–Soph,você não pode ir lá,é proibido,se alguém souber você pode ser transferida.
–Porquê não podemos ir até lá,Lina?
–Pergunte para outra pessoa,faço essa mesma pergunta o tempo todo.Você comeu?
–Não...
–Vou pegar.
A morena levantou-se sem dizer mais nada e foi em direção a fila que não estava tão cheia.
Colocou apenas coisas que achou que Soph gostasse e um sanduíche natural para si.Se não comesse a ruiva a repreenderia por não comer nada o dia inteiro,mas que culpa ela tinha de não estar com fome?
Sentou-se novamente e jogou a bandeja para a colega.
–Devia,comer mais,Melina,não quero que você desapareça.–Alex disse chegando por trás e beijando-lhe a bochecha o que a fez sorrir.
–Não estou com fome,Lex.–ela murmurou,em seguida olhando com uma careta para o refrigerante que ele colocou em cima da mesa.
–Vocês são tão fofos juntos.Afinal o que significa "Lex"?–Soph,disse com um olhar malicioso mas ao mesmo tempo alegre,que até fazia seus olhos brilharem.
–Ela simplesmente decidiu que o "A" no meu nome dificulta.
–Alex,lógico que não.
–Não?Então qual seria o motivo?
–Não sei,eu só...Quer saber...Foda-se,não tenho motivos.
–Vocês viram o Ian?–A ruiva perguntou de repente.
–Interessada?Achei que ele estava fazendo o que você define por "perseguição".
–E está,Lina.Apenas pensei que ele viria me atormentar no jantar também.
Um moreno sentou ao lado da ruiva logo depois dela dizer isso.
–É só falar que o diabo aparece.
–Muito obrigado por "amar" minha humilde presença,Melina.
–Não seja estúpido comigo,Wolf,pode acordar sem a língua amanhã.
–Vou correr o risco.
Melina suspirou e olhou para Alex,que tinha um sorriso no rosto e os olhos fixos nos dela.
Kathleen sentou-se do outro lado da mesa com uma grande bandeja que continha dois sanduíches e dois copos com suco de uva.
–Oi,Soph,te procurei a tarde inteira,onde estava?–ela perguntou,erguendo a sobrancelha e ignorando os outros presentes.
–Eu fui conhecer mais um pouco do lugar.
–Entendo...Ah,Taylor pode sentar aqui também?
–Claro,tudo bem para você,Melina?
–Não tem problema nenhum.Olá,Kath.–A morena não precisou pensar,afinal,ela gostava muito de Taylor,e se para ficar perto do amigo,teria que aguentar a loira chata,aguentaria.
–Oi,Lina,dormiu bem?
–Sim,tive boas expectativas de que...
–Melina...–Alex olhou a garota já sabia o que ela iria dizer,no momento em que ela retribuiu o olhar percebeu que quase fez uma besteira.
–Boas expectativas de que Sophia não iria entrar em lugares proibidos.
–Sei me cuidar,Lina não se preocupe.
Um loiro se sentou ao lado de Kathleen e sorriu.
–Então você é a ruiva de quem eu estava com ciúmes.Prazer,Taylor Horn,namorado da Kath.
–Sophia.Não se preocupe,não quero roubar a Kathleen de você,afinal adoro romances.
–Você tem muito caminho a enfrentar,tem muitas camadas para derreter no coração da loira.–Ele desviou o olhar para o outro lado da mesa e viu a morena.–Lina,bom ver você,faz tempo que esqueceu de mim.
–Não esqueci de você,Tay,apenas decidi manter distância das pessoas por um tempo.Tomou os remédios direitinho?
–Eu que te pergunto se continua trocando seus medicamentos?–Ele sorriu malicioso.
–Fala baixo,idiota.–Ela sussurrou se encolhendo nos braços de Alex.
–Acho que continua.–Taylor abaixou a cabeça e olhou de canto de olho para o casal.
–Como assim troca de medicamentos,morena?–Lex perguntou depois de erguer o rosto dela com os dedos.
–Conversamos sobre isso depois,Alex,não é assunto para agora.
–Você não vai fugir das minhas perguntas,linda.
Taylor riu do outro lado da mesa.
–Ei,Horn,como está a vida?–Alex perguntou.
–Ótima,soube que trocou de colega de quarto.
–Troquei,Ian é meu novo colega de quarto.
Ian se inclinou sobre a mesa e deu um aceno com a mão.
–Então você é o Ian Wolf,nem acredito que só fui te conhecer agora,faz dois meses que chegou,não é?
–Isso aí,digamos que eu não gosto de chamar atenção.
–Faça-me o favor,Wolf,tudo que você mais ama é chamar atenção,principalmente de um certa ruiva.–Melina olhou para o garoto revirando os olhos e em seguida para a Sophia.
Soph corou logo em seguida,fazendo todos na mesa rirem.
Depois do comentário,todos comeram em silêncio,mas a morena nem mesmo tocou na comida.
–Melina,desculpa a intromissão,mas...–Ian pigarreou–Você tem anorexia?
Taylor começou a engasgar e todos na mesa se calaram quando a garota cravou a faca que segurava na mesa e agarrou Ian pela camisa.
–Escuta,Wolf,não eu não tenho,e mesmo se tivesse seria problema meu e da minha psiquiatra vadia,não de um idiota como você.
Ela largou o garoto na mesa novamente e saiu do refeitório.
Aquele era um assunto delicado para todos os membros de sua família,pela que parecia as maldições rodeavam sua vida.A cada geração pelo menos um Wilde tinha distúrbios alimentares,e dessa vez foi sua querida irmã Jenna,ela era modelo,de corpo bonito e vivia fazendo viagens,mas sempre visitava a garota no reformatório.
Ela seguiu para o andar de cima,onde nunca se encontrava nenhum aluno,afinal o prédio das aulas já era suficientemente assustador de dia.
Deixou as lágrimas caírem e deslizou pela parede.
Era tão difícil entender que às vezes,o seu estômago rejeitava tudo que ela colocava para dentro?Não era culpa dela e sim de sua natureza estúpida.Ela era mais do que uma simples adolescente revoltada.
Ela era uma Wilde amaldiçoada.
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