Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS! LEIAM AS NOTAS FINAIS! LEIAM AS NOTAS FINAIS! NÃO ESQUEÇAM!

–Eu vou te matar sua vadia! –A ruiva ouviu um grito com mais ou menos esses dizeres e como a voz era conhecida, entrou no corredor no mesmo momento, sem nem pensar duas vezes. Claro, não estava preparada para a cena que veria.

–Vem, estou louca pra ver do que é capaz! –Melina gritou sorrindo provocadora para Kathleen, que tentava á todo custo se soltar dos braços de Taylor que a segurava com força, pra evitar um possível combate.

–MAS QUE MERDA É ESSA?! –Sophia gritou assim que viu aquela cena. Lina estava rindo provocadora para Kathleen, que precisava ser segurada pelo namorado para não fazer aquilo virar uma pancadaria.

–Wow, ela falou palavrão. Sophia Merewen falou palavrão. Agora o negócio vai ficar feio. –Taylor sussurrou, mas a ruiva não estava prestando a mínima atenção nele. Sua atenção estava nas duas melhores amigas, que no momento, a olhavam.

–Simples Sophia. –Kathleen estava falando entre dentes, como se tentasse simplesmente se controlar. -Acabei de pegar a Melina e meu namorado se beijando.

Sophia arregalou os olhos e olhou para Lina. O olhar da Melina era um misto de confusão, arrependimento e diversão. A ruiva suspirou longamente, tentando dar um jeito de pensar em porque Melina faria uma coisa daquelas. Não, não, sua amiga não era assim, não sem uma motivação.

–Okay, Taylor, controle a Kat e converse com ela. Deixa que eu levo a Melina para o quarto. E depois eu e você vamos conversar rapazinho.

Taylor estremeceu. A voz de Sophia tinha uma perigosa ameaça velada e ele sabia que as garotas quietinhas, quando explodiam, levavam tudo com elas. E esse “tudo” poderia ser muito bem ele.

–Melina, vamos. –Soph foi para o lado da amiga, a tomou pelo braço com cuidado e praticamente a arrastou até o quarto, pra evitar uma possível briga entre a morena e a loira. Quanto mais longe elas estivessem uma da outra, menor seria a chance de um assassinato.

“Uma pena. Um assassinato seria legal.”

“Cala a boca Makayla, situação aqui é séria.”

Colocou sua amiga morena pra dentro do quarto e fechou a porta, trancando logo após. Então olhou com os olhos azuis indagadores:

–Eu posso explicar! –Melina disse erguendo as mãos em sinal de rendição.

–Ótimo, porque eu estou querendo muito ouvir.

As duas se sentaram na cama, suspirando. Lina olhou para a amiga. Não era fácil falar que havia beijado um cara comprometido para a ruiva, mesmo porque Sophia era a garota certinha, que tinha sempre altas expectativas sobre as pessoas. Tudo o que menos queria era decepcionar aquela ruiva.

–Olha Soph, é uma longa história. Alex e eu discutimos. Você já deve ter percebido lógico, mas foi feio. Eu fiquei magoada, ele ficou magoado. Ele disse na minha cara que só estava comigo pra esquecer outra garota. Isso dói à beça, sabia? –A morena mordeu os lábios, tentando segurar as lágrimas. –Então eu encontrei o Taylor. Meio que a gente já teve um lance antes, nada de compromisso. Só que a Kathleen pegou e por isso ela não é minha fã. E teve um clima, ele tinha discutido com ela, eu tinha discutido com o Alex. Tudo o que queríamos era liberar a tensão.

–E você resolveu que iria fazer isso pra liberar a tensão? Beijar seu melhor amigo comprometido? Qual é Melina, sei que é melhor que é isso! Isso foi tão... Caramba Lina, irracional, pra não falar outra coisa! Vamos lá, vocês dois iriam se arrepender disso mais tarde! E a Kathleen... Não importa se eles haviam brigado. Brigar é uma coisa, terminar é algo totalmente diferente!

Melina odiava levar broncas e sermões e odiava ainda mais quando estava errada. Mas ouvir Sophia falar aquilo, não tinha o efeito de outras broncas. As palavras da ruiva conseguiam se infiltrar na cabeça dela e se instalar ali:

–Soph, sinto muito! Foi um erro, okay? Das duas partes!

–Eu sei! Não estou te julgando Lina e nem a ele. Mas acho que vocês dois deveriam pedir perdão para a Kathleen. Ela é a vitima de tudo isso. E eu sinceramente acho que o melhor, seria vocês três conversarem e se acertarem. Porque por mais que você e o Taylor se resolvam, por mais que ele e a Kathleen se resolvam, se não for resolvido entre vocês três, vai ficar pairando sobre nossas cabeças eternamente. E isso pode destruir um grupo e incomodar eternamente vocês.

–Eu sei. Mas ela não vai me encarar nunca mais.

–Ela vai. Se vocês sentarem, conversarem e resolverem como pessoas civilizadas. Mesmo porque todos nós aqui sabemos que você ama o Alex, o Taylor ama a Kathleen e isso não vai mudar nunca. E que essa burrada só aconteceu porque ambos estavam carentes, brigados com quem amam. Mas não é algo que deva se repetir.

–Eu sei disso também.

–Tá, eu vou conversar com a Kat, conversar com o Taylor e por vocês três pra conversarem entre si. Mas antes: Lina, como você está? Com a coisa do Alex e tal. Pode me contar, sabe disso. Sou uma boa ouvinte e sei que está machucando.

–Porra Soph, eu o amo. Ou o mais perto de amar pelo menos. E, por mais que eu odeie essa parte de mim, eu tinha esperanças de uma relação. Tinha esperanças de que... –A primeira lágrima ameaçou rolar. –Que ficássemos juntos. Mas não, não. Nós dois somos estúpidos o suficiente pra nunca deixar isso dar certo. –Então as lágrimas rolaram. –Ele estava me usando. Idiota, canalha! Usando-me pra esquecer outra. Sinceramente, que tipo de pessoa faz isso?

Sophia olhou para amiga, sentindo o coração na mão. Odiava ver a morena sofrer daquele jeito. Puxou-a para um abraço, onde Melina enfiou o rosto nos cachos ruivos e chorou.

–Lina... –Soph sussurrou. –Olha vocês dois estavam estressados. Estavam brigando. Você já levou em conta o fato dele poder ter mentido? Mentido sobre estar te usando? Alex não faria isso e eu sei que ele gosta de você de verdade. A maneira que ele te olha diz tudo. Apenas um sonso não veria isso e olha que eu sou sonsa e até eu notei. Então, converse com ele, quando ambos estiverem de cabeça fria.

–Eu quero muito acreditar nisso, de verdade Soph. Mas eu duvido. –Os soluços da morena eram audíveis já. –Duvido. Por que ele gostaria de mim?

–Porque você é uma garota incrível. Forte, determinada, divertida, linda. Ele seria um idiota se não gostasse de você, isso sim.

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–Vamos lá Kathleen, por favor.

–Sophia, eu adoro você. Mas se me colocar numa sala com aquela vadia, eu irei matar ela. Então, não dá.

–Kat, se vocês não resolverem isso agora, vai perdurar pra sempre. Essa discussão mal acabada vai pairar sobre vocês eternamente, remoendo, perturbando, machucando. Escute-me: Não estou pedindo que virem melhores amigas. Estou pedindo que se resolvam.

A loira pareceu pensar um pouco. Estava tão machucada que não conseguia pensar em outra coisa senão esganar Melina e Taylor. Mas sabia que o que Sophia falava era verdade. Era a saída mais racional. O problema? Ela odiava racionalidade.

–Você venceu Soph! Mas se alguém morrer, não me culpe.

–Ninguém vai morrer.

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–Não estou pedindo Taylor, estou mandando! –A ruiva falou entre dentes, com os olhos azuis brilhando de uma forma diferente, desafiadora e perigosa. –As garotas vão e você vai porque você é grande parte do problema.

–Sophia, eu estava tão machucado quanto ás duas. Não foi algo pensado, sabe disso.

–Eu sei. –A ruiva fez um muxoxo. –Não estou te acusando Tay. Estou tentando resolver as coisas. Só isso. Ou vai virar uma guerra e eu amo vocês três, não quero que briguem, não quero ficar no meio disso. Então enquanto eu puder fazer alguma coisa, eu farei.

–Eu sei. É tão “Sophia”. –Ele riu tocando as bochechas da ruiva á sua frente. –Eu vou e vamos resolver isso.

–Só mais uma coisa: Eu não estarei por perto. É algo intimo de vocês então não quero deixar um clima desconfortável. Cuide delas pra mim, okay? Não deixe que se matem.

–Pode deixar.

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Depois de combinar tudo entre os três, Sophia sentia seu psicológico muito cansado. E isso era um problema, levando em conta Makayla e toda aquela história de ser possuída do nada. Qualquer brecha que ela poderia dar, Kayla poderia aproveitar.

“Então eles fazem os problemas e você arruma?”

“Amigos fazem coisa do tipo Makayla. Mas não espero que entenda”.

“Realmente, você é bem forte quando necessário.”

“Nesse mundo, ou você aprende á se defender, ou você morre.”

A ruiva andava sem destino pelos corredores. Melina estava dormindo, havia chorado muito e se cansado. E ela não queria ficar parada ainda. Estava preocupada com o que aconteceria no momento em que a noite caísse e os três conversassem. Aquele grupo estava sustentando ela desde que entrara no reformatório. Como Alex mesmo dissera, a ruiva havia unido àquelas pessoas e a mesma ruiva faria de tudo para mantê-los unidos.

–Desculpa. –Sophia esbarrou em alguém.

–Que é isso Soph. –Alex sorriu para a ruiva. –Vejo que está meio distraída. Isso se refere aos boatos que ouvi, do Taylor e da... –A voz dele falhou. Não queria nem sequer pensar na cena. Se pensasse, mataria alguém.

–Pois é. Acho que soube da cena que elas fizeram. Agora eu estou tentando fazer os três se acertarem. Veja bem, tentando. Não me comprometo a nada. Só aconteceu porque tanto Taylor quanto á Lina estavam magoados.

–Melina? Magoada?

–Você sabe. Enfim, foi um erro no calor do momento. Não é como se eles quisessem se pegar no meio do corredor. Afinal, eles não passam de amigos.

–É, amigos. –Alex suspirou e olhou para a ruiva. –Esse olhar acusador seu é impressão minha?

A ruiva riu:

–É. Melina me contou da discussão de vocês. Não estou julgando nenhum de vocês dois, não estava lá pra ver nada então não tenho muito que dizer. Mas o que eu posso afirmar com toda a certeza desse mundo é que vocês dois se gostam e que não podem deixar essas coisas estragarem um relacionamento que pode dar tão certo.

–O bom é ver você dando todos esses conselhos incríveis e não os seguindo. Afinal, você e o Ian não se encaixam nisso também?

–Não porque nosso caso é diferente. O meu caso é diferente. Mas não estamos aqui pra falar de mim, mocinho. Estamos aqui pra falar de você e da Melina. Não peço que se abra comigo Alex, mas peço que me ouça e pense no que eu estou falando. –Ela respirou fundo. –Você e ela têm tudo pra dar certo. Vocês se gostam e tem um nível saudável de diferença. Não podem deixar que qualquer coisinha estrague tudo. E se forem teimosos assim, vão perder tudo o que poderiam ter de mais bonito aqui dentro.

–Aham. E você tem um talento nato para a psicologia. –Ela riu. –Bem Soph, agora é a minha vez. Como você está me ajudando com algo que me deixa em conflito pra caramba, me deixa tentar também. Não peço que se abra comigo ruiva, mas peço que me ouça e penso no que eu estou falando. –A garota riu ao ver a repetição do que ela mesma havia falado. –Não sei o que você passou fora daqui. Mas sei que é uma lutadora, Sophia e que é uma boa pessoa. Sei que merece o melhor e que com certeza não merecia estar aqui. Mas uma coisa que eu poso te garantir, é que o que você e o Ian têm é algo lindo, é algo puro e algo que precisa ser vivido. Algo que você merece viver porque você merece algo bonito.

Sophia riu:

–E olhe nós aqui, psicólogos para amigos e não sabendo fazer nada com a própria vida.

–É por isso que temos um ao outro. –O loiro riu e deu um peteleco de leve no nariz arrebitado de Sophia que riu junto.

–Promete que vai pensar no que eu disse?

–Se prometer que vai pensar no que eu disse.

–Okay, Alex, prometo pensar.

–Eu também.

Eles riram mais uma vez, olhando um para a cara do outro.

–Okay, eu vou lá para o quarto ver se a Melina acordou. Teremos uma noite cheia.

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–Não se matem okay? –A ruiva falou assim que deixou Melina na sala. Eles estavam usando uma das salas vazias de aula pra conversarem o tempo que precisarem. –Resolvam-se.

Sophia saiu andando até o quarto. Não conseguia pensar que teria que esperar até a manhã do outro dia para saber o que havia dado, mas tinha. E ela tinha que esperar porque as coisas tinham que se desenrolar naturalmente.

Entrou no quarto indo direto para o chuveiro. Tomou um banho longo, pra levar todas as tensões do dia com a água. Depois se enxugou e colocou a camisola verde que uma de suas amigas, Christine, havia dado. Esta era verde esmeralda, de alcinhas até o começo das coxas e um tanto transparente.

Então a ruiva andou até o espelho e trançou lentamente os cachos ruivos, pra dormir com ele trançado. Talvez isso ajudasse á doma-los. Já havia até pensando em alisar eles, mas não. Lembraria ela o tempo todo de Kayla e ela não precisava disso.

Encarando o espelho, ela viu por ele o reflexo de quem menos esperava ver de novo no mundo e que pelo visto sempre voltava para assombrá-la, sempre e sempre.

–Devia começar á trancar portas Sophia. –Rafael sorriu zombeteiro, se aproximando da garota. –Nunca se sabe o que pode entrar.

“Sinceramente, de onde esse cara surge?”

“Do inferno”

–É. Podem entrar demônios, ladrões, ou pior, você. –Soph sorriu irônica. –Não é muito tarde pra você estar no reformatório não?

–Eu estava querendo te ver. –Ele se aproximou mais um pouco, passando os braços pela cintura fina e delicada da moça. –Soph, Soph, minha doce Sophia. Você é tão linda quanto eu me lembro. Não precisa ser assim Soph. Podemos voltar. Depois que você sair daqui...

As feições de Sophia não podiam estar mais incrédulas. E então ela riu, riu como nunca. Sua gargalhada era suave e doce, como sua dona. Não era o momento, mas a ruiva não havia conseguido se conter.

Então tirou os braços dele da cintura dela, se virando e o encarando, olho no olho, os olhos azuis faiscando de ódio:

–Escute aqui Rafael: Acho que não entendeu. Querido, eu nunca serei sua. Aceite que nunca vai me ter de boa vontade. Você sabe o que fez, eu sei o que você fez. Mas não está satisfeito não é? Afinal, você não conseguiu me ter de boa vontade. E vou te falar: Nunca vai conseguir. E não adianta tentar me derrubar pra conseguir o que quer, porque sou mais forte. Vá em frente, tente me por de joelhos. Você tentou não é? Mas ainda estou de pé. –Cada palavra dela era proferida com uma sensatez espantosa. –Saia do meu quarto. Agora. Ou vou aprontar um escândalo que nem o Papa pode te salvar. AGORA!

Rafael a olhou, espantado, mas se aproximou da porta. Assim que pôs um pé pra fora, ouviu Sophia dizer:

–Ah, e da próxima vez que colocar as mãos em mim, será a ultima vez que as terá. –Dizendo isso ela fechou a porta que bateu num estrondo.

Notas finais
Gente, sinceramente: TREZE leitores! E NENHUM COMENTÁRIO! Gente, isso é de dar vergonha e decepcionante pra qualquer escritor. POR FAVOR, comentem! Tenham o mínimo de consideração.