Maldito vampiro.
28 Plano de fuga
Capítulo 27
Edward.
— Maldito seja. — Eric entrou batendo a porta do salão real em que Edward estava revisando alguns papéis, os quais todo Czar deveria estar a par. Assuntos esses que envolviam segredos de todos os nobres russos e de monarcas de muitas outras nações.
A sala do trono estava revestida com as mais finas tapeçarias bordadas por todas as paredes, havia grandes retratos de todos os antigos Czares que reinaram na Rússia e estranhamente, o de Eric não estava lá. Ele havia apagado todas as provas de que ele havia existido pelo menos todas as provas que contivessem sua imagem.
O mais deslumbrante era o teto com a pintura de um baile, onde os nobres dançavam; as mulheres com seus vestidos elegantes e os homens com roupas negras e misteriosas, enquanto Catarina I fora retratada em seu trono, observando a tudo e a todos. E os afrescos dourados em volta das janelas eram magnífico aos olhos.
Grandes janelas eram os espaços que separavam uma pintura da outra e essas estavam cobertas por cortinas vermelhas que eram limpas todos os dias pelos criados. E hoje não era diferente.
Criados limpavam o salão real. E outros andavam de um lado para o outro, conduzindo Edward nas responsabilidades do governo e nos segredos da Rússia.
— Bom dia para você também, meu bom amigo. — Edward disse sem levantar os olhos dos documentos que revisava.
— Não me venha com gentilezas, pois hoje não está sendo um bom dia. Foi à frente com essa loucura e casou-se com esta inglesa.
— Você nunca foi xenofóbico. Então qual é o problema? — ele perguntou friamente, tirando seus óculos e largando os papeis em cima da mesa. Despediu seus servos com um simples gesto e encarou seu mentor.
— Qual é o problema? — Eric bufou e apertou seus punhos. — Casou-se com uma mulher que não ama. Esse é o problema.
— Fiz o meu dever. A Rússia é um país instável, o qual precisa de um Czar e uma Czarina para dar solidez e confiança aos habitantes.
— E para isso precisava sacrificar toda a sua vida? Já disse que não vale à pena trair seu coração, por um país que o trairá uma hora ou outra. — ele o olhou com raiva. — Você mandou-me para longe durante um mês, para que pudesse se casar sem minha interferência. Sabia que eu não aprovaria.
— Sinto muito em lhe dizer, mas eu não preciso de sua aprovação. Ficaria muito feliz se a tivesse, mas já que não a tenho, faço as coisas sem ela do mesmo jeito.
— Pois bem, e o que pensa em fazer em relação à Isabella? — Eric perguntou com as mãos em punho, seus lábios crisparam de irritação.
— Não mencione o nome dela, por favor. — ele disse tentando afastar às imagens, de uma doce ruiva que um dia jurou amar e a qual abandonou por fraqueza.
— Por que não? Pensei que já havia se esquecido dela. Sabe que provavelmente a essa altura, ela já sabe que você se casou com Rosalie?
Ele suspirou. Ela deveria estar furiosa, mas ele não poderia largar sua mãe e irmãs, assim como deveria proteger os filhos de seu irmão e toda a Rússia.
— Soube alguma coisa dela? — ele olhou para Eric com os olhos molhados pelas lágrimas, mas rapidamente lembrou que os homens não choram e as pôs de volta em seu lugar. Ele estava com o coração destroçado, mas não podia admitir.
— Sim, soube algo dela, mas não tenho certeza se você merece saber. — Eric deu a volta para sair, mas Edward levantou de sua cadeira e avançou em sua direção.
— Fale-me, por favor. — ele implorou, não teve a coragem de mandar alguém atrás de informações sobre ela, pois temia arriscar a vida de um inocente, ou ainda pior, ter a certeza de ela sofria.
Eric o olhou por um momento em silencio, avaliando se ele era sincero. E Edward o olhou apreensivo.
— Ela está grávida. Todos os jornais da Inglaterra estão comentando. O marido dela é um dos nobres mais ricos da Inglaterra e todos se alegram que tenha um herdeiro a caminho.
— O filho é dele? Não perderam tempo. — disse amargamente, sem poder conter o ciúme em sua voz.
— Está grávida de seis meses.
— Isso quer dizer... — os olhos de Edward arregalaram-se e ele começou a suar frio.
— Que o ser dentro do ventre de Isabella, é seu filho. — Eric disse calmamente.
— Maldição. — Edward socou a porta e olhou a Eric como se fosse um louco, seu olhar era o de um homem cansado da vida e louco demais para discerni o que deveria fazer. — Arrume minha bagagem. Iremos atrás de Isabella e de meu filho.
— Você não conseguirá chegar perto dela sem que ele o perceba. Você quer morrer? Não posso deixar o único Czar da Rússia, morrer em um buraco fétido da Inglaterra. E mesmo que esperemos que ele saia de casa, ela ainda deve estar sendo vigiado, muito bem vigiada na verdade.
— Então o que você planeja? Deixar meu filho e minha mulher nas mãos daquele crápula?
— Sua mulher, agora é Rosalie Rutherford. Não foi isso que você andou fazendo pelas minhas costas? Casando com uma mulher que você não ama? — Eric ergueu a sobrancelha para ele desafiante.
— Era o meu dever. Isabella é a mulher que amo. Mesmo sendo uma vampira. — ele disse esfregando os cabelos que entravam na frente de seus olhos. — Eu não vou deixá-la sofrer. E não irei deixar que aquele homem crie meu filho.
— Sabe, eu quero muito livrá-la desse monstro, mas não acredito que você a mereça. Você percebe que tomou a decisão de ir atrás dela ao saber que ela está grávida de você? Antes você não iria...
— O que quer que eu faça? Eu a amo, mas um amor por um filho é algo mais forte do que tudo. Mas isso não quer dizer que não a quero para mim.
— Não estou dizendo que você não a quer. Só estou dizendo que você não a merece. Vou ajudá-lo a livrar ela, mas se ela decidir ficar longe de você, eu não a culparei.
Edward o olhou raivoso.
— Irá ajudar-me ou não?
Eric assentiu.
— E o que você pretende fazer? Você não conseguiria nem chegar perto dele sem que um dos servos dele o impedisse e se isso fosse possível, ainda sim você não passaria por ele.
— Tenho que tentar. — ele disse olhando para Eric com determinação. — É meu filho e a mulher que amo. Eu só preciso saber se contarei com sua ajuda.
— Você ainda pergunta? Eu jurei protegê-lo, meu juramento se estende a seus filhos. E prometi ajudá-la também.
— Obrigado. — eles se abraçaram como se fossem pai e filho; o que de certo modo era verdade, pois se consideravam como se assim fosse. — Preciso que me transforme. — sussurrou em seu ouvido.
— O que? Não, não posso fazer isso com você. — Eric se separou do abraço.
— É o único modo de proteger a minha família.
— Mas se eu transformá-lo, quem assumirá o seu lugar? Você não poderá sair enquanto sol estiver raiando, ninguém aceitará um soberano que só governa seu reino a noite. Acredite, eu tentei. Consegui por um tempo é verdade, mas aqueles tempos eram outros e a Rússia, não tinha essas porcarias de bailes e eventos, um Czar só precisava estar sentado em seu trono governando ou em guerras, essas poderiam ser feitas à noite. É muito perigoso. — Eric estava confuso, imagens de tempos passados lhe invadiam a mente.
— Eu não planejo continuar no poder. — ele agarrou a cabeça de Eric, para que esse o olhasse nos olhos. — Escute! Eu não me casei com Rosalie por um simples dever com a Rússia. Embora eu não a ame, eu aprendi a respeitá-la no pouco tempo em que fomos noivos. Ela sempre teve idéias à frente de seu tempo, ela é uma mulher digna e inteligente. Eu confio nela para cuidar da Rússia.
— Uma mulher? Você está louco, Edward? Eles vão cair em cima dela como urubus em um pedaço de carniça. Não descansarão, enquanto não a tirarem do poder. Catarina sua avó foi capaz, mas ela era ao menos Russa, uma inglesa seria uma catástrofe.
— Eu conto com você para ajudá-la. Depois que você me ajudar a recuperar meu filho e Isabella. Você cuidará dela para mim, até que Adrian tenha idade suficiente para assumir o poder. Ele é o verdadeiro herdeiro da coroa. Eu tenho certeza que meu sobrinho será um grande Czar. Adrian é como o pai dele e embora seja ainda um garoto, eu posso ver que ele tem a mesma bondade que meu irmão Adrian, tinha no coração.
— Mas é justo com Rosalie?
— Eu sei que não, mas tenho certeza que ela fará o melhor por esse país, e serão apenas dois anos, Adrian já tem dezesseis. Está na hora de eu pensar um pouco em mim e não nesse país. Eu passei anos terríveis na guerra, mesmo não tendo sido obrigado, foi uma escolha minha, eu sei, mas mesmo assim foi duro e assustador. E eu lutei pelos os outros. Preciso de sua ajuda, como o pai que eu considero.
— Pode contar comigo, meu filho. — eles se abraçaram e logo se separaram, pois um criado entrou no exato momento e os olhou desconfiado. Eles sorriram um para o outro. — Quando partiremos?
— Logo, mas preciso que me faça um grande favor antes.
— Diga, farei qualquer coisa.
— Preciso de ajuda... para forjar minha morte.
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